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16 de setembro de 2026

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Juros altos e endividamento travam contratação de crédito rural

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Embora o Plano Safra ofereça crédito rural com taxas mais baixas, os produtores acompanham com atenção os rumos da economia. A Selic, atualmente em 15% ao ano, deve permanecer nesse nível por um período mais prolongado, segundo projeção do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. 

Na avaliação de Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, a contratação de crédito está menor que no ano passado, apesar de não depender diretamente da variação da Selic. Segundo Estevão, porém, a queda ocorre justamente em função dos juros elevados.

O Moderfrota, a 13,5% ao ano, tem registrado menor procura devido ao custo considerado alto pelos agricultores. No Pronamp, com juros de 12,5%, a demanda é maior, e no Pronaf, a 5,5%, a saída continua expressiva por ser a opção mais barata”, explica.

Números da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) comprovam esse cenário de queda no Plano Safra 2025/26. Entre julho e agosto de 2025, as operações de custeio e investimento somaram R$ 86,4 bilhões, recuo de 31% na comparação com o mesmo período de 2024, quando R$ 124,7 bilhões foram desembolsados.

Burocracias e ajuda federal ineficiente

Além disso, a aquisição de crédito pelo setor agropecuário também resvala na burocracia. Para Fabrício Rosa, diretor-executivo da Aprosoja Brasil, a dificuldade se traduz em cobranças feitas por instituições financeiras, encarecendo o custo final. Seguro de vida, da família ou dos bens são algumas delas. 

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“Esse custo de captação, mesmo com banco público e recursos do Plano Safra, está extremamente alto nesta safra. Esse talvez seja o pior problema hoje na agricultura brasileira”, diz. Rosa também faz um alerta sobre o cenário fiscal do Brasil. Segundo ele, enquanto não houver reequilíbrio das contas públicas, dificilmente haverá uma solução consistente.

Algumas ações anunciadas pelo governo federal também não se mostraram eficientes. É o caso da medida provisória 1316/25, que abre crédito extraordinário de R$ 12 bilhões no Orçamento de 2025 para atender produtores rurais afetados pelo clima adverso. “A MP trouxe algum alívio, mas ainda é pouco. Falta suporte maior”, afirma.

Juros altos X crédito rural: qual a solução?

Diante das dificuldades, entidades do setor têm defendido ajustes para garantir maior acesso ao crédito. Entre as propostas está a utilização de parte dos recursos do Fundo Social do pré-sal, estimada em R$ 10 bilhões, para reforçar o financiamento agrícola.

A medida, segundo Rosa, permitiria ampliar o alcance da renegociação de dívidas para produtores que hoje não estão contemplados pela MP. “O governo aposta em linhas a juros livres, mas isso é inviável. Produtor não vai conseguir renegociar dívida a 18% ou 20% ao ano”, ressalta.

Para Estevão, a manutenção de linhas do Plano Safra até junho de 2026 garante alguma previsibilidade. No entanto, ele reconhece que o ritmo das contratações tende a continuar desaquecido. “Com o juro elevado e o impacto do tarifaço dos Estados Unidos, devemos fechar 2025 com crescimento menor do que o projetado no início do ano”, avalia.

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Soja e milho exigem cuidado antes da semeadura para evitar falhas na lavoura

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Foto: Reprodução/Aprosoja Mato Grosso

Falhas na implantação podem começar antes mesmo da semeadura da soja e do milho. Em Mato Grosso, a qualidade das sementes, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que precisam ser observados nesta etapa da safra.

No caso das sementes, os índices de germinação e vigor precisam ser conferidos antes da semeadura, assim como a procedência do produto adquirido. A avaliação ganha importância porque a qualidade da semente está diretamente ligada ao estabelecimento das plantas. O produtor também precisa considerar as condições da área e o momento de colocar o material no solo.

Para o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, a atenção começa na compra. “O ideal é que o produtor compre uma semente de boa qualidade, de empresas idôneas que estão a tempo no mercado”, afirma.

Ele também orienta que o produtor confira os índices de germinação e vigor do material antes do plantio. A avaliação pode apontar a necessidade de cuidados adicionais antes da semeadura.

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Umidade do solo entra na decisão

O que chega à fazenda também precisa ser avaliado antes de ir para a lavoura. Quando há dúvida sobre a qualidade, a orientação é solicitar a coleta de uma amostra e encaminhá-la para análise. As sementes adquiridas pelos produtores passam por coleta e análise para verificar os índices de qualidade. No Semente Forte, da Aprosoja MT, as amostras são coletadas por técnicos habilitados pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (RENASEM) e encaminhadas a laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Na hora que a semente chega na fazenda, o ideal é que chame o supervisor da Aprosoja MT da região para que colete essa semente. Se tiver dúvidas, mande para o laboratório antes de realizar o plantio”, diz Gilson.

O resultado da análise ajuda a definir o tratamento das sementes. A decisão sobre quando semear também passa pela condição encontrada no solo, principalmente pela presença de umidade.

“Com o resultado de qualidade em mãos, o produtor pode tomar decisão em relação ao tratamento do material, e também, decidir qual o melhor momento para plantar levando em consideração a umidade do solo, fator que contribui para uma boa germinação”, completa.

A preparação não termina na semente, conforme a entidade. A regulagem dos equipamentos de plantio também faz parte dos cuidados previstos para a semeadura. A Aprosoja MT orienta que o produtor planeje as etapas do plantio, considerando a qualidade das sementes, o tratamento do material, a umidade do solo e a regulagem dos equipamentos.

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Disputa por arroz aumenta e saca chega perto de R$ 90 no RS

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Foto: Paulo Lanzetta

A concorrência entre os mercados interno e externo tem sustentado os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negócios destinados à exportação foram realizados nos últimos dias a valores próximos de R$ 90 pela saca de 50 quilos no Porto do Rio Grande.

As negociações estiveram relacionadas ao fechamento de cargas para navios e estimularam produtores a ampliar a oferta do cereal, principalmente nas regiões mais próximas ao terminal portuário.

Ao mesmo tempo, parte das indústrias voltadas ao mercado doméstico reduziu a atuação nas negociações diante da dificuldade para acompanhar os preços pagos nas operações destinadas à exportação.

Exportação disputa arroz com indústrias

Segundo o Cepea, a concorrência pelo produto ocorre em um momento de maior demanda das indústrias por matéria-prima, reforçando a sustentação das cotações.

O movimento também é acompanhado pela expectativa de compras governamentais, outro fator que mantém os agentes atentos e contribui para a firmeza dos preços do arroz em casca no estado.

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Beneficiamento de arroz avança no Rio Grande do Sul

A maior procura por matéria-prima ocorre após o beneficiamento de arroz avançar no Rio Grande do Sul em agosto.

Além da movimentação no campo e nas indústrias, os preços ao consumidor também registraram alta no período, segundo o Cepea.

Com exportadores e indústrias domésticas disputando o cereal e a expectativa de atuação do governo no mercado, as cotações do arroz em casca permanecem firmes no estado.

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Safra 2026/27 de grãos pode atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou nesta terça-feira (15) produção recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27. Se confirmada, a colheita ficará 4,9 milhões de toneladas acima das 361,7 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, avanço de 1,4% entre os ciclos. Os números foram apresentados no evento “Perspectivas para a Agropecuária Safra 2026/27”, realizado em parceria com o Banco do Brasil.

Segundo a Conab, o crescimento da safra será sustentado pela expansão da área cultivada, apesar da previsão de queda na produtividade média nacional. A área plantada com grãos deve avançar 2,3%, de 83,45 milhões para 85,35 milhões de hectares. Já o rendimento médio deve recuar 0,9%, de 4.335 para 4.296 quilos por hectare.

Na soja, a estatal prevê novo recorde de produção, com 181,64 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,7% ante as 180,41 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8%.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

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Para o milho, considerando as três safras, a produção deve subir 2,8%, de 144,01 milhões para 148,0 milhões de toneladas. A área cultivada tende a crescer 4,9%, para 23,70 milhões de hectares, compensando a queda de 2,0% na produtividade média, estimada em 6.244 quilos por hectare. A Conab avalia que o consumo doméstico é impulsionado principalmente pela indústria de etanol de milho, enquanto as exportações devem permanecer em patamar elevado.

No algodão em pluma, a estimativa é de 4,16 milhões de toneladas, aumento de 0,3%. A área deve avançar 3,7%, para 2,09 milhões de hectares, e a produtividade é projetada em 1.986 quilos por hectare, recuo de 3,2%. A Conab indica a demanda externa como principal sustentação da cadeia.

Entre as culturas com retração, o arroz deve somar 10,76 milhões de toneladas, queda de 2,9%, e o feijão, 2,93 milhões de toneladas, recuo de 0,7%.

Nas estimativas da Conab, a safra 2026/27 combina expansão de área e redução de rendimento médio. O movimento mantém a perspectiva de recorde para os grãos, com avanço em soja, milho e algodão, enquanto arroz e feijão devem registrar recuo na produção.

Fonte: Estadão Conteúdo

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