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Colheita da soja em Mato Grosso começa com bom desempenho, mas preço aperta margens

A colheita da soja começou em Mato Grosso com resultados positivos nas primeiras áreas, impulsionada pelo bom regime de chuvas ao longo do ciclo e pelo uso de variedades precoces. Em municípios do oeste do estado, produtores relatam produtividade acima da média histórica, especialmente em áreas de maior teor de argila.
O engenheiro agrônomo Alfeu Volf Júnior, da Agrícola Zanella, explica que, desde o início de setembro, os acumulados de chuva chegaram a cerca de 800 milímetros, garantindo bom desenvolvimento das lavouras. “O clima foi muito bom, tivemos pequenos veranicos em novembro. A gente sempre espera colher por volta de 75, 78 sacas por hectares, e esse ano estamos com 700 hectares colhidos e 83 sacas de média”.
Mesmo com o bom início, a expectativa é de queda gradual na produtividade conforme a colheita avança para áreas mais heterogêneas. “Estamos falando dessas áreas de argila, tem área de 55%, 60% de argila que são as áreas de grande potencial, a gente entra com variedade precoce pensando em segunda safra, mas a gente tem áreas arenosas com 10%, 20% de argila que são áreas mais marginais que a produtividade não vai ser a mesma”, pontua ao Patrulheiro Agro.
Nesta safra, a Agrícola Zanella cultivou 18,3 mil hectares de soja entre os municípios de Campos de Júlio e Comodoro, segundo o engenheiro agrônomo.

Produtividade cai nas áreas arenosas e margem fica pressionada
Nas áreas de solo mais leve, a produtividade esperada é menor e impacta diretamente o resultado final da safra. Conforme Alfeu, “essas áreas arenosas a gente espera por volta de 60, 65 sacas por hectares, mais ou menos. Tem área nova, bem provável que essas áreas fiquem na base de 50 sacas. A média final a gente não vai chegar nessas oitenta e poucas sacas, então a margem líquida fica muito apertada”.
Com cerca de mil hectares já dessecados, o ritmo da colheita segue intenso na Agrícola Zanella para evitar perdas de qualidade. O engenheiro agrônomo destaca que a eficiência operacional é decisiva neste momento. “A gente tem que fazer de tudo para tentar tirar essa soja em tempo hábil para não estragar o grão. A eficiência está atrelada à qualidade de plantio e à qualidade de colheita, a gente não pode errar nesses momentos”.
Alfeu ressalta ainda ao Canal Rural Mato Grosso o papel da tecnologia no controle de custos. “Temos hoje plataforma de telemetria, que nos dá em tempo real o que a máquina está gastando, está consumindo de óleo diesel. Se você não tem esse controle, você acaba gastando mais do que planejou. Em um cenário de margens apertadas, você tem que ter uma eficiência melhor e as máquinas estão aí para ajudar”.
Safra avança com bom padrão em Campos de Júlio
Em Campos de Júlio, as lavouras também apresentam bom desenvolvimento. O gerente de produção do Grupo Bom Jesus, Joelson Francisco da Silva, afirma que o clima favoreceu todo o ciclo da cultura na região. “Nesta região onde nós estamos agora foi meio privilegiada mesmo, não faltou chuva não em nenhum momento do ciclo da cultura”.
De acordo com ele, a soja está uniforme e dentro do esperado para materiais precoces. “Está bem desenvolvida, bem padrão, está com 97 dias. A expectativa é boa”. Parte das áreas já foi colhida, relata à reportagem, e o restante segue em escalonamento para dessecação, permitindo conciliar a colheita com a implantação do algodão na segunda safra.
Nesta temporada, o Grupo Bom Jesus cultivou 4.226 hectares de soja no município de Campos de Júlio, sendo que os primeiros 553 hectares já foram colhidos.
“O que tem de tecnologia hoje está no campo, maquinário, tecnologia de aplicação, produtos está aí para trabalharmos em cima disso, então por isso que a expectativa é boa. Agora não para mais, é colhendo e plantando”, completa Joelson.

Custos elevados e preço da soja preocupam produtores
Apesar do potencial produtivo, a preocupação maior está na rentabilidade. O presidente do Sindicato Rural de Campos de Júlio, Rodrigo Cassol, avalia que o município deve fechar com média superior à da safra passada, mas pondera que o cenário ainda é inicial. “Acredito que o município vai fechar uma média melhor que o ano passado, o que a gente vê é que tem potencial nas lavouras, mas nós estamos só no início. Eu acho que não tem 3%, 4% colhido”.
Ele lembra que o período mais nublado registrado em dezembro pode influenciar o enchimento de grãos nas próximas áreas.
De acordo com o Sindicato, a área de soja semeada na safra 2025/26 em Campos de Júlio foi de 215 mil hectares.
O principal desafio, no entanto, é econômico. “Hoje podemos falar em torno de R$ 5 mil por hectare mais ou menos o custo. Teria que colher uma média de 70 sacas para ter uma rentabilidade boa para pagar todos os investimentos”, afirma Cassol ao Canal Rural. Para ele, o preço ideal da soja na região deveria estar em torno de R$ 130 por saca, mas o mercado trabalha bem abaixo disso. “R$ 105, R$ 104. Não fecha a conta”.
Ritmo ainda tímido em Sapezal
Em Sapezal, município vizinho onde nesta safra foram cultivados cerca de 360 mil hectares de soja, as colheitadeiras também já entraram em campo, mas o ritmo ainda é considerado tímido. Os trabalhos se concentram, neste primeiro momento, em áreas de grandes grupos produtores que vão implantar o algodão na segunda safra.
O presidente do Sindicato Rural de Sapezal, Diego Dalmaso, explica que o escalonamento do plantio influencia diretamente o avanço da colheita. “Nós temos áreas plantadas muito cedo dentro de setembro, temos uma fatia plantada em outubro e também temos áreas plantadas no mês de novembro”.
A expectativa é de aumento significativo no volume colhido a partir da segunda quinzena de janeiro. “A partir do dia 15 de janeiro a gente vai ter uma leva bem grande de áreas sendo colhidas em Sapezal”. As primeiras áreas colhidas, segundo ele, têm apresentado bons resultados. “São as melhores áreas, plantadas no início de setembro, ciclos relativamente precoces. Os resultados têm sido satisfatórios, acima de 65 sacas”.
Dalmaso alerta, no entanto, para os efeitos do excesso de nebulosidade e para o impacto das áreas marginais na média final. “Tivemos um dezembro bastante chuvoso e bastante nebuloso, a grande preocupação é o peso do grão. E também nós temos as áreas marginais, aquelas áreas mais arenosas que geralmente derrubam a média”.
Assim como em outras regiões do estado, a maior apreensão está na rentabilidade. “O meu maior receio hoje realmente é a rentabilidade. O preço não está condizente com os custos”, conclui.
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Da China ao campo: custos, crédito e mercado exigem novas estratégias do produtor brasileiro

O cenário internacional está cada vez mais conectado às decisões tomadas dentro da porteira. Custos de produção, acesso ao crédito e mudanças no mercado de commodities exigem dos produtores brasileiros um planejamento mais preciso para as próximas safras.
A relação com a China ajuda a mostrar essa conexão. O país asiático importa potássio da Rússia e de Belarus, enquanto o Brasil depende do mercado externo para parte importante dos fertilizantes utilizados na produção agrícola.
A combinação entre custos elevados e dificuldade de financiamento já interfere nas decisões para as próximas safras. Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, aponta o crédito como um dos principais obstáculos enfrentados atualmente pelo produtor.
Considerando fertilizantes, sementes e defensivos, o desembolso à vista chega a cerca de 30,33 sacas por hectare no Cerrado brasileiro. A avaliação é de que a combinação entre custo e dificuldade de financiamento pode levar à redução da adubação, especialmente com impacto sobre os fertilizantes fosfatados.
“Eu acho bastante complexo você depender 100% do mercado externo, porque isso em alguns casos o produtor vai pagar a conta”, avalia Souza.
O cenário também exige atenção ao momento de compra dos insumos. A China é autossuficiente em nitrogênio e fósforo, mas precisa importar potássio. Assim como acontece com soja, milho e algodão, o planejamento das compras de fertilizantes pode ajudar o produtor a aproveitar momentos mais favoráveis.
“A nossa missão é buscar janelas de oportunidades e uma coisa que eu percebo é de que a janela está cada vez mais curta”, pontua Souza ao Patrulheiro Agro.
Gestão do risco entra no planejamento da produção
A preocupação com os custos não termina na compra dos insumos. A formação do preço de venda também precisa estar ligada ao custo de produção, à produtividade e às ferramentas disponíveis para proteger as margens.
Marcos Araújo, sócio-diretor da Agrinvest Commodities, destaca quatro pontos dentro dessa gestão: formação de preço, conhecimento das ferramentas de proteção, estratégias comerciais e o lucro, quarto pilar e considerado o “chefe”. O objetivo final, na avaliação apresentada por ele, é preservar o resultado da atividade.
“O preço de venda da soja, do milho, do algodão é uma consequência do seu custo de produção e da sua produtividade”, resume.
Entre março e agosto, o custo e o carrego acrescentaram R$ 30,73 por saca de soja, conforme análise apresentada pela consultoria. Considerando uma produtividade de 70 sacas por hectare, o impacto supera R$ 2 mil por hectare em relação às referências de Chicago e Nova York.
Esse ambiente torna ainda mais importante acompanhar as variáveis que interferem na formação dos preços. “Não dá para você navegar no escuro em um mundo globalizado com essa economia tão dinâmica”, observa Araújo.
A comercialização também está diretamente ligada ao fluxo entre os países. Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities, explica que o tempo necessário para a soja sair do Brasil e chegar à China influencia esse processo.
A formação dos preços depende das janelas de oferta e demanda, além da velocidade com que o produtor brasileiro vende e da necessidade de compra dos chineses. Conhecer esse fluxo pode reduzir decisões tomadas apenas com base na expectativa de preços.
“Com isso ele ganha duas coisas, primeiro ele acaba especulando menos e o segundo ele acaba se programando melhor”, destaca Vanin.

China amplia visão sobre mercado e logística
A aproximação com o mercado chinês também permite aos produtores brasileiros observar como funciona uma das principais pontas da cadeia. Há cinco anos, o programa de consultoria da Agrinvest Commodities reúne produtores de grãos em agendas voltadas ao mercado e ao conhecimento, incluindo visitas técnicas a indústrias processadoras de soja e milho.
Clima, janela de plantio e tamanho da produção brasileira interferem no fluxo de mercadorias e, consequentemente, na formação dos preços. O fenômeno climático El Niño também entra nessa equação, mas como mais um componente entre os fatores que determinam esse movimento.
“O produtor tem que ter a consciência que esse fluxo é sazonal e o impacto do El Niño na formação do preço da soja para o produtor brasileiro vai depender dessas janelas”, explica Vanin.
A experiência também muda a perspectiva de quem produz no Brasil. Victor Hugo Rosseto Beloto cultiva 500 hectares de soja em Toledo, no Oeste do Paraná, e destaca a importância de acompanhar diferentes mercados para tomar decisões de comercialização.
“A gente busca uma tomada de decisão mais assertiva, na hora de comercializar, que é o momento que a gente garante a rentabilidade da nossa propriedade”, diz o agricultor ao Canal Rural Mato Grosso.
Além da China, ele acompanha o mercado europeu, que também influencia os negócios brasileiros. Esse monitoramento precisa fazer parte da rotina do produtor. “A gente tem que se atentar todo ano em acompanhar o mercado não só o da China, mas também o da Europa que também influencia muito o nosso”.
As visitas também colocam a logística brasileira em perspectiva. Antônio Ignácio Barbosa Filho, que produz 2,5 mil hectares de soja, 1,5 mil hectares de milho e mantém 600 hectares de pastagens em Pedro Afonso, no Tocantins, chama atenção para a estrutura chinesa para receber produtos.
A infraestrutura e a velocidade de movimentação observadas no país levantam discussões sobre os gargalos brasileiros e sobre a necessidade de preparação para atender uma demanda internacional que pode continuar crescendo.
A experiência também trouxe uma percepção diferente sobre a capacidade brasileira de movimentar produtos, segundo o engenheiro agrônomo Rafael Grimm Marques. Apesar das dificuldades logísticas, o país consegue escoar volumes expressivos de exportação.
O problema está no custo dessa movimentação. A comparação com a China também abre espaço para discutir não apenas logística, mas o processamento da produção dentro do Brasil. “Agregação de valor e faturamento é um componente muito importante que a gente tem que ficar de olho”, avalia Marques.
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Acrismat promove encontros sobre gestão e eficiência na suinocultura em MT

Suinocultores e profissionais da cadeia produtiva de Mato Grosso terão acesso a encontros gratuitos voltados à gestão, sanidade e eficiência na criação de suínos. A programação, promovida pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), será realizada nos dias 6 e 9 de outubro, em Lucas do Rio Verde e Rondonópolis, respectivamente.
As atividades começam às 18h, nos sindicatos rurais dos dois municípios, e são abertas a produtores, técnicos, estudantes e demais interessados na suinocultura. A proposta é levar informações técnicas às regiões produtoras e ampliar a aproximação entre a entidade e os profissionais que atuam no setor.
Entre os assuntos previstos estão o controle de micotoxinas, a redução do uso de antibióticos, a nutrição de precisão e as estratégias de manejo voltadas à sobrevivência e ao desenvolvimento dos animais. A gestão de pessoas e a liderança também fazem parte da programação.
A iniciativa ocorre em um cenário em que decisões relacionadas à alimentação, sanidade e organização das propriedades estão diretamente ligadas ao desempenho da produção. Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, os encontros devem contribuir para a troca de conhecimento e a discussão de soluções aplicáveis à rotina dos produtores.
“Queremos aproximar cada vez mais a Acrismat dos produtores e profissionais que constroem diariamente a suinocultura de Mato Grosso. Esses encontros são oportunidades para compartilhar conhecimento, discutir os desafios da atividade e apresentar soluções que possam ser aplicadas na rotina das propriedades”, afirma.
Programação reúne especialistas em duas regiões
A primeira edição do Encontro Regional da Suinocultura será realizada em 6 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde. A programação inclui três palestras, com temas relacionados à gestão, aos desafios sanitários e à nutrição dos animais.
Guto Zanata, da SerHumano Profissional, ministrará a palestra “Boas Práticas de Gestão e Liderança para associados da Acrismat”. O conteúdo abordará a gestão de pessoas e a liderança como aspectos relacionados ao desempenho de propriedades e empresas do setor.
Na sequência, Marcus Rezende, da Olmix/Brasil Central, apresentará o tema “Micotoxinas 2026: o que os dados revelam e o que vem pela frente”. A discussão será direcionada às informações atuais e às perspectivas sobre as micotoxinas, que representam desafios para a produção de suínos.
Encerrando o encontro em Lucas do Rio Verde, Daniel Graciolli, da De Heus, falará sobre “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”. A palestra tratará de ferramentas e estratégias nutricionais para apoiar a eficiência produtiva e a tomada de decisões em períodos de dificuldade.
Em Rondonópolis, o encontro será realizado no dia 9 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural do município. A programação também contará com a palestra de Guto Zanata sobre boas práticas de gestão e liderança.
A segunda edição terá ainda a participação de Katiuscia Mota, da Feedis/Brasil Central, com o tema “Suinocultura com menos antibióticos: o que podemos fazer?”. A especialista abordará estratégias nutricionais para fortalecer a resistência dos animais diante dos desafios sanitários e contribuir para a redução do uso de antibióticos.
Marco Lubas, da De Heus, apresentará novamente o tema “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”.
A programação em Rondonópolis será concluída por Bruna Alves Caetano, da Tecnomerc, com a palestra “Visão holística do especialista: compreensão fisiológica, manejo e estratégias práticas focadas na sobrevivência e no desenvolvimento de longo prazo dos suínos”.
Com os dois encontros, a Acrismat pretende ampliar o acesso a informações técnicas e incentivar a troca de experiências entre os participantes. As atividades serão gratuitas e realizadas nos sindicatos rurais de Lucas do Rio Verde e Rondonópolis.
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Agro Mato Grosso
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