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Canal Rural reúne lideranças do Sul para debater agricultura familiar na Expointer

A agricultura familiar enfrenta desafios que, muitas vezes, são comuns aos três estados do Sul. Essa realidade compartilhada está no centro do debate promovido pelo Canal Rural nesta quarta-feira, 2 de setembro, durante a Expointer 2026.
Representantes das federações de agricultores familiares dos três estados do Sul — Fetag-RS, Fetaesc-SC e Fetaep-PR — reuniram-se no estande Casa Fetag-RS, para discutir temas que impactam diretamente a atividade no campo.
Na pauta, estiveram em foco questões como crédito, Plano Safra, renegociação de dívidas, crédito fundiário, agroindústria, associativismo e cooperativismo.
“Do ponto de vista das ações dos três estados, que são muito parecidos em termos de atividade econômica, essencial partilhar como estamos resolvendo problemas ou encaminhando soluções da agricultura familiar, tão importante para a economia da Região Sul”, disse o presidente da Fetag-RS, Eugênio Edevino Zanetti.

Integração entre entidades
A proposta do encontro foi aproximar entidades, compartilhar experiências e construir alternativas para problemas que atingem produtores dos três estados.
“É importante acompanhar esta discussão e, enquanto representantes da agricultura familiar, termos a oportunidade de colocar nosso ponto de vista, expor aquilo que a gente pensa e partilhar experiências de sucesso obtidas aqui no Sul do país”, ressaltou o presidente da Fetaesc, José Walter Dresch.
Crédito e permanência no campo
Entre os principais pontos de atenção está o acesso às políticas públicas em um cenário que exige condições para produzir, investir e permanecer no campo. A discussão também ganha peso pelo papel estratégico da agricultura familiar no abastecimento do país.
“O Canal Rural tem uma grande parceria com as entidades representantes da agricultura familiar. Temos importantes assuntos, como o programa nacional de crédito fundiário e como está o cenário de cada entidade. Sabemos do papel da agricultura familiar na produção de comida e de alimento, que hoje é responsável por mais de 70% da produção que vai para a mesa da população”, disse Alexandre Leal dos Santos, presidente da Fetaep.
Apoio ao fortalecimento do setor
O encontro contou ainda com o apoio da Afubra – Associação dos Fumicultores do Brasil, que acompanha a demanda dos produtores e participa das discussões sobre os caminhos para fortalecer o setor.
“Temos debates importantes e pertinentes, que preocupam esta classe, para que se harmonizem e se fortaleçam, principalmente nos assuntos que conjuntamente defendem”, disse o presidente da Afubra, Marcílio Laurindo Drescher.
Programação do Agropocket
O Agropocket “Canal Rural e Agricultura Familiar na Expointer 2026” acontece neste dia 2 de setembro de 2026, na Casa Fetag-RS, durante a Expointer.
Painel 1 — 9h às 9h30
Tema: Desafios e oportunidades da agricultura familiar na Região Sul. Participaram Alexandre Leal dos Santos, presidente da Fetaep; Eugênio Edevino Zanetti, presidente da Fetag-RS; José Walter Dresch, presidente da Fetaesc; e Marcílio Laurindo Drescher, presidente da Afubra. A mediação foi de Giovani Ferreira, do Canal Rural.
Painel 2 — 10h às 10h30
Tema: Plano Safra, crédito fundiário, Ater e agroindústria familiar. Participaram Alexandre Leal dos Santos, presidente da Fetaep; Eugênio Edevino Zanetti, presidente da Fetag-RS; José Walter Dresch, presidente da Fetaesc; e Vânia Marques Pinto, presidente da Contag. A mediação foi de Giovani Ferreira, do Canal Rural.
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Bancos podem tomar safra sem ação judicial com mudança de cédula rural, alerta Federarroz

A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) emitiu nota nesta quarta-feira (21) em que orienta os produtores rurais a redobrar a atenção aos contratos de financiamento da produção agrícola.
O alerta se dá pela substituição da tradicional Cédula Rural Pignoratícia pela Cédula de Crédito Bancário com alienação fiduciária da safra. A entidade manifesta preocupação com a mudança nas garantias exigidas pelas instituições financeiras.
Segundo o Departamento Jurídico da Federação, a alteração já foi identificada em inúmeros casos e modifica a posição jurídica do agricultor na relação com o agente financeiro. Na avaliação da entidade, a principal diferença está na transferência da propriedade dos grãos oferecidos como garantia, em substituição ao modelo tradicional de penhor rural.
O documento alerta que, em caso de atraso no pagamento do financiamento, a instituição credora poderá se apropriar da produção sem necessidade de ação judicial.
Conforme a interpretação apresentada pela Federarroz, o procedimento pode ocorrer mediante a consolidação da propriedade dos grãos no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, permitindo posteriormente a venda da safra a terceiros, sem realização de leilão ou avaliação prévia.
A orientação da Federação é para que os agricultores examinem as condições dos contratos antes da assinatura, especialmente as cláusulas relacionadas às garantias e às consequências de eventual inadimplência.
Na nota, assinada pelo presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, pelo vice-presidente Roberto Fagundes Ghigino e pelo diretor jurídico Anderson Belloli, considera-se que a utilização da alienação fiduciária altera de maneira significativa os direitos do produtor sobre a safra vinculada à operação de crédito.
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Banco do Brasil prevê renegociar R$ 20 bilhões em dívidas rurais

O Banco do Brasil prevê ultrapassar R$ 20 bilhões em renegociações de dívidas de produtores rurais até 12 de novembro. A estimativa faz parte do balanço apresentado pela instituição sobre a aplicação da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que permite a reestruturação de débitos do crédito rural, com prazos de pagamento de até dez anos.
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Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, cerca de 13 mil clientes são potencialmente elegíveis às condições previstas na medida, voltada principalmente aos produtores que enfrentaram dificuldades financeiras após perdas de safra.
Atualmente, o banco contabiliza R$ 9,8 bilhões em operações que já passaram pela pré-análise e cumprem os requisitos para contratação. Outros R$ 6,1 bilhões estão nas agências, em fase inicial de avaliação.
Somados, os valores chegam a R$ 15,9 bilhões em operações em diferentes etapas de análise, mas ainda não representam recursos efetivamente renegociados.
“Nossa expectativa hoje é chegarmos até o dia 12 de novembro com mais de R$ 20 bilhões em recursos renegociados”, afirmou Bittencourt.
O executivo acredita que o volume de contratações deverá crescer nas próximas semanas, permitindo superar a estimativa inicial.
Quem pode renegociar as dívidas rurais?
A MP 1.376/2026, publicada em julho, estabelece condições especiais para a reestruturação de dívidas de produtores rurais e cooperativas agropecuárias prejudicados por eventos climáticos adversos ou pela queda nos preços de comercialização.
Entre os critérios previstos estão perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada, devidamente comprovada por laudo técnico.
A medida contempla determinadas operações de crédito rural inadimplentes desde janeiro de 2024, além de financiamentos que foram prorrogados ou renegociados anteriormente, desde que atendam às exigências estabelecidas.
Produtores relatam dificuldades para acessar renegociação
Apesar das condições oferecidas, parte dos produtores endividados relata dificuldades para acessar os mecanismos previstos na medida provisória. Diante dos obstáculos, alguns agricultores têm recorrido à Justiça em busca de alternativas para reestruturar os débitos.
Bittencourt explicou que a renegociação depende da apresentação dos documentos exigidos e da comprovação de que as perdas financeiras estão relacionadas à atividade financiada.
“O produtor tem que levar toda a documentação, tem que cumprir os requisitos que a medida provisória estabelece. A perda dele e o financiamento têm que ter uma conexão”, explicou.
Outro requisito é demonstrar capacidade de pagamento dentro do novo prazo estabelecido.
“Apresentando essa documentação e demonstrando capacidade de pagamento no prazo estabelecido de até dez anos, dependendo da situação do produtor, nós do Banco do Brasil temos efetuado essas renegociações”, acrescentou.
Assim, o enquadramento nas regras da medida provisória não garante a aprovação automática do financiamento. Cada solicitação passa por avaliação da instituição financeira, incluindo a análise da capacidade de pagamento do produtor.
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Rabobank vê cenário favorável para safra de café 2027/28 no Brasil

