Sustentabilidade
Preços do milho caem no mercado internacional e Brasil também apresenta baixas no início de 2026 – MAIS SOJA

O mercado internacional de milho apresentou preços em queda na semana e na primeira quinzena de 2026, tomando por base o comportamento da Bolsa de Chicago. O mercado brasileiro também registrou quedas, refletindo uma melhora na oferta regionalmente e o cenário desfavorável de cotações globais, além do dólar fraco.
O destaque globalmente esteve para a divulgação, na segunda-feira, dia 12, do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o primeiro do ano, e que trouxe um substancial aumento no número da produção dos Estados Unidos 2025/26.
O USDA apontou uma safra de 17,021 bilhões de bushels (432,3 milhões de toneladas), recorde absoluto, contra os 16,752 bilhões de bushels (425,5 milhões de toneladas) indicados em dezembro, enquanto o mercado na média trabalhava com uma estimativa de 16,544 bilhões de bushels (420,2 milhões de toneladas). Os estoques finais de passagem da safra 2025/26 foram estimados em 2,227 bilhões de bushels, acima dos 2,029 bilhões de bushels indicados em dezembro, enquanto o mercado indicava estoques de 1,982 bilhões de bushels.
A estimativa foi extremamente baixista e as cotações despencaram para o milho na Bolsa de Chicago. No balanço entre as quintas-feiras, 08 e 15 de janeiro, o contrato março caiu de US$ 4,46 por bushel para US$ 4,20 ¼, acumulando baixa de 5,8%.
O mercado brasileiro de milho também teve uma primeira quinzena de janeiro de baixas, com a oferta regionalmente melhorando, refletindo a entrada da safra de verão. Como destaca o consultor de Safras & Mercado, Paulo Molinari, a transição de ano foca também a transição de safra, no caso brasileiro. “Apesar de janeiro ser ainda um mês sem grandes ofertas de verão, alguns polos de colheita mais precoce começam a fundamentar este quadro de finalização do ano comercial 2025/26 (fevereiro/janeiro) e início de 2026/27. Este início de janeiro vai sendo marcado por uma situação específica de 2026, ou seja, a falta de liquidez interna, aperto de crédito e passivos altos pelo lado do vendedor”, avalia.
Molinari indica que as necessidades de vendas por parte do produtor são óbvias e há pouco espaço para grandes retenções às vésperas da colheita da soja. “As recuperações judiciais persistem no setor, o que aponta restrições gerais de prorrogações de dívidas de safra e demais situações financeiras. Então, o mercado entra 2026 com esta característica, ou seja, a capacidade de retenção pelo produtor mais limitada. Talvez, por isso, as exportações 2025/26 já estejam atingindo 42 milhões de toneladas, na busca pela liquidez que talvez o mercado interno não tenha conseguido oferecer no fechamento de 2025”, comenta.
Para ele, agora teremos situações características do primeiro semestre, ou seja, elevação de fretes com a entrada de uma nova safra recorde de soja, necessidades de espaço, pressão inicial de venda de milho por caixa e/ou por espaço, paralisação de vendas de milho em meio a colheita da soja, foco no clima de safrinha e derivações que seguem com câmbio e safra norte-americana 2026. “No curto prazo, o fechamento da safra dos Estados Unidos neste dia 12, o início da colheita da safra do Rio Grande do Sul e o clima da Argentina preponderam como pontos de atenção”, salienta.
Em suma, com necessidade de caixa, dificuldade de crédito e precisando liberar espaço para a colheita da soja, com boa oferta na safra de verão, a tendência é de venda do milho e pressão sobre as cotações. O que deve aliviar esse movimento, segundo Molinari, é justamente a entrada da safra da soja, quando o produtor tende a deixar o milho mais de lado focando na colheita e comercialização da oleaginosa, o que tende a limitar a oferta do cereal.
O dólar comercial na semana, entre as quintas-feiras 08 e 15 de janeiro, caiu de R$ 5,3899 para R$ 5,367, acumulando baixa de 0,4% no período. Isso também foi aspecto negativo para a formação de preços nos portos e de estímulo às vendas externas.
No balanço da última semana, entre as quintas-feiras 08 e 15 de janeiro, o milho na base de venda em Cascavel, Paraná, recuou de R$ 65,00 para R$ 64,00 a saca, baixa de 1,5%. Em Campinas/CIF, o milho caiu na base de venda neste intervalo de R$ 72,00 para R$ 68,50 a saca, -4,9%. Na região Mogiana paulista, o cereal baixou de R$ 69,00 para R$ 66,00 a saca, queda de 4,35%.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação avançou um pouco de R$ 64,00 para R$ 64,50, alta de 0,8%. Já em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço caiu na semana de R$ 70,00 para R$ 68,00 a saca na base de venda, queda de 2,9%.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda na semana desceu de R$ 66,00 para R$ 64,50 a saca (-2,3%). E em Rio Verde, Goiás, o preço na venda baixou de R$ 63,00 para R$ 62,00, queda de 1,6%.
No Porto de Paranaguá/Paraná, preço recuando na base de venda na semana de R$ 73,00 para R$ 72,00 a saca, baixa de 1,4%. No Porto de Santos/São Paulo, cotação baixando de R$ 74,00 para R$ 72,00 (-2,7%).
Fonte: Agência Safras
Autor:Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Perdeu o Soja Brasil? Veja os destaques da última edição do programa

O que movimenta a safra de soja 2026/27 no Brasil? A última edição do programa Soja Brasil reúne reportagens sobre pesquisa agrícola na China, os desafios do plantio no Paraná e os impactos do clima para os produtores rurais.
A expedição Soja Brasil percorre Mato Grosso para mostrar os desafios logísticos do escoamento da produção, desde o transporte rodoviário até a integração com as ferrovias. O programa também acompanha o avanço do plantio pelo país e traz a previsão do tempo para a primavera, com alertas para o calor e a irregularidade das chuvas em diferentes regiões.
Outro destaque é a tecnologia no campo. Na abertura nacional do plantio da soja 2026/27, em Ipiranga do Norte (MT), produtores conheceram máquinas e soluções voltadas à precisão das operações, à economia de fertilizantes e à eficiência no trabalho agrícola.
Na China, a equipe mostra como pesquisadores investem em melhoramento genético, manejo do solo e rotação de culturas para ampliar a produtividade da soja e reduzir a dependência das importações. Já no Paraná, o excesso de umidade dificulta a semeadura em algumas regiões e acende o alerta para possíveis impactos no calendário do milho safrinha.
O programa traz ainda informações sobre o ritmo do plantio no Brasil e os principais assuntos em destaque no portal Soja Brasil, incluindo o manejo de pragas e doenças e histórias de produtores rurais.
Sustentabilidade
Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.
Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.
A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.
Confira:
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
- Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
- Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.
Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.
As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.
Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.
Sustentabilidade
Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.
Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.
O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).
A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).
Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.
Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.
Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?

Referências:
ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.
WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.

Sustentabilidade13 horas agoPerdeu o Soja Brasil? Veja os destaques da última edição do programa
Featured13 horas agoCesta básica sobe pela quarta semana consecutiva em Cuiabá e preço médio chega a R$ 937
Business23 horas agoBoletim agrometeorológico prevê chuva no fim de semana no Rio Grande do Sul
Featured12 horas agoSetasc-MT encerra encontro estadual com foco na erradicação do trabalho infantil em 25 municípios
Featured15 horas agoPolícia Civil prende homem com pistola raspada em São José dos Quatro Marcos
Business5 horas agoShow Rural 2027 selecionará 120 expositores para a Feira Sabores; inscreva-se
Business10 horas agoUSP descobre como reduzir em 60% os sintomas de fungo no trigo
Featured14 horas agoPIB de Mato Grosso cresce 6,7% e alcança o segundo lugar no Brasil
















