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20 de maio de 2026

Sustentabilidade

Entrevista: Ingo Plöger fala sobre o papel geopolítico do Brasil, agro na COP 30 e outros temas – MAIS SOJA

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Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br

A SNA entrevistou Ingo Plöger, atual vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e recém-eleito como novo presidente desta entidade, devendo tomar posse em janeiro de 2026. Engenheiro mecânico, formado pela Technische Universität Darmstadt, na Alemanha, e pós-graduado em Ciências Econômicas e do Trabalho pela Technische Universität München, Ingo Plöger acumula as atividades de empresário, consultor e mentor de empresas e instituições na América Latina e na Europa. Atua como presidente do Conselho Empresarial de América Latina (CEAL) e da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional (IPDES). Além disso, integra conselhos de grandes empresas, como Robert Bosch GmbH e Embraer, participando também de entidades de integração econômica entre o Brasil, a Europa e a América Latina.

Ingo conversou conosco sobre o papel geopolítico do Brasil, no que se refere à segurança alimentar e as questões ambientais globais, e ainda sobre a relação do agro brasileiro com os Estados Unidos. Outro tema abordado foi a respeito das exigências da União Europeia e países asiáticos por produtos com rastreabilidade ambiental e práticas regenerativas. Em adicional, Plöger falou sobre o uso da tecnologia no agronegócio do Brasil e como está sendo a participação deste setor na COP 30.

*Confira a entrevista na íntegra.

SNA: O Brasil tem se consolidado como um dos grandes protagonistas do agronegócio mundial. Na sua visão, qual deve ser o papel geopolítico do país nos próximos anos, considerando a disputa por segurança alimentar, a pressão ambiental e a necessidade de equilibrar produtividade e soberania nacional?

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INGO: O Brasil tem hoje uma oportunidade única de exercer liderança global no agronegócio, combinando algumas dimensões fundamentais: segurança alimentar, segurança energética, substituição de produtos de origem fóssil por natural e produtividade atrelada à preservação ambiental e à valorização dos aspectos socioeconômicos.

Somos um dos poucos países capazes de produzir em escala, com sustentabilidade e tecnologia tropical própria. Isso nos dá um papel estratégico na geopolítica mundial, exatamente no momento em que o mundo busca fontes confiáveis de alimentos, energia e produtos e ao mesmo tempo soluções para o clima, com inserção social.

Nos próximos anos, o desafio será fortalecer nossa posição como potência sustentável, mostrando que é possível aumentar produtividade e, ao mesmo tempo, conservar nossos biomas e garantir soberania sobre o nosso território. Por esta natureza, o Brasil se torna protagonista dabiocompetitividade.

Nosso país pode ser o grande articulador de uma nova agenda global, que una competitividade, inovação e responsabilidade socioambiental. Esse é o caminho para consolidar a liderança no agronegócio do futuro.

SNA: Diante do cenário pós-taxação dos EUA sobre produtos brasileiros, como o senhor avalia a estratégia do Brasil para proteger seu agro e, ao mesmo tempo, ampliar a presença internacional? E, caso essas tarifas venham a ser extintas, quais impactos práticos o setor deve sentir nos curto e médio prazos?

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 INGO: A taxação imposta pelos EUA é um sinal claro das tensões que envolvem o comércio global nessa nova ordem e da importância de o Brasil ter uma estratégia própria de inserção internacional.

Mais do que reagir pontualmente, precisamos fortalecer nossa diplomacia econômica ambiental, diversificar mercados e agregar valor aos nossos produtos, mostrando que o agro brasileiro é competitivo, sustentável e parceiro confiável. O futuro está nas agroalianças. Não só no Brasil, mas a agricultura faz parte da solução e não é a essência do problema no mundo todo. A agricultura precisa se unir neste entendimento.

Essas medidas protegem o setor não apenas de tarifas, mas também de barreiras não comerciais, que muitas vezes têm fundo político ou protecionista, e até com disfarce ambiental.

O Brasil e os EUA têm mais a oferecer em conjunto. Necessitamos exercer a nossa capacidade visionaria de aumentar os negócios com este importante parceiro. Se imaginarmos na cooperação entre os dois países na evolução da biomassa estratégica para combustíveis de aviação, navegação marítima e mobilidade urbana, as duas nações poderão aumentar o seu comercio em mais de 50% em poucos anos. Essa relação não se dá somente pela exportação e importação, mas pela cooperação em investimentos tecnologias e conhecimento que envolve muito mais, resultando em renda e emprego. Precisamos ter audácia nestas negociações para oferecer mais e receber mais, aí a questão das tarifas se resolvem automaticamente.

Mas o verdadeiro ganho virá logo, pois estas expectativas resultam em uma pareceria no curto, médioe longo prazo, com a consolidação de uma imagem internacional sólida do agro brasileiro, como um ator estratégico e responsável na segurança alimentar e energética, de produtos e serviços.

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SNA: Com as novas exigências da União Europeia e de mercados asiáticos por produtos com rastreabilidade ambiental e práticas regenerativas, como o senhor avalia o preparo do agro brasileiro para atender a esses padrões sem perder competitividade?

 INGO: O agro brasileiro já está mais preparado do que muitas vezes se imagina para atender às novas exigências internacionais.Quando o Brasil exporta proteínas animais para mercados com cortes especiais como para Israel, PaísesÁrabes, Europa, Japão e EUA somente para citar alguns muito diferenciados, já o faz nas solicitações fitossanitárias e exigências especificas dentro de um ambiente altamente sofisticado e competitivo. A proteína animal é na cadeia alimentar secularmente a mais exigente pelo seu enorme poder de deterioração e quando o Brasil alcança esta qualificação é por uma razão de dominar a cadeia toda da criação ao abate e processamento até o prato do consumidor.

O Brasil, em razão de sua biocompetitividade,induz preços nestes mercados que são atrativos, fazendo com que os mercados locais tenham que investir muito mais ou subvencionar. Os dois temas recebem reações adversas tanto pelos competidores quanto pelos governos.

O Brasil continuará a trabalhar intensamente os seus temas, melhorando na qualidade, confiabilidade e informação. Não há como parar esta evolução. Empresas brasileiras iniciam o próximo passo de investir nestes mercados e expandir seus negócios. Este será o caminho inexorável, aliás, como foi com a industrialização no Brasil quando empresas internacionais deslocaram empresas nacionais menos competitivas. O que precisamos realçar é que a democracia verdadeira é aquela que oferece opções, e está intimamente ligadaà economia de mercado que vive da competição saudável. A única coisa que o agro brasileiro quer é poder competir bem, pois quem se favorece é o consumidor por acesso aos produtos por preços melhores e a qualidade de seus anseios.

Na questão ambiental, temos o Código Florestal mais avançado do mundo, sistemas de rastreabilidade digital entre outros, em expansão e uma base tecnológica que permite produzir com baixa emissão e alta eficiência.

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O desafio agora é transformar essa vantagem em valor, mostrando aos mercados que sustentabilidade e competitividade andam juntas no Brasil. A nossa famosa biocompetitividade.

As práticas regenerativas, o uso de bioinsumos, a integração lavoura-pecuária-floresta e a digitalização do campo são exemplos de como o produtor brasileiro já está evoluindo nesse caminho.

O que precisamos é alinhar políticas públicas, certificações e comunicação internacional para garantir reconhecimento a esses avanços.Assim, o Brasil se posiciona como referência global em agricultura sustentável e regenerativa.

SNA: O agronegócio brasileiro tem sido referência em produtividade e inovação tecnológica. Quais áreas o senhor acredita que devem receber maior atenção — biotecnologia, agricultura digital, bioinsumos, ou outra — para que o país mantenha sua liderança global e avance em sustentabilidade?

