Sustentabilidade
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa – 14/11/2025 – MAIS SOJA

Destaque da Semana 1 – O grande foco de hoje é o WASDE de novembro, que será o primeiro relatório de oferta e demanda desde setembro — lembrando que, após o início do shutdown em 1º/out, nenhuma atualização adicional foi publicada. A expectativa geral é que o USDA traga revisões para cima nas estimativas de safra da China, do Brasil e dos Estados Unidos, além de possíveis sinais de melhora na atividade têxtil chinesa.
Destaque da Semana 2 – As principais entidades que representam o setor do algodão no Brasil, nos EUA e na Austrália têm se reunido com frequência para colocar em prática um plano conjunto de promoção internacional da fibra, destacando seus atributos naturais, sustentáveis e biodegradáveis.
Destaque da Semana 3 – Os três países já estão atuando juntos através da iniciativa MTLC (Make the Label Count), na União Europeia, que atua no combate à desinformação sobre tecidos naturais junto a legisladores europeus.
Canal do Cotton Brazil – Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil.
Algodão em NY – O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 13/nov cotado a 62,90 U$c/lp (-2,5% vs. 06/nov). O contrato Dez/26 fechou em 67,57 U$c/lp (-0,9% vs. 06/nov).
Basis Ásia – O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 694 pts para embarque Dez-25/Jan-26 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 14/nov/25.
Altistas 1 – O WASDE de novembro pode trazer alguma surpresa positiva em consumo, após meses de forte ritmo de embarques de Brasil e Austrália e revisões anteriores de alta para o uso mundial.
Altistas 2 – Caso o USDA reduza o gap entre consumo e produção em 2025/26, o mercado pode reagir de forma positiva.
Altistas 3 – Na China, o PMI do setor têxtil voltou a ficar acima de 50 em outubro (52,66), com melhora em todos os subíndices, queda moderada nos estoques de fios e aumento na parcela de fiações operando a mais de 90% da capacidade.
Altistas 4 – A Beijing Cotton Outlook (BCO) também elevou levemente a projeção de consumo da China para 8,45 milhões tons em 2025/26, reforçando que a demanda doméstica, embora pressionada, continua reagindo aos preços mais baixos do algodão.
Altistas 5 – A BCO estima produção chinesa em 7,42 milhões tons (+8,2% a/a), abaixo do consumo projetado de 8,45 milhões de tons e com estoques finais levemente menores em 2025/26. Esse quadro mantém a China como grande importadora líquida.
Altistas 6 – Os estoques portuários chineses em Qingdao caíram para cerca de 300 mil tons, patamar inferior aos meses anteriores, indicando que o algodão importado continua saindo para as fiações.
Altistas 7 – O Brasil exportou 295,6 mil tons em outubro, o maior volume já registrado para o mês, atingindo cerca de 556 mil tons (2,55 milhões de fardos) no acumulado de agosto a outubro.
Baixistas 1 – As cotações seguem pressionadas: o Índice A (referência para preços na Ásia) encerrou em 74,95 U$c/lb, apenas 10 pontos acima do piso de 5 anos registrado em outubro, mantendo o sentimento de mercado “pesado” e defensivo.
Baixistas 2 – A rolagem do contrato Dez/25 pelos fundos adicionada à necessidade de fixação de compras “on-call” por produtores, em cima do vencimento de dezembro, adicionou pressão baixista no contrato.
Baixistas 3 – A expectativa para o WASDE de hoje é de aumento das safras em China (para algo próximo a 7,4 milhões tons), Brasil (em torno de 4,1 milhões tons) e EUA (13,4–13,75 milhões de fardos, cerca de 2,9 milhões tons).
Baixistas 4 – O comércio físico continua da mão-para-a-boca, com compradores focados em pequenos lotes para embarque próximo.
Baixistas 5 – Apesar da melhora do PMI têxtil, a China registrou forte queda nas exportações de têxteis e vestuário em outubro: -12,6% a/a e -9% m/m, com valor mensal de US$22,26 bilhões. A implementação da trégua na guerra comercial entre EUA e China anunciada este mês deve melhorar este quadro.
Baixistas 6 – Há ainda um grande volume de algodão a fixar nas mãos de produtores, portanto qualquer rali de preço tende a ser rapidamente aproveitado para venda, limitando o potencial de alta no curto prazo.
Baixistas 7 – A fibra de poliéster na China é cotada ao redor de 40 c/lb, em leve queda recente. A diferença de preço continua incentivando a mistura e, em alguns mercados, a substituição direta do algodão por alternativas sintéticas.
EUA – A colheita e o beneficiamento avançam abaixo do ritmo do ano passado, mas com boa qualidade em regiões como South Texas.
China 1 – Os preços futuros em Zhengzhou recuaram na semana, enquanto o Índice CC ficou praticamente estável em 14.819 yuan/ton, ampliando o prêmio sobre o Índice A ajustado, aumentando assim a atratividade do algodão importado.
China 2 – Durante a 8ª China International Import Expo em Xangai, empresas chinesas como COFCO, Chinatex e CNCGC assinaram múltiplos acordos de compra de algodão com fornecedores internacionais, incluindo Brasil, Argentina e Austrália.
Paquistão 1 – O mercado de fios continua fraco, com fiações reduzindo pedidos de preço para viabilizar exportações e pressionando margens ao longo da cadeia.
Paquistão 2 – A produção de algodão foi revisada para cerca de 1,2 milhão tons, acima da estimativa anterior de 1,1 milhão tons, o que adiciona oferta local em um cenário de demanda têxtil internacional ainda hesitante.
Bangladesh – Os preços de fios recuaram, mas o país segue como importante destino para algodão Brasileiro, africano e australiano, beneficiando-se também do adiamento da implementação de tarifas mais altas no porto de Chattogram.
Índia 1 – A CAI projeta safra de 30,5 milhões de fardos de 170kg (cerca de 5,2 milhões tons), 2% menor que em 2024/25, com queda em estados-chave como Haryana e Telangana e aumento em Punjab e Andhra Pradesh.
Índia 2 – O país deve importar cerca de 4,5 milhões de fardos de 170kg (765 mil tons), devido à isenção temporária de tarifas (até 31/12) e à menor produção interna.
Vietnã – As exportações de fios até outubro superam o mesmo período de 2024, mostrando resiliência do polo têxtil vietnamita, mesmo com queda no valor das exportações têxteis no último mês.
Turquia – As importações turcas seguem firmes na temporada, com dados recentes indicando forte crescimento ano a ano e participação relevante do Brasil e EUA.
COP30 1 – Em 12/nov na COP30 em Belém, o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, apresentou o painel “O algodão como opção natural e competitiva”, alertando sobre o aumento das fibras sintéticas e seus impactos ambientais.
COP30 2 – O algodão brasileiro foi destacado como solução sustentável por Cyntia Kasai, Head de Sustentabilidade da C&A Brasil. A marca participa do programa SouABR, que faz a rastreabilidade total da semente ao guarda-roupa.
Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 154,8 mil tons na primeira semana de nov/25.
Beneficiamento 2024/25 – Até o dia de ontem (13/11) foram beneficiados nos estados da BA (89%), GO (95,15%), MA (68%), MG (97%), MS (92%), MT (68%), PI (96,74%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 73,87%.
Plantio 2025/26 – Iniciada a semeadura nos estados do Paraná e São Paulo.
Preços – Consulte a tabela de cotações:
Quadro de cotações para 13 -11
Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil – cottonbrazil@cottonbrazil.com
Fonte: Abrapa
Sustentabilidade
Bioestimulantes auxiliam no estabelecimento da soja? – MAIS SOJA

O número de plantas por área constitui um dos principais componentes da produtividade da soja. Nesse contexto, o estabelecimento adequado da lavoura, caracterizado por uma população de plantas compatível com o ambiente e distribuída de forma uniforme, é fundamental para o alcance de elevadas produtividades. Para isso, atributos fisiológicos das sementes, especialmente germinação e vigor, desempenham papel central, uma vez que determinam, em grande parte, a capacidade de estabe0lecimento do estande e a uniformidade inicial da cultura.
Considerando a importância desses atributos, a utilização de sementes com elevados índices de germinação e vigor representa uma das estratégias mais seguras para garantir o adequado estabelecimento da soja. Entretanto, em algumas situações, sementes salvas ou submetidas a períodos prolongados de armazenamento podem apresentar redução da qualidade fisiológica, comprometendo a germinação, a emergência e, consequentemente, a obtenção da população de plantas desejada no campo.
Além da qualidade das sementes, condições climáticas e ambientais adversas exercem forte influência sobre os processos de germinação e emergência das plântulas. Temperaturas inadequadas, excesso ou déficit hídrico, compactação do solo e outras condições desfavoráveis podem reduzir a velocidade e a uniformidade da emergência, resultando em estandes desuniformes e maior dificuldade para alcançar o potencial produtivo da lavoura.
Nesse contexto, o uso de bioinsumos com propriedades bioestimulantes tem ganhado espaço como uma estratégia complementar para favorecer o estabelecimento da cultura, especialmente em ambientes sujeitos a condições adversas. Esses produtos podem atuar sobre processos fisiológicos relacionados à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas, contribuindo para maior uniformidade e melhor estabelecimento do estande.
Tradicionalmente, os bioestimulantes são empregados principalmente via aplicação foliar, sobretudo após a ocorrência de estresses ambientais ou climáticos, com o objetivo de estimular a recuperação das plantas e reduzir os impactos negativos dessas condições. Entretanto, pesquisas recentes têm buscado ampliar sua utilização, avaliando a associação de determinados bioestimulantes ao tratamento de sementes e ao processo de estabelecimento inicial da soja. Essa abordagem busca explorar seus potenciais efeitos benéficos desde as primeiras etapas do desenvolvimento da cultura, período determinante para a formação de uma lavoura uniforme e produtiva.
Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), o emprego de um bioestimulante composto por cinetina, ácido giberélico e ácido indolbutírico no tratamento de sementes, contribui para o incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante, além de contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes.
Resultados em sementes de baixo vigor
Os resultados do uso de substâncias bioestimulantes no tratamento de sementes são ainda superiores em lotes com menor qualidade. Ao avaliar a emergência e o crescimento inicial das plântulas de soja em resposta à aplicação de doses de um biopotencializador (Crop Evo®) a base de extrato de algas e aminoácidos constituído de carbono orgânico total (C), nitrogênio (N), enxofre (S), boro (B), cobalto (Co), ferro (Fe), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), Machado et al. (2026) observaram que, em lotes com baixo vigor (abaixo de 75), a substancia adicionada no tratamento de sementes surtiu efeitos benéficos que contribuíram para um melhor estabelecimento das plantas. Já nos lotes de alto vigor (acima de 90%), esses efeitos não foram expressivos.
De acordo com Machado et al. (2026) a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo vigor foi influenciada significativamente pelas doses de biopotencializador aplicadas no tratamento das sementes. No entanto, a aplicação de doses de biopotencializador não influenciou significativamente a porcentagem de emergência e a velocidade de emergência das plântulas de soja oriundas de sementes de alto vigor.
Para as sementes de baixo vigor, a máxima porcentagem de emergência (91,2%) e o maior índice de velocidade de emergência das plântulas de soja (14,3 plântulas dia–1) foram obtidos, respectivamente, com a utilização de 11,9 e 11,7 mL kg–1 de biopotencializador no tratamento das sementes (Figuras 1A e 1B). Para as sementes de alto vigor, a porcentagem média de emergência das plântulas de soja foi de 94,4%, ao passo que o valor médio do índice de velocidade de emergência foi de 14,7 plântulas dia–1 (Machado et al., 2026).
