Agro Mato Grosso
Aplicação única de nitrogênio eleva emissões de amônia

Estudo de campo revela que a prática mais comum entre agricultores aumenta perdas de nitrogênio
A aplicação de nitrogênio em uma única etapa pode reduzir a produtividade do milho e intensificar impactos ambientais. É o que indica a conclusão de estudo de campo conduzido na China entre 2021 e 2022. Conforme os dados dos cientistas, a aplicação única estratégia eleva as emissões de amônia (NH3) no solo e na copa das plantas, além de reduzir a eficiência do uso do fertilizante.
A pesquisa comparou três tratamentos: sem fertilizante (controle), aplicação única de nitrogênio e aplicação fracionada (dividida entre plantio e cobertura). O experimento durou dois anos e utilizou sensores portáteis para medir emissões de NH3 no solo e nas folhas do milho.
A fonte das emissões
As emissões de NH3 originam-se de duas fontes: o solo e a copa da planta. O estudo mostrou que o solo responde por até 83% das perdas, enquanto a copa contribui com até 22%.
A aplicação única de nitrogênio aumentou as emissões totais entre 4,7% e 7,3% em relação à aplicação fracionada. Na copa, a diferença foi ainda maior: de 6,7% a 14,3%.
As causas estão ligadas ao excesso de nitrogênio disponível após a adubação inicial. A concentração de amônio (NH4) no solo e na seiva das folhas foi maior nesse tratamento.

O solo também apresentou menor umidade, o que favorece a liberação de amônia. Nas plantas, folhas maiores e com mais amônio na seiva aumentaram a emissão pela copa.
Impactos na produtividade
A perda de nitrogênio por volatilização reduz o aproveitamento do nutriente pela planta. Como consequência, a aplicação única gerou menor absorção de nitrogênio e produtividade reduzida. O rendimento dos grãos caiu entre 3,6% e 6,2% em relação à aplicação fracionada.
Além disso, a eficiência de recuperação do fertilizante caiu de 10,2% a 13,9%. Em termos de impacto ambiental, as emissões de NH3 por tonelada de milho colhida foram até 11,7% maiores na aplicação única.
Emissões ao longo do ciclo
As emissões do solo atingiram o pico logo após a adubação, quando o milho ainda apresentava baixa demanda por nitrogênio. Já as emissões da copa se intensificaram durante as fases de maior desenvolvimento foliar, entre julho e setembro.
As folhas superiores e intermediárias contribuíram mais para as perdas, especialmente durante os estágios vegetativo e reprodutivo. No final do ciclo, as emissões caíram devido à redução da área foliar e da concentração de NH4 nas folhas.
Relações entre solo, planta e emissão
As análises estatísticas mostraram que a concentração de NH4 no solo e a baixa umidade explicam a maior emissão de amônia. No dossel, o aumento da área foliar e da concentração de amônio na seiva ampliou a perda por volatilização. A temperatura e a umidade da superfície das folhas também influenciaram, mas com menor impacto.
Os dados indicam que as plantas com maior emissão de amônia apresentaram menor absorção de nitrogênio e menor produtividade. Isso confirma que parte do nutriente aplicado se perdeu para a atmosfera em vez de ser assimilado.
Alternativas de manejo
A substituição da aplicação única pela fracionada pode mitigar essas perdas. Ao dividir a dose de nitrogênio entre o plantio e o período de maior demanda da planta, é possível equilibrar a oferta de nutrientes com a necessidade fisiológica do milho. Essa estratégia reduz a concentração de NH4 no solo e na planta, além de manter maior umidade no solo.
A aplicação fracionada também favorece o aproveitamento do fertilizante, reduzindo as emissões de amônia por unidade de grão produzido e aumentando a eficiência agronômica.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.apr.2025.102729
Agro Mato Grosso
MT tem segundo início de safra mais seco em 27 anos e acende alerta para produção de soja

