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14 de maio de 2026

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Doenças nas lavouras de algodão causam perdas de R$ 4 bilhões

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A qualidade do algodão e o desempenho expressivo das lavouras levaram o Brasil ao topo da exportação mundial do produto. Mas, para permanecer como referência, é preciso estar preparado para enfrentar ameaças que causam impactos gigantescos ao setor, como é o caso das doenças foliares. Destaque para a ramulária e a mancha-alvo que, juntas, chegam a causar prejuízos em torno de R$ 4 bilhões a cada safra.

Em Jaciara, região sudeste de Mato Grosso, a soja é a principal cultura de primeira safra na Fazenda Santo Expedito. Por lá, a oleaginosa ocupa 4,8 mil hectares, que após a sua colheita 2,3 mil hectares dão lugar para o algodão.

“Estamos querendo fechar acima de 300 arrobas de média esse ano na fazenda. Vamos tirar uns 10% a mais do que no ano passado”, diz o gerente de produção Luis Antônio Huber.

Mas, por trás deste otimismo, também há motivos de atenção na propriedade. As doenças foliares, segundo o gerente de produção, avançam silenciosamente nas lavouras, sendo a ramulária uma das principais preocupações.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

“Quando ela entrou mais forte, que a gente não conhecia, a gente estimava perda de até 20%. Aprendizado que a gente já vem adotando é você fazer um monitoramento para poder identificar a doença na fase inicial da cultura para poder fazer aplicações mais assertivas”, frisa.

E a ramulária não é a única preocupação na lavoura de algodão. A mancha-alvo, também causada por um fungo, vem se espalhando em alguns talhões e exige um manejo rigoroso. Na fazenda, a doença considerada de difícil controle, tem elevado os custos e pode prejudicar a produtividade da pluma.

De acordo com Luis Antônio, a mancha-alvo se tornou um problema na propriedade nos últimos quatro anos. “Tira o sono. Dá preocupação e ela vai tendo em vários lugares na planta, nas brácteas e ela acaba derrubando a folha”.

Pesquisa acompanha de perto os desafios

A pesquisadora Mônica Muller, da Fundação MT, localizada em Rondonópolis, tem acompanhado de perto os desafios no controle das doenças foliares. Conforme ela, o uso isolado de defensivos, nem sempre tem garantido bons resultados, o que reforça a importância de estratégias mais amplas de manejo.

A especialista explica, em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso, que as duas doenças são responsáveis, principalmente, pela desfolha na cultura do algodão. Já a mancha-alvo há o agravante de também ocorrer na cultura da soja.

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Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

“Enquanto, a ramulária é uma doença específica da cultura do algodão hoje que temos no campo, não ocorrendo na cultura da soja, mas igualmente danosa aí na cultura do algodão”.

Ainda conforme Mônica, a ramulária causa um dano ainda maior do que a mancha-alvo no algodão.

“Hoje na cultura do algodão, apesar de estarmos vendo aí uma maior ocorrência da mancha-alvo nesses últimos anos, ela tem essa predominância em anos mais chuvosos, anos em que a cultura está mais fechada, que a gente não conseguiu fazer tão bem o regulador na cultura do algodão, a gente vê a mancha-alvo aí como protagonista. [Mas,] ainda assim a ramulária tem ocorrido, mesmo que em menor intensidade, mas com uma capacidade de dano aí é muito grande também na cultura do algodão”.

Doenças elevam custo de produção

O cenário em torno da crescente presença da ramulária e da mancha-alvo nas lavouras a cada safra tem colocado todo o setor produtivo não só de Mato Grosso em alerta, mas como de todo o país.

O diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Márcio Portocarrero, relata que o aumento da presença das duas doenças foliares têm levado o produtor a aumentar de “34% até 40% a participação desse problema no custo de produção. E isso representa uma perda de entorno de R$ 4 bilhões em cada safra”.

doenças foliares no algodão mancha-alvo e ramulária foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Márcio Portocarrero frisa que tanto o produtor de algodão quanto o de soja não estão sozinhos diante das dificuldades com as duas doenças. Ele ressalta que “a ciência está a serviço da busca dessa solução”.

“Nós temos um sistema regulatório que envolve Ibama, Anvisa e Mapa, ultrapassado. Apesar de ter uma lei que foi aprovada o ano passado, ela ainda está em discussão, não está totalmente implementada, porque não foi regulamentada e isso dificulta”.

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O diretor executivo da Abrapa pontua que uma molécula nova no Brasil leva 10 anos para entrar, enquanto que a mesma já está em uso na Argentina, no Paraguai e no restante do mundo.

“Não chegou aqui, porque não foi registrada. E com isso, somos obrigados a usar continuamente, praticamente, os mesmos produtos e isso possibilita que o fungo, tanto da mancha-alvo quanto da ramulária, adquira resistência e fortaleça”.

A necessidade de uma rotação de ingrediente ativo é uma das orientações dadas pela entidade, em uma tentativa de diminuir as chances de resistência, apesar de ser difícil diante da demora de liberação de novas moléculas.

“Procurar não aplicar mais de duas vezes o mesmo produto na mesma safra. Só que isso é praticamente impossível. Então, nós estamos numa linha de risco muito grande devido ao atraso e a dificuldade com a legislação brasileira em atrair para o Brasil e trazer investimentos ou moléculas novas que possam ser melhores para o meio ambiente, para a saúde em geral e mais eficientes, talvez até com menor custo propiciando menos perda na lavoura que já representa ganho”, diz Márcio Portocarrero.


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Governo Federal retoma produção da Fafen-BA em Camaçari

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O Governo Federal retomou as operações da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari (BA), com foco na ampliação da produção nacional de fertilizantes. A agenda ocorreu nesta quinta-feira (14), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Segundo o governo, a unidade tem capacidade para produzir 1,3 mil toneladas por dia de ureia, volume equivalente a cerca de 5% da demanda nacional.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a reativação da planta recebeu investimento de R$ 100 milhões. A estimativa oficial é de geração de 900 empregos diretos e 2,7 mil indiretos. Os fertilizantes nitrogenados são insumos usados para sustentar e elevar a produtividade agrícola, especialmente em sistemas intensivos de produção.

A Fafen-BA havia sido hibernada pela Petrobras em janeiro de 2019, após o anúncio de fechamento em 2018, no contexto do plano de desinvestimentos da companhia. Em 2020, a unidade foi arrendada à Unigel. As operações seguiram até 2023, quando foram paralisadas sob a justificativa de inviabilidade econômica ligada ao preço do gás natural. Em 2025, após acordo com a empresa, a Petrobras reassumiu as fábricas. A retomada da unidade baiana ocorreu em janeiro de 2026.

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Segundo dados apresentados pelo governo, o Brasil importa atualmente cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Durante a visita, Lula afirmou que o país “não pode importar 90% do fertilizante de que a nossa agricultura precisa”. Já André de Paula, ministro da Agricultura e Pecuária, disse que a reativação integra uma estratégia para ampliar a autonomia produtiva. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que, com as plantas da Bahia, Sergipe, Paraná e Mato Grosso do Sul, o país poderá produzir 35% do fertilizante nitrogenado necessário.

No mercado de ureia, a Petrobras projeta atingir cerca de 20% de participação com a Fafen-BA, a Fafen-SE e a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) em operação comercial. Com a entrada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), a expectativa é ampliar esse percentual nos próximos anos.

O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado pelo Mapa em 2022, estabelece como meta atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050. A estratégia prevê expansão da produção nacional, desenvolvimento tecnológico e uso de soluções adaptadas às condições brasileiras, incluindo alternativas com foco em sustentabilidade e reaproveitamento de resíduos.

Fonte: gov.br

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Produtores do RS iniciam plantio de inverno com avanço de canola e aveia-branca

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Os produtores do Rio Grande do Sul avançam na implantação das culturas de inverno à medida que se aproxima o fim da colheita de soja, milho, arroz e feijão 2ª safra. Segundo o Informativo Conjuntural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), divulgado nesta quinta-feira (14), a canola e a aveia-branca já começaram a ser semeadas, em um cenário de boa reposição hídrica no solo, mas com limitações operacionais causadas pelas chuvas.

Na canola, a semeadura começou no fim de abril e segue pelo segundo decêndio de maio. As precipitações favoreceram a umidade do solo, mas reduziram o ritmo das operações e elevaram o risco de desuniformidade na emergência em áreas recém-implantadas. Predominam lavouras em germinação e desenvolvimento vegetativo.

A Emater/RS-Ascar observa tendência de ampliação da área com canola, impulsionada pela busca de alternativas econômicas ao trigo e pela inserção da cultura em sistemas de rotação. Em 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 quilos por hectare e produção de 285.481 toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na regional de Ijuí, cerca de 45% da área projetada já foi semeada. Em Santa Rosa, o índice chega a 30%.

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Na aveia-branca, a semeadura avança conforme são liberadas as áreas de verão. A expectativa é de intensificação na segunda quinzena de maio. A tendência é de manutenção da área cultivada em relação à safra anterior, quando o estado registrou 393.135 hectares, produtividade média de 2.394 quilos por hectare e produção de 935.664 toneladas, também segundo o IBGE. A Emater/RS-Ascar relata cautela maior dos produtores nos investimentos, em razão da alta dos fertilizantes e de outros insumos.

Para o trigo e a cevada, o quadro é de maior restrição. A Emater/RS-Ascar indica tendência de redução de área nas duas culturas, influenciada por custos elevados, restrição ao crédito, limitações do seguro rural e aumento da percepção de risco climático diante da possibilidade de atuação de El Niño no inverno e na primavera.

No curto prazo, o avanço da safra de inverno dependerá da abertura de janelas de campo para semeadura e das definições de área ainda em levantamento pela Emater/RS-Ascar. O comportamento do clima e o custo de produção devem seguir como fatores centrais para o ritmo de implantação e para a distribuição regional das lavouras.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Nova Xavantina sofre com seca, pragas e prejuízos

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O cenário no campo em Nova Xavantina é de incerteza e aperto financeiro. A combinação de instabilidade climática, incidência de pragas e o aumento expressivo nos custos de produção reduziu drasticamente a rentabilidade dos agricultores na atual safra. Com perdas que chegam a 25 sacas por graneleiro em algumas áreas, o setor agora teme pela viabilidade do próximo ciclo.

A irregularidade das chuvas no início do plantio forçou muitos produtores a realizarem o replantio, elevando os gastos operacionais. Segundo o delegado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Bruno Tolotti, embora existam casos isolados de boa produtividade, o município registra uma queda média de 8 a 10 sacas por hectare em comparação ao ano anterior.

O impacto é sentido de forma heterogênea dependendo da altitude e do tipo de solo. No Grupo Dalcin, que cultivou quase 5 mil hectares de soja, a variação entre áreas de serra e áreas baixas evidenciou o desafio técnico desta temporada. Enquanto as áreas mais altas registraram 71 sacas por hectare, as partes baixas, com solo mais arenoso e maior pressão de ervas daninhas como o pé-de-galinha, fecharam em apenas 47 sacas.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos corroem rentabilidade

Mesmo onde a produção foi considerada satisfatória em termos de volume, a conta final não tem fechado devido à alta dos insumos, especialmente fertilizantes. A margem de lucro ficou estreita, gerando preocupação sobre a capacidade de reinvestimento.

“A média final do grupo todo foi 57 sacas. Foi uma safra satisfatória, o problema é que os custos estão ficando maiores e a rentabilidade tem ficado muito menor. Tem produtor aqui que, no líquido, sobram R$ 95 ou R$ 97. Isso não paga a conta”, afirma a agricultora Emilly Miranda Castro Dalcin ao Patrulheiro Agro.

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Para o produtor José Almiro Muller, que cultivou 2,6 mil hectares, os problemas começaram na janela de plantio e se estenderam até a colheita com o ataque da mosca-branca. Mesmo com múltiplas aplicações de defensivos, a praga não foi controlada, reduzindo o peso do grão e gerando uma perda de 25 sacas por graneleiro de máquina.

Além dos problemas biológicos, o fator financeiro é apontado como o principal gargalo. “Recursos bancários ficaram muito altos, com taxas de 14,5% a 15%. O arrendamento junto com isso inviabiliza. Eu, com a minha família, não tive renda nos últimos três anos”, relata Muller ao Canal Rural Mato Grosso. Ele arrenda 1,7 mil hectares. O agricultor destaca ainda que a escassez de crédito oficial forçou a busca por recursos especiais com juros de até 30%.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Milho safrinha sob risco

A crise se estende agora para a segunda safra. Com a escassez hídrica de quase um mês e temperaturas elevadas, mais da metade das lavouras de milho foi plantada fora da janela ideal. A região de Nova Xavantina, por possuir altitude e índice pluviométrico menores que outras partes do Mato Grosso, sofre mais com o encurtamento do período de chuvas.

De acordo com Bruno Tolotti, da Aprosoja-MT, as perdas visuais no milho já são estimadas entre 30% e 40% em algumas propriedades. “Já faz algumas semanas que não chove no município e isso influencia diretamente quem plantou milho ou gergelim. O cenário é muito preocupante, pois não há perspectivas de chuva no curto prazo”, conclui.

+Confira todos os episódios da série Patrulheiro Agro


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