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25 de junho de 2026

Sustentabilidade

Entrevista: Ingo Plöger fala sobre o papel geopolítico do Brasil, agro na COP 30 e outros temas – MAIS SOJA

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Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br

A SNA entrevistou Ingo Plöger, atual vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e recém-eleito como novo presidente desta entidade, devendo tomar posse em janeiro de 2026. Engenheiro mecânico, formado pela Technische Universität Darmstadt, na Alemanha, e pós-graduado em Ciências Econômicas e do Trabalho pela Technische Universität München, Ingo Plöger acumula as atividades de empresário, consultor e mentor de empresas e instituições na América Latina e na Europa. Atua como presidente do Conselho Empresarial de América Latina (CEAL) e da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional (IPDES). Além disso, integra conselhos de grandes empresas, como Robert Bosch GmbH e Embraer, participando também de entidades de integração econômica entre o Brasil, a Europa e a América Latina.

Ingo conversou conosco sobre o papel geopolítico do Brasil, no que se refere à segurança alimentar e as questões ambientais globais, e ainda sobre a relação do agro brasileiro com os Estados Unidos. Outro tema abordado foi a respeito das exigências da União Europeia e países asiáticos por produtos com rastreabilidade ambiental e práticas regenerativas. Em adicional, Plöger falou sobre o uso da tecnologia no agronegócio do Brasil e como está sendo a participação deste setor na COP 30.

*Confira a entrevista na íntegra.

SNA: O Brasil tem se consolidado como um dos grandes protagonistas do agronegócio mundial. Na sua visão, qual deve ser o papel geopolítico do país nos próximos anos, considerando a disputa por segurança alimentar, a pressão ambiental e a necessidade de equilibrar produtividade e soberania nacional?

INGO: O Brasil tem hoje uma oportunidade única de exercer liderança global no agronegócio, combinando algumas dimensões fundamentais: segurança alimentar, segurança energética, substituição de produtos de origem fóssil por natural e produtividade atrelada à preservação ambiental e à valorização dos aspectos socioeconômicos.

Somos um dos poucos países capazes de produzir em escala, com sustentabilidade e tecnologia tropical própria. Isso nos dá um papel estratégico na geopolítica mundial, exatamente no momento em que o mundo busca fontes confiáveis de alimentos, energia e produtos e ao mesmo tempo soluções para o clima, com inserção social.

Nos próximos anos, o desafio será fortalecer nossa posição como potência sustentável, mostrando que é possível aumentar produtividade e, ao mesmo tempo, conservar nossos biomas e garantir soberania sobre o nosso território. Por esta natureza, o Brasil se torna protagonista dabiocompetitividade.

Nosso país pode ser o grande articulador de uma nova agenda global, que una competitividade, inovação e responsabilidade socioambiental. Esse é o caminho para consolidar a liderança no agronegócio do futuro.

SNA: Diante do cenário pós-taxação dos EUA sobre produtos brasileiros, como o senhor avalia a estratégia do Brasil para proteger seu agro e, ao mesmo tempo, ampliar a presença internacional? E, caso essas tarifas venham a ser extintas, quais impactos práticos o setor deve sentir nos curto e médio prazos?

 INGO: A taxação imposta pelos EUA é um sinal claro das tensões que envolvem o comércio global nessa nova ordem e da importância de o Brasil ter uma estratégia própria de inserção internacional.

Mais do que reagir pontualmente, precisamos fortalecer nossa diplomacia econômica ambiental, diversificar mercados e agregar valor aos nossos produtos, mostrando que o agro brasileiro é competitivo, sustentável e parceiro confiável. O futuro está nas agroalianças. Não só no Brasil, mas a agricultura faz parte da solução e não é a essência do problema no mundo todo. A agricultura precisa se unir neste entendimento.

Essas medidas protegem o setor não apenas de tarifas, mas também de barreiras não comerciais, que muitas vezes têm fundo político ou protecionista, e até com disfarce ambiental.

