Agro Mato Grosso
Defensoria da União esclarece processo que levou à homologação de Lula sobre terras indígenas em MT

Posicionamento da DPU vem no momento em que o governo estadual entra com petição no STF e ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, defende que o decreto seja revertido. Lideranças indígenas destacam resultado por anos de luta e reconhecimento de direitos.
O defensor regional de direitos humanos Renan Vinicius Sotto Mayor de Oliveira da Defensoria Pública da União (DPU) rebateu, na sexta-feira (28), as críticas contrárias à homologação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre três terras indígenas em Mato Grosso e esclareceu a forma como transcorreu o processo de demarcação.
O posicionamento vem no momento em que o governo estadual, por meio da Procuradoria-Geral do estado (PGE), entrou com uma petição no processo do marco temporal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), por entender que o decreto seja inconstitucional. Além disso, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que vai tentar reverter o decreto do presidente Lula usando sua “própria capacidade dentro do governo”.
As terras homologadas são:
- Terra Indígena Estação Parecis, em Diamantino;
- Terra Indígena Manoki, em Brasnorte;
- Terra Indígena Uirapuru, localizada nos municípios de Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste.
Em carta aberta, o defensor da DPU destacou a dívida histórica e os séculos de violência do estado contra os indígenas ao longo da formação do país. “Essa trajetória marcada por remoções forçadas, usurpação territorial, massacres e políticas estatais assimilacionistas explica por que a Constituição de 1988 estabeleceu um novo paradigma de proteção aos direitos indígenas”, afirmou.
Em relação à Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, a 580 km de Cuiabá, que está no centro das críticas por ter sido expandida de 46 mil para 252 mil hectares, o defensor disse que já havia uma sentença na Justiça que determinava a demarcação.
Em 2022, a Justiça determinou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a União adotassem medidas concretas e urgentes para concluir o processo de demarcação do povo Manoki. Além disso, a decisão ainda impôs uma indenização de R$ 30 mil por danos morais coletivos pela demora e prejuízos às comunidades indígenas.
“Houve, ainda, concessão de tutela antecipada, fixando-se o prazo de 30 dias para a homologação presidencial da terra e o subsequente registro pela Funai, sob pena de multa diária, reconhecendo, assim, a omissão estatal e garantindo efetivamente os direitos do povo Manoki”, disse o defensor Oliveira.
Com isso, a União entrou com recurso contra essa sentença, que aguarda julgamento, contando com parecer do Ministério Público Federal (MPF) favorável aos indígenas. Assim, o defensor explica que o decreto do presidente Lula ao homologar esse território está “plenamente compatível com a Constituição, constituindo exercício legítimo e obrigatório da competência da União para assegurar a efetivação dos direitos territoriais indígenas”.
Oliveira destacou ainda que a demarcação dos territórios indígenas, além de uma obrigação constitucional, é uma estratégia essencial para o equilíbrio climático e para a sustentabilidade do país.
“A conservação dessas terras impacta diretamente a redução das emissões de gases de efeito estufa e na regulação dos ciclos hídricos, que são elementos essenciais para o regime de chuvas e, consequentemente, para a agricultura nacional. Assim, garantir a posse e a proteção desses territórios significa também fortalecer um dos pilares mais sólidos do desenvolvimento econômico sustentável”, afirmou.
O defensor esclareceu ainda que comentários pejorativos, estigmatizantes ou que incitem a discriminação contra indígenas, proferidos no ambiente virtual ou fora dele, podem configurar o crime de racismo, conforme a legislação.
O que diz o governo estadual
No final de novembro, Mauro Mendes entrou com uma petição no STF, dentro do processo que discute a tese do marco temporal. O assunto ainda é discutido em audiências de conciliação. Contudo, o Congresso promulgou uma lei, em 2023, que instituiu o marco temporal antes da conclusão das audiências pelo STF, que já havia julgado a tese como inconstitucional.
No documento, a PGE argumentou que o decreto do presidente Lula seria inconstitucional por violar a lei 14.701 de 2023 que estabaleceu o marco temporal dos territórios indígenas. No texto, o presidente Lula ampliou a Terra Indígena Manoki de 46 mil para 252 mil hectares, o que a PGE entendeu como inconstitucional.
📅 O marco temporal define que indígenas só podem reivindicar a demarcação de terras que eram ocupadas pelos povos originários no momento da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.
A PGE afirmou que há registros históricos e jurídicos que comprovam que a área “foi ocupada por famílias não indígenas desde a década de 1950, com plena ciência do poder público”.
Outro ponto de atenção apontado na ação foi o impacto social e fundiário gerado pela medida. O governo estadual afirma que a ampliação atinge diretamente centenas de produtores e famílias com títulos legítimos, Cadastros Ambientais Rurais (CAR) ativos e, em alguns casos, decisões judiciais reconhecendo sua ocupação regular.
O que dizem as lideranças indígenas
Lideranças indígenas que representam esses territórios afirmaram que essa conquista é resultado de anos de luta por reconhecimento de direitos diante de ameaças de morte, desmatamento ilegal e disputas territoriais.
A presidente da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) Eliane Xunakalo destacou a importância dessa conquista como resultado de anos de luta.
“Isso abre precedente para mais terras demarcadas em nosso estado, porque nós temos mais de 20 territórios em processo de demarcação. Nós estamos muito felizes, isso é resultado de luta”, afirmou.
Atualmente, o estado tem 73 terras indígenas demarcadas, que somam 15 milhões de hectares, o equivalente a 16% de todo o território estadual.
Um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontou que, em 2024, foram contabilizados 18 casos de conflitos e disputas territoriais envolvendo indígenas no estado.
Agro Mato Grosso
Batida entre caminhões deixa 2 mortos e provoca incêndio na BR-364 em MT; vídeo

