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6 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Imea projeta queda de 7,5% na produção de milho em MT para a safra 26/27 sob alerta do clima – MAIS SOJA

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Em out/26, segundo o Imea, a área de milho em MT para a safra 26/27 é estimada em 7,48 mi de ha, avanço de 0,59% ante a safra 25/26. A produtividade é projetada em 119,64 sc/ha, queda de 8,05% frente ao ciclo passado, refletindo uma expectativa mais conservadora diante dos possíveis impactos do El Niño sobre a distribuição das chuvas ao longo do ciclo. Com isso, a produção está estimada em 53,68 mi de t, recuo de 7,50% no comparativo anual.

Como ponto de atenção, a semeadura da soja iniciou em ritmo mais lento em MT e, caso esse cenário persista, poderá reduzir a janela do milho segunda safra. Contudo, caso as chuvas se regularizem ao longo de outubro, a elevada capacidade operacional das propriedades pode acelerar os trabalhos e recuperar parte do atraso inicial da oleaginosa. Com isso, se o avanço da soja ocorrer em um período favorável, contribuirá para que parcela relevante do milho seja semeada dentro da janela ideal e reduzindo a exposição dos riscos climáticos no fim do ciclo.

Confira os principais destaques do boletim:
  • QUEDA: o preço do milho em Chicago recuou 4,46% ante a semana passada, encerrando o período cotado a US$ 5,09/bu, pressionado pelo avanço da colheita da safra norte-americana.
  • VALORIZAÇÃO: O dólar avançou 1,16% ante a semana passada, registrando média de R$5,21/US$, impulsionado principalmente pelo movimento global de aversão ao risco.
  • BAIXA: o preço da saca de milho na bolsa B3 apresentou queda de 4,10% ante a semana passada, encerrando a semana cotada a R$ 72,90/sc.
A semeadura do milho argentino da safra 26/27 alcançou 22,20% dos 8,40 mi de ha projetados.

Segundo a Bolsa de Cereales, até 30/09/26 foram implantados cerca de 1,87 mi de ha, com maior avanço no Centro-Leste de Entre Ríos (80,00%), Núcleo Norte (62,20%) e Centro-Norte de Santa Fe, com 51,40%. Apesar da estabilidade da área nacional frente à safra 25/26, sua distribuição regional deve mudar, com menor intenção de plantio no NOA e NEA, compensada por expansão em Santa Fe, regiões Núcleo, Entre Ríos e partes de Buenos Aires. Para a safra 26/27, a produção é estimada em 66,00 mi de t, alta de 3,13% frente as 64,00 mi de t previstas para 25/26, atual recorde.

Com a área praticamente inalterada, o acréscimo de 2,00 mi de t está ligado à expectativa de maior rendimento médio, favorecida pela melhor disponibilidade hídrica e por um início de ciclo mais favorável em importantes regiões produtoras.

Ainda assim, a renovação do recorde dependerá da manutenção dessas condições nas fases críticas da cultura e da evolução dos riscos de excesso de umidade, pragas e doenças.

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Fonte: IMEA



 

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Sustentabilidade

Arroz/BR: Semeadura alcança 19,7% com avanço no Sul e boas condições no PR – MAIS SOJA

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Arroz/BR:19,7% semeado. No RS, a semeadura avança conforme a drenagem das áreas de várzea. Em SC, as áreas semeadas apresentam, em geral, bom desenvolvimento inicial, especialmente no Litoral Norte e no Alto Vale do Itajaí. O excesso de chuvas dificulta o preparo e o nivelamento do solo, limitando ainda o controle inicial de plantas invasoras.

No MA, o plantio do arroz irrigado, que corresponde a cerca de 7% da área total, está quase finalizado e a colheita já está ocorrendo apenas nas áreas em Grajaú. No PR, as áreas semeadas encontram-se em boas condições e o plantio está em mais de 70%.

Fonte: Conab



 

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FONTE

Autor:Conab

Site: Conab

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Sustentabilidade

Imea mantém produção de soja em MT em 48,88 milhões de t para a safra 26/27 – MAIS SOJA

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No último mês, o Imea manteve as estimativas de produção para a safra 26/27, uma vez que não houve mudanças expressivas nos fundamentos de mercado em relação ao que foi observado na projeção de abertura. Ao todo, o estado deve produzir 48,88 milhões de toneladas, distribuídas pelos 13,05 milhões de hectares.

