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23 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Cadeia produtiva aponta desafios para mercado da soja brasileira – MAIS SOJA

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A cultura da soja foi a que mais cresceu no Brasil nas últimas cinco décadas, tanto que de 1975 até 2025, a produção saltou de 9,89 milhões de toneladas; safra 1974/1975 para aproximadamente 169 milhões de toneladas (Conab), na safra 2024/25.  “Podemos afirmar que o incremento contínuo da produtividade da soja e a consequente ampliação da sua produção foi resultado da adoção de um conjunto de tecnologias adotadas pelo produtor brasileiro”, destaca o chefe-geral da Embrapa Soja Alexandre Nepomuceno que mapeou a sojicultora brasileira nos últimos 50 anos, na abertura do VII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que começou ontem, 19 de agosto, e segue até hoje, em Londrina (PR).

O crescimento da cultura, na visão de Nepomuceno, é fruto direto da tropicalização da soja, ou seja, dos investimento alcançados no melhoramento genética para adaptar a oleaginosa às condições do Brasil, mas também tecnologias e recomendações que permitiram corrigir os solos e manejar pragas, doenças e plantas daninhas. “Foram muitos os desafios que o produtor brasileiro conseguiu superar com as recomendações técnicas respaldadas em ciência, utilização de maquinários adequados e melhorias de infraestrutura”, enumera.

Se a trajetória tem sido promissora, quais os desafios atuais e de longo prazo? Para Nepomuceno um dos pontos a ser incrementado é a agregação de valor à produção de soja. A soja representa hoje 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e gera, em média, 2,5 milhões de empregos. “Com a agregação e valor conseguiríamos aumentar em quatro vezes o PIB, assim como a geração de empregos”, calcula Nepomuceno.

De acordo com ele, a agregação de valor ocorre atualmente por meio da produção de carnes, via alimentação animal, mas é preciso colocar a oleaginosa na pauta da transição entre a química fóssil para a química verde. “Podemos usar, por exemplo, o óleo de soja para produzir plástico, borracha, asfalto e tantos outros produtos, com investimentos em ciência e tecnologia como já vêm fazendo os Estados Unidos”, exemplifica Nepomuceno. “As revoluções tecnológicas que vivemos tem o potencial de impactar positivamente o agronegócio, seja por meio da agricultura digital, inteligência artificial da edição gênica, RNA interferente, e de muitas outras inovações”, avalia.

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Desafios da evolução da sojicultura – Durante o Seminário, também foi realizado um painel para debater a evolução da sojicultura brasileira por regiões de produção. O pesquisador Décio Gazzoni, da Embrapa Soja, realizou um mapeamento da produtividade e analisou as oscilações regionais. Hoje cerca de 20 estados brasileiros produzem soja em diferente condições, com uso de cultivares diferentes e de diferentes sistemas produtivos. Além disso, Gazzoni explica que o regime de chuvas é diferenciado, assim como a adoção de tecnologias e a atuação da assistência técnica.

Para Gazzoni, a produtividade no Brasil – de 1970 a 2000 – cresceu com pouca oscilação, porém, devido principalmente às mudanças climáticas atualmente a produtividade está com maior volatilidade, mesmo em regiões tradicionais de produção de soja como o Centro-Oeste. “Isso porque tínhamos uma previsibilidade muito maior do regime de chuvas há 15 ou 20 anos do que temos hoje, portanto, os riscos são maiores”, avalia. “A região Sul e o sul de Mato Grosso Sul têm sofrido com déficit hídrico, ondas de alta temperatura, o que tem afetado muito a produtividade dessa região”, destaca.

Na visão do pesquisador, a solução passa pelo investimento tecnológico, em políticas públicas e em ação conjunta e integrada da cadeia produtiva. “Nada se resolverá rapidamente: são necessários investimentos continuados de longo prazo, principalmente em manejo de solo e no melhoramento genético”, reflete.  “E temos outros desafios, alguns circunstanciais, conjunturais, outros estruturais como a questão logística”, avalia Gazzoni.

Visão dos produtores – Fabrício Rosa, diretor da Aprosoja Brasil, apresentou os cenários que impactaram a produção e a produtividade da soja, nas últimas safras. Rosa também apontou as mudanças climáticas – seca durante três safras, e as inundações do Rio Grande do Sul, em 2024 – como fator determinante em quebras de safra no Brasil. “Apesar disso, o abastecimento interno não foi afetado e nem o nosso compromisso de exportação. Isso porque o Brasil tem proporções continentais e se há quebra de um lado, conseguimos compensar de outro o que se reflete em safras robustas”, explica.

Além das questões climáticas, Rosa colocou como desafios para os produtores, os aspectos mercadológicos mundiais e conjunturais como a pandemia de Covid e mesmo as guerras em diferentes regiões mundiais.  “Esse cenário levou a atrasos na comercialização de algumas safras. Neste sentido, entendemos que os produtores precisam melhorar a gestão da propriedade, especialmente financeira, o controle de fluxo de caixa e de investimentos, principalmente”, aponta Rosa.

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Outro desafio levantado por Rosa foi o aumento no custo de produção de soja, em função da pandemia, assim como o crescimento dos custos com defensivos agrícolas. “Em proporção, normalmente o custo com defensivos era 20% do custo de produção e agora está próximo de 40%”, relata. “O custo da semente, por exemplo, que ficava em torno de 5% chegou a superar os 10% no custo de produção”, calcula.

Rosa diz ainda que a Aprosoja tem trabalhado para aprimorar a legislação brasileira, seja aprovando leis para o uso de agrotóxicos ou para produção de bioinsumos. “Usar biológicos é uma alternativa para o produtor que, em alguns casos, consegue reduzir em até 50% o custo com os químicos”, destaca. “Também estamos discutindo a modernização da lei de cultivares, assim como buscando apoiar financeiramente os produtores, especialmente do Rio Grande do Sul, por intermédio de ferramentas de renegociação de dívidas”, explica Rosa.

Agregação de valor nas cooperativas  – Outro ponto em debate foi o papel das cooperativas na produção de soja, tema conduzido por Robson Mafioletti, superintendente do Sistema Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná)Segundo ele, em torno de 50% da safra brasileira é conduzida pelas cooperativas que possuem mais de 9 mil profissionais atuando junto aos produtores – cerca 240 mil sojicultores. “Nosso papel é levar as melhores tecnologias para os nossos cooperados, por isso, as cooperativas têm estações de pesquisa para validar as soluções mais adequadas para o cooperado”, explica Mafioletti. “Hoje existem muitas cultivares e tecnologias disponíveis e a cooperativa tem o papel fundamental de direcionar a tomada de decisão”, avalia.

Além disso, nos últimos 20 anos, Mafioletti ressalta que houve investimento das cooperativas para industrializar o processo produtivo, agregando valor à produção de farelo e de óleo de soja para fomentar a cadeia produtiva de carnes. “Do total de soja produzido pelas cooperativas, 25% é direcionado para agroindústria. Essa agroindustrialização é muito relevante, porque gera uma estabilidade de renda, ao longo do ano”, reflete Mafioletti.

O VII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja é promovido pela Embrapa Soja em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (ACEBRA), a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (APROSOJA MS), Associação dos Produtores de Soja do Paraná (APROSOJA PR), a Associação das Supervisoras e Controladoras do Brasil (ASCB), Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

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Sustentabilidade

Posicionamento de fungicidas multissítios de forma associada a sítio específicos contribui para o controle de doenças – MAIS SOJA

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O uso de fungicidas multissítios constitui uma das principais e mais importantes estratégias de manejo para a resistência de fungos a fungicidas. Por atuarem em diferentes pontos metabólicos do fungo, os fungicidas multissítios representam um baixo risco de resistência.

Entretanto, esses fungicidas apresentam algumas limitações. Por agirem em diferentes pontos metabólicos, os fungicidas multissítios não podem penetrar na planta, pois podem assumir uma papel fitotóxico. Nesse contexto, os fungicidas multissítios devem ser pulverizados nas partes suscetíveis do hospedeiro com objetivo de formar uma camada protetora e impedir o desenvolvimento de infecções fúngicas (Godoy et al., 2022).

Figura 1. Alguns locais de ação de fungicidas na célula do fungo.

Sendo assim, a eficácia desses produtos esta muito condicionada ao momento de aplicação e a interferência de fatores ambientais e climáticos, como a ocorrência de chuvas por exemplo. Sobretudo, mesmo com algumas limitações, esse grupo de fungicidas apresenta benefícios indiscutíveis, que vão além da contribuição no manejo da resistência de doenças a fungicidas.

Quando posicionados de forma estratégica, os fungicidas multissítios se tornam excelentes aliados no controle de doenças complexas como a ferrugem-asiática da soja. Ensaios cooperativos realizados pela Embrapa na safra 2024/2025 demonstram que a associação de fungicidas multissítios como o clorotalonil com fungicidas como piraclostrobina + tebuconazol aumentou em 63% o controle da doença, enquanto a adição de mancozebe ao fungicida protioconazol + picoxistrobina proporcionou um incremento no controle da ferrugem de 60% para 76% (Godoy et al., 2025).

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Esses resultados reforçam a importância do posicionamento dos fungicidas multissítios de forma associada a fungicidas sítio específicos no manejo e controle de doenças preocupantes da soja. Além do aumento no controle das doenças, conforme observado por Cerezolli et al. (2018), a utilização de fungicidas multissítios como Clorotalonil, Oxicloreto de cobre e Mancozeb contribui de forma benéfica para atrasar e evolução da ferrugem-asiática da soja, e portanto, devem ser utilizados de forma proativa no manejo fitossanitário da soja, especialmente em anos cujas condições climáticas e ambientais são mais favoráveis a evolução das doenças.


Veja mais: Apenas fungicidas multissítios são protetores?


Referências:

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 219, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177349/1/Circ-Tec-219.pdf >, acesso em: 22/09/2026.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS MULTISSÍTIOS E PRODUTO BIOLÓGICO NO CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora Pachyrhizi, NA SAFRA 2021/2022: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 185, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1145703/1/Circ-Tec-185.pdf >, acesso em: 22/09/2026.

CEREZOLLI, L. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS MULTISITIOS UTILIZADOS NA CULTURA DA SOJA VISANDO O CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA. Anuário Pesquisa e Extensão UNOESC, São Miguel do Oeste, 2018. Disponível em: < file:///C:/Users/Cliente/Documents/Documentos/+%20SOJA/2021/1.%20TEXTOS/3.%20MAR/29.%20TEXTO%20-/artigo%20v%C3%ADvian.pdf >, acesso em: 22/09/2026.

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Sustentabilidade

Podridão-radicular é apenas um dos problemas: El Niño coloca lavouras em alerta; saiba como se proteger

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Imagem gerada por IA

A soja brasileira inicia a safra 2026/27 diante de um cenário climático que pode exigir estratégias fitossanitárias diferentes entre as regiões produtoras. Com previsão de maior intensidade do El Niño entre outubro e dezembro de 2026 e possibilidade de permanência do fenômeno até abril de 2027, o comportamento das chuvas e das temperaturas deve influenciar o estabelecimento das lavouras e as condições para o manejo de doenças, plantas daninhas e pragas.

No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a expectativa de precipitações acima da média entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 coloca o excesso de umidade entre os principais pontos de atenção. Já no Centro-Oeste e Norte, períodos de menor precipitação e temperaturas elevadas podem aumentar o risco de estresse hídrico e favorecer a pressão de determinadas pragas.

Segundo o engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da Ihara, Gustavo Corsini, as diferenças regionais mostram que o planejamento não pode se limitar à expectativa de chuva.

“A escolha de cultivares adaptadas, o preparo do solo, o tratamento de sementes e a disponibilidade de ferramentas na fazenda para o manejo fitossanitário ganham importância diante de uma safra em que as janelas de aplicação podem sofrer alterações em relação ao que vinha sendo adotado”, explica.

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Sul: excesso de chuva pode ampliar doenças

Nas áreas sujeitas a maior umidade, o primeiro desafio está no estabelecimento da lavoura. Solos compactados, com drenagem deficiente ou acúmulo de água, podem favorecer doenças radiculares, como a podridão-radicular de fitoftora, e comprometer a emergência das plantas. Por isso, o tratamento de sementes e a escolha de materiais adaptados às condições locais devem fazer parte das decisões anteriores à semeadura.

Em anos chuvosos, o monitoramento também precisa considerar o período de molhamento foliar prolongado e temperaturas amenas, que favorecem o desenvolvimento de doenças como a ferrugem-asiática, uma das principais preocupações fitossanitárias nas lavouras do Sul. Nesse cenário, o manejo precisa ser ainda mais racional, com atenção ao momento adequado para a aplicação dos fungicidas.

“O produtor precisa considerar que, em um cenário de maior umidade, a janela de aplicação pode variar. Se houver uma sequência de dias chuvosos, por exemplo de cinco dias, e o intervalo entre as aplicações estimado é de 12 dias, então pode se estender para 17 dias, comprometendo os tratos fitossanitários. Por isso, ter as tecnologias adequadas e planejar as operações passa a ser uma estratégia eficiente de manejo”, reforça Corsini.

Entre as tecnologias disponíveis para a cultura da soja estão fungicidas com formulações que combinam ação protetora e diferentes mecanismos de ação. Essas soluções são voltadas ao manejo de doenças, como a ferrugem-asiática, e também ajudam no enfrentamento do problema de resistência dos fungos. Há ainda produtos formulados para facilitar a aplicação, sem a necessidade de misturas adicionais.

Centro-Oeste e Cerrado

No Cerrado, em regiões do Centro-Oeste e Norte, a possibilidade de chuvas mais espaçadas e temperaturas elevadas pode aumentar a preocupação com períodos de menor disponibilidade hídrica. Nesse cenário, a formação de um sistema radicular bem desenvolvido é uma das estratégias para reduzir os impactos de eventuais períodos de estresse.

A presença de nematoides, a compactação do solo e a ocorrência de alumínio em níveis que limitam o desenvolvimento das raízes estão entre os fatores que podem comprometer essa etapa. Por isso, o manejo deve começar antes da semeadura, com avaliação das condições da área e adoção de medidas que favoreçam o desenvolvimento inicial da soja.

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Uma das opções para esse planejamento é o tratamento de sementes. O CERTEZA N é um fungicida para tratamento de sementes que também possui registro para o manejo de nematoides, além de controlar doenças de solo, como mofo-branco, antracnose e espécies de Fusarium. Segundo a Ihara, a tecnologia de aderência às sementes contribui para a resistência à lavagem pela chuva e para a manutenção da proteção durante o período inicial de desenvolvimento.

“Quando o produtor escolhe uma tecnologia que também auxilia no manejo de nematoides, ele amplia essa proteção sem acrescentar uma nova operação ao processo. É uma solução que agrega eficiência ao manejo integrado e contribui para preservar o potencial produtivo da cultura desde o início do ciclo”, destaca Corsini.

Plantas daninhas e pragas também exigem atenção

Além dos desafios relacionados às doenças, o cenário climático pode favorecer a ocorrência de plantas daninhas. No Centro-Oeste, a possibilidade de períodos de menor umidade reforça a importância do controle das invasoras desde o início do ciclo, evitando a competição por água e nutrientes justamente durante o desenvolvimento inicial da soja. O inverno chuvoso também favoreceu a presença de plantas daninhas em algumas áreas, aumentando a necessidade de atenção neste início de setembro.

Entre as espécies que exigem atenção estão o capim-pé-de-galinha e o caruru, cuja presença tem aumentado em áreas produtoras. Para auxiliar nesse manejo, o produtor pode recorrer a herbicidas seletivos de pré-emergência, com efeito residual. Esses produtos atuam antes da emergência das plantas daninhas e ajudam a manter a lavoura protegida durante uma fase importante do desenvolvimento da soja.

Ensaios conduzidos por instituições de ensino e pesquisa registraram índices superiores a 90% de controle sobre caruru e capim-pé-de-galinha, em comparação aos tratamentos padrão de pré-emergência. O produto também apresenta seletividade para a cultura, com resultados que não observaram sintomas de fitotoxicidade ou impactos sobre a produtividade da safra ou da sucessão.

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O manejo de pragas também deve ser considerado. Em condições de menor umidade e temperaturas mais elevadas, a redução da atuação de fungos entomopatogênicos e a aceleração do ciclo de desenvolvimento dos insetos podem favorecer o aumento da pressão de pragas.

“No ano passado, em condições climáticas consideradas normais, houve um incremento de 50% a mais no manejo de mosca-branca. Para o atual cenário, os agricultores devem ficar cientes de que não apenas a mosca-branca, mas outras pragas, podem aumentar consideravelmente nesse ciclo, como percevejos e lagartas”, enfatiza Gustavo.

Por isso, o monitoramento frequente e a adoção de estratégias de manejo integrado são fundamentais para identificar a necessidade de controle e evitar que as infestações avancem.

Planejamento deve considerar clima, operação e mercado

Diante de um cenário climático que pode ampliar as diferenças entre as regiões produtoras, o planejamento da safra 2026/27 deve considerar não apenas o potencial produtivo, mas também a capacidade de realizar as operações no momento adequado. No Sul, isso significa estar preparado para períodos de chuva que podem dificultar a entrada de máquinas e o cumprimento das aplicações. No Centro-Oeste e Norte, o foco está na formação da lavoura e na redução dos estresses iniciais que podem comprometer o desenvolvimento das plantas.

Para Corsini, a adaptação às condições de cada região será determinante. “O agricultor brasileiro é resiliente e consegue se planejar de forma eficaz. Mas, diante de um cenário de maior variabilidade climática, é importante que ele tenha as ferramentas corretas disponíveis no momento certo, porque a janela de aplicação pode ser diferente da habitual e a tomada de decisão precisa ser mais rápida”, conclui.

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TRIGO/CEPEA: Em meio a incertezas quanto à safra, cotações seguem em alta – MAIS SOJA

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Os preços do trigo continuam subindo no Brasil, em um cenário de incertezas sobre a safra de 2026, principalmente quanto à qualidade dos grãos, ao rendimento e ao volume a ser produzido.

De acordo com o Cepea, o clima desfavorável ao longo do ciclo, marcado pelo excesso de chuvas, pelo aumento da umidade do solo e pela ocorrência de doenças em diversas regiões, tem comprometido o desenvolvimento das lavouras e, em algumas localidades, tem resultado em qualidade inferior à esperada.

Segundo pesquisadores do Cepea, triticultores já haviam se mostrado desestimulados a investir na cultura na safra de 2026, o que resultou em redução tanto da área cultivada quanto da produção. Com o avanço da colheita, os efeitos das condições climáticas sobre as lavouras vêm reforçando as incertezas, com relatos de redução do PH, da força do glúten e do Falling Number (teste que mede a qualidade do trigo para a farinha de panificação).

No Paraná e em São Paulo, colaboradores do Cepea já relatam presença de trigo dos tipos 2 e 3 nos lotes colhidos, e menor disponibilidade do tipo 1, o que pode, consequentemente, aumentar a dependência de importações para atender ao consumo doméstico.

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Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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