Connect with us
5 de maio de 2026

Business

Como provar uma área consolidada no CAR Digital? Casos reais e orientações

Published

on


As áreas consolidadas têm sido decisivas para determinar como cada propriedade será enquadrada no Cadastro Ambiental Rural Digital, o CAR Digital, e quais caminhos seguirá na regularização ambiental. No estado, produtores ainda enfrentam dúvidas sobre comprovação, datas de abertura e diferenças entre o que está no campo e o que aparece nas bases oficiais.

Domingos Munaretto deixou o Paraná em 1979 rumo a então região da BR-163 que mais tarde se tornaria Lucas do Rio Verde. Ali chegou com a missão de abrir os dois mil hectares adquiridos pela família sem qualquer orientação técnica ou regra clara sobre uso do solo. “Nós que abrimos”, conta o produtor, ao relembrar que, na época, prevalecia apenas a orientação de que “podíamos abrir até 80% da área”.

Aberturas antigas, novas regras

Com a evolução das legislações ambientais, propriedades como a de Munaretto precisaram se adaptar. Ele foi um dos primeiros a aderir ao projeto Lucas do Rio Verde Legal, que demarcou áreas irregulares e iniciou o processo de recuperação. “Foi demarcado o que era ilegal e nós começamos a nos educar dentro o sistema”, relata ao programa MT Sustentável.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A secretária adjunta de Gestão Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Luciane Bertinatto, explica que o histórico de abertura garantiu benefícios importantes. “Aberturas de áreas até 2000 têm o benefício de ter reserva legal em Cerrado de 20%. Em Floresta 50%”, afirma. No caso de Munaretto, ela detalha que, apesar de a propriedade ter déficit, ele “ainda tem o benefício do Código Florestal que ele pode compensar fora, porque foi antes de 2008”.

Advertisement

Alguns produtores como Darci Eichelt, também de Lucas do Rio Verde, seguiram caminho semelhante. Mesmo antes da obrigação legal, ele optou por recuperar áreas próximas a nascentes e adquirir outra área para futura compensação. “Eu plantei porque tem a nascente ali embaixo. Valeu a pena porque eu plantei, reflorestei e não precisei plantar mais depois”, diz. A mudança antecipada acabou trazendo vantagens quando o novo Código Florestal entrou em vigor.

Luciane reforça que pequenos produtores abaixo de quatro módulos têm benefícios específicos, caso tenham aberto áreas antes de 2008. “Se eu desmatei minha reserva legal antes de 2008 e sou um proprietário abaixo de quatro módulos, eu vou estar isento da reserva legal. Acima de quatro módulos de desmates antes de 2008, eu vou poder compensar em outra área”, explica.

A secretária adjunta de gestão ambiental do estado lembra que o tema precisa ser amplamente difundido: “Nós temos um número de mais de 127 mil propriedades abaixo de quatro módulos que têm alguns benefícios por terem aberto antes de 2008”.

MT Sustentável área consolidada CAR Digital foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso3
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Quando a área consolidada não aparece

Em Campo Verde, o produtor Fernando Ferri, que enfrentou uma inconsistência: uma área aberta desde os anos 1980 não aparecia como consolidada na base da Sema. Ele relata à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que “ela não dava consolidação, apesar de ser uma área aberta desde a década de 80 ela ficou um tempo em pousio com braquiária”.

Com o CAR Digital, o cadastro da área foi analisado automaticamente e passou a exigir apenas a comprovação documental.

Luciane explica que situações como essa ainda ocorrem “provavelmente por essa vegetação verde… não foi colocado essa propriedade com uma área consolidada”, aponta. Conforme ela, o Decreto 288/2023 determina que o produtor apresente um laudo com imagens de 2003 a 2008, comprovando o uso anterior à data de corte. Ela detalha o fluxo: laudo técnico, imagens históricas, RT do responsável técnico e análise da equipe de geoprocessamento.

Advertisement

O processo não tem prazo fixo. Para Luciane, tudo depende da complexidade: “Na pecuária é mais difícil… eu vou precisar de uma análise um pouco mais demorada, uma análise de geoprocessamento de imagens”. Provas como carreadores de gado e notas fiscais ajudam a reforçar a comprovação.

MT Sustentável área consolidada CAR Digital foto Israel Baumann Canal Rural Mato Grosso1
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A discussão sobre a revisão do Código Florestal

Diante das observações entre o que está no campo, nas bases de dados e na legislação, a necessidade de revisar pontos específicos do Código Florestal Brasileiro é debatida entre produtores e especialistas.

