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Casal de jornalistas deixa carreira para investir em café e construir vida no campo com a família

Antes de dividirem uma lavoura de café, uma cafeteria, três filhos e planos para o futuro, Bruna Fernandes Malta e José Tadeu de Oliveira Filho dividiam as salas da Faculdade de Comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP).
Os dois se conheceram em 2002, quando cursavam Jornalismo. Depois da faculdade, seguiram juntos, mas profissionalmente tomaram caminhos diferentes. Tadeu conseguiu emprego em uma editora de revistas. Bruna voltou para Franca (SP), sua cidade natal, e passou a trabalhar na área de comunicação de uma cooperativa de café.
Parecia o começo de duas carreiras no jornalismo. Mas o café, presente na família de Bruna há quatro gerações, acabaria mudando os planos dos dois.
Bruna cresceu no Sítio Capoeira, propriedade da família, mas conta que, na época em que precisou escolher uma profissão, permanecer no campo estava longe de ser o caminho mais estimulado pelos pais.
“A mentalidade ainda era de que o campo não era um lugar muito receptivo, que era muito sofrido, um ambiente desfavorável para as novas gerações. E aí eu fui estudar e fazer outra coisa, trabalhar na cidade.”
Segundo ela, a orientação dentro de casa era praticamente: “Pode ir enquanto é tempo”. A agricultura ainda era vista como uma atividade dura, incapaz de oferecer aos filhos uma vida confortável.
Uma cafeteria para voltar às origens
Mesmo trabalhando com comunicação, Bruna queria se aproximar do negócio da família. O problema era que, naquele momento, o sítio não comportava mais um salário. A solução surgiu justamente do produto que acompanhava sua família havia gerações: o café.
Em 2011, ela deixou o emprego e criou o Olinto Café, em Franca. A cafeteria surgiu como uma forma de diversificar a atividade e, ao mesmo tempo, construir um caminho próprio dentro de uma cadeia que Bruna conhecia desde criança.
“Eu queria vir trabalhar no sítio, só que meus pais não achavam que dava, que tinha espaço para eu trabalhar aqui, tipo pagar um salário para eu trabalhar aqui. Aí eles falaram: ‘Você não quer trabalhar com café, mas aí na cidade, montar uma cafeteria?’”
Enquanto ela mudava de rumo, Tadeu continuava ligado ao jornalismo. E, antes de se tornar também parceiro de negócios, precisou reconquistar a própria namorada. Cansada do namora à distância, Bruna decidiu terminar o relacionamento com Tadeu em 2011.
Mas um ano depois, os dois reataram. Então, Tadeu deixou Bauru para viver com ela em Franca e dois se casaram.
A ideia inicial de Tadeu era continuar trabalhando como jornalista, mas a dificuldade de encontrar oportunidades na área de comunicação na cidade o aproximou da cafeteria. Primeiro, ajudando Bruna e depois cada vez mais envolvido na operação. No entanto, abandonar a carreira que havia escolhido não foi simples.
“Foi um processo complexo, foi doloroso nos primeiros anos. […] Foi meio que um choque, mas, ao mesmo tempo, foi uma troca de paixão.”
Por alguns anos, Tadeu ainda conciliou trabalhos como freelancer na antiga área com a administração da cafeteria. Aos poucos, percebeu que a comunicação não precisava desaparecer de sua vida. Ela poderia apenas ganhar outro objeto.
“Quanto mais eu fui me envolvendo com o conhecimento de barista e de café, mais eu entendia que eu podia prestar o meu papel de comunicador de outra maneira, na mesa, num evento, em palestra, falando de café especificamente e abandonando a redação.”
A aceitação definitiva demorou. Segundo ele, durante anos praticamente não havia um dia em que não falasse sobre a antiga editora. Foi somente a partir da pandemia que conseguiu assumir para si mesmo uma nova identidade profissional: “Eu sou cafezeiro”, diz ele orgulhoso.
Dos cafés especiais à própria lavoura

A chegada de Tadeu coincidiu com outra transformação. Um produtor da região apresentou ao casal o universo dos cafés especiais.
Até então, Bruna trabalhava com café gourmet adquirido da cooperativa. Eles começaram a estudar o segmento, realizar degustações e levar consumidores ao campo para mostrar de onde vinha o produto.
Segundo o casal, entre 2012 e o início de 2013, o Olinto se tornou a primeira cafeteria da Alta Mogiana e uma das pioneiras do interior paulista a trabalhar com cafés especiais. Anos depois, chegaram a reunir cerca de 70 marcas da região nas prateleiras. Texto colado
Curiosamente, faltava uma marca: a deles próprios. “A gente tinha síndrome de vira-lata mesmo. A gente achava que o nosso café não era capaz.”
Foi somente a partir de 2016 que começaram a torrar o café produzido pela própria família. Antes disso, em 2014, Bruna e Tadeu haviam dado outro passo importante: plantaram juntos sua primeira lavoura.
Hoje, a estrutura montada pelo casal envolve cafeteria, torrefação, turismo ligado ao café e participação em eventos, além da produção no Sítio Capoeira. Mas o crescimento esteve longe de acontecer em linha reta.
“A gente gastou muito dinheiro errado”
Bruna não esconde os erros dos primeiros anos. “Comecei um negócio do nada. Estudei muito, me preparei muito, sim. Só que o dia a dia, a realidade é outra coisa.”
O casal investiu, expandiu, abriu uma segunda unidade e chegou a apostar em uma fábrica de pães que não funcionou como esperava. “A gente gastou muito dinheiro errado”, lamenta ela.
Um dos golpes mais duros ocorreu por volta de 2018. Segundo Tadeu, a cafeteria perdeu praticamente ao mesmo tempo dois grupos importantes de consumidores após mudanças de endereço de empresas próximas a cafeteria. O resultado foi uma queda de aproximadamente 45% no faturamento.
Quando finalmente começavam a colocar novamente as contas em ordem, veio 2020. Pouco antes da pandemia, o casal havia formatado o Olinto para franquias. Tinha três unidades e estava praticamente acertada a abertura de mais uma loja em Franca. A reunião para fechar o primeiro contrato de franquia estava marcada para 20 de março de 2020. Foi justamente quando tudo fechou.
O potencial franqueado desistiu, outro empreendimento relacionado ao projeto não avançou e o plano de franquias foi abandonado. Uma das lojas permaneceu seis meses sem abrir as portas. Inicialmente, Bruna e Tadeu decidiram manter os funcionários, mesmo sem operação normal. “A gente quebrou.”, lembra ele.
As consequências financeiras se arrastaram muito além do período mais crítico. Segundo o casal, somente a partir de 2023 o cenário começou a melhorar, e algumas contas originadas naquele período ainda continuavam sendo pagas.
Um incêndio no meio caminho
Pouco antes da Covid-19, outra tragédia havia atingido o negócio: um incêndio na cozinha do Olinto. O que parecia apenas mais um problema acabou ajudando o casal meses depois. A indenização do seguro chegou já durante a pandemia e serviu para bancar parte das despesas quando as receitas despencaram.
A crise também empurrou Tadeu para uma atividade que ele até então tinha receio de assumir. Ele havia comprado um torrador pouco antes da pandemia, mas ainda não se sentia seguro para comercializar o próprio café em uma região conhecida pela excelência na produção.
“Eu tinha muita vergonha de vender o nosso café, porque eu estou numa região com um monte de campeão de torra, com um monte de campeão de café.”
Sem muitas alternativas, começou a torrar. Hoje, além do próprio produto, a estrutura presta serviço para terceiros. Aquilo que nasceu em meio à necessidade se tornou mais um braço do negócio. “Se não fosse a pandemia, eu não tinha aprendido a torrar café.”, afirma Tadeu.
Crise no casamento

Se administrar um pequeno negócio já era difícil, havia outro componente: os sócios eram marido e mulher. E os dois admitem que a experiência quase custou o casamento.
“Foi muito difícil para a gente trabalhar junto. Eu e Tadeu temos personalidade forte. Um não quer abrir mão, o outro também não. E isso, por um tempo, prejudicou o nosso negócio”, conta Bruna.
Sem uma divisão clara de comando, decisões empresariais invadiam a vida pessoal. Discussões começavam no trabalho e continuavam dentro de casa. “A gente quase divorciou umas dez vezes”, admite Tadeu.
A solução não foi deixar de trabalhar juntos. Foi descobrir como trabalhar juntos. Bruna voltou sua atenção principalmente ao Sítio Capoeira, enquanto Tadeu assumiu a linha de frente do Olinto. Cada um passou a ter autonomia sobre sua área. “Quando cada um rema para um lado, o barco gira em círculo”, compara Tadeu.
Hoje, quando Bruna participa de uma ação da cafeteria, Tadeu dá a palavra final. Quando a decisão envolve a produção rural, acontece o contrário.
A mudança, segundo eles, teve efeito tanto financeiro quanto pessoal. O casal relata que o Olinto chegou a passar cerca de seis anos utilizando cheque especial como fluxo de caixa. Com a reorganização, sítio e cafeteria começaram a ganhar eficiência. O casamento também mudou. “Hoje eu me sinto recém-casado”, brinca Tadeu.
A família que não estava nos planos

Talvez a maior transformação da trajetória de Tadeu, no entanto, não tenha acontecido nem no jornalismo nem no café. Aconteceu quando ele se tornou pai.
O casal tentou inicialmente ter filhos biológicos. Diante das dificuldades e dos custos de um tratamento de fertilização, voltou-se para uma possibilidade que já fazia parte das conversas entre os dois havia muito tempo: a adoção.
Entraram na fila e, aproximadamente um ano depois, conheceram Jonatas, então com 3 anos e 8 meses. Depois, decidiram iniciar um segundo processo. A nova espera começou em dezembro de 2019, atravessou a pandemia e durou cerca de quatro anos.
Dessa vez, esperavam inicialmente uma criança. Até ampliarem o perfil para aceitar irmãos. Vieram duas meninas: as irmãs Maria Rita e Karolina.
Assim, Bruna e Tadeu se tornaram pais de três. Para alguém que havia imaginado para si uma vida completamente diferente, a transformação foi radical. “O meu projeto de vida era ser jornalista solteiro, viajar o mundo. Filho, família e casamento tradicional não estavam nos meus planos. Empreender não estava nos meus planos.”, afirma Tadeu.
Foi Bruna, diz ele, quem começou a mudar essa perspectiva. “Quando a Bruna terminou comigo, eu entendi que a minha vida fazia mais sentido quando ela estava junto. E eu vim para cá [Franca] e falei: talvez por ela eu queira encarar esse projeto de família.”
Agora, o desafio é “equilibrar os pratinhos”
Depois de tantos problemas empresariais, Tadeu diz que sua maior dificuldade atualmente não é exatamente financeira. É conciliar as diferentes versões de si mesmo.
“A maior dificuldade que eu tenho é equilibrar os pratinhos. É dividir o nosso ego entre ser pai, ser empresário e ser empreendedor.”
A agenda de eventos frequentemente o leva para longe de Franca. Em uma das viagens recentes ficou quatro dias fora de casa. Enquanto gostava do trabalho que estava realizando, recebia mensagens dos filhos dizendo que estavam com saudade.
“Minha maior dificuldade é dividir a vida de pai e ter que trabalhar e fazer as coisas fora, porque eu gosto muito das duas coisas.” , diz ele.
Sucessão do amor

Bruna cresceu ouvindo que deveria estudar para sair do campo. Hoje, voltou ao Sítio Capoeira e participa justamente de um processo de sucessão familiar.
Na propriedade estão diferentes gerações de mulheres da família: a avó de Bruna, com 104 anos, sua mãe, ela própria e a irmã.
Bruna define o processo atual como uma espécie de “sucessão do amor”: aquela realizada enquanto os pais ainda estão presentes, permitindo que a geração seguinte aprenda gradualmente a administrar o patrimônio e a atividade. É diferente, diz ela, da “sucessão da dor”, quando a morte de um familiar obriga alguém a assumir repentinamente uma operação que ainda não conhecia.
E a mais nova geração da família já circula entre a lavoura e as xícaras. Jonatas cresceu dentro da cafeteria e, aos 13 anos, já sabe preparar expresso. Karolina e Maria Rita acompanham Bruna durante as manhãs no sítio antes de irem para a escola.
Bruna aposta que Jonatas poderá ficar ao lado do pai na cafeteria e as meninas, com ela, no campo. Tadeu faz uma divisão ligeiramente diferente: imagina Carol com Bruna no sítio e Maria ao lado dele.
“Eles estão com a gente no dia a dia. […] O Jonatas cresceu dentro da cafeteria.”, destacam o casal.
Uma terra para chamar de sua

Depois de 15 anos de Olinto Café, os planos continuam grandes, embora agora sejam diferentes para cada um.
Tadeu pretende ampliar o braço de eventos e levar o negócio para fora do Brasil. A meta é começar a realizar eventos internacionais ligados ao café.
Na cafeteria, a possibilidade de franquias voltou à mesa. O projeto já está estruturado, mas depende primeiro de colocar uma das unidades em ordem. Bruna olha para outra direção: quer ampliar a produção.
Apesar de estar inserido em uma família produtora há gerações, o casal ainda não possui uma área própria. A lavoura que explora atualmente é arrendada e a casa onde vive foi construída em terreno da família de Bruna.
Por isso, um dos principais sonhos é comprar terra. “A ideia é a gente ter uma terra nossa e trabalhar.” Para Bruna, aumentar a área produtiva significa dar escala ao negócio, mas também construir segurança para a família.
“A gente precisa ter mais para fazer sentido nos nossos negócios e para conseguir ter uma vida mais confortável, oferecer mais conforto para os nossos filhos, pensar no futuro deles.”, afirma ela.
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Manejo eficiente ajuda produtor a reduzir custos e buscar rentabilidade

A adoção de práticas mais eficientes no campo ganha importância em um cenário de custos elevados e margens mais apertadas. O planejamento do manejo, o uso racional de insumos e a aplicação de tecnologias ajudam a reduzir desperdícios e podem contribuir para preservar a rentabilidade da atividade.
Esse movimento também acompanha a evolução das exigências do mercado, que passa a demandar processos mais controlados, sustentabilidade e certificações. Na prática, isso leva propriedades a rever procedimentos e buscar maior precisão nas decisões tomadas ao longo da produção.
Em Mato Grosso, esse processo inclui mudanças na fertilização e no uso de agroquímicos. O trabalho é orientado por levantamentos da equipe agronômica, com o objetivo de utilizar somente o necessário para manter ou até melhorar a produtividade.
“Nos últimos três anos, com mais frequência ainda, a gente está trabalhando redução de custo em geral em todos os sentidos”, relata o produtor de Campo Verde, José Carlos Dolphine, ao Canal Rural Mato Grosso.
Na fertilização, a definição dos volumes utilizados considera os levantamentos realizados pela equipe agronômica. A proposta é evitar aplicações além da necessidade da lavoura e, ao mesmo tempo, preservar o potencial produtivo.
O mesmo princípio é aplicado ao manejo fitossanitário, com aplicações direcionadas e treinamentos frequentes dos colaboradores. A orientação busca reduzir o uso desnecessário de produtos e, consequentemente, os custos da propriedade.
“Para que a gente tenha um custo mais barato e pra que a gente coloque menos defensivos agrícolas no meio ambiente”, pontua Dolphine ao relacionar o manejo à economia e à sustentabilidade.
Tecnologia ajuda a identificar desperdícios
A digitalização também passa a ter papel importante nesse processo. O acesso a novas técnicas e informações permite identificar com mais precisão onde estão ocorrendo desperdícios e quais gastos podem ser evitados.
“A tecnologia, essa parte digital, toda essa informação que estamos tendo com essas novas técnicas vem trazendo um benefício pro produtor rural”, observa Dolphine.
A adoção dessas ferramentas ocorre junto à profissionalização da atividade. Para o produtor mato-grossense, o avanço tecnológico permite tornar o negócio mais eficiente e encontrar oportunidades para melhorar os resultados sem necessariamente ampliar os custos.
Esse processo também envolve instituições e empresas ligadas ao setor, que participam do desenvolvimento de variedades, técnicas e formas de manejo. “Nós temos várias empresas trabalhando isso junto com o produtor, desenvolvendo variedades novas, desenvolvendo novas técnicas, novos tipos de manejo”, destaca.
As cooperativas aparecem como outro elo dessa estrutura. Em Campo Verde, Dolphine cita a Cooperfibra, fundada há 25 anos, como exemplo de uma cadeia que reúne classificação, certificação, armazenagem e estrutura para diferentes etapas da produção.
Manejo adequado também reduz perdas de insumos
A adoção de práticas mais eficientes não se limita à decisão sobre quanto aplicar, mas também envolve a forma como os produtos são utilizados. Para Andreza Fantine, líder de Boas Práticas Agrícolas da Corteva para a América Latina, o conceito passa pelo aproveitamento correto das ferramentas disponíveis ao agricultor.
“Boas práticas agrícolas, na verdade, nada mais é do que utilizar de maneira adequada e correta todas as ferramentas que o agricultor tem à disposição para um bom manejo da sua lavoura”, define à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
O planejamento começa pela identificação do problema e segue até a definição dos insumos e da maneira como serão utilizados. Em um cenário de custos elevados, cada etapa interfere no resultado econômico da lavoura.
Entre os exemplos está a tecnologia de aplicação. A escolha das pontas de pulverização precisa considerar o produto e a finalidade do tratamento. Fungicidas e inseticidas podem demandar gotas mais finas para melhorar a cobertura, enquanto herbicidas exigem gotas mais grossas.
