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5 de outubro de 2026

Sustentabilidade

O mesmo El Niño, riscos diferentes: por que médias nacionais não bastam para planejar a safra 2026/27 – MAIS SOJA

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Por Dr. Rodolfo Armando A. Pereira, especialista em agrometeorologia da Picsel*

Por muito tempo, o El Niño foi tratado como um evento de resposta única, capaz de definir se a safra brasileira seria boa ou ruim. Chuva acima ou abaixo da média, calor mais intenso ou janela climática mais favorável eram interpretados como um veredito nacional, válido para todo o território e para todas as culturas ao mesmo tempo. Essa leitura já não se sustenta. O clima se tornou uma variável que exige territorialização, e tratar um fenômeno de escala global como se produzisse um único efeito sobre o agronegócio significa ignorar boa parte dos riscos reais que afetam cada operação, do produtor à cooperativa, da trading à seguradora.

Os dados mais recentes confirmam essa complexidade. O Painel El Niño 2026-2027, atualizado em agosto por instituições como INMET, INPE e Cemaden, aponta 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, com 90% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano, segundo as previsões da NOAA. Para o trimestre setembro, outubro e novembro a expectativa é de chuvas abaixo da média em grande parte do centro-norte do país, sobretudo Norte, Nordeste e algumas áreas na faixa norte do Mato Grosso e Goiás, enquanto a Região Sul deve registrar volumes acima da média, condição que também pode alcançar o sul de São Paulo e de Mato Grosso do Sul. As temperaturas tendem a ficar elevadas em praticamente todo o território, o que reforça que estamos diante de um cenário heterogêneo, não de uma tendência única.

O próprio comportamento esperado para a agropecuária nesta safra ajuda a entender essa dinâmica na prática. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a tendência de menor volume de chuvas pode até favorecer a colheita de culturas como milho segunda safra e algodão, mas, ao mesmo tempo, intensifica a deficiência hídrica, eleva a demanda por irrigação e dificulta o estabelecimento da safra seguinte. Além disso, no Centro-Oeste, o inicio do período chuvoso pode atrasar e impactar o plantio da primeira safra e consequentemente as áreas destinadas a segunda safra. Já no Sul, o excesso de precipitação pode beneficiar culturas de inverno e favorecer a implantação de milho e soja, recompondo a umidade do solo em áreas que vinham com déficit. Dependendo da fase fenológica das lavouras e da persistência das chuvas, no entanto, esse mesmo cenário também pode elevar a pressão de doenças e comprometer operações mecanizadas no campo.

Esse exemplo revela algo importante. A informação climática só se torna útil quando é convertida em decisão específica, e essa conversão depende de variáveis que uma média nacional não captura, como localização, cultura, fase fenológica, histórico climático da região, disponibilidade hídrica e características do solo. A própria Organização Meteorológica Mundial reforça esse ponto ao destacar que os efeitos de um El Niño dependem de sua intensidade, de sua duração, da época do ano e da interação com outros fenômenos climáticos. Desconsiderar essa granularidade custa caro: resulta em decisões de manejo inadequadas, projeções de safra errôneas e estratégias de proteção desalinhadas com o risco real de cada operação.

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A pergunta que o setor deveria fazer, portanto, não é apenas se o El Niño será bom ou ruim para a safra brasileira. É onde, quando, para qual cultura e em qual intensidade determinada condição climática passa a representar risco. Quanto maior a variabilidade associada ao fenômeno, maior a necessidade de contextualizar a informação antes de transformá-la em decisão de plantio, irrigação ou gestão de risco. Modelos mais avançados de análise climática já permitem essa leitura territorializada, simulando cenários e traduzindo tendências globais para a realidade específica de cada região e cultura, o que beneficia diretamente quem está na ponta da produção.

O agronegócio brasileiro continuará exposto a fenômenos climáticos de grande escala, e o El Niño 2026/27 é apenas mais um capítulo dessa realidade. Ampliar a capacidade de interpretar essas previsões de forma territorializada já não é um diferencial técnico, é uma condição para planejar com solidez. A leitura mais útil do clima não é a que apenas descreve uma tendência geral para o país, mas a que consegue traduzir essa tendência para a realidade específica de cada operação, considerando onde ela está, o que produz e em qual momento do ciclo se encontra.

*Dr. Rodolfo Armando A. Pereira é especialista em agrometeorologia da Picsel, deeptech em inteligência de riscos no agronegócio. Bacharel em Ciências Atmosféricas pela UNIFEI, mestre e doutor em Engenharia de Sistemas Agrícolas pela ESALQ/USP, com MBA em Data Science e Analytics pela USP. Atuou como pesquisador colaborador na Embrapa Agricultura Digital, integrando o grupo do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Atualmente desenvolve soluções de gestão de risco climático no setor privado, com foco em modelagem de culturas e inteligência agrometeorológica aplicada à tomada de decisão no campo.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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Sustentabilidade

O que os dados de lavouras de soja nos dizem sobre lucratividade? – MAIS SOJA

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A agricultura é uma atividade essencialmente econômica, caso contrário, deixa de ser atrativa para os produtores, consultores e empresas. Assim, a lucratividade destaca-se como um dos principais indicadores do desempenho econômico da lavoura e constitui um fator essencial para a tomada de decisão do produtor. No entanto, trata-se de um indicador variável, influenciado por diversos fatores, como produtividade, preço de venda dos grãos, custo dos insumos, capacidade de negociação, custo de oportunidade da terra, região de produção e planejamento adotado pelo produtor.

No Soybean Money Maker (SMM), diagnóstico de lavouras de soja conduzido pela Equipe FieldCrops, se levantou uma base de dados de 516 lavouras de produtores do Brasil e do Paraguai com a finalidade de entender as relações entre a produtividade, o custo de produção e a lucratividade dos produtores avaliados. Na análise do SMM, a lucratividade é estimada a partir da diferença entre a receita obtida pelo produtor, calculada com base no preço de venda da soja e na produtividade por hectare, e os custos variáveis associados à produção. Esses custos incluem sementes, fertilizantes, corretivos, herbicidas, fungicidas, inseticidas, bioestimulantes, diesel, custo operacional por hora de cada atividade e custo de oportunidade da terra.

Na figura 1, observa-se que existe uma tendência linear e estatisticamente positiva entre a produtividade (tonelada por hectare) e o lucro (mil reais por hectare), mostrando que o principal caminho para alcançar maiores lucratividades está associado à obtenção de altas produtividades, isso se observou independentemente da safra.

Figura 1. Relação entre a produtividade (t ha-1) e o lucro de 516 lavouras de soja participantes do Soybean Money Maker da safra 2020/2021 a 2025/2026. As linhas nos gráficos de dispersão indicam os ajustes lineares para cada safra. Fonte: Equipe FieldCrops.

Já ao analisar a relação entre o custo de produção e o lucro das lavouras, verificou-se que não há relação entre estas variáveis (Figura 2). Diante desse cenário, pode-se inferir que a lucratividade da soja não está diretamente associada aos maiores ou menores custos de produção, mas aos “custos otimizados”. Ou seja, o lucro de uma lavoura de soja depende da capacidade do produtor em realizar diagnósticos precisos em suas lavouras, identificando os principais fatores que limitam a produtividade e realizando, com base nesse diagnóstico, investimentos de forma estratégica

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Figura 2. Relação entre custo de produção (mil R$ ha⁻¹) e lucro (mil R$ ha⁻¹) de 516 lavouras de soja participantes do Soybean Money Maker da safra 2020/2021 a 2025/2026. Fonte: Equipe FieldCrops.


Referências bibliográficas.

ALVES, A.F. et al., 2026. Soybean Money Maker: o resultado do diagnóstico: colher + investindo certo – Safra 2025/2026, 6 ed. Disponível em: < https://www.equipefieldcrops.com/e-books >, acesso: 12/09/2026.

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Sustentabilidade

Brasil avança na produção mundial de algodão com mais tecnologia no campo – MAIS SOJA

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O Brasil chega a um novo patamar na produção mundial de algodão. Terceiro maior produtor global, atrás apenas de China e Índia, o país deve encerrar a safra 2025/26 com produção recorde de 4,14 milhões de toneladas de pluma, segundo o 12º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro de 2026. O avanço da cultura reforça também um movimento que ocorre dentro das lavouras: a incorporação crescente de tecnologia, biotecnologia e ferramentas de precisão aos processos produtivos.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) dimensionam a importância brasileira no cenário internacional. Na safra 2025/26, o Brasil responde por aproximadamente 15,4% da produção mundial, com 18,75 milhões de fardos de 480 libras, atrás da China, com 35,8 milhões, e da Índia, com 23,8 milhões.

“Quando um país alcança essa dimensão na produção agrícola, produtividade deixa de estar relacionada apenas à expansão de área. O desafio passa a ser produzir melhor, com mais informação, precisão e controle dos processos. É justamente nesse ponto que a biotecnologia ganha importância, porque permite transformar análises e dados biológicos em decisões mais assertivas para a produção”, afirma Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para biotecnologia e diagnóstico molecular.

O desempenho nacional reforça essa busca por eficiência. De acordo com a Conab, mesmo com redução de 3,2% na área cultivada na safra 2025/26, para cerca de 2,02 milhões de hectares, a produtividade das lavouras cresceu 4,9%, chegando ao recorde de 2.053 quilos de pluma por hectare. Com isso, a produção deve superar em 1,5% o resultado da temporada anterior.

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Do campo ao laboratório

O protagonismo brasileiro no algodão também ocorre no mercado internacional. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o país exportou o volume recorde de 3,37 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e julho de 2026, crescimento de 19% sobre o ano comercial anterior. As vendas externas movimentaram US$ 5,3 bilhões e consolidaram o Brasil como maior exportador mundial da fibra.

A produção em larga escala esta diretamente combinada com o melhoramento genético do algodão, que se tornou-se um dos principais pilares da competitividade brasileira no mercado global, em uma cultura que esta cada vez mais orientada por ganhos de produtividade, qualidade de fibra e sustentabilidade. Para apoiar esse avanço, tecnologias moleculares vêm ampliando a capacidade de pesquisadores e empresas na identificação de genes de interesse, no desenvolvimento de novas cultivares e na validação genética de materiais utilizados no campo.

“O algodão brasileiro mostra como o agronegócio nacional está se tornando cada vez mais intensivo em conhecimento. E soluções para automação laboratorial em extração e purificação de DNA e RNA e PCR em tempo real para análises de genotipagem permitem acelerar processos de seleção e caracterização genética, reduzindo o tempo necessário para a obtenção de variedades mais produtivas, resistentes a doenças e adaptadas às diferentes regiões produtoras. Além disso, essas ferramentas contribuem para assegurar a qualidade genética das sementes e a rastreabilidade dos materiais ao longo da cadeia produtiva do algodão”, diz Tatiani.

Liderança aumenta exigências

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A relevância internacional do algodão brasileiro cria, ao mesmo tempo, oportunidades e novas exigências. Com o país ocupando posições de liderança na produção e nas exportações, aspectos como qualidade, eficiência, rastreabilidade e sustentabilidade ganham peso na competitividade da cadeia.

Nesse cenário, tecnologias de análise molecular e automação podem assumir papel cada vez maior, especialmente diante da necessidade de obter respostas rápidas e confiáveis, reduzir perdas, aprimorar o uso de insumos e ampliar o controle sobre processos produtivos. “À medida que o país amplia sua participação no mercado mundial, ciência e tecnologia passam a ocupar uma posição ainda mais relevante para sustentar os próximos ciclos de crescimento”, conclui a especialista da Loccus.