Figura 1. Efeito das doses do biopotencializador Crop Evo® aplicadas no tratamento das sementes sobre a porcentagem de emergência (A) e índice de velocidade de emergência (B) das plântulas de soja oriundas de sementes de baixo e alto nível de vigor. DMS: diferença mínima significativa.
Fonte: Machado et al. (2026)
Estes resultados reforçam os efeitos benéficos e a aptidão dos bioinsumos bioestimulantes na tratamento de sementes da soja, principalmente sobre a emergência das plântulas de soja oriundas das sementes de baixo vigor, contribuindo para um melhor estabelecimento da soja. Vale destacar que para lotes de alta germinação e vigor, o estudo conduzido por Machado et al. (2026) não encontrou resultados significativos em função da adição de bioestimulantes no tratamento de sementes.
Confira o estudo completo de Machado e colaboradores (2026) clicando aqui!
Veja mais: Uso de Ascophyllum nodosum (L.) em soja

Referências:
ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 24/08/2026.
MACHADO, A. F. et al. CRESCIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE SOJA COM A APLICAÇÃO DE BIOPOTENCIALIZADOR EM SEMENTES DE BAIXO E ALTO VIGOR. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, 2026. Disponível em: < https://editorapantanal.com.br/journal/index.php/taes/pt_BR/article/view/40 >, acesso em: 24/08/2026.

Sustentabilidade
Inspeções de soja para exportação nos EUA sobem 43% na semana, aponta USDA

O volume de soja inspecionado para exportação nos portos dos Estados Unidos somou 420.895 toneladas na semana encerrada em 20 de agosto, alta de 43% ante a semana anterior. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mesmo período, as inspeções de milho e trigo recuaram na comparação semanal.
Segundo o USDA, o milho alcançou 1,296 milhão de toneladas inspecionadas para exportação, queda de 33,3% em relação à semana anterior. No trigo, o volume foi de 425.668 toneladas, recuo de 17,2% no mesmo intervalo.
Na comparação com igual semana do ano passado, os embarques de soja avançaram 6,92%, saindo de 393.654 toneladas para 420.895 toneladas. O milho recuou 3,16%, de 1.338.532 toneladas para 1.296.271 toneladas. Já o trigo caiu 59,3%, de 1.047.092 toneladas para 425.668 toneladas.
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No acumulado do ano comercial, o milho registra 82.281.525 toneladas inspecionadas, volume 25,5% superior ao observado em igual período do ciclo anterior, de 65.559.108 toneladas. A soja soma 40.482.275 toneladas, 17,9% abaixo das 49.318.778 toneladas verificadas no ano-safra anterior.
Para o trigo, o acumulado chega a 4.336.899 toneladas, ante 5.866.384 toneladas no ciclo anterior, o que representa retração de 26,1%.
O relatório semanal de inspeção dos embarques considera os volumes de grãos inspecionados no ano-safra iniciado em 1º de junho de 2026 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja.
Na semana encerrada em 20 de agosto, o relatório do USDA mostrou avanço nas inspeções de soja para exportação nos Estados Unidos e recuo nos volumes de milho e trigo, enquanto o acumulado do ano comercial segue acima do ciclo anterior para milho e abaixo para soja e trigo.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23 – MAIS SOJA

As cotações da soja registraram alta expressiva no mercado brasileiro nos últimos dias, impulsionadas pela maior procura, tanto doméstica quanto externa, e pela retração de vendedores. O movimento levou os Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná aos maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a demanda externa segue aquecida, sobretudo da China. No mercado doméstico, indústrias brasileiras vêm intensificando as aquisições para recompor e garantir os estoques. Ao mesmo tempo, vendedores estão mais retraídos, o que limita a disponibilidade de lotes no mercado spot.
Pesquisadores do Cepea ressaltam que a cautela dos vendedores está relacionada às incertezas quanto à oferta global da safra 2026/27, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.
Ainda de acordo com o Cepea, esse cenário também impulsionou os preços externos, reforçando as altas no mercado brasileiro.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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