O cuidado com a regulagem dos equipamentos também contribui para diminuir perdas durante as aplicações. A orientação envolve ainda dose, tempo de aplicação e volume de calda, variáveis que precisam ser consideradas conjuntamente para tornar o uso dos produtos mais racional.
“Isso é economia, isso é um uso racional e adequado dos produtos”, resume Andreza.
A capacitação sobre essas práticas é trabalhada pela Expedição da Agricultura para Vida, projeto itinerante da Corteva que percorre o Brasil e o Paraguai. A iniciativa reúne cinco pilares: manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, tecnologia de aplicação e segurança do aplicador.
Capacitação acompanha novas exigências do mercado
A busca por conhecimento também parte dos próprios produtores e das equipes técnicas. Além da necessidade de reduzir custos, a adoção de práticas mais eficientes está relacionada às exigências de mercados e certificações que valorizam processos mais controlados e sustentáveis.
Andreza observa que a procura por capacitação vem crescendo justamente pela necessidade de utilizar os recursos disponíveis de maneira mais eficiente. O trabalho da Expedição inclui técnicos agrícolas, agrônomos, consultores, distribuidores e clientes, de acordo com as demandas de cada região. “Usar de forma racional todos os insumos faz parte do dia a dia do agricultor”, ressalta.
A proposta é levar orientação técnica para situações encontradas no campo, considerando as particularidades de cada produção. Para isso, a equipe também coleta as demandas apresentadas pelos profissionais e produtores antes de definir os conteúdos das capacitações.
O trabalho busca aproximar conhecimento técnico e aplicação prática. “A gente escuta essas demandas e traz uma conversa baseada, obviamente, na técnica e nas inovações existentes, para entender a melhor forma do agricultor utilizar de forma adequada e eficiente os produtos”, acrescenta Andreza.
Para Dolphine, o avanço das práticas de manejo representa parte de uma transformação mais ampla dentro das propriedades. A profissionalização e o uso de ferramentas que ajudam a identificar desperdícios permitem ao produtor buscar maior eficiência justamente em um período de margens mais estreitas.
Além da eficiência dentro da lavoura, o produtor defende que Mato Grosso avance na agregação de valor à produção. A ideia é ampliar a transformação de commodities em produtos industrializados ou semielaborados, aproveitando estruturas já existentes no estado.
“Na área agrícola, a gente tem ainda muita coisa a explorar. A gente está explorando muito commodities. Nós temos que partir agora para outra esfera”, pontua Dolphine quanto a industrialização como forma de agregação de valor, à exemplo do etanol de milho.
Para ele, esse movimento depende não apenas do produtor, mas também de investimentos, instituições e acesso a recursos que permitam ampliar a industrialização. A adoção de práticas mais eficientes, por sua vez, permanece como uma das frentes para melhorar a eficiência e preservar a rentabilidade dentro da propriedade.
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CNA celebra sanção do seguro rural, mas quer derrubar veto sobre tributação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliou positivamente a sanção da nova lei do seguro rural e afirmou que as mudanças representam um novo marco regulatório para o setor no país. Entre os principais avanços apontados pela entidade estão a regulamentação do Fundo de Catástrofe e a maior previsibilidade dos recursos destinados à subvenção das apólices.
A Lei nº 15.526/2026, publicada nesta quarta-feira (30) no Diário Oficial da União (DOU), tem origem no Projeto de Lei (PL) 2.951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, e promove mudanças nas regras do seguro rural.
Segundo a CNA, a legislação busca modernizar o sistema e ampliar a segurança jurídica e a previsibilidade para produtores, seguradoras e demais agentes do setor.
O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, também destacou a atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação da proposta no Congresso Nacional. A matéria teve como relatores o senador Jayme Campos e o deputado Pedro Lupion, presidente da FPA.
Fundo de Catástrofe
Um dos pontos destacados pela CNA é a regulamentação do chamado Fundo de Catástrofe, mecanismo criado para oferecer cobertura suplementar aos riscos do seguro rural.
Segundo Lucchi, o fundo pode contribuir principalmente em regiões mais expostas a perdas provocadas por eventos climáticos extremos.
“Esse fundo funcionará como um colchão de amortecimento para as seguradoras que estão em regiões críticas onde há muitos eventos climáticos extremos”, afirmou.
A expectativa é que o mecanismo ajude a distribuir os riscos associados a eventos de maior impacto e dê suporte ao funcionamento do mercado de seguros em áreas mais vulneráveis.