O Brasil e os EUA têm mais a oferecer em conjunto. Necessitamos exercer a nossa capacidade visionaria de aumentar os negócios com este importante parceiro. Se imaginarmos na cooperação entre os dois países na evolução da biomassa estratégica para combustíveis de aviação, navegação marítima e mobilidade urbana, as duas nações poderão aumentar o seu comercio em mais de 50% em poucos anos. Essa relação não se dá somente pela exportação e importação, mas pela cooperação em investimentos tecnologias e conhecimento que envolve muito mais, resultando em renda e emprego. Precisamos ter audácia nestas negociações para oferecer mais e receber mais, aí a questão das tarifas se resolvem automaticamente.

Mas o verdadeiro ganho virá logo, pois estas expectativas resultam em uma pareceria no curto, médioe longo prazo, com a consolidação de uma imagem internacional sólida do agro brasileiro, como um ator estratégico e responsável na segurança alimentar e energética, de produtos e serviços.

SNA: Com as novas exigências da União Europeia e de mercados asiáticos por produtos com rastreabilidade ambiental e práticas regenerativas, como o senhor avalia o preparo do agro brasileiro para atender a esses padrões sem perder competitividade?

 INGO: O agro brasileiro já está mais preparado do que muitas vezes se imagina para atender às novas exigências internacionais.Quando o Brasil exporta proteínas animais para mercados com cortes especiais como para Israel, PaísesÁrabes, Europa, Japão e EUA somente para citar alguns muito diferenciados, já o faz nas solicitações fitossanitárias e exigências especificas dentro de um ambiente altamente sofisticado e competitivo. A proteína animal é na cadeia alimentar secularmente a mais exigente pelo seu enorme poder de deterioração e quando o Brasil alcança esta qualificação é por uma razão de dominar a cadeia toda da criação ao abate e processamento até o prato do consumidor.

O Brasil, em razão de sua biocompetitividade,induz preços nestes mercados que são atrativos, fazendo com que os mercados locais tenham que investir muito mais ou subvencionar. Os dois temas recebem reações adversas tanto pelos competidores quanto pelos governos.

O Brasil continuará a trabalhar intensamente os seus temas, melhorando na qualidade, confiabilidade e informação. Não há como parar esta evolução. Empresas brasileiras iniciam o próximo passo de investir nestes mercados e expandir seus negócios. Este será o caminho inexorável, aliás, como foi com a industrialização no Brasil quando empresas internacionais deslocaram empresas nacionais menos competitivas. O que precisamos realçar é que a democracia verdadeira é aquela que oferece opções, e está intimamente ligadaà economia de mercado que vive da competição saudável. A única coisa que o agro brasileiro quer é poder competir bem, pois quem se favorece é o consumidor por acesso aos produtos por preços melhores e a qualidade de seus anseios.

Na questão ambiental, temos o Código Florestal mais avançado do mundo, sistemas de rastreabilidade digital entre outros, em expansão e uma base tecnológica que permite produzir com baixa emissão e alta eficiência.

O desafio agora é transformar essa vantagem em valor, mostrando aos mercados que sustentabilidade e competitividade andam juntas no Brasil. A nossa famosa biocompetitividade.

As práticas regenerativas, o uso de bioinsumos, a integração lavoura-pecuária-floresta e a digitalização do campo são exemplos de como o produtor brasileiro já está evoluindo nesse caminho.

O que precisamos é alinhar políticas públicas, certificações e comunicação internacional para garantir reconhecimento a esses avanços.Assim, o Brasil se posiciona como referência global em agricultura sustentável e regenerativa.

SNA: O agronegócio brasileiro tem sido referência em produtividade e inovação tecnológica. Quais áreas o senhor acredita que devem receber maior atenção — biotecnologia, agricultura digital, bioinsumos, ou outra — para que o país mantenha sua liderança global e avance em sustentabilidade?

INGO: O Brasil já é líder em várias áreas de inovação no agro, mas o grande diferencial daqui para frente será integrar trabalho, tecnologia, biologia e sustentabilidade. A biotecnologia continuará sendo essencial para aumentar produtividade e resiliência das culturas, especialmente frente às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, a agricultura digital permite decisões cada vez mais precisas, otimizando recursos e reduzindo impactos ambientais.