Rodovia ficou totalmente interditada. Segundo a concessionária, veículos transportavam mudas de plantas e uma carga que aparenta ser milho.
Duas motoristas, que ainda não tiveram as identidades divulgadas, morreram em uma batida entre dois veículos de carga que pegaram fogo no km 540 da BR-364, em Rosário Oeste, a 133 km de Cuiabá, nesta quarta-feira (14). A pista foi totalmente interditada para o atendimento da ocorrência. (video abaixo)
Segundo a Nova Rota do Oeste, concessionária responsável pela rodovia, um dos veículos transportava mudas de plantas. O outro estava carregado com o que aparenta ser milho, e parte da carga ficou espalhada pela pista. Os dois caminhões pegaram fogo com o impacto.
Inicialmente, a concessionária informou que um dos veículos envolvidos era um caminhão-tanque. Em uma atualização, a empresa corrigiu a informação e confirmou que não houve envolvimento de veículo desse tipo.
A concessionária foi acionada às 13h18 e enviou equipes ao local, onde também atuam o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Às 16h08, as chamas já haviam sido controladas, segundo a concessionária. Uma equipe responsável pela conservação da rodovia aguardava para iniciar a limpeza da pista.
Ainda não há informações sobre a existência de outros feridos ou as circunstâncias da batida. Até a última atualização desta reportagem, a pista permanecia interditada.
VIDEO:
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Agro Mato Grosso
Milho lidera e Mato Grosso garante 6º lugar entre os maiores exportadores do país

A força do agronegócio de Mato Grosso continua injetando bilhões de dólares na economia local e movimentando a renda em todo o Estado. Apenas no mês de setembro, as exportações mato-grossenses movimentaram US$ 2,1 bilhões, garantindo a Mato Grosso o posto de 6º maior exportador do Brasil, responsável por 6% de tudo o que o país vendeu para o exterior.
Com importações somando US$ 233 milhões, concentradas principalmente em insumos como fertilizantes, o saldo da balança comercial do Estado fechou no azul em cerca de US$ 1,9 bilhão.
Milho puxa os embarques e China lidera as compras
A produção mato-grossense alcançou 115 países em setembro, impulsionada pelos grãos e pela pecuária, o milho sozinho respondeu por US$ 641,1 milhões (30,3% de tudo o que foi vendido pelo Estado). Soja em grão (US$ 354 milhões), carne bovina congelada (US$ 257,5 milhões), farelo de soja (US$ 249,3 milhões) e algodão (US$ 163,3 milhões).
A China liderou o ranking de destinos, adquirindo US$ 342,3 milhões em produtos (16,2% do total), seguida por Países Baixos, Egito, Irã e Espanha.
Crescimento no ano e o foco na agroindustrialização
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, Mato Grosso já faturou US$ 26,5 bilhões em vendas externas, uma alta expressiva de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado, injetando US$ 3,8 bilhões a mais na economia estadual.
*Sob supervisão de Gene Lannes
Fonte: SEDEC
Agro Mato Grosso
Mato Grosso tem dois alertas de tempestade com ventos fortes e risco de granizo; entenda

Defesa Civil alerta para chuvas intensas até a madrugada de quarta-feira (14). Inmet também prevê tempestades, ventos fortes e possibilidade de granizo na quinta (15).
Cuiabá está sob alerta de chuvas intensas e ventos de até 60 km/h a partir desta terça-feira (13). Segundo a Defesa Civil, a previsão é de chuva de até 30 milímetros por hora, com risco de queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas. O aviso é válido até as 0h55 desta quarta-feira (14).
Além disso, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu um alerta de tempestade para quinta-feira (15), válido das 0h às 23h59. O aviso é classificado como perigo potencial, com previsão de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo chegar a 50 milímetros ao longo do dia.
Para quinta-feira, também há previsão de ventos entre 40 e 60 km/h e possibilidade de queda de granizo. Segundo o Inmet, há baixo risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, danos em plantações, queda de galhos de árvores e alagamentos.
⚠️☔Orientações de segurança
Em caso de rajadas de vento, a orientação é evitar abrigo debaixo de árvores, devido ao risco de queda de galhos e descargas elétricas. Também é recomendado não estacionar veículos próximos a torres de transmissão, placas de propaganda e outras estruturas que possam cair.
Durante as tempestades, a população deve evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada. Em caso de falta de energia, a recomendação é utilizar lanternas em vez de velas, para reduzir o risco de incêndios.
Se houver queda de fios elétricos, a orientação é manter distância e não tentar tocar ou remover os cabos.
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