Para Fernando Ferri, a experiência prática evidencia que alguns ajustes são necessários. “Tem coisas que foram pensadas lá atrás… que na hora de implementar viu que não está dando certo”, afirma. Ele questiona o marco temporal: “Se o Código foi promulgado em 2012, por que que o marco temporal é 2008?”.

A secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, reforça que o tema precisa ser enfrentado com seriedade. “Eu acho que isso vai ser necessário… existem algumas inviabilidades e que na prática aquela não é a melhor solução ambiental”, diz. Para ela, a revisão não significa flexibilizar indiscriminadamente, mas encontrar equilíbrio entre ambiente, produção e custos reais de regularização.

Mauren defende inclusive a ampliação das possibilidades de compensação além de 2008. “Eu sei que o tema é polêmico… mas será que não está na hora de discutirmos o assunto?”, afirma. Ela destaca que qualquer debate só pode avançar com base em números validados, reforçando o papel central do CAR Digital. “Mas para discutir precisamos ter números e esses números tem que ser validados. Para ser validados nós temos que implementar o Cadastro Ambiental Rural”.

Segundo a secretária de Meio Ambiente, durante a COP30 Mato Grosso apresentará seus avanços, incluindo o CAR Digital e programas de restauração, como o Todos pela Araguaia, que se trata de uma estratégia para restauração de áreas de recarga de aquífero e preservação permanente.

Advertisement

+Confira mais notícias do programa MT Sustentável – Especial CAR Digital 2.0


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

Continue Reading
Advertisement

Business

Cecafé e MTE encerram ciclo de encontros sobre boas práticas trabalhistas antes da colheita

Published

on


O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluíram, nesta segunda-feira (5), em Araguari (MG), a série de encontros presenciais do programa “Fortalecendo o Trabalho Digno”.

A ação, voltada ao período pré-colheita da safra 2026 de café, teve foco na transferência de conhecimento sobre boas práticas trabalhistas nas propriedades rurais.

A iniciativa foi realizada em parceria com o Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), a Coocacer Araguari, a Starbucks e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Segundo as entidades, o objetivo foi ampliar a orientação técnica aos agentes da cadeia cafeeira com base no diálogo social e na conformidade legal.

Durante o encontro, o chefe do Setor de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Uberlândia, Marco Antônio Ferreira Costa, apresentou os instrumentos legais disponíveis para contratação de mão de obra no meio rural, considerando as características de cada atividade desenvolvida nas fazendas.

A programação também incluiu explicações sobre prevenção ao trabalho análogo ao de escravo e ao trabalho infantil.

Advertisement

Outro eixo técnico foi a saúde e segurança do trabalho, com destaque para a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) no campo. A ferramenta é usada para identificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais, com o objetivo de reduzir acidentes e organizar medidas preventivas antes do início das atividades mais intensas da colheita.

De acordo com o Cecafé, a devida diligência em direitos humanos foi tratada como elemento de gestão e de acesso a mercados, especialmente em cadeias exportadoras submetidas a exigências de rastreabilidade, conformidade e sustentabilidade.

As entidades não divulgaram o número total de encontros realizados nem a quantidade de participantes desta edição.

O encerramento da série ocorre às vésperas da colheita e reforça a preparação técnica do setor para a safra 2026. A tendência, segundo os organizadores, é de continuidade das ações de orientação para reduzir riscos trabalhistas e fortalecer a adequação das propriedades às exigências legais e comerciais.

Fonte: cecafe.com.br

Advertisement

O post Cecafé e MTE encerram ciclo de encontros sobre boas práticas trabalhistas antes da colheita apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para renegociar dívidas rurais, diz Tereza Cristina

Published

on


Foto: FPA

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que são necessários ao menos R$ 180 bilhões para renegociação das dívidas rurais.

“O governo ofereceu cerca de R$ 80 bilhões, do dinheiro que sobrou do Plano Safra que não conseguiram aplicar. Mas precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para começar a resolver o problema, já que as dívidas estressadas passam de R$ 800 bilhões”, disse a parlamentares da bancada durante reunião-almoço semanal.

O Ministério da Fazenda negocia com o Senado novas medidas para repactuação das dívidas rurais, dado o crescente endividamento do setor.

A ex-ministra afirmou que o “dilema” atual é buscar as fontes de recursos para as linhas de crédito para renegociação. “Apresentamos no projeto de lei 5122/2023 R$ 30 bilhões de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, que seriam insuficientes, mas o governo sinaliza não concordar com o uso dos recursos”, esclareceu a senadora.