Os bioinsumos e a bioeconomia representam a nova fronteira: transformar conhecimento biológico em soluções de baixo carbono e alto valor agregado. Mas o ponto central é a convergência entre essas áreas — ciência, dados e práticas regenerativas trabalhando juntas.É isso que vai manter o Brasil na liderança global: produzir mais, com menos impacto, e com inovação genuinamente tropical e sustentável.

No campo a integração dos trabalhos cada vez mais qualificados aumentando renda e bem-estar, traz à liderança cada vez mais desafios incríveis, que são exercidas por diversidade geracional e de gênero, algo que no mundo desenvolvido está em crise.

SNA: Como o senhor enxerga o papel da ABAG na articulação com o governo federal e com os estados para construir uma agenda de longo prazo que garanta previsibilidade, competitividade e segurança jurídica ao agronegócio brasileiro?

INGO: A ABAG tem um papel central de articulação entre o setor produtivo, o governo e a sociedade. Nosso foco é construir pontes, levar informação técnica, promover diálogo e contribuir para políticas públicas baseadas em evidências e em visão de longo prazo.

O agronegócio precisa de previsibilidade, segurança jurídica e competitividade. E isso só se alcança com uma agenda estruturada, construída de forma coletiva e integrada entre União, estados e setor privado.

A ABAG atua exatamente nesse ponto: como uma voz institucional, que representa o agro de forma ampla e propositiva, conectando produção, sustentabilidade e desenvolvimento.Nosso objetivo é contribuir para que o Brasil siga como referência global, com um agronegócio inovador, responsável e preparado para os desafios do futuro.

Nós da ABAG acreditamos que não existe uma só voz do agro, embora seja muitas vezes citado. A nossa diversidade de origens, biomas, tecnologias e mercados é tamanha, que melhor do que uma só voz são muitas e muitas vozes que serão ouvidas em um coral tão diverso e competente, seguindo uma partitura comum. Então estamos sim tentando organizar esta obra, de tantas boas vozes.

SNA: Com a COP30 sendo sediada no Brasil, quais contribuições concretas o agronegócio nacional pode apresentar ao debate climático global, tanto em termos de práticas sustentáveis e redução de emissões, quanto na valorização do papel do produtor rural na agenda ambiental?  

INGO: A COP30 está sendo uma oportunidade histórica para o Brasil mostrar ao mundo que o agronegócio é parte da solução de muitos problemas. A agro no mundo inteiro precisa se unir neste proposito, daí a necessidade de nós formarmos cada vez mais ALIANÇAS. Na nossa realidade tropical temos a grande chance de mostrar o que temos de diferente e potencialmente interessante sendo uma grande parte da solução climática.

O setor já vem adotando práticas concretas de mitigação e adaptação, como a integração lavoura-pecuária-floresta, o plantio direto, o uso de bioinsumos e a recuperação de áreas degradadas, o que reduze emissões e aumenta a captura de carbono.

Além disso, o produtor rural brasileiro é um agente essencial da conservação: mais de 30% do território nacional está dentro de propriedades privadas com vegetação nativa preservada.

Na COP30, o agro pode apresentar resultados, propor parcerias e demonstrar que sustentabilidade e produtividade caminham juntas.

É hora de valorizar o papel do produtor e posicionar o Brasil como líder em uma agricultura de baixo carbono, regenerativa e baseada em ciência.

Fonte: SNA



 

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Sustentabilidade

Chuva atrasa o avanço da colheita do milho em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

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A colheita do milho segunda safra 2025/2026 segue em ritmo lento e apresenta atraso em comparação ao ciclo anterior, em Mato Grosso do Sul. De acordo com informações do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc,  0,20% da área cultivada foi colhida até a terceira semana de junho.

O percentual representa um atraso de aproximadamente 4,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, as condições climáticas estão entre os principais fatores que explicam o cenário.

“O volume elevado de precipitações registrado nos principais municípios produtores de milho contribuiu para retardar o avanço da colheita. Apesar disso, é importante destacar que, historicamente, a colheita do milho em Mato Grosso do Sul ganha intensidade a partir da segunda quinzena de julho, com pico das atividades entre o final de julho e o início de setembro”, explica Balta.

Ainda de acordo com Gabriel, embora o milho possua um período de colheita mais extenso que a soja, o cenário climático exige atenção dos produtores.

“O milho normalmente pode permanecer mais tempo no campo sem grandes prejuízos, devido às condições climáticas mais secas durante o período de colheita. No entanto, neste ano, observamos maior instabilidade climática, com possibilidade de chuvas irregulares, ventos fortes e até ocorrência de granizo em algumas regiões. Por isso, é recomendável que os produtores acompanhem as condições das lavouras e realizem a colheita dentro da melhor janela possível”, ressalta.

O acompanhamento das lavouras aponta que o milho se encontra entre os estádios fenológicos vegetativo e reprodutivo. As regiões nordeste, norte e oeste apresentam os melhores índices de desenvolvimento, com lavouras em boas condições variando entre 79% e 92%.

Já nas regiões sudoeste, sudeste, sul, sul-fronteira e centro, as condições são menos favoráveis. Nessas áreas, os índices de lavouras em condições ruins chegam a 24%, enquanto as áreas classificadas como regulares variam entre 16% e 31%.

A previsão climática para o período entre 22 de junho e 8 de julho indica acumulados de chuva entre 10 e 50 milímetros nas regiões centro-sul, sudeste e nordeste de Mato Grosso do Sul, o que pode continuar influenciando o andamento dos trabalhos no campo.

No mercado, a saca da soja é cotada, em média, a R$ 112,43 no Estado, enquanto a saca do milho registra preço médio de R$ 47,92.

O boletim completo pode ser acessado aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



FONTE

Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)

Site: Aprosoja/MS

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Preços da soja no Brasil: Chicago cai e dólar sobe; confira as cotações

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Foto: Daniel Popov/ Canal Rural

O mercado brasileiro de soja teve uma sessão sem registro de movimentos mais firmes, com negociações restritas a pequenos lotes.

O analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira destaca que os prêmios seguem sustentados, enquanto os demais formadores de preços apresentaram movimentos limitados ao longo do dia.

A Bolsa de Chicago recuou, enquanto o dólar registro u leve alta. Com isso, as cotações permaneceram praticamente estáveis na maior parte das praças, com algumas situações pontuais mais favoráveis.

“Algumas praças trabalharam com preços melhores do que a paridade”, observa Silveira. Segundo ele, as indicações continuaram trazendo oportunidades de negociação, mesmo sem um avanço mais consistente dos negócios.

O analista ressalta que os produtores seguem administrando o ritmo das vendas. “O produtor está segurando e cadenciando as ofertas”, afirma.

Mercado físico da soja

  • Passo Fundo (RS): R$ 128
  • Santa Rosa (RS): R$ 129
  • Cascavel (PR): R$ 124
  • Rondonópolis (MT): R$ 114
  • Dourados (MS): subiram de R$ 116 para R$ 116,50
  • Rio Verde (GO): R$ 117
  • Porto de Paranaguá (PR): R$ 135
  • Porto de Rio Grande (RS): R$ 135

Mercado atacadista

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Vendas por parte de fundos predominaram na sessão, em meio a um cenário fundamental baixista.

O analista de Safras & Mercado pontua que o clima segue beneficiando as lavouras norte-americanas, apontando para uma produção cheia em 2026.

O desempenho de outros mercados também ajudou a motivar os participantes a permanecer na defensiva. O petróleo voltou a cair forte, refletindo o otimismo sobre a retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

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Para completar, o dólar sobe frente a seus pares, retirando competitividade dos produtos de exportação estadunidenses, caso da soja.

Os agentes começaram a posicionar suas carteiras frente aos importantes relatórios que serão divulgados na próxima semana pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na terça (30), saem os dados de plantio da temporada 2026/27 e os estoques trimestrais norte-americanos na quarta (1).

Contratos futuros

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com baixa de 8,25 centavos de dólar, ou 0,73%, a US$ 11,08 3/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 11,16 3/4 por bushel, com retração de 7,25 centavos de dólar ou 0,64%.