INGO: O Brasil já é líder em várias áreas de inovação no agro, mas o grande diferencial daqui para frente será integrar trabalho, tecnologia, biologia e sustentabilidade. A biotecnologia continuará sendo essencial para aumentar produtividade e resiliência das culturas, especialmente frente às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, a agricultura digital permite decisões cada vez mais precisas, otimizando recursos e reduzindo impactos ambientais.

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Os bioinsumos e a bioeconomia representam a nova fronteira: transformar conhecimento biológico em soluções de baixo carbono e alto valor agregado. Mas o ponto central é a convergência entre essas áreas — ciência, dados e práticas regenerativas trabalhando juntas.É isso que vai manter o Brasil na liderança global: produzir mais, com menos impacto, e com inovação genuinamente tropical e sustentável.

No campo a integração dos trabalhos cada vez mais qualificados aumentando renda e bem-estar, traz à liderança cada vez mais desafios incríveis, que são exercidas por diversidade geracional e de gênero, algo que no mundo desenvolvido está em crise.

SNA: Como o senhor enxerga o papel da ABAG na articulação com o governo federal e com os estados para construir uma agenda de longo prazo que garanta previsibilidade, competitividade e segurança jurídica ao agronegócio brasileiro?

INGO: A ABAG tem um papel central de articulação entre o setor produtivo, o governo e a sociedade. Nosso foco é construir pontes, levar informação técnica, promover diálogo e contribuir para políticas públicas baseadas em evidências e em visão de longo prazo.

O agronegócio precisa de previsibilidade, segurança jurídica e competitividade. E isso só se alcança com uma agenda estruturada, construída de forma coletiva e integrada entre União, estados e setor privado.

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A ABAG atua exatamente nesse ponto: como uma voz institucional, que representa o agro de forma ampla e propositiva, conectando produção, sustentabilidade e desenvolvimento.Nosso objetivo é contribuir para que o Brasil siga como referência global, com um agronegócio inovador, responsável e preparado para os desafios do futuro.

Nós da ABAG acreditamos que não existe uma só voz do agro, embora seja muitas vezes citado. A nossa diversidade de origens, biomas, tecnologias e mercados é tamanha, que melhor do que uma só voz são muitas e muitas vozes que serão ouvidas em um coral tão diverso e competente, seguindo uma partitura comum. Então estamos sim tentando organizar esta obra, de tantas boas vozes.

SNA: Com a COP30 sendo sediada no Brasil, quais contribuições concretas o agronegócio nacional pode apresentar ao debate climático global, tanto em termos de práticas sustentáveis e redução de emissões, quanto na valorização do papel do produtor rural na agenda ambiental?  

INGO: A COP30 está sendo uma oportunidade histórica para o Brasil mostrar ao mundo que o agronegócio é parte da solução de muitos problemas. A agro no mundo inteiro precisa se unir neste proposito, daí a necessidade de nós formarmos cada vez mais ALIANÇAS. Na nossa realidade tropical temos a grande chance de mostrar o que temos de diferente e potencialmente interessante sendo uma grande parte da solução climática.

O setor já vem adotando práticas concretas de mitigação e adaptação, como a integração lavoura-pecuária-floresta, o plantio direto, o uso de bioinsumos e a recuperação de áreas degradadas, o que reduze emissões e aumenta a captura de carbono.

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Além disso, o produtor rural brasileiro é um agente essencial da conservação: mais de 30% do território nacional está dentro de propriedades privadas com vegetação nativa preservada.

Na COP30, o agro pode apresentar resultados, propor parcerias e demonstrar que sustentabilidade e produtividade caminham juntas.

É hora de valorizar o papel do produtor e posicionar o Brasil como líder em uma agricultura de baixo carbono, regenerativa e baseada em ciência.

Fonte: SNA



 

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B25: ‘Biodiesel é alavanca para produção de proteínas’, diz presidente da Ubrabio

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) comemorou a autorização do governo federal para o início dos testes que podem ampliar a mistura de biodiesel no diesel brasileiro até o B25. A medida integra a política de transição energética e deve trazer impactos positivos para o agronegócio, a indústria e a geração de empregos.