Advertisement
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Tereza Cristina afirmou ainda que a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda necessita de ajustes. “Precisamos de uma coisa mais estruturante. Estamos conversando sobre outras receitas novas. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto na CAE [Comissão de Assuntos Econômicos], e o ministro da Agricultura, André de Paula, entenderam que o problema não é pontual”, defendeu a senadora.

A ex-ministra também lembrou que o enfrentamento das dívidas rurais depende de medidas do governo federal. “Não adianta ficar batendo no governo”, alertou aos seus colegas parlamentares. “Precisamos que o governo tenha vontade e abra caminho para usar fundos constitucionais”, apontou, citando a possibilidade de utilizar R$ 18 bilhões do Fundo Constitucional para o Nordeste.

“R$ 2 bilhões que tínhamos pensado já foram usados ontem”, pontuou. “O governo terá receita extraordinária de R$ 128 bilhões adicionais por aumento do petróleo. Há receitas, é preciso ver o caminho que o governo vai apontar”, pontuou .

Caso governo e Senado não avancem no tema, o PL 5122 pode ser votado na próxima semana na CAE.

Advertisement

O post Precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para renegociar dívidas rurais, diz Tereza Cristina apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Emprego no agro atinge maior nível da história com 28,4 milhões de ocupados

Published

on


Foto: Wenderson Araujo/CNA

O agronegócio brasileiro atingiu um novo recorde no mercado de trabalho em 2025. A população ocupada no setor chegou a 28,4 milhões de pessoas, alta de 2,2% em relação a 2024, o que representa a criação de 601,8 mil novos postos.

Os dados são do boletim “Mercado de Trabalho no Agronegócio Brasileiro”, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com o avanço, o agro ampliou sua participação no total de empregos do país, passando de 26,1% para 26,3% no período.

Crescimento é puxado por serviços e indústria

O desempenho positivo foi observado em praticamente todos os segmentos da cadeia produtiva. A exceção foi o setor primário, que registrou recuo.

Os maiores avanços vieram dos agrosserviços, com crescimento de 6,1%. Na sequência aparecem os setores de insumos, com alta de 3,4%, e a agroindústria, com expansão de 1,4%.

Advertisement

O resultado indica um movimento de maior dinamização fora da porteira, com fortalecimento das atividades ligadas à transformação, logística e serviços.

Emprego formal e qualificação avançam

O levantamento também mostra melhora na qualidade da ocupação. O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 4,6%, enquanto os trabalhadores por conta própria aumentaram 3,2%.

Além disso, houve avanço no nível de escolaridade da mão de obra. A participação de profissionais com ensino superior subiu 8,3%, e a de trabalhadores com ensino médio avançou 4,2%.

Outro destaque foi o aumento da presença feminina no setor. A participação das mulheres cresceu 2,6%, acima da expansão registrada entre os homens, de 1,9%.

Renda cresce acima da média nacional

O rendimento médio dos trabalhadores do agronegócio também registrou alta em 2025. O avanço foi de 3,9% na comparação anual, superando a média geral do mercado de trabalho, que ficou em 3,4%.

Advertisement

Esse desempenho reforça o ganho de competitividade do setor e o aumento da renda no campo e nas atividades relacionadas.

Massa salarial sobe e amplia poder de consumo

Pela primeira vez, o boletim CNA/Cepea passou a incluir o indicador de massa salarial do agronegócio, que mede o total de rendimentos gerados pelo trabalho no setor.

Em 2025, a massa salarial do agro cresceu 7,2% em relação ao ano anterior. O destaque ficou para os trabalhadores por conta própria, com alta de 7,2%, e para a categoria de empregados e outros vínculos, que avançou 6,7%.

O indicador amplia a análise sobre o impacto econômico do agronegócio, ao considerar não apenas o número de empregos, mas também o poder de compra e o potencial de consumo gerado pela renda no setor.

Agro reforça peso na economia

Com mais empregos, renda em alta e maior qualificação da mão de obra, o agronegócio amplia sua relevância na economia brasileira.

Advertisement

O desempenho de 2025 indica não apenas crescimento quantitativo, mas também mudanças estruturais na composição do trabalho no setor, com maior presença de serviços, avanço da formalização e aumento da produtividade.

O post Emprego no agro atinge maior nível da história com 28,4 milhões de ocupados apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT