Connect with us
5 de agosto de 2026

Business

Com supersafras no Brasil e nos EUA, soja e milho devem iniciar ciclo de baixa

Published

on

A combinação de safras recordes nos Estados Unidos e no Brasil, somada a um real valorizado e a incertezas na demanda chinesa, dão sinais de um ciclo de baixa aos preços das commodities agrícolas, em especial soja e milho.

A afirmação é do consultor Agribusiness na FlowInvest Eduardo Anastácio Jr. Ele lembra que, no Brasil, a soja CIF Paranaguá segue em torno de R$ 140 por saca, praticamente no mesmo nível do ano passado. “Esse aparente equilíbrio, no entanto, esconde pressões estruturais”, adverte.

Isso porque o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em seu último relatório, projeta que a safra 2025/26 norte-americana da oleaginosa seja de 116,8 milhões de toneladas, ao passo que o ciclo do cereal deve atingir o recorde de 425 milhões de toneladas.

Demanda chinesa

O órgão aponta, ainda, que os estoques finais de milho devem alcançar 53,8 milhões de toneladas, o maior patamar em cinco anos. Assim, com a colheita norte-americana ganhando força nas próximas semanas, a demanda ganha papel de destaque.

Neste cenário, os holofotes se dirigem à China. “Tradicionalmente, cerca de três quartos da soja exportada no mundo têm como destino o país asiático. Em 2024, suas importações ficaram em 112 milhões de toneladas, e a projeção para 2025 é de 106,5 milhões de toneladas, segundo o USDA”, destaca Anastácio Jr.

A redução do apetite chinês se deve à diminuição de seu rebanho suíno e às tensões comerciais com Washington.

“Até o momento, Pequim concentrou suas compras no Brasil e na Argentina, deixando de adquirir volumes significativos dos Estados Unidos. Esse movimento tem ajudado a sustentar os preços locais, mas caso se prolongue, pode levar os Estados Unidos a acumular excedentes capazes de pressionar os contratos futuros na Bolsa de Chicago”, considera o consultor da FlowInvest.

De acordo com ele, o milho sofre menos influência direta da China, já que suas importações variam de quatro a 23 milhões de toneladas, dependendo da produção local. “Contudo, o impacto indireto de uma safra farta nos Estados Unidos e da falta de demanda chinesa pode intensificar a pressão global”, salienta.

Oferta brasileira

Em momentos de excesso de estoque, é comum um ajuste do lado da oferta, mas isso não tem ocorrido. Pelo menos no que se refere à soja: de acordo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 de soja deve alcançar 175 milhões de toneladas, frente às 169 milhões do ciclo anterior.

Anastácio Jr. lembra que o câmbio é outro fator de peso. “Como as commodities são precificadas em dólar, a conversão para o real impacta diretamente a rentabilidade do produtor. O real está na faixa de R$ 5,40, após se valorizar cerca de 12% em 2025, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro atraído por uma Selic em 15% ao ano. Essa valorização reduz o ganho dos exportadores, mesmo em um cenário de preços internacionais estáveis”, alerta.

De acordo com ele, a próxima janela de oportunidade para valorização pode vir do clima no Brasil, entre setembro e o final do ano.

“Eventos climáticos adversos poderiam reduzir a produção e sustentar as cotações. No entanto, se a safra se desenvolver sem grandes problemas, a tendência é de pressão contínua: a expansão da oferta neutraliza qualquer aumento de consumo estimulado por preços mais baixos.”

O consultor destaca que no cenário macroeconômico também não há sinais de mudança relevante. “O governo segue sem indicar cortes de gastos capazes de abrir espaço para uma queda mais acentuada nos juros, o que poderia levar a uma desvalorização do real”, pondera.

De modo geral, soja e milho enfrentam um cenário de abundância de produção, incerteza na demanda chinesa e moeda doméstica valorizada. Anastácio Jr. reforça que a única variável de curto prazo capaz de alterar essa equação é o clima. “Até lá, produtores e investidores devem se preparar para um mercado pressionado, sem muito espaço para valorização”, conclui.

Continue Reading

Business

Cecafé destaca rastreabilidade para atender exigências do mercado externo

Published

on


O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou nesta terça-feira (4), em São Paulo (SP), que a cafeicultura brasileira vem ampliando mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental para atender às exigências dos mercados internacionais. O tema foi apresentado no I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (DH&E Brasil 2026), realizado na Cinemateca Brasileira.

Segundo o Cecafé, a agenda de empresas e direitos humanos ganhou peso estratégico diante da pressão regulatória e da reconfiguração das cadeias produtivas globais. No evento, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o setor tem reforçado instrumentos de controle para responder a exigências como as do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Matos destacou que, em 2023, o Cecafé lançou a Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil. A ferramenta reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo para verificar aspectos como cumprimento do Código Florestal, regularidade fundiária, ausência de desmatamento e respeito às normas trabalhistas e de direitos humanos. De acordo com a entidade, o sistema permite rastrear o café até o polígono de produção da propriedade e gerar documentação auditável para comprovar a conformidade socioambiental dos embarques.

Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!

O diretor-geral também afirmou que o trabalho preventivo da entidade inclui capacitação, prevenção e diálogo com produtores e trabalhadores. Entre as iniciativas citadas estão o Programa Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com autoridades fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e a Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura. Segundo o Cecafé, o PTS capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos em boas práticas trabalhistas em 2026.

Na apresentação, Matos informou ainda que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura encontram condições de conformidade com padrões de proteção dos direitos humanos. Para os compradores internacionais, a orientação apresentada foi priorizar informações já disponíveis em bases oficiais brasileiras e evitar exigências duplicadas aos exportadores.

O Cecafé defendeu que o cruzamento de notas fiscais com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e inspeções trabalhistas, permite identificar a origem do café, o produtor responsável e consolidar evidências para processos de devida diligência na exportação.

Fonte: cecafe.com.br

O post Cecafé destaca rastreabilidade para atender exigências do mercado externo apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

MT se prepara para bater recorde de produtividade no algodão

Published

on

Mesmo com área 11% menor, Mato Grosso deve atingir produtividade recorde de 315 arrobas/ha de algodão na safra 2025/2026.

Continue Reading

Agro Mato Grosso

Sicredi lidera operações do MT Garante e avança para a linha de crédito aos associados

Published

on

Intercâmbio institucional realizado entre colaboradores do Sicredi, Desenvolve MT e da Sedec proporcionou realinhamento de processos para ampliar acesso à linha de crédito com fundo de aval do governo de Mato Grosso

O apoio aos pequenos e médios negócios faz parte da atuação do Sicredi. Por meio da oferta de crédito para diferentes finalidades, a instituição financeira cooperativa contribui para que empreendedores e produtores rurais possam iniciar projetos, manter suas atividades e planejar novos investimentos. Para quem empreende em Mato Grosso, contar com crédito no momento certo pode ser o ponto de partida para começar um negócio ou o impulsar o crescimento.
É esse recurso que permite montar a estrutura do empreendimento, adquirir máquinas e insumos, formar estoque, contratar pessoas, ampliar a produção e atender novos clientes. Uma das alternativas disponíveis aos empreendedores, produtores e associados do Sicredi são as linhas de crédito do MT Garante, um fundo de aval do Governo de Mato Grosso que garante até 80% do valor da operação de crédito em caso de inadimplência.
Entre as instituições financeiras credenciadas para operar os recursos, o Sicredi lidera, com 73% de todo o volume concedido. Desde 2022 foram liberados mais de R$ 366 milhões pelas cooperativas do Sicredi, em 4.216 operações realizadas em 116 municípios de Mato Grosso.
As operações alcançaram diferentes segmentos da economia mato-grossense. O comércio e os serviços concentram a maior participação, seguidos pela produção rural, indústria, transporte, alimentação e construção. Entre os municípios com os maiores volumes estão Cuiabá, Sorriso, Sinop, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Paranaíta, Alta Floresta, Marcelândia e Jaciara. Juntas, essas 10 cidades concentram R$ 207 milhões em crédito, distribuídos em 2.262 operações.
Samir Reis, gerente de Risco de Crédito do Sicredi, afirma que o alcance registrado é possível porque a garantia oferecida pelo fundo amplia as condições para a concessão dos recursos e porque o Sicredi está presente em 130 cidades, onde atua como um agente de fomento para o desenvolvimento local. “O objetivo do MT Garante, do qual somos parceiros do governo do Estado, é ampliar o acesso ao crédito para MEIs, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e produtores rurais. O fundo garante 80% da operação em caso de inadimplência, dando mais segurança aos parceiros para conceder o crédito. Isso permite que os recursos cheguem a associados que não têm garantias sólidas”.
Criado pelo Governo de Mato Grosso em 2021 e em funcionamento desde 2022, o MT Garante complementa a garantia necessária para a contratação do financiamento. Assim, o empreendedor ou produtor rural pode utilizar o fundo como parte da garantia da operação, após passar pela análise de crédito. A cobertura pode chegar a 80% do valor contratado.
Os recursos podem ser destinados à compra de máquinas, equipamentos e outros investimentos, ao capital de giro ou às despesas da produção rural. Podem utilizar o MT Garante microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e pequenos e médios produtores rurais.
Próximos passos da parceria
Os resultados alcançados desde que o Sicredi iniciou as operações com o MT Garante, em 2022, serviram de base para discutir os próximos passos da parceria. Na última sexta-feira (31), profissionais da instituição, da Desenvolve MT e da Sedec se reuniram na sede da Central Sicredi Centro Norte, em Cuiabá, para aproximar as equipes, alinhar procedimentos e avaliar melhorias que possam dar mais agilidade às operações e ampliar o acesso ao crédito no estado.
Segundo a secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec-MT, Linacis Roberta Pinho, o cooperativismo é fundamental para ampliar o alcance do MT Garante. Segundo ela, cerca de 90% das operações realizadas com o aval do programa passaram pelas cooperativas de crédito, e o Sicredi se destacou com a maior participação entre as instituições credenciadas. “O cooperativismo foi muito importante para o desenvolvimento do MT Garante. As cooperativas conseguiram interiorizar a linha de crédito e ampliar a adesão nos municípios. De forma particular, o Sicredi alcançou a maior participação nas operações, com cerca de 70%, e é um grande parceiro do Governo do Estado na democratização do crédito em Mato Grosso”, afirmou.
Para Cândido Rosa Junior, da área de Relações Institucionais do Sicredi, o encontro fortaleceu a parceria entre Sicredi e Sedec e abriu espaço para melhorias na concessão de crédito pelo MT Garante. “Agradecemos à Desenvolve MT e à Sedec pela abertura ao diálogo e pela construção conjunta. Manter esse contato próximo com os parceiros é fundamental para alinhar os procedimentos, tornar mais ágil a liberação dos recursos e ampliar o acesso ao crédito para os associados, empreendedores e produtores rurais do Estado”, afirmou.
Como contratar e limites 
Os associados do Sicredi interessados podem solicitar o crédito com a garantia do MT Garante diretamente nas agências. Em Mato Grosso, a instituição possui mais de 190 pontos físicos de atendimento. O recurso disponível varia conforme o porte do negócio. Para microempreendedores individuais (MEIs), o limite é de até R$ 70 mil; para microempresas, de até R$ 200 mil; e para empresas de pequeno porte, de até R$ 300 mil. Pequenos produtores rurais podem contratar até R$ 250 mil, enquanto médios produtores têm limite de até R$ 430 mil. Para a instalação de aviários, o valor pode chegar, excepcionalmente, a R$ 2 milhões.
Para contratar crédito com o Fundo de Aval é preciso estar enquadrado em um dos portes empresariais, passar pela análise de risco da instituição e pagar a Comissão de Concessão de Aval (CCA). Esta comissão é destinada à manutenção do próprio fundo e tem o objetivo de contribuir para o aumento de recursos e beneficiar o maior número de negócios ao longo do tempo.
Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT