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21 de setembro de 2026

Agro Mato Grosso

MT amplia exportações de soja e registra maior volume histórico para outubro

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Mato Grosso voltou a se destacar no comércio internacional ao registrar, em outubro, o maior volume de exportação de soja já observado para o mês. Impulsionado pela forte demanda chinesa e por um cenário global de incertezas nas relações comerciais entre grandes potências, o estado ampliou em 17,77% os embarques na comparação com setembro, alcançando 1,04 milhão de toneladas.

Os dados são do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e reforçam o protagonismo de Mato Grosso no agronegócio brasileiro. O desempenho acompanha a tendência nacional, já que o Brasil embarcou 100,60 milhões de toneladas de soja em grão entre janeiro e outubro — crescimento de 6,73% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Segundo analistas, o volume excepcional de outubro representa um marco na série histórica: foram 6,73 milhões de toneladas enviadas ao exterior, avanço expressivo de 42,84% frente a outubro do ano passado. A China, responsável por 91,65% das compras brasileiras no mês, tem substituído gradualmente a demanda pelo produto norte-americano, comportamento influenciado pelas tensões comerciais entre o país asiático e os EUA.

China reforça liderança como principal destino da soja de Mato Grosso

Em Mato Grosso, o movimento foi semelhante. A China absorveu a maior parte da produção exportada, consolidando-se como principal destino da soja mato-grossense. Tradicionalmente, os embarques começam a recuar no segundo semestre, mas o quadro atual rompeu essa tendência histórica.

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Analistas do Imea destacam ainda que, para novembro, a expectativa é de manutenção do ritmo forte, já que o mercado internacional segue atento aos conflitos econômicos entre grandes players globais.

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Mercado interno: comercialização desacelera e preços reagem

No mercado estadual, a comercialização da safra 2024/25 alcançou 97,12% da produção em outubro, com avanço de 1,42 ponto percentual em relação ao mês anterior. A menor disponibilidade de soja no mercado, aliada à baixa necessidade de liquidez dos produtores e ao foco na semeadura da próxima temporada, resultou em um ritmo mais lento nas negociações.

O preço médio negociado no mês chegou a R$ 121,45 por saca, ligeira alta de 0,77% frente a setembro.

Para a safra 2025/26, as vendas avançaram 4,62 p.p., alcançando 36,08% da produção estimada. Apesar disso, ainda estão atrasadas em relação ao histórico: são 2,27 p.p. abaixo do desempenho da mesma época da safra passada e 7,03 p.p. inferiores à média dos últimos anos. O preço médio ficou em R$ 110,91 por saca, aumento de 1,49%.

FAQ — Perguntas frequentes sobre as exportações de soja em Mato Grosso

1. Por que as exportações de soja de Mato Grosso aumentaram em outubro?
O crescimento está ligado à forte demanda chinesa, à instabilidade comercial entre China e EUA e à competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

2. A China continuará sendo o principal comprador da soja mato-grossense?
Tudo indica que sim. O país asiático tem priorizado o Brasil diante das tensões geopolíticas e de preços mais atrativos, mantendo seu protagonismo nas importações.

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3. Por que o mês registrou um recorde histórico?
Além da procura chinesa, o Brasil teve maior disponibilidade de soja ao longo do ano e logísticas mais favoráveis, o que impulsionou embarques maiores que o padrão sazonal.

4. O que explica a desaceleração das negociações internas?
Produtores têm menos necessidade de caixa neste período e concentram esforços na semeadura da nova safra, reduzindo a oferta disponível para trades e esmagadoras.

5. Os preços da soja devem subir nos próximos meses?
Os valores dependem de fatores climáticos, câmbio, oferta global e andamento da safra 2025/26. A tendência atual é de leve firmeza, mas o mercado segue volátil.

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Agro Mato Grosso

MT responde por 15,6% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do país

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Estimativa do Mapa aponta VBP de R$ 218,2 bilhões para Mato Grosso; soja, milho e pecuária estão entre os principais componentes do resultado nacional

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Agro Mato Grosso

Resistência de Diabrotica virgifera reduz eficácia do refúgio no milho Bt

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Estudo aponta herança não recessiva da resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 e custos de aptidão na praga

A resistência de Diabrotica virgifera virgifera ao milho Bt que expressa as proteínas Gpp34/Tpp35Ab1 é herdada de forma não recessiva. Segundo os autores, isso provavelmente reduz a capacidade da estratégia de refúgio de retardar a evolução da resistência e aumenta o risco de que ela ocorra. Pesquisadores da Iowa State University e do USDA-ARS avaliaram duas linhagens de laboratório, DBQ e WAT, derivadas de populações de campo com resistência evoluída e comparadas com uma linhagem suscetível de fundo genético semelhante.

Os valores de dominância genética (h) foram de 0,76 na DBQ e de 0,72 na WAT. Em ambas as linhagens, os heterozigotos sobreviveram no milho Bt significativamente mais que os suscetíveis, embora menos que no milho não Bt. A WAT apresentou resistência completa, sem diferença significativa de sobrevivência entre milho Bt e não Bt, enquanto a DBQ apresentou resistência incompleta. As razões de resistência foram de 124 para a WAT e de 38 para a DBQ.

