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13 de agosto de 2026

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Chuvas atrasam soja e podem reduzir a área de milho em até 20% no extremo norte de MT

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O excesso de chuvas e o consequente atraso na colheita da soja estão pressionando os produtores de milho segunda safra no extremo norte de Mato Grosso. Com atrasos de até dez dias na janela considerada ideal para o plantio, agricultores da região já estimam uma redução de até 20% na área destinada ao cereal.

Em municípios como Peixoto de Azevedo e Matupá, o volume de precipitações está muito acima da média, deixando o solo encharcado e dificultando a logística interna das propriedades. Para muitos, a colheita virou uma corrida contra o tempo para tentar salvar a soja, que em muitos talhões já passou do ponto ideal.

A situação com o solo compromete a movimentação das máquinas e transforma cada decisão no campo em uma tentativa de reduzir prejuízos severos. É o caso do agricultor Richelli Bruno Galiassi Cotrim, que relata que, dos 8 mil hectares cultivados nesta safra, cerca de 1,5 mil enfrentam problemas críticos.

“Trezentos [hectares] estão avariados. Vou tentar colher e antecipar os outros para não estragar mais. Não é chuva de 10 ou 15 milímetros; são 100, 150, 180 milímetros em uma única chuva. Alaga roda, derruba ponte e bueiro”, afirma o produtor ao projeto Mais Milho.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Incerteza climática e mudança no planejamento do milho

A realidade de estradas precárias e frete em alta dificulta o fechamento das contas. O produtor Nelson Lorena Néia Júnior conseguiu colher 2,3 mil de seus 3,7 mil hectares, mas já contabiliza prejuízos diretos na margem de lucro. Ele estima perdas entre 8 e 10 sacas por hectare devido ao excesso de umidade.

O investimento inicial para colher entre 75 e 80 sacas por hectare não se concretizou. Nelson explica ao Canal Rural Mato Grosso que o custo elevado do milho não permite riscos: “O lucro já foi. Está difícil fechar a conta com o preço atual da soja. A gente tinha um projeto de plantar 3 mil hectares de milho, mas vamos reduzir para 2,6 mil”.

Segundo ele, o acúmulo de água impede o desenvolvimento das raízes. “Forma uma lâmina d’água sobre o solo e a adubação acaba prejudicando a raiz porque o milho não absorve, ele fica debaixo d’água e não vai para frente”, pontua o agricultor, que vê o cronograma de plantio atrasado em uma semana.

Em Marcelândia, a crise produtiva levou o município a decretar situação de emergência. O Sindicato Rural local aponta que cerca de 35% dos 200 mil hectares de soja ainda não foram colhidos. A expectativa é que o acumulado de chuvas chegue a 3 mil milímetros, marca muito superior à média histórica que varia entre 1,8 mil e 2 mil milímetros.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Impactos na integração lavoura-pecuária e custos de produção

Marcelo Cordeiro, presidente do Sindicato Rural de Marcelândia, estima uma queda de pelo menos 10% na produtividade da soja. Além do clima, a escassez de crédito agrícola e entraves burocráticos surgem como obstáculos. Sem o aporte necessário, o agricultor fica sem margem para novos investimentos.

“O produtor não deixa de trabalhar, ele quer ampliar a produção, mas essas dificuldades tornam a atividade quase impraticável. Vamos colocar em torno de 20% a menos de área de milho este ano”, projeta Cordeiro. Ele ressalta que muitos produtores estão no limite para honrar seus compromissos.

Mesmo quem concluiu a colheita da soja, como Alexandre Falchetti, optou pela cautela no cereal. Após finalizar seus 1.035 hectares, ele iniciou o milho com dez dias de atraso e também reduziu a área em 20%. Para ele, plantar após o dia 25 de fevereiro aumenta drasticamente o risco de baixa produção.

Essa redução na oferta de milho deve gerar um efeito cascata na pecuária regional, avalia o presidente do Sindicato Rural do município. Como Marcelândia reduziu áreas de pastagem, o rebanho depende de suplementação no cocho. Sem milho barato e de qualidade, o custo do trato animal dispara, afetando a rentabilidade de quem utiliza a integração para manter o gado.

“O milho e a soja são essenciais. Quando há redução na oferta, o valor sobe e nem sempre o produto vem com qualidade. Essa integração é de alta importância para todas as cadeias produtivas”, conclui Marcelo Cordeiro.

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SLC Agrícola registra receita recorde de R$ 2,2 bilhões e amplia lucro líquido em 75%

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Foto: Divulgação/SLC Agrícola

A SLC Agrícola divulgou nesta quarta-feira (12) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026. A companhia encerrou o período com receita líquida recorde de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 16,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido também avançou, com expressiva alta de 75,3% sobre o segundo trimestre de 2025, para R$ 245,1 milhões.

A perspectiva positiva também alcança o desempenho das lavouras. A safra de soja foi encerrada com produtividade recorde, enquanto o algodão caminha para o que pode ser a melhor safra da história da companhia em termos de produtividade.

O resultado bruto da SLC Agrícola somou R$ 941,2 milhões, avanço de 43,5% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações de algodão e soja, culturas que representam importantes vetores de geração de valor para a empresa.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre e totalizou R$ 580,6 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 4,3% e margem de 26,7%. Os indicadores refletiram o acréscimo de R$ 111,3 milhões no resultado bruto das culturas.

No trimestre, a companhia faturou 806,1 mil toneladas de produtos agrícolas, volume recorde para o período e 14,4% superior ao registrado entre abril e junho de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento dos volumes faturados de algodão, soja, milho e rebanho bovino, além de preços mais favoráveis em algumas dessas atividades.

“Os números do trimestre refletem um trabalho que começa muito antes da colheita. O planejamento das culturas, o cuidado diário nas fazendas, a gestão comercial e a disciplina na alocação de capital permitiram ampliar a operação e entregar resultados consistentes. Crescemos em escala, mas seguimos atentos à eficiência e à qualidade da execução”, destaca o diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.

Recorde de produtividade

A soja ocupou 424,6 mil hectares, equivalentes a 51% de toda a área plantada pela companhia na safra 2025/26. A colheita foi concluída com produtividade recorde de 4.146 quilos por hectare, resultado 4,7% superior ao ciclo anterior e 2,7% acima do projeto inicialmente. O rendimento também ficou 11,7% acima da média nacional indicada pela Conab em julho deste ano.

No segundo trimestre, a soja apresentou resultado bruto de R$ 301,3 milhões, com resultado unitário de R$ 530 por tonelada.

No algodão, cultivado em 191,3 mil hectares, os resultados registrados até o momento reforçam a expectativa de uma das melhores safras da história da SLC Agrícola em produtividade.

Para a primeira safra, a companhia projeta 2.220 quilos de pluma por hectare, rendimento 20,6% superior ao ciclo anterior e 7,5% acima do projeto inicial. Na segunda safra, a estimativa é de 2.072 quilos de pluma por hectare, produtividade 4,5% superior ao planejado.

Maior volume comercializado

No segundo trimestre, a SLC Agrícola faturou 93,1 mil toneladas de algodão em pluma, aumento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na soja, o volume chegou a 568,3 mil toneladas, alta de 9,8%.

O volume faturado de milho alcançou 103,5 mil toneladas, uma variação de 69,5%. Na pecuária, foram comercializadas 12,8 mil cabeças, crescimento de 52,3%.

Além da soja e do algodão, o milho registrou aumento expressivo tanto em volume quanto em receita. A receita líquida da cultura avançou 56,6%, para R$ 77,7 milhões, enquanto o resultado bruto cresceu 5,7%.

Na pecuária, a receita líquida atingiu R$ 93,5 milhões, alta de 74,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado bruto totalizou R$ 15,7 milhões, avanço de 82,4%. Por cabeça, o resultado ficou em R$ 1.225, valor 19,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Com a colheita da safra 2025/26 avançando para a reta final, a SLC Agrícola já concluiu 100% da colheita da soja, 90,6% do milho segunda safra e 61,2% do algodão.

Em relação ao custeio, a maior parte das despesas referentes à safra 2025/26 já foi paga. Ao mesmo tempo, 100% da produção de algodão e 99% da produção de milho ainda serão faturados e entregues. Segundo a companhia, esses volumes devem contribuir para a redução da alavancagem ao longo do segundo semestre.

Investimentos em irrigação

No segundo trimestre, a SLC Agrícola destinou R$ 81,7 milhões a projetos de irrigação. No acumulado do primeiro semestre de 2026, os investimentos chegaram a R$ 155 milhões.

A Fazenda Piratini concentrou a maior parte dos desembolsos, direcionados principalmente à implantação de estruturas de pivôs, à perfuração de poços e reservatórios, além da execução de obras de infraestrutura elétrica e hidráulica.

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Profert ajudará Brasil a combater o protecionismo dos concorrentes, diz Tirso Meirelles

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Foto: Reprodução

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) o Projeto de Lei 699/23, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e libera, em cinco anos, até R$ 10 bilhões em subsídios para novas plantas de fábricas de fertilizantes ou expansão e modernização das atuais.

O benefício será concedido por meio de créditos fiscais de tributos federais e foi comemorado por grande parte das entidades do agronegócio. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a iniciativa ajudará o Brasil a reduzir a dependência de insumos importados. Cálculos do setor mostram que cerca de 85% do adubo utilizado nas lavouras brasileiras vem de fora.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, caberá ao Poder Executivo definir quais iniciativas serão selecionadas para receber os benefícios fiscais do Profert. O montante anual total será limitado a R$ 2 bilhões, que poderão passar para o ano seguinte quando não forem utilizados no ano anterior. O período de implementação do programa será de 2027 a 2031.

Meirelles acredita que a iniciativa será fundamental para que o Brasil possa ampliar e diversificar mercados. “O mundo hoje joga US$ 1,5 bilhão contra a agricultura brasileira porque usam subsídios para que os produtores de seus países possam produzir porque não têm como concorrer com o Brasil, um país que tem três safras na mesma área por ano, então impõem subsídios contra nós. No nosso caso, temos de ter nossos fertilizantes, criando as condições efetivas de produzi-los e termos a segurança desses produtos para que possamos ter segurança alimentar”, ressalta.

O presidente da Faesp ainda criticou o fato de um programa de fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes ter demorado tanto para ser aprovado. “Infelizmente não temos um governo que pense o Brasil para [os próximos] 20 ou 30 anos. A própria China está fazendo um programa agrícola de 30 anos”, compara.

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USDA eleva produção de soja dos EUA e ajusta projeções para o Brasil; analista comenta

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Foto: Agência Brasil

O novo relatório do USDA foi divulgado nesta quarta-feira (21). Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o documento trouxe mudanças importantes nas principais projeções para o mercado de soja.

No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para a safra 2025/26, passando de 180 milhões para 180,5 milhões de toneladas. A estimativa ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, o destaque foi o aumento da produção. O USDA projetou uma safra de 123 milhões de toneladas em agosto, acima dos 121,8 milhões de toneladas estimados em julho e também da expectativa média do mercado, de 121,6 milhões de toneladas.

Para Silveira, o aumento está relacionado principalmente à expansão da área plantada. Apesar de o USDA ter reduzido a produtividade americana de 53 para 52,7 bushels por acre, o aumento da área mais do que compensou a revisão e elevou o potencial produtivo da safra.

O cenário também teve reflexos nos estoques. Para a safra 2025/26, os estoques americanos foram projetados em 8,84 milhões de toneladas, próximos da expectativa do mercado, de 8,8 milhões, e abaixo dos quase 9 milhões de toneladas previstos em julho.

Para 2026/27, o USDA estimou estoques americanos em 8,7 milhões de toneladas, acima da média esperada pelo mercado, de 8,2 milhões, e dos 8,44 milhões de toneladas projetados no relatório anterior.

Na avaliação do analista, porém, a demanda americana ainda pode ser revisada nos próximos relatórios. Segundo Silveira, as exportações da safra velha já indicavam a necessidade de um ajuste para cima, enquanto o esmagamento interno segue sustentado pela forte demanda por óleo de soja.

Além disso, as vendas da nova safra americana vêm ganhando velocidade, com a China entre os principais compradores. Esse avanço da demanda pode pressionar os estoques para baixo nos próximos meses.

No cenário global, os estoques de soja foram projetados em 125,1 milhões de toneladas para 2025/26, abaixo da expectativa média do mercado, de 125,6 milhões, e dos 125,3 milhões de toneladas de julho. Para 2026/27, a estimativa ficou em 124,2 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mês anterior.

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