Chuvas ficaram 33% abaixo da média histórica entre setembro e outubro. Entidade alerta que lavouras já sentem os efeitos da falta de umidade, apesar do avanço do plantio.
Mato Grosso enfrenta o segundo início de safra mais seco dos últimos 27 anos, e a falta de chuva já preocupa produtores de soja. Entre 1º de setembro e 27 de outubro, o estado registrou 186 milímetros de precipitação, volume 33% menor que a média histórica para o período, de acordo com um levantamento da EnsoAg/SmartCampo, feito com dados da NASA e divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).
O cenário coloca em dúvida as projeções mais otimistas para a safra 2026/2027. Mesmo com o plantio avançando, produtores relatam lavouras afetadas pela baixa umidade do solo, principalmente em regiões do Oeste e Médio-Norte do estado.
A situação é mais preocupante na região dos Parecis. Em Campos de Júlio, por exemplo, foram registrados apenas 89 milímetros de chuva nos 30 dias analisados, quantidade 56% abaixo do esperado. Brasnorte, Comodoro e Sapezal também tiveram volumes bem inferiores à média histórica.
O levantamento aponta ainda que 22 dos 23 municípios avaliados tiveram menos chuva que o esperado. Em 66% do território mato-grossense, o volume de precipitação ficou pelo menos 25% abaixo do padrão histórico.
Além da pouca chuva, as temperaturas elevadas e a distribuição irregular das precipitações aumentam o risco de prejuízos ao desenvolvimento das plantas.
Segundo o presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, algumas lavouras semeadas mais cedo já chegaram à fase reprodutiva e começam a sentir os efeitos da falta de água. Ele alerta que o avanço do plantio não significa que a produção esteja garantida.
As chuvas registradas entre 28 de outubro e 1º de novembro trouxeram um pouco de alívio, mas ainda ficaram 22% abaixo da média esperada para o período. A entidade também aponta possíveis dificuldades no controle de plantas daninhas e pragas, o que pode exigir mudanças no manejo e aumentar os custos de produção.
Apesar das preocupações, ainda não é possível calcular eventuais perdas na safra. A avaliação é de que as estimativas de uma produção elevada precisam ser confirmadas conforme o desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas.
Agro Mato Grosso
Novas espécies de cogumelos raros são descobertas em Mato Grosso

Quatro novas espécies de cogumelos foram achadas na região de Alta Floresta e Novo Mundo, em Mato Grosso, por uma pesquisadora alemã em parceria com uma brasileira.
A Amazônia é reconhecida pela imensa variedade de espécies que abriga, mas ainda guarda muitas formas de vida desconhecidas pela ciência. Entre elas, estão quatro novas espécies de cogumelos identificadas nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, em Mato Grosso. A identificação foi realizada em um estudo liderado pela pesquisadora Juli Simon Cardoso, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
🔍A descoberta foi publicada em um artigo científico na revista Phytotaxa, que apresenta os estudos realizados para identificar as quatro novas espécies de cogumelos do gênero Hygrocybe. Os fungos foram coletados em trilhas da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino, no norte de Mato Grosso, na região da Amazônia meridional.
O estudo faz parte do Projeto Fungos do Cristalino, uma parceria entre a Fundação Ecológica Cristalino (FEC), o Laboratório de Micologia da UFSC.
🧐🔍O começo da descoberta
Segundo Juli, a descoberta começou na própria Amazônia, quando a parataxonomista alemã Susanne Sourell, especialista na identificação de espécies em campo, visitava a região e publicava fotos de diferentes cogumelos nas redes sociais. A partir dessas publicações, ela entrou em contato com Juli, que é especialista no gênero. As duas passaram a conversar sobre as características dos exemplares.
“Todo mundo dizia: ‘nunca vi, espécie nova’. Ela descobriu que eu trabalhava com Hygrocybe e começou a conversar comigo”, contou.
A partir da suspeita de que poderiam ser espécies desconhecidas, os pesquisadores do Projeto Fungos do Cristalino realizaram duas etapas de identificação. A primeira foi a descrição morfológica, que consiste em medir e detalhar as características do cogumelo, incluindo suas estruturas microscópicas. Em seguida, foi feita a análise do DNA, para comparar o material genético dos exemplares com o de espécies semelhantes.
“A gente pega um pedacinho do DNA do fungo e compara com o de fungos parecidos. Se o resultado for muito parecido, é a mesma espécie. Se não, pode ser uma espécie diferente”, explicou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/g/c/KOQT8GQ2iSlfXe0Lhezw/design-sem-nome-2-.png)
Além das espécies em tons esverdeados, outros dois cogumelos dos Hygrocybe vinaceosquamulosa e Hygrocybe pegleri foram identificados. — Foto: Susanne Sourell
Duas das quatro espécies foram encontradas apenas nas áreas onde foram descobertas, o que indica uma distribuição geográfica bastante restrita. Essa característica, de acordo com a bióloga, reforça a importância da conservação das Reservas Cristalino e dos ambientes naturais da Amazônia meridional.
“Pesquisei em muitos lugares e nunca vi tanto cogumelo quanto lá”, disse.
🍄🌱 A importância dos fungos
Os fungos pertencem ao Reino Fungi, um grupo de organismos com características próprias, diferentes das plantas e dos animais. Apesar de sua importância para a natureza, ainda são pouco conhecidos pela ciência. Estima-se que apenas cerca de 5% das espécies de fungos existentes no planeta tenham sido identificadas e descritas.
Esses organismos desempenham funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Eles decompõem folhas, galhos e outros restos orgânicos, devolvendo nutrientes ao solo. Também ajudam as plantas a absorver água e minerais, contribuem para o armazenamento de carbono no solo e servem de alimento para diferentes organismos.
Conheça os quatro novos cogumelos descobertos
| Espécie | Como identificar | Onde e quando foi localizada |
| Hygrocybe cristalinoensis | É totalmente verde, do chapéu ao pé, com bordas brancas e franjas. | Trilha do Francisco, em 2019. |
| Hygrocybe viridilacerata | Também é verde, mas o chapéu se abre e fica rasgado, formando uma estrela. | Trilha do Francisco, em 2018. |
| Hygrocybe pegleri | Tem o maior pé entre as quatro espécies, com mais de 10 centímetros, e chapéu com escamas marrons. | Trilha da Castanheira, em 2019. |
| Hygrocybe vinaceosquamulosa | Tem o chapéu coberto de pequenas escamas, com tons que variam entre rosa e roxo. | Trilha da Castanheira, em 2019. |
*Sob supervisão de Kessillen Lopes.
Agro Mato Grosso
MT intensifica combate ao bicudo na reta final da safra de algodão

Com o beneficiamento do algodão entrando na reta final em Mato Grosso, a atenção do setor produtivo se volta para o controle do bicudo-do-algodoeiro. Na última semana de outubro, a incidência da praga aumentou na maioria das regiões do estado, segundo levantamento do IMAmt, braço técnico da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), em parceria com o Imea.
O cenário levou a Ampa a reforçar o alerta aos agricultores sobre a necessidade de manter as medidas de combate ao inseto mesmo durante o desenvolvimento da soja. As tigueras, plantas voluntárias de algodão que nascem entre as lavouras de grãos, servem de abrigo e alimento para o bicudo. Por isso, a recomendação é eliminar esses focos imediatamente, manter as armadilhas ativas e recorrer à aplicação de inseticidas quando necessário.
Nas unidades de beneficiamento, os trabalhos também se aproximam da conclusão. A maior parte das algodoeiras já processou entre 65% e 80% da produção, enquanto algumas instalações da região Centro-Leste atingiram 97% do volume previsto.
Plantio da soja chega a 89%
Paralelamente aos cuidados fitossanitários, Mato Grosso se aproxima da conclusão da semeadura da soja 2026/27. Até 30 de outubro, a operação havia alcançado 89,05% da área estimada, favorecida pelo retorno das chuvas em regiões que enfrentavam maior irregularidade climática, como o Noroeste do estado.
Com as lavouras apresentando bom desenvolvimento, o ritmo da semeadura contribui para o planejamento da próxima etapa do calendário agrícola. A conclusão dos trabalhos dentro do período adequado é importante para assegurar condições mais favoráveis ao cultivo do milho e do algodão de segunda safra no início do próximo ano.
O processamento da fibra, a proximidade do fim da semeadura e a vigilância contra o bicudo marcam a transição entre as etapas da produção agrícola em Mato Grosso. Nesse período, o cumprimento das recomendações fitossanitárias e a atenção aos prazos de cultivo são fundamentais para preservar o potencial produtivo da próxima temporada.
Agro Mato Grosso23 horas agoMT tem segundo início de safra mais seco em 27 anos e acende alerta para produção de soja
Sustentabilidade16 horas agoQualidade sustenta preços do trigo no RS, e chuvas intensas paralisam colheita no Sul – MAIS SOJA
Sustentabilidade22 horas agoFalta de chuva preocupa safra de soja em Mato Grosso – MAIS SOJA
Sustentabilidade18 horas agoYara aposta em fertilizantes de menor pegada de carbono para impulsionar a descarbonização da agricultura
Agro Mato Grosso23 horas agoNovas espécies de cogumelos raros são descobertas em Mato Grosso
Featured3 horas agoLula viaja às Filipinas para participar de cúpula e ampliar relações com países asiáticos — O Livre
Sustentabilidade23 horas agoMonitoramento da cigarrinha-do-milho: a importância do manejo nas lavouras – MAIS SOJA
Featured16 horas agoChegada do Papai Noel marca abertura da temporada de Natal em Cuiabá — O Livre

