CNA destaca proteção dos recursos do seguro rural
Outro avanço apontado pela entidade é a maior previsibilidade orçamentária do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A nova legislação estabelece como obrigatórias as despesas da União destinadas à subvenção econômica ao prêmio do seguro rural, observados os limites previstos no Orçamento.
Na avaliação da CNA, a mudança reduz o risco de contingenciamento dos recursos e permite maior planejamento de produtores e seguradoras.
“Sofremos muito nos últimos anos com o contingenciamento. Hoje esses recursos viram obrigatórios e temos uma previsibilidade. Com isso, produtores e seguradoras podem se organizar melhor”, disse Lucchi.
O PSR permite que o governo federal arque com parte do custo da apólice, reduzindo o valor pago pelo produtor para contratar a cobertura.
Seguro poderá facilitar acesso ao crédito
A CNA também destaca as mudanças que relacionam a contratação do seguro rural às condições de acesso ao crédito.
Segundo Lucchi, produtores que contratarem seguro poderão ter acesso a condições diferenciadas nas operações de financiamento.
“Ele pode ter taxas de juros diferenciadas, prazos diferentes e outros benefícios que vão melhorar a condição de acesso ao crédito”, afirmou.
A nova legislação prevê incentivos para operações de crédito protegidas por seguro rural, incluindo condições favorecidas de financiamento e prioridade no acesso ao crédito.
Outro ponto destacado pela CNA é a criação de um banco de dados com informações sobre as operações de seguro rural. A expectativa da entidade é que a concentração dessas informações contribua para o desenvolvimento e aprimoramento dos produtos oferecidos aos produtores.
CNA quer discutir derrubada de veto
Apesar da avaliação positiva, a CNA manifestou ressalvas aos vetos feitos na sanção.
Um deles atingiu dispositivo relacionado às Letras de Risco de Seguro (LRS), que poderiam representar uma fonte alternativa de recursos para o fundo. Outro veto alcançou dispositivo relacionado à isenção de tributação do seguro.
Segundo Lucchi, a CNA defendia a medida tributária como uma forma de reduzir o custo das apólices para os produtores e pretende discutir o tema com a Frente Parlamentar da Agropecuária.
“Defendíamos essa isenção para ter preços de seguro ao produtor mais baixo. É um ponto que vamos discutir com a FPA, sobre a possível derrubada do veto ligado à tributação do seguro”, afirmou.
Os vetos presidenciais ainda precisam ser analisados pelo Congresso Nacional, que poderá mantê-los ou derrubá-los.
Lei ainda precisa ser regulamentada
Apesar da sanção, parte das mudanças previstas na nova legislação ainda depende de regulamentação para ser implementada.
De acordo com a CNA, os próximos passos envolvem a publicação de decretos, resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) e a criação do estatuto do Fundo de Catástrofe.
Lucchi avalia que essas etapas “podem ter avanços em um futuro breve”.
Agro Mato Grosso
Tempestades devem atingir todas as cidades de MT nos próximos dias, alerta Inmet

Alerta do Inmet prevê ventos de até 60 km/h e possibilidade de queda de granizo.
Mais de 100 municípios de Mato Grosso podem ser atingidos por tempestade segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Entre esta terça-feira (29) e quinta-feira (1°) 108 cidades aparecem na lista com alerta amarelo. Já na sexta (2), as tempestades podem atingir todos os muncípios.
O alerta de perigo potencial para chuva intensa, é válido para os próximos quatro dias. Entre as cidades incluídas no alerta para todos os dias desta semana estão Cuiabá, Tangará da Serra, Sorriso, Rondonópolis, Barra do Garças e Aripuanã.
O aviso prevê chuva de até 50 milímetros por dia, ventos de até 60 km/h e possibilidade de queda de granizo.
Mesmo com a previsão de chuva intensa, o Inmet considera baixo o risco de ocorrências como cortes de energia elétrica, estragos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos.
Em Cuiabá, apesar das chuvas, o calor pode continuar até quarta-feira (30), mas menos intenso do que registrado na última segunda-feira, quando a capital bateu 40°C. Entre quarta e quinta-feira (1º), as temperaturas devem variar entre 26°C e 37°C.
☀️Recorde de calor
Nesta segunda-feira (28), Nova Xavantina (MT) registrou a maior temperatura do Brasil em 2026, com 43,3°C, segundo dados do Inmet. O calor intenso não ficou restrito a Mato Grosso. Mais de 50 cidades brasileiras registraram temperaturas iguais ou superiores a 40°C nesta segunda-feira.
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