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22 de setembro de 2026

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Suco de laranja é o produto mais afetado por tarifaço, avalia Cepea

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Suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas estão entre os itens mais expostos à tarifa adicional de até 50% sobre as importações de produtos brasileiros pelos Estados Unidos, com vigência prevista para 1º de agosto de 2025, segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

De acordo com com a análise da equipe do Cepea, o suco de laranja é o produto mais sensível à nova política tarifária. Isso porque já incide atualmente uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada sobre o produto, e a aplicação de uma sobretaxa de até 50% elevaria significativamente o custo de entrada nos EUA, comprometendo sua competitividade no segundo maior destino dos embarques brasileiros.

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Atualmente, os EUA importam cerca de 90% do suco que consomem, sendo o Brasil responsável por aproximadamente 80% desse total. Com a sinalização da tarifa, pesquisas do Cepea apontam que indústrias brasileiras já passaram a suspender novos contratos, limitando-se ao mercado spot, com valores entre R$ 40,00 e R$ 45,00 por caixa, diante do elevado grau de incerteza.

“Essa instabilidade ocorre justamente em um momento de boa safra no estado de São Paulo e Triângulo Mineiro: 314,6 milhões de caixas projetadas para 2025/26, crescimento de 36,2% frente ao ciclo anterior. Com o canal norte-americano sob risco, o acúmulo de estoques e a pressão sobre as cotações internas tornam-se prováveis”, avalia Margarete Boteon, pesquisadora da área de citros do Cepea e professora da Esalq/USP.

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Café

Os Estados Unidos são o maior mercado consumidor global e respondem por cerca de 25% das importações de café brasileiro (principal mercado), especialmente da variedade arábica, insumo essencial para a indústria local de torrefação.

De acordo com a equipe Cepea, o impacto é estrutural: como os EUA não produzem café, a elevação do custo de importação compromete diretamente a viabilidade econômica da cadeia interna, que envolve torrefadoras, cafeterias, indústrias de bebidas e redes de varejo. “A exclusão do café do pacote tarifário é não apenas desejável, mas estratégica, tanto para a sustentabilidade da cafeicultura brasileira quanto para a estabilidade da cadeia de abastecimento norte-americana”, destaca Renato Ribeiro, pesquisador de café do Cepea.

No curto prazo, apesar de a safra 2024/25 ter assegurado boa capitalização aos produtores, a comercialização da safra 2025/26 avança lentamente, apontam pesquisadores do Cepea.

Com a queda nas cotações e a instabilidade externa, os produtores têm vendido volumes mínimos para manter o fluxo de caixa, postergando negociações maiores à espera de definições sobre o cenário tarifário.

Carne bovina

Os EUA são o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, respondendo por 12% das exportações, atrás apenas da China, que concentra 49% do total embarcado pelo Brasil. Dados da Secex mostram que, em junho, o volume adquirido pelos norte-americanos já foi o menor desde dezembro do ano passado, mas as exportações totais de carne bovina brasileira tiveram o segundo melhor resultado do ano, beirando as 270 mil toneladas.

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Em março e abril, empresas dos EUA adquiriram volumes recordes, acima de 40 mil toneladas em cada mês, num possível movimento de formação de estoque diante do receio de que o presidente Donald Trump viesse a aumentar as tarifas para o comércio internacional.

Em abril, foram importadas 47.836 toneladas (in natura e processada); já no mês seguinte, o volume se reduziu quase à metade e, em junho, baixou mais 33% sobre o volume de maio. Em termos absolutos, as compras norte-americanas foram de 18.232 toneladas no último mês.

Apesar da redução para os EUA, o volume total exportado pelo Brasil em junho foi bem próximo ao de abril – diferença de 2.705 toneladas, equivalentes a 1%. Boa parte da compensação de abril para junho ocorreu com o aumento dos embarques principalmente à China, que tem ampliado mensalmente suas compras desde fevereiro.

De abril para junho, os EUA diminuíram o volume em 29.603 toneladas, enquanto a China aumentou em 27.782 toneladas. Em junho, especificamente, vários outros parceiros comerciais também aumentaram suas compras frente a maio. Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, “esse fluxo sinaliza que frigoríficos brasileiros têm possibilidade de ampliar suas vendas em outros mercados, ainda que haja dificuldade quanto ao ajuste de cortes demandados”.

São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul são os estados, nesta ordem, que mais têm escoado carne aos EUA. A redução de Goiás foi a maior de abril para junho, cerca de 9.283 toneladas a menos de carne. O volume do último mês representou apenas 37% do que foi enviado em abril. Em Mato Grosso do Sul, junho equivaleu a apenas 44%, com diminuição de 3.962 toneladas. Reduções significativas ocorreram também nos demais estados relevantes da pecuária. São Paulo é o que teve a menor diminuição de volume, de 1.802 toneladas, com junho ainda representando 73% dos embarques de abril.