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 0,70 ou 0,23% a US$ 303,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 69,46 centavos de dólar, com perda de 1,13 centavo ou 1,60%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,28%, sendo negociado a R$ 5,2002 para venda e a R$ 5,1982 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1872 e a máxima de R$ 5,2212.

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Sustentabilidade

Doenças em soja: controle de fungos necrotróficos exige medidas integradas de manejo – MAIS SOJA

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Durante o ciclo de desenvolvimento da soja, diversas doenças podem acometer a cultura, afetando diferentes órgãos e estádios fenológicos da planta. Os patógenos responsáveis por essas doenças são, em sua maioria, de origem fúngica e podem estar presentes no ambiente de cultivo antes mesmo da semeadura, comprometendo inclusive as fases iniciais de estabelecimento da lavoura.

Além dos fungos biotróficos, que dependem de tecidos vivos do hospedeiro para sua sobrevivência e desenvolvimento, como ocorre com o agente causal da ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), existem fungos capazes de sobreviver em restos culturais e matéria orgânica presentes no solo. Esses patógenos, classificados como fungos necrotróficos, utilizam tecidos vegetais mortos como fonte de sobrevivência e podem permanecer viáveis entre safras, dificultando a redução do inóculo e favorecendo a ocorrência de novas infecções quando encontram condições ambientais adequadas de temperatura e umidade.

Entre os principais patógenos necrotróficos associados às doenças da soja destacam-se a mancha olho-de-rã (Cercospora sojina), a cercosporiose (Cercospora kikuchii), a mancha-parda (Septoria glycines), a antracnose (Colletotrichum truncatum), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) e as podridões radiculares e de colmo associadas a espécies dos gêneros Rhizoctonia, Fusarium e Sclerotinia. A capacidade de sobrevivência desses patógenos em resíduos culturais dificulta a controle efetivo dessas doenças e reforça a importância do manejo integrado de doenças, envolvendo práticas como rotação de culturas, tratamento de sementes, manejo da população de plantas, nutrição equilibrada e uso estratégico de fungicidas (Forcelini, 2010).

Figura 1. Esquema de manejo integrado de doenças causadas por fungos necrotróficos em soja.
Adaptado: Forcelini (2010)

Considerando que a manutenção da cobertura permanente do solo é uma das premissas fundamentais do sistema plantio direto, a destruição dos resíduos culturais (palhada) não constitui uma estratégia tecnicamente recomendada para o manejo de fungos necrotróficos em ambientes agrícolas. Nesse contexto, a redução da sobrevivência e do potencial de inóculo desses patógenos deve ser baseada em práticas integradas, reforçando a necessidade da rotação de culturas com espécies não hospedeiras, do uso de cultivares com maior resistência genética e do tratamento de sementes com fungicidas eficientes e específicos.

Dessa forma, a definição adequada das culturas que compõem o sistema de rotação, priorizando espécies pertencentes a diferentes famílias botânicas e sem relação de hospedeiro com os principais patógenos, é fundamental para interromper o ciclo de sobrevivência dos fungos necrotróficos e reduzir a pressão de doenças na soja. Além disso, estudos indicam que sementes infectadas ou contaminadas podem representar importantes fontes de inóculo inicial desses patógenos em áreas de cultivo de soja (Reis; Reis; Zanatta, 2022). Portanto, o uso de sementes com elevada qualidade fisiológica e sanitária, associado ao tratamento de sementes com fungicidas apropriados, constitui uma etapa essencial no manejo integrado de doenças, contribuindo para a proteção inicial das plantas e para a redução da disseminação dos patógenos na lavoura.



Referências:

FORCELINI, C. A. DOENÇAS EM SOJA: ENTENDENDO AS DIFERENÇAS ENTRE BIOTRÓFICOS E NECROTRÓFICOS. Revista Plantio Direto, N. 7, 2010. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/711702511/3-230207-193658 >, acesso em: 24/06/2026.

REIS, E. M.; REIS, A. C.; ZANATTA, M. QUANTO A EFICÁCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES COM FUNGICIDAS. – ÊNFASE EM GRANDES CULTURAS DE GRÃOS. Summa Phytopathol, 2022. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/sp/a/5CQ64Z9QkJkhM7yvGr9xgcw/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 24/06/2026.

 

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