Em entrevista ao Mercado & Companhia, o presidente da entidade, Donizete Tokarski, afirmou que a ampliação da mistura representa um avanço importante para o desenvolvimento econômico do país. “O biodiesel faz parte do desenvolvimento econômico do Brasil. Ele não é só a produção de energia líquida, ele é muito mais do que isso. É um mercado muito grande para o agro brasileiro”, disse.

Impacto para o agro

Segundo Tokarski, atualmente cerca de 40 milhões de toneladas de soja são processadas para produção de óleo destinado ao biodiesel. O processo também gera aproximadamente 30 milhões de toneladas de farelo, utilizado na cadeia de proteínas animais.

De acordo com ele, o avanço da mistura fortalece a industrialização nacional e amplia oportunidades no interior do país. “Além da produção de combustível, isso gera emprego, desenvolvimento regional e fortalece a produção de proteínas e alimentos”, afirmou.

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O presidente da Ubrabio também ressaltou que o avanço até o B25 já está previsto na Lei dos Combustíveis do Futuro e destacou o apoio político à proposta no Congresso Nacional.

  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Testes para o B20 e B25

Os testes serão realizados em etapas, inicialmente para o B20 e posteriormente até o B25. Segundo Tokarski, o objetivo é comprovar a segurança e a viabilidade técnica do uso em veículos novos e antigos.

“Esses testes vão simplesmente comprovar que a viabilidade técnica está devidamente assegurada”, afirmou. A entidade defende ainda que o cronograma avance rapidamente para permitir a adoção gradual de misturas maiores nos próximos anos.

“Nossa preocupação é que os testes sejam feitos com velocidade para operacionalizar o B16, o B17 e chegarmos ao B20 em 2030 com tranquilidade”, disse.

Valor além do preço

Tokarski também afirmou que o biodiesel deve ser analisado não apenas pelo preço, mas pelos efeitos econômicos, sociais e ambientais que gera.

“Hoje o biodiesel está mais barato do que o diesel no mercado internacional. Mas não temos que analisar apenas o preço, e sim o valor desse combustível”, destacou.

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Segundo ele, o aumento da mistura também pode contribuir para reduzir emissões e melhorar a segurança energética do país.

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Sustentabilidade

China compra 84% da soja de MS e tensão com Taiwan pode afetar custos no campo – MAIS SOJA

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A dependência de Mato Grosso do Sul do mercado chinês voltou ao centro das discussões econômicas após o aumento das tensões entre China, Taiwan e Estados Unidos. O tema é destaque do Informativo Econômico 02/2026, divulgado pela Aprosoja/MS.

O documento mostra que aproximadamente 84,3% da soja exportada pelo estado tem a China como principal destino. Isso significa que qualquer instabilidade envolvendo o país asiático pode refletir diretamente no agro sul-mato-grossense, principalmente nos custos de produção e na comercialização da safra.

Além da exportação de grãos, o levantamento destaca que o Brasil também depende da importação de fertilizantes e insumos agrícolas ligados ao comércio internacional asiático. Entre os principais fornecedores estão Canadá (14%), Rússia (14%) e China (12%).

Segundo a análise da Aprosoja/MS, mesmo sem um conflito direto, um aumento das tensões na região pode provocar alta no frete marítimo, valorização do dólar e aumento no preço de fertilizantes, defensivos e combustíveis utilizados no campo.

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O estudo aponta ainda possíveis reflexos como:

  • aumento dos custos de produção;
  • maior volatilidade nos preços da soja e do milho;
  • pressão sobre o planejamento financeiro do produtor;
  • encarecimento de insumos agrícolas dolarizados.

Por outro lado, o material também destaca que o Brasil pode ampliar sua posição como fornecedor estratégico da China, especialmente em um cenário de redução da dependência chinesa dos produtos norte-americanos.

De acordo com os analistas econômicos da Aprosoja/MS, o principal desafio do produtor rural será acompanhar a relação de troca, o custo operacional e a capacidade financeira em um cenário de maior volatilidade internacional.

O informativo foi elaborado pelos analistas Raphael Flores Gimenes e Linneu Borges Filho.

Confira o estudo completo clicando aqui.

Fonte: Aprosoja/MS

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Milho segunda safra mantém bom potencial produtivo em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA

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O milho segunda safra 2025/2026 segue com bom desenvolvimento em Mato Grosso do Sul, mas o avanço do clima seco e o risco de geadas colocam os agricultores em alerta. De acordo com o levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, com recursos do Fundems/Semadesc, 71,5% das lavouras do Estado apresentam boas condições, enquanto 17,8% estão em situação regular e 10,7% em condições ruins.

As melhores condições das lavouras estão concentradas nas regiões norte, nordeste, oeste e sudoeste do estado, onde os índices de áreas classificadas como boas variam entre 75,4% e 92,1%. A região norte tem 92,1% das áreas em boas condições. Já a região oeste apresenta 84,6% das lavouras classificadas como boas.

Por outro lado, as regiões centro, sul, sul-fronteira e sudeste demonstram maior sensibilidade às condições climáticas. Nessas áreas, o percentual de lavouras classificadas como ruins é  23,8%, principalmente devido à irregularidade das chuvas e ao risco de estiagem e geadas durante o ciclo da cultura. Na região centro, que engloba municípios como Sidrolândia, Rio Brilhante e Campo Grande, 57,9% das áreas apresentam bom potencial produtivo, enquanto 23,8% já registram perdas.

Além disso, episódios climáticos recentes chama a atenção dos produtores. Na terceira semana de maio, municípios como Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul e Ivinhema foram atingidos por granizo, causando danos pontuais nas lavouras de milho.

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Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o cenário ainda é favorável, mas dependerá do comportamento climático nas próximas semanas. “O cenário do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul é positivo, porém, o produtor precisa manter atenção redobrada às condições climáticas nas próximas semanas. Temos áreas do centro e sul do estado que já demonstram impacto da irregularidade das chuvas, além de ocorrências pontuais de granizo e risco de geadas durante a fase reprodutiva da cultura. Isso pode comprometer parte do potencial produtivo dessas regiões.”

O coordenador destaca ainda que o plantio realizado dentro da janela ideal ajuda a sustentar as expectativas produtivas da safra.

“Boa parte da área foi semeada dentro da janela mais favorável, o que contribui para manter o potencial produtivo. Ainda assim, o comportamento climático entre maio e junho será decisivo para consolidar os números projetados para esta safra.”

O levantamento da Aprosoja/MS também mostra mudança importante no perfil produtivo do estado. Nesta safra, o milho ocupará aproximadamente 46% da área anteriormente destinada à soja, percentual abaixo dos 75% registrados em anos anteriores. A redução está diretamente relacionada ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que influencia as decisões de plantio dos produtores.

No cenário climático, os modelos meteorológicos indicam 92% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no trimestre entre junho e agosto de 2026, com tendência de intensificação ao longo do segundo semestre. Entre os impactos esperados estão temperaturas acima da média histórica e maior frequência de ondas de calor.

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No mercado, o milho disponível em Mato Grosso do Sul foi cotado, em média, a R$ 51,14 por saca em 18 de maio. Já a comercialização da segunda safra 2026 alcançou 22% da produção estimada até o momento.

A estimativa atual do Projeto SIGA-MS indica o cultivo do milho em 2,206 milhões de hectares, com produtividade média esperada de 84,2 sacas por hectare e produção projetada em 11,139 milhões de toneladas.

O boletim completo pode ser acessado clicando aqui.
Fonte: Aprosoja/MS

FONTE

Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)

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Site: Aprosoja MS

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