Sustentabilidade
O consórcio perfeito: como uma braquiária híbrida pode otimizar sistemas de plantio direto de milho – MAIS SOJA

Experimentos científicos realizados no Instituto Federal Goiano (IF Goiano), campus Iporá (GO), demonstraram que o uso de adubos verdes influencia diretamente o desempenho agronômico do milho em sistema irrigado sob plantio direto. Entre as espécies avaliadas, a braquiária híbrida Mavuno apresentou os resultados mais consistentes, equiparando-se a leguminosas tradicionalmente reconhecidas pela eficiência agronômica, como a Crotalaria spectabilis.
O trabalho intitulado “Efeitos dos adubos verdes no milho irrigado sob plantio direto” teve como objetivo avaliar diferentes coberturas vegetais sobre o crescimento e o desenvolvimento do milho destinado à produção de silagem. O experimento foi conduzido durante o ano agrícola de 2019, em um Neossolo Quartzarênico argiloso, utilizando delineamento em blocos casualizados, com cinco tratamentos e quatro repetições. Foram comparados área em pousio (testemunha), Crotalária, Mavuno, Lab-Lab e Panicum.
Segundo os autores, os adubos verdes apresentaram diferenças significativas no desenvolvimento do milho quando comparados à área em pousio, com destaque para o capim Mavuno e a crotalária, que apresentaram os maiores efeitos positivos. As avaliações ocorreram aos 88 dias após a semeadura do milho, fase correspondente ao ponto de corte para silagem, analisando-se variáveis como número de fileiras por espiga, diâmetro e comprimento das espigas, altura de inserção da primeira espiga e número de espigas.
Os resultados indicaram diferença estatística significativa no diâmetro das espigas em relação à testemunha. O capim Mavuno apresentou média de 45,72 milímetros, enquanto a crotalária atingiu 45,18 mm, ambos superiores à área em pousio, que registrou média de 41,13 mm.
Além dos efeitos sobre os componentes produtivos do milho, um experimento complementar destacou atributos do Mavuno relacionados à dinâmica do solo. Em sucessão a diferentes adubos verdes, os pesquisadores observaram que o Mavuno foi o capim com maior produção de massa seca e maior capacidade de retenção de água no solo ao longo do ciclo do feijão, beneficiando a produtividade da cultura de rotação. Esse desempenho foi atribuído ao sistema irrigado, que favoreceu a decomposição da matéria orgânica da gramínea e antecipou a relação carbono/nitrogênio em comparação a outras espécies testadas.
A metodologia incluiu a semeadura dos adubos verdes em 15 de fevereiro, seguida da dessecação química com glifosato aos 70 dias após a emergência. Após a dessecação, implantou-se o feijão-comum como cultura antecedente e, posteriormente, o milho híbrido foi semeado diretamente sobre a palhada, em 3 de outubro, com população de 60 mil plantas por hectare. Todo o sistema foi conduzido com irrigação por gotejamento, condição considerada determinante para o desempenho observado do capim Mavuno.
Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Sementes, os resultados reforçam o papel estratégico da braquiária híbrida nos sistemas produtivos modernos. “Os estudos mostram, com dados consistentes, que o Mavuno não apenas produz elevada massa seca, mas também contribui para a retenção de água no solo e para o desempenho do milho em plantio direto irrigado. Na prática, isso representa maior estabilidade produtiva, melhor aproveitamento dos recursos do sistema e maior previsibilidade de resultados ao produtor”, afirma.
Além dos ganhos pontuais nos componentes produtivos do milho, o desempenho do Mavuno evidencia o potencial dos híbridos de braquiária como ferramentas de intensificação sustentável, capazes de aliar elevada produção de palhada, eficiência na ciclagem de nutrientes e construção de sistemas agrícolas mais resilientes, especialmente em ambientes irrigados e de alta exigência técnica.
Do ponto de vista prático, os resultados indicam que o uso do capim Mavuno como adubo verde ou em sistemas de sucessão pode ser uma alternativa eficiente para produtores que buscam sustentabilidade aliada à eficiência econômica. A formação de palhada, a melhoria das condições físicas do solo e o efeito positivo sobre componentes produtivos do milho reforçam o potencial da braquiária híbrida em sistemas de plantio direto, sucessão e consórcios estratégicos.
Sobre a Wolf Sementes
A Wolf Sementes é especializada no desenvolvimento e na comercialização de sementes para pastagens e forrageiras, com foco em soluções que promovem produtividade, sustentabilidade e eficiência nos sistemas agropecuários brasileiros.
Fontes científicas
FILHO, W.C.V.; PONCIANO, V.F.G.; CRUZ, S.J.S.; PONCIANO, I.M.; OLIVEIRA, S.S.C.O.; FERREIRA, U.S. Efeitos dos adubos verdes no milho irrigado sob plantio direto.
ANDRADE, V.D.; VIERA FILHO, W.C.; PERES, M.S.; PONCIANO, V.F.G.; CRUZ, S.J.S.; PONCIANO, I.M. Retenção de água no solo no feijão comum em sucessão de diferentes adubos verdes.
Foto de capa: Embrapa
Fonte: Assessoria de Imprensa Wolf Sementes
Sustentabilidade
Perdeu o Soja Brasil? Veja os destaques da última edição do programa

O que movimenta a safra de soja 2026/27 no Brasil? A última edição do programa Soja Brasil reúne reportagens sobre pesquisa agrícola na China, os desafios do plantio no Paraná e os impactos do clima para os produtores rurais.
A expedição Soja Brasil percorre Mato Grosso para mostrar os desafios logísticos do escoamento da produção, desde o transporte rodoviário até a integração com as ferrovias. O programa também acompanha o avanço do plantio pelo país e traz a previsão do tempo para a primavera, com alertas para o calor e a irregularidade das chuvas em diferentes regiões.
Outro destaque é a tecnologia no campo. Na abertura nacional do plantio da soja 2026/27, em Ipiranga do Norte (MT), produtores conheceram máquinas e soluções voltadas à precisão das operações, à economia de fertilizantes e à eficiência no trabalho agrícola.
Na China, a equipe mostra como pesquisadores investem em melhoramento genético, manejo do solo e rotação de culturas para ampliar a produtividade da soja e reduzir a dependência das importações. Já no Paraná, o excesso de umidade dificulta a semeadura em algumas regiões e acende o alerta para possíveis impactos no calendário do milho safrinha.
O programa traz ainda informações sobre o ritmo do plantio no Brasil e os principais assuntos em destaque no portal Soja Brasil, incluindo o manejo de pragas e doenças e histórias de produtores rurais.
Sustentabilidade
Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.
Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.
A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.
Confira:
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
- Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
- Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.
Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.
As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.
Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.
Sustentabilidade
Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.
Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.
O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).
A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).
Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.
Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.
Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?

Referências:
ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.
WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.

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