As chuvas acima da média histórica nas principais regiões produtoras de café do Brasil melhoraram as perspectivas para a safra 2027/28. O cenário, combinado à expectativa de aumento das exportações brasileiras, começa a deslocar as preocupações do mercado internacional com a oferta para a possibilidade de excedente de produção e recomposição dos estoques globais.
A avaliação é do Rabobank, no relatório mensal sobre o mercado brasileiro de café referente a setembro de 2026. Apesar dos sinais favoráveis, o banco ressalta que o equilíbrio entre oferta e demanda ainda depende das condições climáticas e do desenvolvimento das lavouras ao longo do ciclo produtivo.
Chuvas favorecem desenvolvimento dos cafezais
As regiões produtoras de arábica e conilon analisadas pelo Rabobank registraram volumes de chuva significativamente superiores à média histórica dos últimos 15 anos em setembro.
Em Guaxupé, no sul de Minas Gerais, foram registrados 154 milímetros de precipitação, ante uma média histórica de 57,2 milímetros. Em Manhuaçu, na região das Matas de Minas, o volume chegou a 111 milímetros, enquanto a média é de 28,5 milímetros.
Já em Linhares, no Espírito Santo, importante região produtora de conilon, choveu 90 milímetros, contra uma média histórica de 29,4 milímetros.
Segundo o relatório, as precipitações ocorreram em uma fase importante para a floração e o desenvolvimento vegetativo dos cafeeiros. As condições favorecem o potencial produtivo e reforçam a perspectiva positiva para a safra 2027/28.
O banco, no entanto, ressalta que ainda há incertezas sobre a produção. O comportamento do clima e as condições agronômicas das lavouras ao longo do ciclo serão determinantes para o resultado da próxima safra.
Exportações brasileiras ganham ritmo
O Brasil exportou 4,15 milhões de sacas de café de 60 quilos em agosto de 2026, volume 22% superior ao de julho e 31% maior que o registrado em agosto do ano passado.
Apesar da aceleração dos embarques no mês, as exportações acumuladas de janeiro a julho somaram 25,07 milhões de sacas, recuo de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Para o Rabobank, o aumento recente dos embarques reforça a expectativa de maior disponibilidade de café brasileiro no mercado internacional. Esse movimento pode contribuir para a recomposição dos estoques globais.
A perspectiva de maior oferta, contudo, ainda não representa uma confirmação de excedente. O balanço entre produção e consumo continuará dependendo do desempenho das lavouras nos principais países produtores e da evolução das condições comerciais e logísticas.
Arábica cai 15,1% em setembro
Os preços internacionais tiveram comportamentos distintos em setembro. Enquanto o café arábica negociado na bolsa de Nova York recuou 15,1%, o robusta negociado em Londres registrou leve alta de 0,4%.
O contrato de arábica passou de US$ 3,42 para US$ 2,91 por libra-peso ao longo do mês. A cotação atingiu a mínima mensal de US$ 2,72 por libra-peso em 22 de setembro, queda de 20,4% em relação ao início do período.
Nos dias seguintes, houve recuperação de 6,8% até o fechamento do mês, insuficiente para compensar as perdas acumuladas.
O robusta também atingiu a mínima em 22 de setembro, a US$ 3.230 por tonelada, mas recuperou 6,7% e encerrou o mês a US$ 3.445 por tonelada, próximo do nível registrado no início do período.
De acordo com o Rabobank, a diferença de preços entre arábica e robusta diminuiu, refletindo a maior fraqueza e volatilidade do primeiro tipo. A recuperação das cotações no fim de setembro melhorou o ponto de partida para outubro, mas ainda não indica uma reversão da tendência mensal de queda do arábica.
O relatório recomenda que as empresas do setor acompanhem de perto as margens e os diferenciais de preços diante da volatilidade do mercado.
Oferta global segue no radar
Além do Brasil, a melhora das condições climáticas no Vietnã e na Indonésia também contribui para reduzir os riscos de oferta associados à safra 2027/28, segundo o banco.
O mercado começa, assim, a considerar um cenário de maior disponibilidade de café e recomposição dos estoques internacionais, em contraste com as preocupações anteriores com restrições de oferta.
Ainda assim, o Rabobank destaca que as perspectivas para arábica e robusta permanecem sujeitas a mudanças ao longo do ciclo produtivo. O clima, o desenvolvimento das lavouras, a logística e as condições comerciais continuarão entre os principais fatores a acompanhar nos próximos meses.
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