Sobre a Loccus

A Loccus é uma empresa brasileira especializada no desenvolvimento de soluções para biologia molecular, diagnóstico e automação laboratorial. Com foco em inovação científica e tecnológica, fornece equipamentos, reagentes, kits e sistemas automatizados para laboratórios, hospitais, universidades, centros de pesquisa e indústrias em todo o país. A companhia desenvolve soluções voltadas ao diagnóstico molecular, à genômica, à biotecnologia e à extração automatizada de DNA e RNA, contribuindo para ampliar a precisão, a segurança e a agilidade dos processos laboratoriais.

Fonte: Assessoria de imprensa

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Sustentabilidade

veja como fica o clima nos primeiros quinze dias de outubro

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Outubro começa com o tempo bastante instável em várias regiões do Brasil. No Sul, a combinação de um sistema de baixa pressão no Paraguai com a circulação de umidade mantém o risco de temporais, granizo e rajadas de vento que podem chegar aos 100 km/h em alguns pontos.

Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul estão entre as áreas produtoras de soja que mais chamam atenção nos próximos dias. A chuva pode ser persistente, com acumulados superiores a 150 milímetros, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra e transbordamento de rios.

O cenário preocupa principalmente o oeste de Santa Catarina, o centro-norte do Rio Grande do Sul e o Paraná. Em Santa Catarina, a chuva pode continuar frequente durante a próxima semana, com volumes que podem superar 150 milímetros em algumas áreas.

Com o solo já bastante úmido em determinadas regiões, novos volumes elevados podem aumentar os problemas em áreas de encosta e próximas a rios. O risco de transbordamento permanece nos próximos dias devido à sequência de chuva.

11 a 15 de outubro

Entre os dias 11 e 15 de outubro, uma janela de tempo mais seco pode trazer alívio para o Sul e favorecer os trabalhos no campo. O período tende a ajudar os produtores rurais, principalmente depois da sequência de chuva.

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A trégua, porém, pode ser curta. Na virada da quinzena, a chuva volta a ganhar força, principalmente no oeste do Rio Grande do Sul. A instabilidade deve continuar sendo monitorada em áreas onde os rios já apresentam níveis elevados.

Frio aparece no Sul, mas sem geada

As temperaturas mínimas podem ficar próximas dos 15°C em algumas áreas do Sul. Apesar da queda nas temperaturas, não há indicação de uma onda de frio intensa capaz de provocar geadas generalizadas.

No extremo norte do Paraná, o cenário será diferente. O calor ganha força e as máximas podem superar os 33°C.

Temporais avançam para o Sudeste

A baixa pressão associada à frente fria também canaliza umidade para o Sudeste e o Centro-Oeste. O cenário favorece a ocorrência de chuva forte, granizo e rajadas de vento intensas.

Na segunda e na terça-feira, dias 5 e 6 de outubro, áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul podem registrar chuva mais significativa. Os acumulados podem ficar entre 50 e 70 milímetros em cinco dias em algumas localidades.

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A chuva não deve avançar com a mesma intensidade para o norte de Minas Gerais e o Matopiba neste primeiro momento. Mato Grosso do Sul continua entre as áreas com possibilidade de chuva durante a próxima semana, com volumes superiores a 50 milímetros em alguns pontos.

Na virada da quinzena, a tendência é de aumento das áreas de chuva. Goiás, Mato Grosso e partes do Matopiba podem receber volumes próximos ou superiores a 50 milímetros. A previsão representa uma melhora importante na reposição da umidade do solo e pode beneficiar as atividades agrícolas.

Calor perto dos 40°C em várias áreas

Enquanto o Sul enfrenta chuva frequente e risco de temporais, o calor aumenta em outras regiões do país.

Nos próximos dias, algumas áreas podem se aproximar ou atingir os 40°C. O calor mais intenso é esperado em regiões como Corumbá, sul de Mato Grosso, sul do Tocantins, oeste do Paraná e Rondônia.

A combinação de temperaturas elevadas e aumento da umidade pode favorecer a formação de temporais isolados em algumas áreas.

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