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5 de agosto de 2026

Business

Brasil pode liderar o movimento global da agricultura regenerativa

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O uso de microrganismos, plantas de cobertura e práticas regenerativas foi destaque no 5º Fórum Brasileiro de Agricultura Regenerativa, em Sinop, médio-norte de Mato Grosso, nesta semana. O encontro teve como objetivo mostrar que o Brasil já reúne condições para liderar um movimento global de produção sustentável.

Nas propriedades rurais, cresce a adoção de bioinsumos e biofábricas instaladas dentro das fazendas. Fungos e bactérias são multiplicados para aplicação direta no campo, ajudando a reduzir químicos, fortalecer o solo e ampliar a competitividade.

Para o presidente do Grupo de Agricultura Sustentável (GASS), Eduardo Martins, as práticas regenerativas já comprovam resultados. “Consegue reduzir custos, você consegue aumentar a capacidade da lavoura resistir à falta de água, você cria um ambiente que a gente chama de supressivo, que repele pragas e doenças”.

Ele lembra que a estratégia pode ser aplicada em propriedades de qualquer porte. “Essas práticas podem ser adotadas em propriedades de qualquer tamanho e em qualquer cultura”, afirma.

Segundo Martins, hoje entre 5% e 7% dos agricultores brasileiros já adotam sistemas que vão além do plantio direto, incluindo bioinsumos e manejo complementar de fertilidade. “São em torno de 3,8 milhões de hectares que a gente consegue influenciar de forma mais direta”.

As alternativas, conforme o pesquisador Pablo Hardoim, são cada vez mais acessíveis ao produtor, mas que “precisa de capacitação”. “Essa capacitação não existe hoje em nível acadêmico. É muito difícil termos profissionais formados no sistema de alta produtividade, conforme está sendo demandado pelas fazendas. Então vamos ter que criar modelos que permitam que essa tecnologia seja adotada de forma segura”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Solo vivo e manejo integrado

O recado em Sinop foi claro: o solo precisa ser tratado como organismo vivo. A professora Virgínia Damin, da UFG, lembra que mais de 50% da biodiversidade do planeta está abaixo dos nossos pés. “Quando a gente equilibra esses organismos, a gente tem mais sanidade dos cultivos e consegue reduzir o uso de pesticidas”.

Para ela, o olhar precisa ser individualizado. “Dentro de uma propriedade você tem diferentes tipos de solos. O ponto inicial é entender essas diferenças para definir quais práticas são mais adequadas para cada área”.

O diretor técnico do GASS, Ivo Claudino Flare, reforça que a lógica também mudou. “Antigamente falávamos de manejo químico, físico e biológico. Hoje falamos biológico, físico e químico. A química vem por último”.

Resultados no campo

Entre os produtores, há exemplos práticos de que o sistema funciona. Em Mato Grosso, José Eduardo Macedo Soares adotou o plantio direto ainda nos anos 1980 e desde então expandiu o manejo com milheto, braquiária, rotação de culturas e bioinsumos.

Ele afirma que a agricultura regenerativa se mostrou decisiva em safras desafiadoras. “Ano muito crítico como foi a safra 2023/24 mostrou que quem tinha raiz mais profunda e maior retenção de água no solo colheu acima da média”.

O produtor resume a filosofia do sistema. “Nós fizemos uma intervenção muito grande na natureza para produzir alimentos em escala. Então nós tivemos que fazer essa regeneração do solo por isso chamamos de agricultura regenerativa. A grande chave foi quando nós vimos que precisávamos fazer uma agricultura tropical, imitando a natureza”.

soja broto foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Desafio regulatório

Especialistas também destacaram durante o evento a importância da legislação. O microbiologista Leonardo Braúna aponta que o Brasil saiu na frente ao aprovar uma lei específica para bioinsumos. Conforme ele, a Europa, que é muito restritiva nisso, estaria querendo “copiar a nossa legislação”.

Para Reginaldo Minaré, diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS), o próximo passo é regulamentar. “A lei foi aprovada, está em vigor, mas precisamos de um decreto e de revisões nas portarias do Ministério da Agricultura para garantir os direitos já previstos”.

Na visão do vice-presidente da Famato, Ilson José Redivo, os cálculos já são favoráveis. “Quando você coloca na balança as vantagens versus custos e as vantagens são superiores, é uma prova de que se pode adotar com toda certeza”.

Caminho sem volta

Com ciência, capacitação e segurança regulatória, o Fórum em Sinop mostrou que a transição para a agricultura regenerativa já está em andamento no Brasil. O desafio é ampliar a escala e acelerar a transformação no campo.

Como resume o produtor José Eduardo Macedo Soares: “Solo sadio, planta sadia e ser humano sadio. Temos que cuidar do solo para todos nós termos saúde e alimento à vontade”.


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Business

Cecafé destaca rastreabilidade para atender exigências do mercado externo

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou nesta terça-feira (4), em São Paulo (SP), que a cafeicultura brasileira vem ampliando mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental para atender às exigências dos mercados internacionais. O tema foi apresentado no I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (DH&E Brasil 2026), realizado na Cinemateca Brasileira.

Segundo o Cecafé, a agenda de empresas e direitos humanos ganhou peso estratégico diante da pressão regulatória e da reconfiguração das cadeias produtivas globais. No evento, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o setor tem reforçado instrumentos de controle para responder a exigências como as do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Matos destacou que, em 2023, o Cecafé lançou a Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil. A ferramenta reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo para verificar aspectos como cumprimento do Código Florestal, regularidade fundiária, ausência de desmatamento e respeito às normas trabalhistas e de direitos humanos. De acordo com a entidade, o sistema permite rastrear o café até o polígono de produção da propriedade e gerar documentação auditável para comprovar a conformidade socioambiental dos embarques.

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O diretor-geral também afirmou que o trabalho preventivo da entidade inclui capacitação, prevenção e diálogo com produtores e trabalhadores. Entre as iniciativas citadas estão o Programa Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com autoridades fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e a Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura. Segundo o Cecafé, o PTS capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos em boas práticas trabalhistas em 2026.

Na apresentação, Matos informou ainda que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura encontram condições de conformidade com padrões de proteção dos direitos humanos. Para os compradores internacionais, a orientação apresentada foi priorizar informações já disponíveis em bases oficiais brasileiras e evitar exigências duplicadas aos exportadores.

O Cecafé defendeu que o cruzamento de notas fiscais com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e inspeções trabalhistas, permite identificar a origem do café, o produtor responsável e consolidar evidências para processos de devida diligência na exportação.

Fonte: cecafe.com.br

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Agro Mato Grosso

MT se prepara para bater recorde de produtividade no algodão

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Mesmo com área 11% menor, Mato Grosso deve atingir produtividade recorde de 315 arrobas/ha de algodão na safra 2025/2026.

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Agro Mato Grosso

Sicredi lidera operações do MT Garante e avança para a linha de crédito aos associados

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Intercâmbio institucional realizado entre colaboradores do Sicredi, Desenvolve MT e da Sedec proporcionou realinhamento de processos para ampliar acesso à linha de crédito com fundo de aval do governo de Mato Grosso

O apoio aos pequenos e médios negócios faz parte da atuação do Sicredi. Por meio da oferta de crédito para diferentes finalidades, a instituição financeira cooperativa contribui para que empreendedores e produtores rurais possam iniciar projetos, manter suas atividades e planejar novos investimentos. Para quem empreende em Mato Grosso, contar com crédito no momento certo pode ser o ponto de partida para começar um negócio ou o impulsar o crescimento.
É esse recurso que permite montar a estrutura do empreendimento, adquirir máquinas e insumos, formar estoque, contratar pessoas, ampliar a produção e atender novos clientes. Uma das alternativas disponíveis aos empreendedores, produtores e associados do Sicredi são as linhas de crédito do MT Garante, um fundo de aval do Governo de Mato Grosso que garante até 80% do valor da operação de crédito em caso de inadimplência.
Entre as instituições financeiras credenciadas para operar os recursos, o Sicredi lidera, com 73% de todo o volume concedido. Desde 2022 foram liberados mais de R$ 366 milhões pelas cooperativas do Sicredi, em 4.216 operações realizadas em 116 municípios de Mato Grosso.
As operações alcançaram diferentes segmentos da economia mato-grossense. O comércio e os serviços concentram a maior participação, seguidos pela produção rural, indústria, transporte, alimentação e construção. Entre os municípios com os maiores volumes estão Cuiabá, Sorriso, Sinop, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Paranaíta, Alta Floresta, Marcelândia e Jaciara. Juntas, essas 10 cidades concentram R$ 207 milhões em crédito, distribuídos em 2.262 operações.
Samir Reis, gerente de Risco de Crédito do Sicredi, afirma que o alcance registrado é possível porque a garantia oferecida pelo fundo amplia as condições para a concessão dos recursos e porque o Sicredi está presente em 130 cidades, onde atua como um agente de fomento para o desenvolvimento local. “O objetivo do MT Garante, do qual somos parceiros do governo do Estado, é ampliar o acesso ao crédito para MEIs, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e produtores rurais. O fundo garante 80% da operação em caso de inadimplência, dando mais segurança aos parceiros para conceder o crédito. Isso permite que os recursos cheguem a associados que não têm garantias sólidas”.
Criado pelo Governo de Mato Grosso em 2021 e em funcionamento desde 2022, o MT Garante complementa a garantia necessária para a contratação do financiamento. Assim, o empreendedor ou produtor rural pode utilizar o fundo como parte da garantia da operação, após passar pela análise de crédito. A cobertura pode chegar a 80% do valor contratado.
Os recursos podem ser destinados à compra de máquinas, equipamentos e outros investimentos, ao capital de giro ou às despesas da produção rural. Podem utilizar o MT Garante microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e pequenos e médios produtores rurais.
Próximos passos da parceria
Os resultados alcançados desde que o Sicredi iniciou as operações com o MT Garante, em 2022, serviram de base para discutir os próximos passos da parceria. Na última sexta-feira (31), profissionais da instituição, da Desenvolve MT e da Sedec se reuniram na sede da Central Sicredi Centro Norte, em Cuiabá, para aproximar as equipes, alinhar procedimentos e avaliar melhorias que possam dar mais agilidade às operações e ampliar o acesso ao crédito no estado.
Segundo a secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec-MT, Linacis Roberta Pinho, o cooperativismo é fundamental para ampliar o alcance do MT Garante. Segundo ela, cerca de 90% das operações realizadas com o aval do programa passaram pelas cooperativas de crédito, e o Sicredi se destacou com a maior participação entre as instituições credenciadas. “O cooperativismo foi muito importante para o desenvolvimento do MT Garante. As cooperativas conseguiram interiorizar a linha de crédito e ampliar a adesão nos municípios. De forma particular, o Sicredi alcançou a maior participação nas operações, com cerca de 70%, e é um grande parceiro do Governo do Estado na democratização do crédito em Mato Grosso”, afirmou.
Para Cândido Rosa Junior, da área de Relações Institucionais do Sicredi, o encontro fortaleceu a parceria entre Sicredi e Sedec e abriu espaço para melhorias na concessão de crédito pelo MT Garante. “Agradecemos à Desenvolve MT e à Sedec pela abertura ao diálogo e pela construção conjunta. Manter esse contato próximo com os parceiros é fundamental para alinhar os procedimentos, tornar mais ágil a liberação dos recursos e ampliar o acesso ao crédito para os associados, empreendedores e produtores rurais do Estado”, afirmou.
Como contratar e limites 
Os associados do Sicredi interessados podem solicitar o crédito com a garantia do MT Garante diretamente nas agências. Em Mato Grosso, a instituição possui mais de 190 pontos físicos de atendimento. O recurso disponível varia conforme o porte do negócio. Para microempreendedores individuais (MEIs), o limite é de até R$ 70 mil; para microempresas, de até R$ 200 mil; e para empresas de pequeno porte, de até R$ 300 mil. Pequenos produtores rurais podem contratar até R$ 250 mil, enquanto médios produtores têm limite de até R$ 430 mil. Para a instalação de aviários, o valor pode chegar, excepcionalmente, a R$ 2 milhões.
Para contratar crédito com o Fundo de Aval é preciso estar enquadrado em um dos portes empresariais, passar pela análise de risco da instituição e pagar a Comissão de Concessão de Aval (CCA). Esta comissão é destinada à manutenção do próprio fundo e tem o objetivo de contribuir para o aumento de recursos e beneficiar o maior número de negócios ao longo do tempo.
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