A produtividade ainda está mantida em 62,44 sc/ha, inferior ao observado nas últimas duas safras, que apresentaram rendimentos excepcionais, com médias acima de 66,00 sc/ha em ambas as safras. Com o avanço dos trabalhos a campo, a distribuição e a continuidade das precipitações serão determinantes para confirmar o potencial produtivo inicialmente projetado ou subsidiar eventuais revisões nas estimativas futuras. Para as próximas semanas, as atenções se voltam para as condições climáticas, especialmente para as altas temperaturas previstas para dezembro, o que pode interferir no potencial produtivo da cultura.

Confira os principais destaques do boletim:

  • RETRAÇÃO: o prêmio Santos registrou queda de 2,87% durante a semana, pressionado pela oferta elevada da safra norte-americana, encerrando o período com média de ¢US$ 143,00/bu.
  • DESVALORIZAÇÃO: o contrato futuro de mar/27 em Chicago recuou 2,17% em relação à semana passada, reflexo da realização de lucros e maior cautela dos investidores.
  • QUEDA: a paridade de exportação em MT para março de 2027 recuou 0,61%, no comparativo semanal, acompanhando o enfraquecimento das cotações em Chicago.
Preço da saca de soja em MT atingiu o maior nível dos últimos dois anos.

No início do ano, as cotações da oleaginosa no estado seguiram pressionadas pela elevada oferta do grão em MT, reflexo de estoques formados por duas safras de boa produção que, mesmo diante da demanda aquecida, não foram suficientes para absorver toda a disponibilidade. No entanto, com a procura das indústrias pelo grão para o esmagamento, que contribuiu para maior absorção da oleaginosa no mercado interno, as cotações reagiram ao longo do 3° tri/26 e, em 30/09/26, o preço da saca atingiu R$ 140,85, maior nível observado desde o pico em 2024.

O movimento contrasta com o cenário de baixa do início do ano, quando o indicador esteve abaixo de R$ 100,00/sc (o que não acontecia desde mar/24). Diante da recuperação dos preços e da menor disponibilidade da safra 25/26, os produtores intensificaram a comercialização nos últimos meses, impulsionando as negociações das safras 25/26 e 26/27.

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Fonte: IMEA



 

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Sustentabilidade

El Niño exige estratégias diferentes para a agropecuária nas cinco regiões do País – MAIS SOJA

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Equipes da Embrapa nas cinco regiões brasileiras detalharam os riscos do El Niño 2026/2027 e definiram recomendações adaptadas a cada cenário climático e produtivo. Entre elas estão o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento da semeadura e medidas de manejo e conservação da água e do solo.

Enquanto produtores da Região Sul precisam se preparar para chuvas intensas e excesso de água, em grande parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste o fenômeno deve impor o desafio oposto: escassez de água, irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas. As diferenças não se limitam às fronteiras regionais: os riscos também mudam conforme a localização, a cultura, o sistema produtivo e o período do ciclo agrícola.


Evento on-line apresenta orientações sobre o El Niño

A Embrapa realiza, no dia 9 de outubro, das 10h às 11h30, evento on-line sobre o El Niño 2026/2027, com transmissão pelo canal da Empresa no YouTube. Com participação de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a programação inclui um panorama do fenômeno, o lançamento das notas técnicas com orientações para as cinco regiões e para a gestão de riscos climáticos e um espaço para perguntas do público.

Acompanhe a transmissão aqui.

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Os contrastes aparecem em todo o mapa. No Centro-Oeste, Mato Grosso e Goiás apresentam maior risco de seca, enquanto o sul de Mato Grosso do Sul tende a receber mais chuva. No Nordeste, a preocupação é com a menor oferta de água; no Norte, a redução dos níveis dos rios pode afetar navegação, transporte e abastecimento. O Sudeste reúne áreas mais secas e mais chuvosas até dentro de um mesmo estado, enquanto, no Sul, o excesso de precipitação amplia os riscos de encharcamento, erosão e doenças nas lavouras.

O trabalho aprofunda as 163 medidas elaboradas no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o El Niño, estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a participação de cerca de 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Além de reduzir os impactos do El Niño 2026/2027, parte das recomendações pode ser incorporada ao planejamento das propriedades para aumentar a preparação diante de outros eventos e condições climáticas recorrentes.

Confira as principais recomendações para cada região:

Centro-Oeste

Cenário previsto

O El Niño 2026/2027 deve produzir cenários distintos no Centro-Oeste. Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal apresentam maior risco de seca, enquanto Mato Grosso do Sul, principalmente o sul do estado, tende a registrar maior disponibilidade de chuva.

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Na maior parte da região, a previsão indica atraso e irregularidade das chuvas na primavera, seguidos de precipitações abaixo da média, veranicos e ondas de calor no verão. O período mais crítico para a seca está projetado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O atraso das primeiras chuvas pode comprometer a condição adequada para a semeadura da safra de verão, enquanto os veranicos podem atingir as lavouras em fases de maior demanda hídrica.

Em Mato Grosso e Goiás, os riscos incluem atraso do plantio, déficit hídrico e impactos sobre a cultura em sucessão à soja, como o milho e o algodão safrinha. No Distrito Federal, as orientações gerais devem ser combinadas com aquelas destinadas às culturas produzidas na região. Mato Grosso do Sul apresenta situação diferente: o sul do estado tende a ter chuvas acima da média na primavera, mas isso não elimina a possibilidade de veranicos durante a safra.

Principais recomendações

  • Soja e milho: seguir as janelas de plantio indicadas pelo Zarc, utilizar cultivares com melhor desempenho em condições de seca e calor, escalonar o plantio e manter a cobertura do solo. Em caso de grande atraso na soja, reavaliar a substituição do milho segunda safra por sorgo ou milheto, pois são cultivos de custo e risco menores.
  • Algodão: evitar a semeadura tardia na safra ou safrinha, priorizar cultivares mais precoces à medida que avança a janela de plantio e manter práticas que favoreçam a infiltração e armazenamento de água e a conservação do solo.
  • Arroz e feijão: seguir o Zarc, utilizar cultivares mais adaptadas e reforçar as práticas de conservação do solo. No arroz, temperaturas acima de 35 °C podem provocar esterilidade das espiguetas. No feijão, o atraso do plantio pode reduzir a produtividade.
  • Cana-de-açúcar: em Mato Grosso e Goiás, concentrar a atenção na seca e no atraso das chuvas. No centro-sul de Mato Grosso do Sul, o excesso de chuva pode dificultar as operações e afetar a qualidade da matéria-prima.
  • Pastagens e pecuária: ajustar a lotação dos animais à capacidade de suporte das pastagens, manter reservas de forragem e garantir água e sombra. No Pantanal, a recomendação é acompanhar conjuntamente as chuvas, os níveis dos rios e as condições hidrológicas, além da prevenção contra incêndios.
  • Silvicultura: reforçar a prevenção contra incêndios, acompanhar focos de calor e condições meteorológicas, utilizar materiais adaptados ao calor e à seca e conservar resíduos sobre o solo.

A principal orientação é não esperar as condições adversas para agir. Além do Zarc, as medidas incluem aguardar condições adequadas de umidade antes da semeadura, manter o solo coberto, recorrer à irrigação quando houver segurança hídrica e acompanhar continuamente as previsões climáticas para aumentar a eficiência dos insumos utilizados.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) e líder da plataforma regional do Centro-Oeste, Rodrigo Garcia, mesmo com previsão de adversidades climáticas, o setor produtivo trabalha com a perspectiva de produtividades elevadas, pois faz forte investimento em tecnologias. “Esse investimento, somado à adoção de práticas agrícolas mais conservacionistas, aumenta a resiliência do sistema de produção, superando possíveis desafios climáticos que são cada vez mais recorrentes”, diz.

Nordeste

Cenário previsto

No Semiárido, o El Niño 2026/2027 pode elevar as temperaturas e alterar a distribuição das chuvas, aumentando a demanda por água, reduzindo a umidade do solo e afetando principalmente as culturas dependentes de chuva e as pastagens. Os efeitos não devem ocorrer de forma homogênea, já que o El Niño não determina sozinho a ocorrência de chuva ou seca na região e as condições do Oceano Atlântico Tropical podem amenizar ou agravar seus impactos.

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No último quadrimestre de 2026, as projeções indicam maior probabilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, com aumento dos riscos de déficit hídrico, ondas de calor e queimadas. Como o ano agrícola no Semiárido se concentra principalmente no primeiro semestre, os impactos mais significativos sobre a produção são esperados no início de 2027, durante um período decisivo da estação chuvosa.

A região chega ao atual El Niño em situação hídrica diferente da observada no episódio de forte intensidade de 2015/2016. Em agosto daquele ano, os reservatórios do Nordeste armazenavam cerca de 23% de sua capacidade. Em 2026, esse volume está próximo de 51%.

A condição inicial é mais favorável, mas chuvas irregulares ou insuficientes podem comprometer a recarga, principalmente de pequenos reservatórios.

Principais recomendações

  • Água: antecipar a formação de reservas e ampliar a captação, o armazenamento e o uso eficiente da água. Entre as alternativas estão cisternas, barreiros-trincheira, barragens subterrâneas, captação de água da chuva e sistemas de reuso, como o Bioágua Familiar.
  • Culturas agrícolas: seguir as orientações e janelas de plantio do Zarc, considerar espécies e cultivares adaptadas às condições locais e escalonar atividades. Em áreas de maior risco para o milho, o sorgo (foto abaixo) pode ser uma alternativa.

  • Solo: manter cobertura vegetal ou morta, reduzir o revolvimento, utilizar matéria orgânica e adotar práticas que aumentem a infiltração e a retenção de água e reduzam as perdas por evaporação e escoamento superficial.
  • Pecuária: planejar antecipadamente a alimentação dos rebanhos, formar e conservar reservas de forragem, manter bancos de palma-forrageira e ajustar a taxa de lotação à capacidade de suporte da propriedade.
  • Planejamento: manter reservas estratégicas de água, sementes, alimentos para os animais e insumos e acompanhar sistematicamente as condições meteorológicas, a umidade do solo e a disponibilidade hídrica.

Antecipar decisões é a principal estratégia para reduzir os riscos no Semiárido. Ajustar a produção à disponibilidade de recursos e à capacidade de suporte da propriedade, conservar o solo, usar a água de forma eficiente, formar reservas, diversificar a produção e acompanhar o clima pode reduzir a vulnerabilidade dos sistemas agropecuários.

Norte

Cenário previsto

O El Niño 2026/2027 deve provocar redução e maior irregularidade das chuvas na Região Norte, com atraso na regularização da estação chuvosa, períodos mais longos de déficit hídrico, temperaturas elevadas e redução dos níveis dos rios. Os efeitos já estão em curso e podem se intensificar entre o fim de 2026 e o início de 2027, com impactos sobre a produção agropecuária, a navegação, o transporte e o abastecimento.

Os impactos devem variar dentro da região. Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima tendem a concentrar os déficits hídricos mais severos e os efeitos sobre os rios. Roraima apresenta a situação mais antecipada: o déficit de chuva coincidiu com o período de enchimento dos grãos, e há estimativa de perdas de 30% a 50% na safra de 2026. No Pará, Amapá e nas áreas de transição do Maranhão e de Mato Grosso, a preocupação maior está no atraso das chuvas, no prolongamento da estação seca, na implantação das lavouras e no risco de incêndios.

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A redução dos níveis dos rios acrescenta um componente particular ao cenário do Norte. No Amazonas, por exemplo, a vazante pode afetar a navegação, o transporte de insumos e alimentos, o abastecimento de água, a agricultura de várzea e a pesca e a aquicultura.

Nas áreas costeiras e estuarinas do Pará e do Amapá, há ainda risco de intrusão salina nos canais de captação de água doce.

Principais recomendações

  • Mandioca, milho e feijão-caupi: seguir as indicações do Zarc, utilizar cultivares adaptadas e tolerantes ao déficit hídrico e manter o solo coberto. No milho e no feijão-caupi, evitar que o florescimento coincida com períodos de veranico e ajustar a densidade de plantas à disponibilidade de água.
  • Arroz de várzea e terras baixas: adequar o plantio e o transplante ao regime de vazante, manter a lâmina d’água mínima necessária, evitar drenagem excessiva e antecipar o preparo do solo durante a recessão das águas.
  • Açaí e cacau: no açaí de terra firme, priorizar irrigação localizada e reduzir a perda de água; nas áreas de várzea, acompanhar a retração das águas. No cacau, manter o sombreamento e a cobertura do solo e evitar podas severas durante o pico da estiagem.
  • Banana, pimenta-do-reino e outras frutíferas: utilizar irrigação localizada nas fases críticas, manter a cobertura do solo e adotar medidas para reduzir os efeitos do calor e da perda de água. Na pimenta-do-reino, a recomendação inclui o uso de tutores vivos e a prevenção do estresse radicular.
  • Pastagens e pecuária: ajustar a lotação dos animais à capacidade de suporte das pastagens, formar reservas de forragem, reforçar a suplementação e garantir água limpa e sombra. A redução da umidade pode antecipar a perda de qualidade das pastagens e aumentar o estresse térmico dos animais.
  • Água e irrigação: proteger nascentes e igarapés, ampliar ou recuperar estruturas de armazenamento, priorizar a irrigação localizada e manter cobertura morta no solo para reduzir a evaporação.

A disponibilidade de água deve orientar boa parte das decisões na região. Além de seguir o Zarc, as medidas incluem: escolher cultivares adaptadas e precoces, conservar a umidade do solo, armazenar água, adequar a irrigação e proteger lavouras e animais do calor.

Sudeste

Cenário previsto

O El Niño 2026/2027, que pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão, deve produzir efeitos distintos no Sudeste. Entre os meses de outubro e dezembro de 2026, a previsão indica chuvas acima da média em São Paulo, no Rio de Janeiro (sobretudo no centro-sul do estado) e no centro-sul de Minas Gerais.

Já o norte de Minas Gerais, o norte do Espírito Santo e o norte fluminense tendem a enfrentar condições mais secas. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região, aumentando a evaporação e a perda de umidade do solo.

Em agosto, 84% do Sudeste estavam em seca fraca ou moderada e o quadro pode piorar se a estação chuvosa trouxer menos chuva do que o esperado.
São Paulo apresenta situação diferente, com risco mais generalizado de temperaturas elevadas e chuvas escassas ou irregulares.

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Os principais riscos para a agropecuária são o déficit hídrico, as ondas de calor e o estresse térmico. Nos locais onde a chuva ficar acima da média, devem ser favorecidos a semeadura e o estabelecimento da soja e do milho de primeira safra, a formação dos frutos do café e a brotação da cana-de-açúcar.

Na cafeicultura, a atenção aumenta no fim de 2026 e início de 2027, quando as lavouras estarão em fases como floração e enchimento dos grãos. Em São Paulo, soja, milho, feijão, amendoim, café e laranja estão entre as culturas mais expostas à combinação de calor e irregularidade das chuvas. Já o milho segunda safra de 2027 tende a ficar fora do período mais crítico do fenômeno.

No Espírito Santo, o maior risco se concentra no café conilon das regiões Noroeste e Litoral Norte, onde a previsão indica intensificação do déficit hídrico. Há ainda risco de incêndios florestais e pressão sobre o abastecimento de água. Em Minas Gerais e São Paulo, o calor também pode provocar estresse térmico na pecuária leiteira. Para o Rio de Janeiro, onde há menos dados específicos, a recomendação é intensificar o monitoramento das condições locais.

Principais recomendações

  • Café: monitorar principalmente as fases de floração e enchimento dos grãos, conservar a umidade do solo e adotar práticas de manejo que aumentem a capacidade das lavouras de enfrentar o déficit hídrico e as altas temperaturas.
  • Soja e milho: seguir as janelas de plantio indicadas pelo Zarc e utilizar tecnologias e práticas de manejo voltadas à tolerância ao estresse hídrico. No milho, o Sistema Antecipe Soja-Milho pode antecipar em até 20 dias a implantação da cultura e reduzir o risco climático no final do verão.
  • Feijão: observar o calendário de plantio e reforçar o manejo da água, especialmente em São Paulo, onde a cultura é sensível a veranicos em qualquer fase do ciclo.
  • Cana-de-açúcar: reforçar a atenção nas áreas do Norte e Noroeste Fluminense e do Cerrado mineiro, com adoção de tecnologias para o manejo da irrigação e maior tolerância ao estresse hídrico.
  • Pecuária leiteira: garantir água e sombra aos animais, ajustar a lotação e ampliar a disponibilidade de forragem. O calor pode provocar estresse térmico principalmente nas bacias leiteiras de Minas Gerais e São Paulo.
  • Solo e sistemas integrados: manter o solo coberto, recuperar áreas degradadas, conservar água e adotar sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta (foto abaixo) como medidas para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos.

No Sudeste, o manejo deve considerar principalmente os riscos associados à falta de água e às altas temperaturas. As medidas incluem seguir o Zarc, acompanhar as previsões climáticas, conservar água no solo, melhorar a infraestrutura hídrica, utilizar tecnologias adaptadas ao estresse hídrico e térmico e reforçar as reservas de forragem para a pecuária.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agrobiologia (RJ) e coordenador da plataforma regional do Sudeste, Ederson Jesus, “Diante da heterogeneidade climática da região no próximo El Niño, a recomendação central é reforçar a base biológica dos sistemas produtivos: solo coberto, áreas degradadas recuperadas e bioinsumos que ajudam a planta a enfrentar déficit hídrico e calor. É um investimento que paga dividendos em qualquer cenário climático”, enfatiza.

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Sul

Cenário previsto

Na Região Sul, o El Niño 2026/2027 deve provocar chuvas mais intensas e concentradas, principalmente entre os meses de setembro e dezembro. O excesso de precipitação pode causar encharcamento dos solos (foto abaixo), erosão e perda de nutrientes, além de dificultar operações como semeadura, aplicação de insumos e colheita. A maior nebulosidade também pode reduzir a radiação solar e prejudicar o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.

A combinação de umidade elevada e períodos prolongados de molhamento das plantas favorece a ocorrência de doenças. Tempestades e ventos fortes também podem provocar danos a lavouras, pomares, florestas e à infraestrutura rural. Os impactos variam conforme a cultura, a região, a fase do ciclo e o manejo adotado.

Entre as culturas mais expostas estão os cereais de inverno, arroz irrigado, soja, milho, frutíferas de clima temperado e hortaliças. Nas pastagens, o excesso de chuva pode reduzir a qualidade da forragem, compactar o solo e favorecer sua perda. Na silvicultura, a maior preocupação são os danos provocados por tempestades e ventos fortes.

Principais recomendações

  • Trigo e outros cereais de inverno: utilizar cultivares mais resistentes a doenças e ao acamamento, escalonar a semeadura, reforçar a cobertura do solo e o monitoramento de doenças e planejar antecipadamente a colheita, a secagem e o armazenamento dos grãos.
  • Arroz irrigado: ajustar a época de semeadura para favorecer maior disponibilidade de radiação na fase reprodutiva, utilizar cultivares resistentes ao acamamento, monitorar a brusone e garantir drenagem rápida das áreas. A maior disponibilidade de água da chuva pode reduzir a necessidade de bombeamento.
  • Soja e milho: manter o solo protegido, adequar a densidade de semeadura, reforçar o monitoramento de doenças e garantir drenagem superficial eficiente. No milho, o parcelamento da adubação nitrogenada pode reduzir perdas de nutrientes por lixiviação.
  • Fruticultura e horticultura: manter a cobertura vegetal do solo, revisar os sistemas de drenagem, ajustar a adubação e intensificar o monitoramento de pragas e doenças. Para hortaliças, o cultivo protegido pode ser uma alternativa.
  • Pastagens: reforçar a conservação e a cobertura do solo e adotar medidas para reduzir os efeitos do encharcamento, da compactação e da erosão.
  • Silvicultura: acompanhar as condições meteorológicas e adotar medidas preventivas diante do risco de tempestades e ventos fortes, que podem causar danos às árvores e à infraestrutura.

No Sul, prevenção e manejo dos riscos devem caminhar juntos. Além do Zarc e do acompanhamento das previsões, as recomendações incluem escalonar a semeadura, manter o solo protegido, melhorar a drenagem e planejar colheita, secagem, armazenamento e logística. O planejamento também deve ultrapassar os limites da propriedade e considerar a microbacia hidrográfica, com medidas para controlar o escoamento da água e ampliar a capacidade de enfrentar eventos extremos.

Para o pesquisador da Embrapa Clima Temperado (RS) e líder da plataforma regional Sul, Ernestino Guarino, a palavra-chave para a região é solo coberto. Práticas de conservação que garantem a infiltração da água, como terraços e curvas de nível, também devem ser adotadas tanto em períodos de excesso quanto de falta de água, pois aumentam a segurança para o produtor.

O pesquisador também recomenda que o planejamento das atividades agrícolas considere informações divulgadas por fontes oficiais, como a Embrapa, o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e o Inmet. “Pragas e doenças também são favorecidas pelo aumento da umidade e exigem maior atenção no manejo das lavouras nesse período”, diz.

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Página reúne informações para consulta sobre o El Niño

A Embrapa reúne em uma página os principais riscos associados ao El Niño, os períodos críticos e as recomendações para cada região do País. O conteúdo é voltado a agricultores e profissionais da extensão rural

A página apresenta medidas de mitigação e gestão de riscos, orientações técnicas por cultura e criação e estratégias aplicáveis a diferentes sistemas produtivos. Entre os temas abordados estão calendário de semeadura, Zarc, manejo e cobertura do solo, alimentação dos rebanhos e sanidade vegetal e animal.

O espaço também disponibiliza notas técnicas elaboradas por pesquisadores da Embrapa, com informações detalhadas para cada região.

O site El Niño no Brasil: manejo e mitigação de riscos pode ser acessado aqui.

Fonte: Embrapa

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FONTE

Autor:Fernanda Diniz – Assessoria de Comunicação (Ascom)

Site: Embrapa

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