O trabalho também identificou custos de aptidão associados à resistência, medidos em milho não Bt e em indivíduos homozigotos resistentes. Os percentuais abaixo são reduções relativas em comparação com a linhagem suscetível. Na DBQ, as fêmeas produziram 44,4% menos ovos viáveis (efeito significativo, mas de margem estreita: P = 0,044 em teste unicaudal), e nenhum outro custo foi detectado.

Na WAT, a sobrevivência até a fase adulta foi 17,1% menor, o desenvolvimento durou 2,81% mais e a largura da cápsula cefálica (indicador de tamanho corporal) foi 0,81% menor. Esses custos podem contrabalançar em parte o efeito da herança não recessiva, ao selecionar contra os alelos de resistência na ausência de pressão do milho Bt. Os autores ressalvam, porém, que os custos, sozinhos, podem não garantir um atraso duradouro da resistência sem refúgios maiores e manejo integrado.

Para reduzir o risco de evolução da resistência, os autores apontam refúgios maiores e abordagens de manejo mais diversificadas. Em locais onde a resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 ainda não está amplamente disseminada, a rotação de culturas e o plantio de milho não Bt também podem aumentar a proporção de insetos suscetíveis na população e retardar a evolução da resistência (doi 10.1002/ps.71301).

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Persistência da família Ceni construiu parte da história de Santa Carmem

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Rudimar Ceni conta sobre a trajetória iniciada pelo pai, os desafios enfrentados, o trabalho que hoje divide com o filho e a fé na próxima geração, sua netinha

Na década de 70, um agricultor paranaense decidiu conhecer Sinop e encontrou uma cidade que ainda era pouco mais que uma promessa aberta na floresta. Não tinha nada por ali, mas ele se encantou com o que viu. Quatro anos depois comprou a área de terra em Santa Carmem que a família cultiva até hoje.

“Eu tenho muito orgulho do meu pai, porque ele foi um visionário. Ele veio conhecer Sinop em 1977, não tinha nada em Sinop, e ele se encantou com isso aqui. E daí em 1981 adquiriu essa área de terra. Tinha que desbravar tudo. Mas mesmo assim ele teve essa visão e veio”, conta Rudimar Ceni, produtor rural do Núcleo de Sinop da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

Naquele mesmo ano, Rudimar cursava faculdade em Curitiba e veio ao norte de Mato Grosso passar as férias de julho e conhecer a terra recém-comprada pelo pai. Voltou para a sala de aula sem conseguir tirar a região da cabeça. No ano seguinte, trancou a matrícula e resolveu criar raízes em Mato Grosso.  “Eu vim conhecer aqui em 1981, em julho. Fiquei apaixonado por isso aqui e já queria até ficar. Só que não me deixaram, queriam que eu terminasse a faculdade. Mas no ano seguinte eu não aguentei, tranquei a faculdade e em 1982 vim pra cá”, lembra. O cenário que encontrou exigia mais teimosia do que planejamento.

Não havia estrutura, e o trajeto entre Sinop e a fazenda era um obstáculo em qualquer época do ano. Os anos seguintes trouxeram um desafio: a mãe faleceu em 1993 e a família perdeu o eixo. O pai desanimou e chegou a considerar vender a propriedade. Rudimar, que mantinha um beneficiamento de madeira em Sinop, decidiu recomeçar longe dali.

“Não, eu já desisti, inclusive. Em 1993 minha mãe faleceu e o pai também deu uma boa desanimada, pretendia vender a fazenda e ir embora. Vendi o beneficiamento e fui embora para o Paraná”, afirma.

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A saída durou pouco. Em 1998, o pai mudou de ideia e decidiu entrar na agricultura. Bastou isso para que o filho refizesse o caminho de volta.“Aí eu fiquei louco e voltei pra cá de novo. E daí começamos na agricultura que está hoje”, diz.

A esposa Rudimar conheceu ainda no Paraná, onde se casaram antes de ela vir para Mato Grosso. Dessa união veio Felipe, hoje responsável por toda a parte financeira da propriedade. Ele acompanhava o avô no escritório e assumiu a função quando ele se aposentou.

A divisão de tarefas entre pai e filho funciona por afinidade.“Ele fica lá no escritório, na cidade, e eu fico mais aqui na fazenda. Eu gosto mais de ficar aqui”, revela. A sucessão já está no horizonte e ganhou uma personagem a mais. “Estou com esperança na minha neta. Estou com bastante esperança na minha neta. Ela é um espetáculo”, conta.

Aos 63 anos, Rudimar avalia que a escolha feita aos 19, segue valendo a pena em todos os ciclos que vieram depois e que ainda estão por vir. “A agricultura é uma coisa essencial no mundo, é o que leva a comida à mesa de cada um. É uma coisa que a gente tem orgulho de fazer. É cheia de riscos, a gente sabe que os riscos são enormes, mas a gente se acostumou. Vai passando um ano, vai entrando o outro e quando vê, está plantando de novo, está colhendo de novo. Eu tenho muito orgulho, sim”, finaliza.

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