Sustentabilidade
Demanda aquecida por farelo de soja amplia oportunidades para agregação de valor ao processamento de soja no Brasil – MAIS SOJA

O avanço do processamento de soja no Brasil amplia as oportunidades de geração de valor a partir do grão, impulsionado pela crescente demanda por farelo e por seus diferentes mercados de destino. Em um cenário marcado por safra recorde, aumento do esmagamento e crescimento da cadeia de proteína animal, o produto continua a ganhar relevância, diante da previsão de que o volume total de proteína animal alcance 34,26 milhões de toneladas em 2027 no Brasil, puxado pela expansão da produção de aves e suínos.
A safra brasileira de soja 2025/26 foi a maior já registrada na história, segundo estimativa Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com 180,4 milhões de toneladas, uma alta de 5,2% em relação à temporada anterior. Ao mesmo tempo, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta processamento recorde de 63,5 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,9 milhões de toneladas de farelo.
Segundo Marcelo Sato, diretor de esmagamento de grãos da ADM para América do Sul, o movimento mostra como o crescimento da produção agrícola pode se desdobrar em oportunidades para diferentes elos da cadeia de soja. “O farelo precisa ser analisado como parte de uma cadeia integrada. Quando processamos soja, estamos conectando a produção do campo a diferentes mercados e aplicações. A combinação entre uma safra de grande escala, capacidade industrial e demanda por derivados cria oportunidades para agregar valor ao grão, diversificar seus destinos e fortalecer a integração da cadeia produtiva brasileira.”, explica.
De acordo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a participação do farelo de soja na margem de processamento das indústrias atingiu novas máximas, representando a maior participação em quase dois anos.
Farelo conecta soja e proteína animal
Uma das principais conexões está na cadeia de proteína animal. O farelo de soja é utilizado na alimentação animal e, portanto, acompanha a dinâmica de setores como avicultura e suinocultura. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta crescimento da produção brasileira dessas proteínas em 2026: a produção de carne de frango pode avançar até 5,6% sobre 2025, enquanto a de carne suína pode crescer até 5%.
Essa relação ajuda a explicar a importância do farelo no mercado doméstico, ao mesmo tempo em que o Brasil mantém presença relevante no comércio internacional do produto. A Abiove projeta exportações brasileiras de 24,8 milhões de toneladas de farelo de soja em 2026.
“Existe uma conexão direta entre a capacidade de processamento da soja e o abastecimento da cadeia de proteína animal. O crescimento da produção de aves e suínos amplia a importância de uma oferta consistente de ingredientes para nutrição. Para uma empresa integrada como a ADM, acompanhar esses movimentos permite conectar originação, processamento, logística e os mercados consumidores de forma coordenada”, acrescenta Sato.
Nesse modelo, farelo e óleo fazem parte de uma mesma lógica industrial: ampliar os usos da soja e gerar valor a partir do processamento do grão. Segundo o especialista, a possibilidade de destinar esses derivados a diferentes mercados, tanto no Brasil quanto no exterior, dá maior flexibilidade à indústria para responder às condições de oferta e demanda, aos preços, à logística e às margens ao longo do ciclo. Dessa forma, o processamento permite aproveitar diferentes oportunidades de mercado e ampliar o valor gerado a partir da soja.
“O potencial do farelo não está isolado do restante do complexo de soja. Quanto mais eficiente for a conexão entre a disponibilidade do grão, a capacidade de processamento e a demanda pelos derivados, maiores são as possibilidades de geração de valor ao longo da cadeia. O Brasil reúne produção agrícola em escala, uma indústria processadora desenvolvida e cadeias consumidoras relevantes, especialmente na proteína animal”, conclui Sato.
Sobre a ADM
A ADM desbloqueia o poder da natureza para enriquecer a qualidade de vida. Somos um gestor e processador essencial da cadeia de suprimentos agrícola global, proporcionando segurança alimentar ao conectar necessidades locais com capacidades globais. Somos um fornecedor de nutrição humana e animal de ponta, oferecendo um dos portfólios mais amplos da indústria de ingredientes e soluções provenientes da natureza. Somos pioneiros em saúde e bem-estar, com uma linha líder no setor de produtos para consumidores que buscam novas maneiras de viver de forma mais saudável. Somos inovadores de ponta, orientando o caminho para um futuro de novas soluções bio-based para consumidores e indústrias. E estamos liderando esforços de sustentabilidade orientados pelos negócios, que apoiam um setor agrícola forte, cadeias de suprimentos resilientes e uma bioeconomia vasta e crescente. Ao redor do mundo, nossa expertise e inovação estão atendendo a necessidades críticas, desde a colheita até a mesa. Saiba mais em www.adm.com
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Ainda sem negócios? Mercado de soja não engrena, mas uma região tem melhora nos preços; saiba qual

O mercado brasileiro de soja teve mais uma sessão praticamente sem negócios nesta quarta-feira (7), com indicações apenas nominais no físico. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que o spread entre compradores e vendedores permanece elevado, mantendo a comercialização travada.
Na Bolsa de Chicago, as cotações registraram leves perdas, enquanto o dólar apresentou pequena alta. Os prêmios no spot também não tiveram alterações relevantes, resultando em poucas variações nas referências ao longo do dia.
“O spread segue forte entre os players, mas o mercado está zerado em termos de negócios”, resume Silveira.
No mercado físico, os preços apresentaram movimentos distintos entre as principais praças brasileiras.
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 147,40 para R$ 148,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 148,40 para R$ 149,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 143,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
- Dourados (MS): caiu de R$ 144,00 para R$ 141,00
- Rio Verde (GO): caiu de R$ 141,00 para R$ 140,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 154,00
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 156,40 para R$ 157,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira com preços mais baixos para grão e óleo, e cotações mais altas para farelo. O mercado foi pressionado por uma série de fatores, como a perspectiva de um relatório negativo de oferta e demanda, que será divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A força do dólar frente a outras moedas e a ausência da China na ponta compradora, em função de feriado por lá, completam o quadro baixista.
Analistas consultados pelas agências internacionais indicam que o número para a safra dos Estados Unidos em 2026/27 deverá ficar em 4,541 bilhões de bushels. Em setembro, a previsão era de 4,535 bilhões.
Em relação aos estoques de passagem, o mercado aposta em número de 311 milhões de bushels, contra 310 milhões indicados em setembro. Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais 2026/27 de 123,8 milhões de toneladas, recuando frente aos atuais 124 milhões. Para 2025/26, o USDA deverá reduzir sua estimativa de 125,3 milhões para 125,2 milhões de toneladas.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com baixa de 5,50 centavos de dólar por bushel ou 0,42%, a US$ 12,97 1/2 por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 13,14 1/2 por bushel, recuo de 4,75 centavos de dólar por bushel ou 0,36%.
Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com ganho de US$ 11,00 por tonelada ou 3,10%, a US$ 365,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 67,68 centavos de dólar por libra-peso, retração de 2,23 centavo ou 3,18%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,74%, sendo negociado a R$ 5,0142 para venda e a R$ 5,0122 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9821 e a máxima de R$ 5,0162.
Sustentabilidade
Rotação de culturas melhora a qualidade do solo e amplia a resiliência das lavouras à seca – MAIS SOJA

A rotação de culturas exerce papel fundamental na sustentabilidade dos sistemas de produção, especialmente em ambientes agrícolas caracterizados pela produção intensiva de grãos. Além de contribuir para a quebra do ciclo de determinadas pragas e patógenos, essa prática favorece a ciclagem de nutrientes no perfil do solo e promove melhorias em seus atributos químicos, físicos e biológicos.
Embora os benefícios proporcionados pela palhada das culturas de cobertura sejam amplamente discutidos, é no desenvolvimento do sistema radicular dessas espécies que parte significativa dos efeitos positivos sobre o solo ocorre. A diversificação de espécies na rotação de culturas, associando plantas com diferentes arquiteturas e sistemas radiculares, contribui para a melhoria dos atributos físicos do solo. Essa estratégia favorece a formação e manutenção de macroporos, aumenta a taxa de infiltração de água, reduz a compactação e proporciona melhores condições de aeração, criando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das culturas subsequentes.
Figura 1. Raízes de culturas produtoras de grãos e de cobertura, da esquerda para a direita são raízes de milheto, sorgo, milho, braquiária, soja, centeio e trigo.
Esses efeitos estão relacionados, em grande parte, à formação de galerias e canais no solo decorrentes do crescimento e da posterior decomposição das raízes. Além de contribuírem para a estruturação do solo, as raízes também representam importante fonte de matéria orgânica. Estima-se que a massa de raízes possa corresponder a aproximadamente 23% a 45% da matéria seca da parte aérea das culturas, dependendo da espécie cultivada e do sistema de manejo adotado (Bordin et al., 2008).
Os benefícios proporcionados pela cobertura vegetal também se refletem diretamente na capacidade de infiltração de água no solo. Experimentos conduzidos pela Embrapa demonstraram diferenças expressivas entre ambientes com e sem cobertura vegetal, com taxa de infiltração de 140 mm por hora no solo coberto, enquanto no solo sem cobertura essa taxa foi de apenas 17 mm por hora (Antunes & Zanella, 2026).
Figura 2. Taca de infiltração de água no solo em função da presença e ausência de cobertura vegetal no solo.

Esses resultados reforçam a importância da cobertura vegetal não apenas para a conservação do solo, mas também para o aumento da capacidade de infiltração e do armazenamento de água no perfil. A associação entre maior infiltração e adequada retenção de água contribui para ampliar a resiliência das plantas em condições de estresse hídrico, favorecendo a manutenção do potencial produtivo da cultura mesmo durante períodos de estiagem de curta duração.
A importância do cultivo de espécies de cobertura para aumentar a resiliência e o potencial produtivo da soja cultivada em sucessão também é evidenciada por pesquisas da Fundação Rio Verde. Conforme destacado por Pengo et al. (2025), embora os resultados variem de acordo com a espécie utilizada e o sistema de manejo adotado, a soja cultivada em sistemas de rotação apresenta produtividade superior àquela cultivada sob pousio. Entre os sistemas avaliados, aqueles que integram soja ou milho com braquiária proporcionaram incremento médio de até 5,1 sc/ha na produtividade da soja em comparação ao cultivo sem rotação.
Além dos aspectos supracitados, vale destacar que a diversificação de espécies na composição do sistema de rotação de culturas é fundamental não apenas para a melhoria da qualidade do solo, mas também para a redução da pressão de pragas, doenças e plantas daninhas sobre a cultura principal, contribuindo de forma indireta para o manejo fitossanitário da lavoura.
Veja mais: O que considerar no posicionamento das plantas de cobertura?

Referências:
ANTUNES, J. M.; ZANELLA, V. PESQUISA SELECIONA CULTIVARES DE AVEIA-PRETA PARA RECUPERAÇÃO DE SOLOS NA SERRA GAÚCHA. Embrapa, 2026. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/148451545/pesquisa-seleciona-cultivares-de-aveia-preta-para-recuperacao-de-solos-na-serra-gaucha >, acesso em: 07/10/2026.
BORDIN, I. et al. MATÉRIA SECA, CARBONO E NITROGÊNIO DE RAÍZES DE SOJA E MILHO EM PLANTIO DIRETO E CONVENCIONAL. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.43, n.12, p.1785-1792, dez. 2008. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pab/a/jSkKdJ4Vp6DFXx8BXpnr6zz/?lang=pt >, acesso em: 07/10/2026.
PENGO, R. et al. MANEJO DE PLANTAS DE COBERTURA NA SEGUNDA SAFRA: SAFRA 2024/25. Fundação Rio Verde, Resultados de Soja e Milho Ao longo de 10 safras, 2025. Disponível em: < https://fundacaorioverde.com.br/wp-content/uploads/2025/12/Manejo-de-Plantas-de-Cobertura.pdf >, acesso em: 07/10/2026.

Sustentabilidade
Quebra de safra e maior dependência de importações desafiam planejamento da indústria do trigo para 2027 – MAIS SOJA

As perdas provocadas pelo clima na safra brasileira de trigo e a maior necessidade de importação do cereal colocam o abastecimento entre os desafios da indústria de moagem no planejamento de 2027. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), as compras externas podem se aproximar de 9 milhões de toneladas no ciclo atual, acima da projeção inicial de 7,5 milhões. A produção nacional é estimada em cerca de 5,7 milhões de toneladas, mas a disponibilidade para os moinhos também depende da qualidade dos grãos e dos volumes já comprometidos.
Para os moinhos, a necessidade de ampliar as compras no exterior exige atenção aos prazos de reposição, às condições de transporte e à variação do câmbio. A concentração da demanda em períodos mais curtos, somada às incertezas geopolíticas e aos custos de frete e seguros, torna mais complexo o planejamento da aquisição de matéria-prima.
É nesse contexto que a Abitrigo promoverá o 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, de 21 a 23 de outubro, no Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro (RJ). O encontro reunirá representantes da cadeia e especialistas para trocar informações, analisar as perspectivas do mercado e discutir estratégias que contribuam para as decisões de abastecimento e gestão no próximo ano.
“O mercado nacional de trigo enfrenta um período crítico, em que as oscilações do clima forçam uma revisão profunda no planejamento do abastecimento”, enfatiza o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa. “Essa necessidade de buscar volumes adicionais no exterior traz impactos diretos para a operação, deixando o setor exposto às flutuações cambiais, ao aumento de fretes e seguros e às incertezas do cenário global. Nenhum moinho enfrenta esse cenário isoladamente. Por isso, o Congresso será o ambiente ideal para debatermos saídas práticas, alinharmos estratégias e identificarmos oportunidades diante deste momento de transição.”
Abastecimento e gestão na programação
As projeções de safra e comercialização do trigo no Brasil e no mundo serão discutidas no dia 23 de outubro, com análises de Elcio Bento, da Safras & Mercado, Índio Brasil dos Santos, da Solo Corretora de Cereais, e Oscar Spaccasassi, diretor de Comercialização de Trigo e Cevada da Bunge, na Argentina. O painel será moderado pelo conselheiro da Abitrigo e CEO do Moinho do Nordeste, Valdomiro Bocchese. O debate abordará as perspectivas de oferta e mercado que orientam as decisões de compra da indústria.
A programação também tratará de fatores que influenciam os custos e a operação dos moinhos. No dia 22, o analista de assuntos internacionais da CNN Brasil e colunista do Estadão, Lourival Sant’Anna, e o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, discutirão o panorama político, econômico e geopolítico, com moderação do presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa. À tarde, o tema inteligência em gestão reunirá Antonio Maciel Neto, da Academia CEO, e Marcelo Treff, consultor em Gestão de Carreira e Desenvolvimento Gerencial, com mediação do superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio. No mesmo dia, o painel sobre ciência do consumo abordará saudabilidade e farinhas funcionais, com Alessandra Rascovski, Lorenzo Rancati e Priscila Ariani, sob moderação de Vanderli Marchiori.
A programação contará ainda com workshops técnicos e sobre “O futuro do mercado de Farelo de Trigo”, com o especialista em manejo pós-colheita e processamento de grãos do IGP Institute/Kansas State University, nos Estados Unidos, Carlos Campabadal, e coordenação do fundador e consultor sênior da IL Lima Consultoria em Nutrição Animal, Ideraldo Luiz Lima.
No dia 23, a discussão sobre o processo regulatório e seus impactos para as empresas terá a participação do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Goulart, e da CEO da NutraLíder Consultoria Regulatória, Luiza Zanatta, com moderação de Carlos Augusto Neves da Rocha, conselheiro da Abitrigo e CEO do Grande Moinho Cearense.
O Congresso começará na noite de 21 de outubro, com palestra de Alexandre Slivnik sobre liderança. Paralelamente aos debates, a feira de negócios reunirá fornecedores de máquinas, equipamentos, insumos e tecnologias para o setor.
As inscrições e a programação completa estão disponíveis clicando aqui.
SERVIÇO
33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo
- Data: 21 a 23 de outubro de 2026
- Local: Windsor Barra Hotel – Rio de Janeiro (RJ)
- Informações e inscrições, clique aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa
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