Connect with us
5 de maio de 2026

Sustentabilidade

Eficiência de fungicidas para o controle doenças de final de ciclo da soja – MAIS SOJA

Published

on


Em meio a diversidade de pragas e patógenos que acometem a soja, um complexo de doenças é conhecido por expressar sintomas e ocasionar danos durante o período final do desenvolvimento da cultura. O complexo de doenças de final de ciclo da soja, popularmente conhecidas como DFC, inclui doenças como a Septoriose em soja (Septoria glycines), oídio (Microsphaera diffusa), mancha-olho-de-rã (Cercospora sojina),  crestamento foliar e mancha púrpura (Cercospora kikuchii), mancha-alvo (Corynespora cassiicola), antracnose (Colletotrichum truncatum) e a ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi), entre outras.

Figura 1. Principais DFCs da soja. A – Septoriose em soja (Septoria glycines), B – oídio (Microsphaera diffusa), C – mancha-olho-de-rã (Cercospora sojina), D – mancha-alvo (Corynespora cassiicola), E – antracnose (Colletotrichum truncatum) e F – ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi).
Fotos: A – Daren Mueller; C – Rafael Moreira Soares; D- Maurício Stefanelo

Embora a ferrugem-asiática seja uma das doenças mais devastadoras da soja e também considerada uma DFC por ocorrer em qualquer estádio do desenvolvimento da planta, outras DFC também possuem potencial em reduzir atributos quantitativos e qualitativos da soja, reduzindo o potencial produtivo da cultura.

A exemplo, tem-se o crestamento foliar de cercospora (figura 1), cujas as perdas de produtividade em decorrência da doença em soja variam entre 15% a 30%, podendo chegar a 50% caso as condições ambientais favoreçam o desenvolvimento da doença (Araujo Junior, 2021).

Figura 2. Sintomas avançados de crestamento foliar de cercospora (Cercospora kikuchii) em soja.
Fonte: Godoy et al., (2023)

Considerando o impacto das doenças de final de ciclo da soja, estratégias de manejo que permitam mitigar os efeitos das DFC devem ser adotadas a fim de minimizar as perdas de produtividade na cultura. Uma das principais e mais difundidas estratégias para isso é o controle químico com o emprego de fungicidas. No entanto, visando um manejo eficiente e um controle eficaz, posicionar os fungicidas de forma adequada, dando preferência para produtos de maior eficiência é fundamental para o sucesso no manejo das DFC.

Visando elucidar essa questão e auxiliar técnicos e produtores no posicionamento de fungicidas, ensaios para comparar da eficiência de fungicidas no controle das DFC vêm sendo conduzidos na rede de experimentos cooperativos desde a safra 2020/2021. Embora não constituam recomendações de manejo, os resultados obtidos nesses ensaios contribuem para um melhor posicionamento de fungicidas no manejo fitossanitário da soja, visando um controle eficiente das doenças e o manejo da resistência dos fungos aos fungicidas (Godoy et al., 2025).

Advertisement

No ensaio realizado na safra 2024/2025, foram instalados 19 experimentos por 18 instituições, contemplando os estados de Goiás, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Bahia e Tocantins. De acordo com Godoy et al. (2025), o protocolo utilizado nos experimentos consistiu no estabelecimento de aplicações sequenciais de fungicidas iniciando aos 35 dias após a emergência (35 DAE) e repetidas a cada 14-18 dias, sendo a última aplicação fixada em R5.3 – R5.4, para residual dos produtos até o final do ciclo.

Os fungicidas avaliados estão apresentados na tabela 1. Os tratamentos foram compostos por ingredientes ativos que pertencem aos grupos: inibidores da desmetilação – IDM (tebuconazol, difenoconazol e protioconazol), inibidores de quinona externa – IQe (metiltetraprole, metominostrobina, trifloxistrobina, azoxistrobina e picoxistrobina), inibidor da succinato desidrogenase – ISDH (impirfluxam), isoftalonitrila (clorotalonil), ditiocarbamato (mancozebe) e inorgânico (oxicloreto de cobre). Foram avaliados fungicidas com isoftalonitrila isolada (T2), ditiocarbamato isolado (T6), em misturas de isoftalonitrila + IDM (T3), isoftalonitrila + ISDH + IQe (T5), IQe + IDM sem (T7) e com ditiocarbamato em mistura em tanque (T8), IQe + IDM + ditiocarbamato (T9 e T10) e inorgânico + IDM + IQe (T11) (Godoy et al., 2025).

Tabela 1. Produto comercial (p.c.), ingrediente ativo (i.a.) e dose dos fungicidas nos tratamentos para controle das doenças de final de ciclo. Safra 2024/2025.
Fonte: Godoy et al. (2025)
Resultados

De acordo com os resultados obtidos nos ensaios realizados na safra 2024/2025 e apresentados por Godoy e colaboradores 2025, todos os tratamentos apresentaram severidade de DFC inferior à testemunha sem fungicida (Tabela 2). Entre os fungicidas multissítios isolados, o tratamento com clorotalonil (T2 – Previnil Max) apresentou menor severidade e maior porcentagem de controle (57%) quando comparado ao tratamento com mancozebe (T6 – Tróia, 48%). As menores severidades e maiores porcentagens de controle ocorreram nos tratamentos com fungicidas metiltetraprole + difenoconazol e mancozebe (T8 – 75% de controle) e metiltetraprole + difenoconazol (T7 – 75%), seguido de Curatis (T10 – 68%), do programa FRAC (T12 – 66%), Evolution (T9 – 66%) e Sugoy (T5 – 66%).

Tabela 2. Severidade das doenças de final de ciclo (SEV DFC), porcentagem de controle em relação ao tratamento testemunha (T1) (%C), fitotoxicidade dos fungicidas (FITO), produtividade (PROD) e porcentagem de redução de produtividade (%RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade. Safra 2024/2025.
Fonte: Godoy et al. (2025)

Com relação as repostas produtivas, Godoy et al. (2025) destacam que as maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com metiltetraprole + difenoconazol e mancozebe (T8 – 4.419 kg/ha), metiltetraprole + difenoconazol (T7 – 4.412 kg/ ha), com o Programa FRAC (T12 – 4.332 kg/ha), Curatis (T10 – 4.306 kg/ha), metominostrobina + tebuconazol + clorotalonil (T4 – 4.286 kg/ha), Evolution (T9 – 4.259 kg/ha), Nativo Plus/ Patriota (T11 – 4.244 kg/ha) e tebuconazol + clorotalonil (T3 – 4.225 kg/ha), resultando em uma redução da produtividade da testemunha (sem fungicidas) em comparação ao tratamento mais produtivo (T8) de 22%.

Confira a Circular Técnica completa com os resultados dos ensaios realizados na safra 2024/2025 para avaliar a eficiência de fungicidas no controle de doenças de final de ciclo da soja clicando aqui!

Referências:

ARAÚJO JÚNIOR, I. P. CONTROLE QUÍMICO DE MANCHAS FOLIARES EM DIFERENTES CULTIVARES DE SOJA. Universidade Federal de Uberlândia, Dissertação de Mestrado, 2021. Disponível em: < https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/33377/4/ControleQuimicoManchasSoja.pdf >, acesso em: 05/08/2025.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DAS DOENÇAS DE FINAL DE CICLO DA SOJA, NA SAFRA 2022/2023: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 193, 2023. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1154333/1/Cir-Tec-193.pdf >, acesso em: 05/08/2025.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DAS DOENÇAS DE FINAL DE CICLO DA SOJA, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 215, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1176900/1/Circ-Tec-215.pdf >, acesso em: 05/08/2025.

Advertisement

SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃ DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, ed. 6, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 05/08/2025.

Continue Reading
Advertisement

Sustentabilidade

Inspeções de soja para exportação nos EUA caem quase 30%, aponta USDA

Published

on


O volume de soja inspecionado para exportação nos Estados Unidos caiu 29,5% na semana encerrada em quarta-feira (30), totalizando 450.145 toneladas.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (5) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em relatório semanal de inspeção de embarques. No mesmo período, milho e trigo registraram aumento nas inspeções.

  • Receba no seu celular atualizações em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo: entre agora no Whatsapp do Canal Rural!

Segundo o USDA, o milho somou 2,03 milhões de toneladas inspecionadas para exportação, alta de 22,4% frente à semana anterior. Já o trigo alcançou 434.204 toneladas, avanço de 17,4% na mesma comparação.

O relatório indica, portanto, comportamento distinto entre os principais grãos embarcados pelos Estados Unidos no fechamento de abril. Enquanto milho e trigo ganharam ritmo semanal nos portos, a soja apresentou desaceleração nas inspeções, dado que serve como referência para o fluxo efetivo de exportações.

No acumulado do ano comercial, o milho mantém desempenho acima do registrado no ciclo anterior. As inspeções do cereal estão 30,5% superiores às observadas no mesmo período do ano passado. No caso do trigo, o avanço acumulado é de 12%.

Advertisement

A soja segue em direção oposta. De acordo com o USDA, o volume inspecionado no ano comercial está 23,5% abaixo do verificado em igual intervalo da temporada passada. Esse resultado mostra perda de ritmo nos embarques do grão norte-americano ao longo do ciclo atual.

O ano-safra considerado pelo USDA começa em 1º de junho de 2025 para o trigo e em 1º de setembro de 2025 para milho e soja. O relatório não detalha, neste recorte, os destinos das cargas nem os fatores específicos para a variação semanal por produto.

Os dados reforçam que o monitoramento semanal das inspeções segue relevante para medir a competitividade dos grãos dos Estados Unidos no mercado externo. Nas próximas divulgações, a atenção deve permanecer sobre a soja, diante do recuo semanal e da defasagem acumulada no ano comercial.

O post Inspeções de soja para exportação nos EUA caem quase 30%, aponta USDA apareceu primeiro em Canal Rural.

Advertisement
Continue Reading

Sustentabilidade

Chicago fecha com bons ganhos para soja, seguindo disparada do petróleo

Published

on

Os contratos futuros da soja fecharam em alta nesta segunda-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado atingiu o maior patamar em sete meses, acompanhando os fortes ganhos do petróleo, em meio ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz.

O mercado foi impulsionado ainda por sinais de aquecimento da demanda pelo produto americano. A quantidade de soja esmagada/processada para obtenção de óleo bruto no Estados Unidos foi de 6,82 milhões de toneladas (227 milhões de bushels) em março de 2026, em comparação com 6,43 milhões de toneladas (214 milhões de bushels) em fevereiro de 2026 e 6,20 milhões de toneladas (207 milhões de bushels) em março de 2025, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Além dos bons números de processamento, o mercado aguarda com expectativa renovada pelo encontro ainda em maio dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim. Os participantes esperam que as conversas redundem em um acordo comercial, que envolveria também compras chinesas de soja dos Estados Unidos.

Logo mais, o USDA atualizará seus dados sobre o avanço do plantio nos Estados Unidos. A expectativa é de bom progresso, reforçando o cenário fundamental baixista para a oleaginosa. Mas na sessão de hoje esse quadro foi deixado de lado.

Preços

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 19,50 centavos de dólar, ou 1,62%, a US$ 12,22 3/4 por bushel. A posição agosto teve cotação de US$ 12,16 por bushel, com elevação de 18,75 centavos de dólar ou 1,56%.

Advertisement

Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com alta de US$ 1,60 ou 0,50% a US$ 320,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 76,53 centavos de dólar, com ganho de 1,37 centavo ou 1,82%.

 

Continue Reading

Sustentabilidade

Imea mantém estimativa de área da safra 2025/26 de milho em Mato Grosso de 7,39 milhões de hectares

Published

on

De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária do mês de maio, a área de milho da safra 2025/26 em Mato Grosso seguiu projetada em 7,39 milhões de hectares. Assim, a estimativa de área de milho da atual temporada está 1,83% maior que a da safra passada. Para a produtividade, a projeção cresceu 1,82% em relação ao mês anterior, atingindo 118,73 sacas/hectare.

O melhor desempenho projetado está ligado às boas condições das lavouras, favorecidas pelas chuvas dos últimos três meses, que vêm beneficiando principalmente as áreas das regiões Médio-Norte, Noroeste e Oeste do estado. Na região Sudeste, ainda são necessários maiores volumes de chuva, especialmente nas áreas semeadas mais tardiamente, mantendo o cenário regional indefinido.

Nesse contexto, de acordo com dados da NOAA, a perspectiva indica baixos índices hídricos nas próximas semanas nessas áreas, que se encontram em estágios iniciais de desenvolvimento.

Por fim, diante da manutenção da área e do avanço na expectativa do rendimento obtido, a produção da safra 25/26 cresceu em Mato Grosso e ficou estimada em 52,66 milhões de toneladas.

Exportações

A exportação de milho da safra 2024/25 de milho de Mato Grosso foi projetada em 25,00 milhões de toneladas, avanço de 5,04% em relação à safra 2023/24. No entanto, na mesma revisão de maio/26, o Imea reduziu a estimativa em 3,85% frente ao relatório anterior, refletindo a menor expectativa para o ritmo de embarques entre abril e junho. Até o momento, o estado exportou 23,86 milhões de toneladas, restando cerca de 1,14 milhão de toneladas para o cumprimento da projeção. Isso é influenciado por fatores como a queda do dólar, menores preços do milho e questões externas, como o conflito no Irã, que impactam o volume escoado pelo Mato Grosso.

Advertisement

Para a safra 2025/26, a Imea estima exportações de 25,90 milhões de toneladas, volume 3,60% superior ao projetado para a temporada anterior. No mercado interno, o consumo da safra 2024/25 está estimado em 18,42 milhões de toneladas, alta de 12,90% em relação à safra anterior, motivado pela expansão da produção de etanol de milho e pela maior demanda da indústria de ração. Para a safra 2025/26 o consumo deve somar 20,11 milhões de toneladas, avanço de 9,18% frente à safra 2023/24.

As informações partem do Imea.

Autor/Fonte: Revisão: Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT