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8 de maio de 2026

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Doenças nas lavouras de algodão causam perdas de R$ 4 bilhões

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A qualidade do algodão e o desempenho expressivo das lavouras levaram o Brasil ao topo da exportação mundial do produto. Mas, para permanecer como referência, é preciso estar preparado para enfrentar ameaças que causam impactos gigantescos ao setor, como é o caso das doenças foliares. Destaque para a ramulária e a mancha-alvo que, juntas, chegam a causar prejuízos em torno de R$ 4 bilhões a cada safra.

Em Jaciara, região sudeste de Mato Grosso, a soja é a principal cultura de primeira safra na Fazenda Santo Expedito. Por lá, a oleaginosa ocupa 4,8 mil hectares, que após a sua colheita 2,3 mil hectares dão lugar para o algodão.

“Estamos querendo fechar acima de 300 arrobas de média esse ano na fazenda. Vamos tirar uns 10% a mais do que no ano passado”, diz o gerente de produção Luis Antônio Huber.

Mas, por trás deste otimismo, também há motivos de atenção na propriedade. As doenças foliares, segundo o gerente de produção, avançam silenciosamente nas lavouras, sendo a ramulária uma das principais preocupações.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

“Quando ela entrou mais forte, que a gente não conhecia, a gente estimava perda de até 20%. Aprendizado que a gente já vem adotando é você fazer um monitoramento para poder identificar a doença na fase inicial da cultura para poder fazer aplicações mais assertivas”, frisa.

E a ramulária não é a única preocupação na lavoura de algodão. A mancha-alvo, também causada por um fungo, vem se espalhando em alguns talhões e exige um manejo rigoroso. Na fazenda, a doença considerada de difícil controle, tem elevado os custos e pode prejudicar a produtividade da pluma.

De acordo com Luis Antônio, a mancha-alvo se tornou um problema na propriedade nos últimos quatro anos. “Tira o sono. Dá preocupação e ela vai tendo em vários lugares na planta, nas brácteas e ela acaba derrubando a folha”.

Pesquisa acompanha de perto os desafios

A pesquisadora Mônica Muller, da Fundação MT, localizada em Rondonópolis, tem acompanhado de perto os desafios no controle das doenças foliares. Conforme ela, o uso isolado de defensivos, nem sempre tem garantido bons resultados, o que reforça a importância de estratégias mais amplas de manejo.

A especialista explica, em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso, que as duas doenças são responsáveis, principalmente, pela desfolha na cultura do algodão. Já a mancha-alvo há o agravante de também ocorrer na cultura da soja.

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doenças foliares no algodão mancha-alvo e ramulária foto viviane petroli canal rural mato grosso1
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

“Enquanto, a ramulária é uma doença específica da cultura do algodão hoje que temos no campo, não ocorrendo na cultura da soja, mas igualmente danosa aí na cultura do algodão”.

Ainda conforme Mônica, a ramulária causa um dano ainda maior do que a mancha-alvo no algodão.

“Hoje na cultura do algodão, apesar de estarmos vendo aí uma maior ocorrência da mancha-alvo nesses últimos anos, ela tem essa predominância em anos mais chuvosos, anos em que a cultura está mais fechada, que a gente não conseguiu fazer tão bem o regulador na cultura do algodão, a gente vê a mancha-alvo aí como protagonista. [Mas,] ainda assim a ramulária tem ocorrido, mesmo que em menor intensidade, mas com uma capacidade de dano aí é muito grande também na cultura do algodão”.

Doenças elevam custo de produção

O cenário em torno da crescente presença da ramulária e da mancha-alvo nas lavouras a cada safra tem colocado todo o setor produtivo não só de Mato Grosso em alerta, mas como de todo o país.

O diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Márcio Portocarrero, relata que o aumento da presença das duas doenças foliares têm levado o produtor a aumentar de “34% até 40% a participação desse problema no custo de produção. E isso representa uma perda de entorno de R$ 4 bilhões em cada safra”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Márcio Portocarrero frisa que tanto o produtor de algodão quanto o de soja não estão sozinhos diante das dificuldades com as duas doenças. Ele ressalta que “a ciência está a serviço da busca dessa solução”.

“Nós temos um sistema regulatório que envolve Ibama, Anvisa e Mapa, ultrapassado. Apesar de ter uma lei que foi aprovada o ano passado, ela ainda está em discussão, não está totalmente implementada, porque não foi regulamentada e isso dificulta”.

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O diretor executivo da Abrapa pontua que uma molécula nova no Brasil leva 10 anos para entrar, enquanto que a mesma já está em uso na Argentina, no Paraguai e no restante do mundo.

“Não chegou aqui, porque não foi registrada. E com isso, somos obrigados a usar continuamente, praticamente, os mesmos produtos e isso possibilita que o fungo, tanto da mancha-alvo quanto da ramulária, adquira resistência e fortaleça”.

A necessidade de uma rotação de ingrediente ativo é uma das orientações dadas pela entidade, em uma tentativa de diminuir as chances de resistência, apesar de ser difícil diante da demora de liberação de novas moléculas.

“Procurar não aplicar mais de duas vezes o mesmo produto na mesma safra. Só que isso é praticamente impossível. Então, nós estamos numa linha de risco muito grande devido ao atraso e a dificuldade com a legislação brasileira em atrair para o Brasil e trazer investimentos ou moléculas novas que possam ser melhores para o meio ambiente, para a saúde em geral e mais eficientes, talvez até com menor custo propiciando menos perda na lavoura que já representa ganho”, diz Márcio Portocarrero.


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Nova geração de cana-de-açúcar do CTC é aprovada pela CTNBio

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Foto: Governo do Estado de São Paulo

A nova geração de cana-de-açúcar geneticamente modificada desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a VerdPRO2, foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A tecnologia foi desenvolvida para enfrentar a broca-da-cana e o manejo de plantas daninhas. A broca, presente em quase todos os canaviais do país, provoca perdas estimadas em cerca de R$ 8 bilhões por ano, afetando produtividade, peso da cana e teor de açúcar.

Já o controle de plantas daninhas demanda mais de R$ 6 bilhões anuais em herbicidas e operações agrícolas. Nesse aspecto, a VerdPRO2 promete simplificar o manejo de invasoras, como grama-seda, capim colonião, capim colchão e braquiária.

Segundo o CTC, a variedade reduz riscos de fitotoxicidade, oferece maior estabilidade ao longo do ciclo da cultura e contará com mais de 14 produtos.

Chegada ao mercado

Após a conclusão dos trâmites legais, a previsão de chegada da nova geração ao mercado é na safra 2026/27. “A introdução da tecnologia será realizada em proximidade com os clientes, com o intuito de demonstrar seus benefícios e valor no canavial”, informa o CTC.

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De acordo com o Centro, essa etapa combina a experimentação com acompanhamento técnico próximo, capturando as necessidades de manejo dos clientes e gerando dados em condições reais de cultivo sobre os benefícios da tecnologia.

A primeira geração da variedade foi lançada pela companhia em 2017 e a atual é considerada fundamental para impulsionar a estratégia do CTC em desenvolver soluções capazes de dobrar a produtividade da cana-de-açúcar até 2040.

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Safra de morango avança no Rio Grande do Sul com boa sanidade, diz Emater

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Foto: Freepik

A cultura do morango apresenta bom desenvolvimento no Rio Grande do Sul, com produção em andamento nas principais regiões produtoras. Segundo o Informativo Conjuntural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), divulgado nesta quinta-feira (7), a predominância de dias ensolarados favoreceu a sanidade das lavouras.

A baixa temperatura e a geada observada no dia 28 de abril não causaram prejuízos à emissão de flores, ao pegamento nem ao amadurecimento dos frutos.

Na região administrativa de Caxias do Sul, a colheita ainda ocorre em pequeno volume e se concentra em lavouras de um ano. Também começaram a ser retirados os primeiros frutos de plantas inseridas em fevereiro e março, oriundas da Espanha. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a menor oferta nesta época está relacionada à genética das plantas e ao período de renovação nos ambientes de cultivo.

Em Pelotas, os produtores estão na fase de implantação das primeiras mudas recebidas, que apresentam desenvolvimento considerado adequado. Além disso, seguem os trabalhos de limpeza de mudas de anos anteriores, reformas de estufas e preparação de novas estruturas. Em Santa Maria, o preparo de canteiros avança tanto para cultivo a campo quanto em bancada, com uso de mudas adquiridas no comércio local e também importadas do Chile.

Na região de Santa Rosa, a cultura está em fase de transplantio de mudas novas, em sua maioria importadas da Patagônia argentina e da Espanha. As plantas remanescentes da safra anterior têm baixa produtividade. Já em Soledade, chuvas e alta nebulosidade prejudicaram o crescimento de mudas recém-transplantadas e de plantas de segunda safra em fase vegetativa e reprodutiva.

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O quadro indica que o desempenho da cultura varia conforme as condições regionais de luminosidade e umidade. Onde o tempo firme predominou, houve melhor sanidade e evolução do pomar. Nas áreas com excesso de nebulosidade e chuva, o desenvolvimento ficou mais lento, o que pode influenciar o ritmo de formação das novas áreas.

A tendência de curto prazo, conforme o boletim técnico da Emater/RS-Ascar, é de continuidade da implantação e renovação das lavouras nas principais regiões produtoras. Não há, no informativo, dados de área total cultivada ou de volume estadual de produção para o morango nesta atualização.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Setor de biodiesel diz estar pronto para ampliar mistura e gerar mais empregos

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Imagem gerada por inteligência artificial

Diante da crise internacional envolvendo combustíveis fósseis e da pressão sobre os preços da energia, o setor de biocombustíveis vê uma oportunidade para ampliar a participação do biodiesel e do etanol na matriz energética brasileira. A avaliação é de Donizete Tokarski, diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), em entrevista ao programa Rural Notícias.

Segundo Tokarski, o setor brasileiro está preparado para atender ao aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. Atualmente, o percentual é de 15%, com previsão de avanço para 16% e meta de chegar a 20% até 2030.

“O setor está mais do que preparado. Hoje temos capacidade para produzir mais de 16 bilhões de litros de biodiesel por ano”, afirmou.

Durante a entrevista, Tokarski relacionou o cenário geopolítico internacional à importância dos combustíveis renováveis. “O biodiesel vem da terra e não da guerra”, disse, ao comentar os impactos dos conflitos internacionais sobre o petróleo e os combustíveis fósseis.

O dirigente ressaltou, no entanto, que o avanço dos biocombustíveis não deve ser tratado apenas como uma resposta momentânea à crise global, mas como uma política permanente para o país.

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Industrialização da soja

Tokarski também defendeu maior industrialização da soja dentro do Brasil. Segundo ele, o país exporta atualmente mais de 100 milhões de toneladas de soja em grão, enquanto poderia ampliar o processamento interno para gerar mais farelo, biodiesel e proteína animal.

“Nós temos que esmagar mais soja aqui no Brasil, aumentar a produção de farelo e, consequentemente, ampliar a produção de carne, que é um produto de maior valor agregado”, afirmou.

De acordo com o diretor da Ubrabio, atualmente existem cerca de 60 indústrias de biodiesel com capacidade ociosa no país, ao mesmo tempo em que o Brasil segue importando diesel fóssil.

“O importante é não importar combustível. Nós produzimos esse combustível aqui, gerando emprego, renda e desenvolvimento no interior do país”, destacou.

Impacto econômico e ambiental

Além do potencial econômico, Tokarski destacou os benefícios ambientais dos biocombustíveis. Segundo ele, o biodiesel contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa e melhora a qualidade do ar.

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Durante a entrevista, ele também citou um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) que projeta impacto de R$ 403 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2030 com o avanço dos biocombustíveis previsto na Lei do Combustível do Futuro.

A legislação estabelece metas de ampliação da participação do biodiesel, etanol, diesel verde e bioquerosene na matriz energética nacional.

“O mundo exige mais alimentos e mais energia. O Brasil está pronto para fornecer energia de baixa emissão de carbono e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, concluiu Tokarski.

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