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Frutas

O impacto imediato recai sobre a manga, cuja janela crítica de exportação aos EUA inicia-se em agosto. Segundo indica o Cepea, já há relatos de postergação de embarques frente à indefinição tarifária. A uva brasileira, cuja safra tem calendário relevante para os EUA a partir da segunda quinzena de setembro, também passa a integrar o grupo de culturas em alerta.

Pesquisadores do Cepea indicam que, até o anúncio da medida, a expectativa era de crescimento das exportações de frutas frescas em 2025, sustentada pela valorização cambial e pela recomposição produtiva de diversas culturas. Contudo, o cenário tornou-se incerto.

“A projeção otimista foi substituída por dúvidas. Além da retração esperada nas vendas aos EUA, há o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda nos principais destinos, pressionando as cotações ao produtor”, analisa Lucas De Mora Bezerra, da equipe HF Brasil/Cepea.

A medida tende ainda a desorganizar os fluxos comerciais internacionais. Com a retração das exportações aos EUA, frutas que seriam destinadas ao mercado norte-americano podem ser redirecionadas à União Europeia ou absorvidas pelo mercado brasileiro, gerando um cenário de acúmulo de frutas nos canais tradicionais de comercialização e pressionando os preços ao produtor. Persistem também incertezas quanto às importações brasileiras de frutas frescas, tanto em volume quanto em origem, frente à nova conjuntura global.

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Preços do milho no curto prazo serão determinados por 4 fatores

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Imagem gerada por IA com base em foto de arquivo do Canal Rural

O contrato de dezembro do milho em Chicago encerrou a semana passada com queda de 0,94%. No Brasil, o vencimento de novembro da B3 seguiu em direção oposta, fechando a R$ 76,29 por saca, com leve alta de 0,16%.

A plataforma de Inteligência de Mercado da Grão Direto, a Grainsights, aponta os fatores que podem influenciar nos preços do cereal no curto prazo. Acompanhe:

  • Colheita nos EUA: o ritmo acelerado da colheita continua pressionando o mercado no curto prazo. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), um volume cada vez maior de grãos começa a chegar aos armazéns e ao mercado. “Esse aumento da oferta aumenta a disponibilidade física e reduz o poder de barganha dos produtores nas regiões onde a colheita está mais avançada. Com mais milho disponível, os prêmios locais tendem a recuar e os preços dos contratos de curto prazo ficam mais pressionados”, destaca a plataforma. A atenção agora se volta para o avanço da colheita nas próximas semanas, já que um ritmo forte pode aumentar ainda mais a oferta e limitar as chances de recuperação das cotações.
  • Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
  • Clima na América do Sul: com a colheita no Hemisfério Norte avançando, o mercado deve voltar a atenção para o clima no Brasil e na Argentina. De acordo com a Grainsights, o comportamento das chuvas durante o plantio da soja será importante para definir o calendário da próxima safrinha de milho. Atrasos no plantio ou problemas no desenvolvimento das lavouras podem reduzir a janela ideal para o cereal e aumentar as preocupações com a produtividade da safra de 2027.
  • Etanol e exportações: o mercado vai acompanhar de perto o consumo de milho pelas usinas de etanol nos Estados Unidos. A manutenção de uma demanda próxima de 5,6 bilhões de bushels (142,25 milhões de toneladas) será importante para dar suporte aos preços. Se os juros altos do Fed reduzirem o crescimento da economia e o consumo de combustíveis, as usinas podem diminuir a moagem, aumentando a pressão sobre o milho. “Ao mesmo tempo, os EUA precisarão manter a competitividade nas exportações para cumprir a projeção de 3,275 bilhões de bushels do USDA. Com o Brasil exportando a safrinha em ritmo forte e a Argentina com estoques elevados, a disputa por compradores, principalmente na Ásia, deve ser bastante acirrada”, destaca.
  • Tensões geopolíticas persistentes: o mercado continuará atento às instabilidades na Ucrânia e no Oriente Médio. Conflitos e ataques no Mar Negro podem afetar o fluxo de grãos e aumentar a preocupação com a oferta global. “Ao mesmo tempo, um petróleo mais caro, com o Brent próximo de US$ 105, eleva os custos de transporte e frete marítimo. Esse cenário pode aumentar a volatilidade dos preços agrícolas e trazer suporte às cotações, caso os riscos sobre a oferta e os custos de logística se intensifiquem”, ressalta a Grainsights.

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Negócios com a soja? Saiba se preços subiram ou caíram no mercado em dia de poucas negociações

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Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de soja teve poucas mudanças nesta terça-feira (22), com cotações praticamente estáveis e baixo ritmo de negócios. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, muitas das ofertas observadas ao longo do dia foram apenas nominais.

No mercado disponível, o cenário permaneceu travado e com poucas ofertas, diante do volume já negociado. “Não houve grande ímpeto de negócios ao longo do dia”, observa Silveira.

Para a safra nova, também não houve reporte de negócios firmes. Os prêmios tiveram poucas alterações, assim como o dólar e a Bolsa de Chicago, mantendo as cotações praticamente estabilizadas.

No mercado físico, as principais praças brasileiras apresentaram poucas mudanças nesta terça-feira.

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Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 155,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 156,00
  • Cascavel (PR): recuou de R$ 152,00 para R$ 151,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 147,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 149,00
  • Paranaguá (PR): caiu de R$ 163,00 para R$ 162,00
  • Rio Grande (RS): manteve em R$ 163,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em baixa na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta terça-feira (22). Após operar em alta no meio do pregão, o mercado reverteu o movimento, em meio à cautela antes da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, prevista para quinta-feira (24), na Casa Branca.

Os operadores esperam que o encontro possa resultar em novas compras chinesas da oleaginosa norte-americana, mas mantêm uma postura cautelosa diante da possibilidade de poucos avanços concretos nas negociações comerciais. O mercado também espera possíveis mudanças nas tarifas de importação aplicadas pela China à soja dos Estados Unidos.

As expectativas foram reforçadas na segunda-feira (21), após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmar que teve conversas bem-sucedidas com autoridades chinesas durante o fim de semana.

Além disso, os agentes refletiram o discurso de Trump na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante o pronunciamento, o presidente afirmou que os Estados Unidos poderão chegar a um acordo com o Irã após as eleições de meio de mandato, previstas para 3 de novembro.

Contratos futuros de soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 2,50 centavos de dólar ou 0,18%, a US$ 13,25 1/2 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,41 1/4 por bushel, com retração de 2,75 centavos de dólar ou 0,20%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,30 ou 0,62%, a US$ 370,70 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,92 centavos de dólar, com perda de 0,93 centavo ou 1,35%.

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Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,08%, negociado a R$ 5,1027 para venda e a R$ 5,1007 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,0972 e a máxima de R$ 5,1357.

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Inmet: chuvas irregulares ameaçam plantio de soja no Brasil; saiba quais estados devem ser prejudicados

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Freepik

O início da safra 2026/27 de soja e milho exige atenção dos produtores de Goiás e Mato Grosso diante da previsão de chuvas irregulares e baixos volumes de precipitação nos próximos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições ainda não devem ser suficientes para recuperar de forma significativa a umidade do solo, que permanece reduzida em grande parte da região.

A previsão indica ocorrência de pancadas isoladas, que podem criar condições momentaneamente favoráveis para a semeadura em algumas áreas. No entanto, essas precipitações não garantem a manutenção da disponibilidade de água necessária para a germinação, emergência e estabelecimento inicial das plantas.

Para as lavouras de sequeiro, a distribuição e a continuidade das chuvas são fatores importantes neste momento. Caso a umidade do solo diminua rapidamente após a semeadura, podem ocorrer problemas como germinação desuniforme, falhas de estande e, em situações mais severas, necessidade de replantio.

O cenário também merece atenção devido à expansão da área cultivada com milho primeira safra e à continuidade do crescimento da soja no país. Conforme as perspectivas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o desempenho das culturas ao longo do ciclo dependerá, entre outros fatores, da evolução das condições climáticas.

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Com a previsão de volumes pouco expressivos ou ausência de chuva em parte dos estados, as condições para o avanço do plantio podem variar entre municípios e propriedades. A umidade já presente no solo e a ocorrência efetiva das precipitações serão determinantes para definir onde a semeadura poderá avançar com menor risco.

Além disso, eventuais atrasos prolongados no plantio da soja em Goiás e Mato Grosso podem reduzir a janela disponível para a implantação da segunda safra de milho em áreas de sucessão. Por isso, a decisão sobre o momento da semeadura deve considerar as condições locais de umidade, as atualizações da previsão meteorológica e as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Previsão do tempo para Goiás e Mato Grosso

Para os próximos sete dias, a previsão aponta baixos acumulados de chuva em grande parte de Goiás e Mato Grosso. Os volumes entre 10 e 30 milímetros devem ficar concentrados principalmente na porção sul dos estados.

Ao mesmo tempo, as temperaturas tendem a permanecer elevadas no norte e sudoeste de Mato Grosso e no oeste de Mato Grosso do Sul, com máximas acima de 30 °C.

O cenário mantém extremamente baixos os níveis de armazenamento de água no solo em grande parte da região. De acordo com o Inmet, a condição deve persistir nos próximos cinco dias, refletindo a continuidade do déficit hídrico.

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Embora o Centro-Oeste esteja entrando no período chuvoso, os volumes previstos ainda não devem promover uma recuperação significativa da umidade do solo em boa parte de Goiás e Mato Grosso. Com isso, o avanço do plantio continuará dependendo da regularização das precipitações.

Para a soja, a situação é especialmente importante porque a baixa disponibilidade de água pode comprometer a germinação e a emergência caso as primeiras chuvas sejam insuficientes ou mal distribuídas.

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