Connect with us
19 de junho de 2026

Sustentabilidade

Cadeia produtiva aponta desafios para mercado da soja brasileira – MAIS SOJA

Published

on


A cultura da soja foi a que mais cresceu no Brasil nas últimas cinco décadas, tanto que de 1975 até 2025, a produção saltou de 9,89 milhões de toneladas; safra 1974/1975 para aproximadamente 169 milhões de toneladas (Conab), na safra 2024/25.  “Podemos afirmar que o incremento contínuo da produtividade da soja e a consequente ampliação da sua produção foi resultado da adoção de um conjunto de tecnologias adotadas pelo produtor brasileiro”, destaca o chefe-geral da Embrapa Soja Alexandre Nepomuceno que mapeou a sojicultora brasileira nos últimos 50 anos, na abertura do VII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que começou ontem, 19 de agosto, e segue até hoje, em Londrina (PR).

O crescimento da cultura, na visão de Nepomuceno, é fruto direto da tropicalização da soja, ou seja, dos investimento alcançados no melhoramento genética para adaptar a oleaginosa às condições do Brasil, mas também tecnologias e recomendações que permitiram corrigir os solos e manejar pragas, doenças e plantas daninhas. “Foram muitos os desafios que o produtor brasileiro conseguiu superar com as recomendações técnicas respaldadas em ciência, utilização de maquinários adequados e melhorias de infraestrutura”, enumera.

Se a trajetória tem sido promissora, quais os desafios atuais e de longo prazo? Para Nepomuceno um dos pontos a ser incrementado é a agregação de valor à produção de soja. A soja representa hoje 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e gera, em média, 2,5 milhões de empregos. “Com a agregação e valor conseguiríamos aumentar em quatro vezes o PIB, assim como a geração de empregos”, calcula Nepomuceno.

De acordo com ele, a agregação de valor ocorre atualmente por meio da produção de carnes, via alimentação animal, mas é preciso colocar a oleaginosa na pauta da transição entre a química fóssil para a química verde. “Podemos usar, por exemplo, o óleo de soja para produzir plástico, borracha, asfalto e tantos outros produtos, com investimentos em ciência e tecnologia como já vêm fazendo os Estados Unidos”, exemplifica Nepomuceno. “As revoluções tecnológicas que vivemos tem o potencial de impactar positivamente o agronegócio, seja por meio da agricultura digital, inteligência artificial da edição gênica, RNA interferente, e de muitas outras inovações”, avalia.

Desafios da evolução da sojicultura – Durante o Seminário, também foi realizado um painel para debater a evolução da sojicultura brasileira por regiões de produção. O pesquisador Décio Gazzoni, da Embrapa Soja, realizou um mapeamento da produtividade e analisou as oscilações regionais. Hoje cerca de 20 estados brasileiros produzem soja em diferente condições, com uso de cultivares diferentes e de diferentes sistemas produtivos. Além disso, Gazzoni explica que o regime de chuvas é diferenciado, assim como a adoção de tecnologias e a atuação da assistência técnica.

Para Gazzoni, a produtividade no Brasil – de 1970 a 2000 – cresceu com pouca oscilação, porém, devido principalmente às mudanças climáticas atualmente a produtividade está com maior volatilidade, mesmo em regiões tradicionais de produção de soja como o Centro-Oeste. “Isso porque tínhamos uma previsibilidade muito maior do regime de chuvas há 15 ou 20 anos do que temos hoje, portanto, os riscos são maiores”, avalia. “A região Sul e o sul de Mato Grosso Sul têm sofrido com déficit hídrico, ondas de alta temperatura, o que tem afetado muito a produtividade dessa região”, destaca.

Na visão do pesquisador, a solução passa pelo investimento tecnológico, em políticas públicas e em ação conjunta e integrada da cadeia produtiva. “Nada se resolverá rapidamente: são necessários investimentos continuados de longo prazo, principalmente em manejo de solo e no melhoramento genético”, reflete.  “E temos outros desafios, alguns circunstanciais, conjunturais, outros estruturais como a questão logística”, avalia Gazzoni.

Visão dos produtores – Fabrício Rosa, diretor da Aprosoja Brasil, apresentou os cenários que impactaram a produção e a produtividade da soja, nas últimas safras. Rosa também apontou as mudanças climáticas – seca durante três safras, e as inundações do Rio Grande do Sul, em 2024 – como fator determinante em quebras de safra no Brasil. “Apesar disso, o abastecimento interno não foi afetado e nem o nosso compromisso de exportação. Isso porque o Brasil tem proporções continentais e se há quebra de um lado, conseguimos compensar de outro o que se reflete em safras robustas”, explica.

Além das questões climáticas, Rosa colocou como desafios para os produtores, os aspectos mercadológicos mundiais e conjunturais como a pandemia de Covid e mesmo as guerras em diferentes regiões mundiais.  “Esse cenário levou a atrasos na comercialização de algumas safras. Neste sentido, entendemos que os produtores precisam melhorar a gestão da propriedade, especialmente financeira, o controle de fluxo de caixa e de investimentos, principalmente”, aponta Rosa.

Outro desafio levantado por Rosa foi o aumento no custo de produção de soja, em função da pandemia, assim como o crescimento dos custos com defensivos agrícolas. “Em proporção, normalmente o custo com defensivos era 20% do custo de produção e agora está próximo de 40%”, relata. “O custo da semente, por exemplo, que ficava em torno de 5% chegou a superar os 10% no custo de produção”, calcula.

Rosa diz ainda que a Aprosoja tem trabalhado para aprimorar a legislação brasileira, seja aprovando leis para o uso de agrotóxicos ou para produção de bioinsumos. “Usar biológicos é uma alternativa para o produtor que, em alguns casos, consegue reduzir em até 50% o custo com os químicos”, destaca. “Também estamos discutindo a modernização da lei de cultivares, assim como buscando apoiar financeiramente os produtores, especialmente do Rio Grande do Sul, por intermédio de ferramentas de renegociação de dívidas”, explica Rosa.

Agregação de valor nas cooperativas  – Outro ponto em debate foi o papel das cooperativas na produção de soja, tema conduzido por Robson Mafioletti, superintendente do Sistema Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná)Segundo ele, em torno de 50% da safra brasileira é conduzida pelas cooperativas que possuem mais de 9 mil profissionais atuando junto aos produtores – cerca 240 mil sojicultores. “Nosso papel é levar as melhores tecnologias para os nossos cooperados, por isso, as cooperativas têm estações de pesquisa para validar as soluções mais adequadas para o cooperado”, explica Mafioletti. “Hoje existem muitas cultivares e tecnologias disponíveis e a cooperativa tem o papel fundamental de direcionar a tomada de decisão”, avalia.

Além disso, nos últimos 20 anos, Mafioletti ressalta que houve investimento das cooperativas para industrializar o processo produtivo, agregando valor à produção de farelo e de óleo de soja para fomentar a cadeia produtiva de carnes. “Do total de soja produzido pelas cooperativas, 25% é direcionado para agroindústria. Essa agroindustrialização é muito relevante, porque gera uma estabilidade de renda, ao longo do ano”, reflete Mafioletti.

O VII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja é promovido pela Embrapa Soja em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (ACEBRA), a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (APROSOJA MS), Associação dos Produtores de Soja do Paraná (APROSOJA PR), a Associação das Supervisoras e Controladoras do Brasil (ASCB), Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

Continue Reading

Sustentabilidade

Trigo fecha em baixa em Chicago com dólar forte e perspectiva de ampla oferta global – MAIS SOJA

Published

on


A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (18) em baixa, pressionada pela valorização do dólar e pelas perspectivas de ampla oferta global. Ainda assim, o contrato julho acumulou ganho de 3,24% na semana.

O mercado foi pressionado pela valorização do dólar frente às principais moedas e pelas perspectivas de ampla oferta global de trigo. O índice do dólar atingiu o maior nível em um ano após a reunião de política monetária do Federal Reserve reforçar as expectativas de elevação dos juros nos Estados Unidos.

A valorização da moeda norte-americana reduziu a competitividade do trigo dos Estados Unidos no mercado internacional, tornando o cereal mais caro para os compradores externos. Também pesou sobre as cotações a expectativa de uma grande safra na Rússia, principal exportadora mundial de trigo.

Operadores também ajustaram posições antes do feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, que manterá os mercados de Chicago fechados nesta sexta-feira (19). Além disso, a queda do petróleo contribuiu para o movimento negativo observado ao longo da sessão.

O cenário de ampla disponibilidade global continuou limitando o impacto positivo da demanda observada recentemente em licitações internacionais. A agência estatal de grãos da Argélia (OAIC) comprou mais de 800 mil toneladas de trigo de moagem em uma licitação internacional encerrada nesta quarta-feira (18), segundo traders europeus.

As vendas líquidas norte-americanas de trigo para a temporada comercial 2026/27, iniciada em 1º de junho, somaram 400.800 toneladas na semana encerrada em 11 de junho, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O principal destino foi o Japão, com 167.400 toneladas. Para a temporada 2027/28, foram registradas vendas adicionais de 26.900 toneladas. O volume ficou dentro da faixa esperada pelo mercado, de 300 mil a 650 mil toneladas considerando as duas temporadas.

Os contratos com entrega em julho fecharam cotados a US$ 6,05 3/4 por bushel, com baixa de 7,00 centavos de dólar, ou 1,14%, em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em setembro encerraram a US$ 6,14 por bushel, com queda de 7,25 centavos de dólar, ou 1,16%.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

Continue Reading

Sustentabilidade

Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços

Published

on


Imagem de Александр Пономарев por Pixabay

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana sem movimentações relevantes. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a ausência de negociações na Bolsa de Chicago impediu uma formação mais efetiva dos preços ao longo desta sexta-feira. Segundo ele, as cotações observadas foram basicamente nominais, servindo apenas como referência para os agentes do mercado.

Silveira destaca que não houve registro de negociações expressivas ou de grandes lotes ao longo do dia. “A semana fechou sem volumes importantes rodando”, resume.

Cotações de soja

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 127,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 128,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 121,50
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 113,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 115,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 116,00
  • Paranaguá (PR): manteve em R$ 132,50
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 134,00

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1640 para venda e a R$ 5,1620 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana variou entre R$ 5,1325 e R$ 5,1685. Apesar da baixa desta sexta-feira, a divisa acumulou valorização de 2,08% na semana.2,08% na semana.

O post Sem Chicago, mercado de soja encerra semana travado; saiba como ficaram os preços apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Sustentabilidade

Ceema/Unijuí: Mercado da soja opera entre a volatilidade externa e o avanço da safra americana – MAIS SOJA

Published

on


Em Chicago, as cotações da soja, após despencarem a partir do dia 02/06, quando o bushel chegou a US$ 11,13 nos dias 09 e 12 (a mais baixa cotação desde o dia 09/02/26), ensaiaram uma recuperação nesta semana, com o bushel alcançando US$ 11,32 no dia 17/06, para o primeiro mês cotado. Já o fechamento desta quinta-feira (18) ficou em US$ 11,22/bushel, contra US$ 11,15 uma semana antes.

Além da possibilidade de um acordo de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio, o mercado esteve pressionado pelo clima positivo nos EUA, para a nova safra, e de olho nos juros daquele país. A manutenção do juro básico em 3,5% a 3,75% aa por lá leva muitos investidores, que esperavam um aumento nos mesmos, a buscarem comprar contratos de commodities, dentre eles o de soja, o que faz o bushel subir de valor.

Além disso, houve rumores de que a China estaria para comprar soja dos EUA, novamente. Lembrando, ainda, que no dia 30/06 teremos o relatório de área final semeada nos EUA, o que poderá definir a tendência das cotações para julho. Por outro lado, o plantio da soja nos EUA, até o dia 14/06, atingia a 95% da área prevista, contra 93% na média. Do total semeado, 88% das lavouras estavam germinadas. Soma-se a isso o fato de que a qualidade das lavouras melhorou na semana, com 66% das mesmas estando entre boas a excelentes, após recuarem para 65% na semana anterior. Outros 28% das lavouras estavam regulares e 6% ruins ou muito ruins.

Dito isso, na semana encerrada em 11 de junho, os EUA embarcaram 522.687 toneladas de soja, ficando dentro das expectativas do mercado. Em todo o atual ano comercial o volume embarcado totaliza 36,6 milhões de toneladas, ainda 20% a menos do que no mesmo período do ano anterior.

Já a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA informou que o esmagamento de soja no país, em maio, atingiu a 5,68 milhões de toneladas da oleaginosa, enquanto a projeção do mercado era de 5,77 milhões. Apesar de ficar abaixo do esperado, o volume é 8% maior do que no mesmo mês de 2025. Enquanto isso, os estoques de óleo de soja nos Estados Unidos estavam em 1,74 bilhão de libras, sendo 26% maiores do que um ano atrás.

Por sua vez, o acordo entre os EUA e o Irã para o término da guerra, que parece finalmente se consolidar, é positivo para os mercados e a economia mundial. Se ele for mantido, o mercado terá mais estabilidade a partir de agora, embora possa haver recuo nos valores da soja devido ao recuo nos preços do óleo de soja em Chicago, puxados pelo recuo nas cotações mundiais do petróleo. Tanto é verdade que o fechamento do óleo de soja, em Chicago, no dia 18/06, ficou em 69,69 centavos de dólar por librapeso, rompendo o piso dos 70,00 centavos pela primeira vez desde o dia 20 de abril passado. Todavia, por enquanto, a volatilidade do mercado não foi totalmente eliminada, pois há dúvidas quanto a eficácia do acordo.

Soma-se a isso as especulações climáticas sobre a safra dos EUA, pois as tendências indicariam, para julho, um clima um pouco mais seco nas regiões produtoras de soja daquele país. Enfim, no Brasil o mercado se mantém estável, com o câmbio girando entre R$ 5,05 e R$ 5,15 por dólar durante a semana. Assim, os preços, nas principais praças gaúchas, ficaram em R$ 114,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os mesmos giraram entre R$ 102,00 e R$ 114,00/saco.

Dito isso, a Conab, em seu boletim mensal de junho, trouxe a safra brasileira de 2025/26 para 180,2 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões um ano antes. Isso representa um aumento de 5,1%. O Rio Grande do Sul, às voltas com nova estiagem, acabou colhendo 18,6 milhões de toneladas, contra 16,6 milhões no ano anterior, destacando que outras entidades gaúchas (Emater e iniciativa privada) avançam pouco mais de 13 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Segundo, ainda, a Conab, a produtividade média brasileira ficou em 61,9 sacos/hectare em 2025/26, enquanto a gaúcha atingiu a apenas 46,2 sacos.

Enfim, a exportação brasileira total de soja, em junho, está estimada em 15,3 milhões de toneladas segundo a Anec. Se confirmados, tais embarques cresceriam 1,5 milhão de toneladas em relação a junho do ano anterior.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


undefined


 

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT