Sustentabilidade
Fixação Biológica de Nitrogênio reduz em 50% a emissão de óxido nitroso em lavoura de feijão no Cerrado – MAIS SOJA

Uma pesquisa da Embrapa aponta que a coinoculação, no caso a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio e outra produtora de ácido indol acético, hormônio ligado ao crescimento da planta, diminui em até 50% a emissão de óxido nitroso (N2O) por lavouras de feijão no Cerrado, em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), quando comparada à utilização de ureia, fertilizante sintético bastante usado como fonte de suprimento do elemento químico. O óxido nitroso é um gás formado pela perda do nitrogênio do solo para a atmosfera e contribui para o aquecimento global, pois sua capacidade de reter calor é maior que à do dióxido de carbono (CO2) e sua duração é superior à do metano (CH4).
A pesquisa foi realizada em uma área de 7,5 hectares da Fazenda Capivara, da Embrapa Arroz e Feijão, município de Santo Antônio de Goiás (GO), que está sob integração lavoura-pecuária há 20 anos. O manejo envolve o cultivo de capim braquiária ao longo de três anos consecutivos, com uso da forragem para alimentação de gado de corte durante o período de seca no Cerrado. Após o período de três anos, a forrageira é dessecada e ocorre o estabelecimento de culturas de grãos sobre a palhada de braquiária em plantio direto durante a safra de verão (outubro a março). Os cultivos anuais de grãos passam por rotação de culturas e permanecem também até três anos na mesma área até que seja iniciado um novo ciclo de pastagem com o plantio de forrageiras.
Nessas condições, o experimento da Embrapa avaliou o desempenho da variedade feijão carioca BRS FC104 com ureia e coinoculado em duas safras de verão, nos anos 2019/2020 e 2021/2022. A ureia (entre 200 e 280 quilos por hectare) foi aplicada de forma convencional em doses parceladas na semeadura e em cobertura.
Para a coinoculação, foi utilizada a mistura de três bactérias, duas da espécie Rhizobium tropici e uma da espécie Rhizobium freirei, via tratamento de sementes, para promover a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Além disso, houve a aplicação por pulverização sobre as plantas e solo de uma bactéria da espécie Azospirillum brasilense para estimular a produção de ácido indol acético, substância ligada ao desenvolvimento vegetal. A coinoculação é uma prática na qual são usadas bactérias com diferentes funções e, normalmente, o efeito conjunto é maior do que os impactos isolados de cada bactéria.
Os resultados dessa pesquisa indicam que, na situação de ILP, com cultivos diversificados combinando forrageiras e culturas de grãos – milheto, milho, soja, arroz e feijão, em sistema plantio direto, a ureia pode ser substituída pela coinoculação para o cultivo do feijoeiro. Um dos benefícios é a redução da emissão do gás de efeito estufa óxido nitroso.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Márcia Thaís de Melo Carvalho, uma das coordenadoras desse trabalho, o estudo demonstrou a viabilidade da coinoculação para o feijoeiro em sistemas intensivos e integrados de produção no Cerrado. “A realização de um ensaio de campo foi crucial para avaliar o impacto da coinoculação em comparação à ureia. A emissão total de óxido nitroso do solo foi até 50% menor no feijão cultivado apenas com coinoculação (0,208 quilos por hectare) do que no feijão cultivado apenas com ureia (0,404 quilos por hectare) no sistema ILP”, afirma.
A pesquisadora ressalta que não houve perda na produtividade da lavoura de feijão, uma vez que a rentabilidade média com coinoculação ficou em 3,2 mil quilos por hectare, podendo ser considerada alta, uma vez que a média nacional é de 1,1 mil quilos por hectare. “Ficou evidente que a coinoculação de rizóbios com Azospirillum pode reduzir a dependência de fertilizantes caros como a ureia, com menor impacto climático e ambiental”.
Avanço nos estudos
Márcia Thaís relata ainda que a coinoculação do feijoeiro com rizóbios e Azospirillum como fontes de suprimento de nitrogênio para o cultivo não é algo inédito, porém há poucos estudos quando esse assunto é tratado em ambientes de ILP. “Não existem muitas pesquisas sobre a coinoculação do feijoeiro em sistemas integrados de lavoura e pecuária e, para esse estudo, investigamos uma série de variáveis relacionadas ao solo e à planta, incluindo a comunidade bacteriana na rizosfera do feijão”, complementa Márcia Thaís.
Nesse sentido, sistemas em ILP consolidados ao longo de 20 anos, como o da Fazenda Capivara da Embrapa Arroz e Feijão, possuem uma característica diferenciada, apresentando solos com qualidade física, química e biológica, em especial. São solos ricos em matéria orgânica, que funcionam tanto para acumular carbono quanto para ajudar no melhor funcionamento da FBN, manter a produtividade do feijoeiro e reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos.
“A sinergia entre qualidade do solo, cultivares, microrganismos, plantio direto e sistemas diversificados com integração de componentes de produção promove os melhores aproveitamentos de recursos naturais e usos do solo e da água da chuva na safra de verão, mitigando a vulnerabilidade diante de extremos climáticos e propiciando maior resiliência às lavouras, sendo uma solução inclusive para a agricultura com baixa emissão de carbono no Cerrado brasileiro”, pontua a pesquisadora.
Um resultado adicional dessa pesquisa é que, mesmo com o uso da ureia, o fator de emissão de óxido nitroso do solo para a atmosfera variou entre 0,1% e 0,4%. Essa taxa é um valor menor que o preconizado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima). O Painel indica a governos e formuladores de políticas públicas que a emissão de óxido nitroso deve ficar abaixo de 1% para uso de fertilizante nitrogenado nos solos tropicais. O IPCC é um órgão das Nações Unidas (ONU) que, com base em evidências científicas, faz recomendações relacionadas às mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros, e as opções de adaptação e mitigação. O Brasil é um dos 195 países membros do IPCC.
Bioinsumos em alta
A demanda por inoculantes e, de modo geral, bioinsumos para os cultivos como alternativa aos insumos sintéticos tradicionais vem estimulando a pesquisa agropecuária. A Embrapa Soja (PR), por exemplo, vem trabalhando em gramíneas como o milho. Há resultados em que o uso de estirpes selecionadas de Azospirillum brasilense aumenta a eficiência de uso do fertilizante nitrogenado em cerca de 25%.
O pesquisador da Embrapa Soja Marco Nogueira explica que esse efeito se dá principalmente devido à ação de fitormônios, que estimulam as raízes das plantas. Isso faz com que a planta tenha um sistema de raízes mais abundante e funcional; e consiga explorar mais eficientemente o solo em busca de água e de nutrientes, inclusive o fertilizante nitrogenado aplicado. Esse maior aproveitamento do fertilizante aplicado contribui para uma produção mais eficiente, em que o aumento de produtividade ocorre com a mesma quantidade de recursos.
O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) Rodrigo Garcia pondera que, no atual cenário, esforços tanto da pesquisa quanto do setor produtivo têm aumentado a oferta de bioinsumos. Quando usados de forma correta, em associação a outras práticas conservacionistas, tornam a produção agrícola mais sustentável. Nesse sentido, ele observa que o uso de inoculantes e coinoculantes, a diversificação de cultivos em ILP ou ILPF e o plantio direto favorecem a produção no campo.
“Os benefícios da adoção do sistema plantio direto, que consiste na rotação de culturas, palha no solo durante todo ano e ausência de revolvimento, podem ser intensificados com os sistemas integrados. A literatura científica é bastante robusta quanto aos efeitos positivos na maior eficiência de uso dos recursos naturais e insumos agrícolas, além do aumento da biodiversidade e saúde do solo. Sua adoção pelo setor produtivo, somada à maior utilização de bioinsumos, é um grande passo rumo a uma agricultura regenerativa”, afirma Garcia.
Fonte: Embrapa

Sustentabilidade
Relação de troca abre janela para compras de fertilizantes para a safrinha 2027 – MAIS SOJA

A relação de troca começa a ganhar ainda mais peso na decisão de compra de fertilizantes. Com a soja 2026/27 já próxima de concluir seu programa de adubação, a atenção se volta para o milho safrinha 2027, que ainda tem uma parcela relevante da necessidade em aberto. A melhora do preço do cereal aumentou o poder de compra do produtor e abriu espaço principalmente para os nitrogenados.
Cerca de 89% da necessidade de fertilizantes da soja 2026/27 já foi contratada, enquanto no milho safrinha 2027 as compras chegaram a aproximadamente 46%, contra 44% no mesmo período da temporada anterior. A ureia encerrou agosto entre US$435 e US$445 por tonelada CFR Brasil, mas voltou a ganhar firmeza após a correção observada no mês anterior.
“Mesmo com a ureia voltando a ganhar força, a melhora do milho criou uma condição mais interessante para o produtor avançar parcialmente nas compras da safrinha 2027. A relação de troca passa a ser um fator importante para definir quanto comprar e em que momento”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.
MAP segue pesando na decisão
Nos fosfatados, o cenário é diferente. Os preços continuam em queda, mas a relação de troca permanece pesada, principalmente para o MAP, que ficou entre US$840 e US$860 por tonelada CFR Brasil. O superfosfato simples segue mais competitivo quando a comparação considera o custo por unidade do nutriente.
Na soja 2026/27, o MAP está 22,4% acima da média histórica em Sorriso (MT), enquanto o cloreto de potássio apresenta relação de troca de 22,4 sacas por tonelada, 4,5% melhor que a média dos últimos quatro anos.
“O momento de compra não é igual para todos os nutrientes. Enquanto o fósforo ainda exige mais cautela, o potássio apresenta uma relação mais favorável e o nitrogenado começa a encontrar espaço com a melhora do milho”, avalia Yedda.
Potássio já entra no radar da safra 2027/28
O movimento também começa a alcançar a próxima temporada. As primeiras compras de cloreto de potássio para a safra 2027/28 foram realizadas no Mato Grosso com relação de troca próxima de 21,5 sacas de soja por tonelada, abaixo da média histórica de cerca de 23,5 sacas.
A antecipação ocorre em um mercado doméstico que ainda mostra ritmo menor. No primeiro semestre, as entregas de fertilizantes somaram 19 milhões de toneladas, queda de 5,4% em relação a 2025. Em junho, o recuo foi de 17,2%, para cerca de 3,56 milhões de toneladas.
“O mercado entra em setembro com situações diferentes entre culturas e nutrientes. Para o produtor, acompanhar a relação de troca ajuda a identificar onde existe uma janela de compra mais favorável e onde ainda vale esperar”, conclui Yedda.
Sobre a Biond Agro
Empresa especializada em gestão e comercialização de grãos para o produtor brasileiro, originária de um grupo de companhias com 25 anos de experiência (Fyo, CRESUD e Brasil Agro). Compreendendo os números e especificidades do negócio e como interagir com os mercados. A Biond Agro desenha estratégias de comercialização e execução de negócios, profissionalizando a gestão de riscos para tornar o agronegócio sustentável no longo prazo. Saiba mais clicando aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Recorde nas exportações reforça protagonismo do algodão brasileiro e demanda por eficiência no campo – MAIS SOJA

O Brasil chega à nova temporada da cotonicultura em uma posição inédita no mercado internacional. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país exportou 3,37 milhões de toneladas de algodão, maior volume já registrado em um único ano comercial e 19% acima do período anterior. Os embarques movimentaram US$5,3 bilhões e consolidaram o Brasil como maior exportador mundial da fibra. Ao mesmo tempo, a produção da safra 2025/26 está estimada em aproximadamente 4,1 milhões de toneladas de pluma.
O avanço reforça o protagonismo conquistado pela cotonicultura nacional, mas também amplia a importância de estratégias capazes de preservar o potencial produtivo e a qualidade das lavouras ao longo de todo o ciclo. É neste cenário que a Ourofino Agrociência participa, pela primeira vez, do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), principal encontro da cadeia produtiva nacional.
No evento, a companhia terá um estande próprio de 60 metros quadrados e levará duas novidades voltadas especificamente aos desafios dos cotonicultores: o herbicida Terrad’or, com novos posicionamentos para a cultura, e o fungicida Vigia.
Com tiafenacil como ingrediente ativo, Terrad’or passa a ampliar as possibilidades de manejo no algodão. Entre seus usos está a desfolha pré-colheita, etapa importante para a uniformização da lavoura e preparação para a colheita, além de possibilidades de posicionamento no manejo de plantas daninhas e na destruição de soqueira. A tecnologia faz parte da estratégia da Ourofino Agrociência de tropicalizar soluções, adequando produtos às particularidades ambientais, climáticas e produtivas encontradas nas lavouras brasileiras.
Já Vigia chega ao portfólio como uma nova alternativa para o controle das principais doenças foliares do algodão. O fungicida reúne dois ingredientes ativos complementares e foi desenvolvido para proporcionar proteção de amplo espectro e flexibilidade de posicionamento de acordo com o desafio predominante em cada área. Entre os alvos de atenção estão doenças como a mancha-alvo e a ramulária. A proposta é permitir que o manejo seja direcionado conforme a realidade da lavoura, inclusive por meio da associação com fungicidas multissítios adequados dentro das estratégias recomendadas de manejo.
“O algodão brasileiro conquistou uma posição de protagonismo mundial e esse avanço aumenta também a responsabilidade de continuarmos evoluindo em produtividade, qualidade e eficiência agronômica. O produtor enfrenta diferentes desafios ao longo do ciclo, desde o manejo de plantas daninhas e a preparação para a colheita até a proteção contra doenças foliares. Nossa estreia no CBA reforça a decisão da Ourofino de estar cada vez mais próxima dessa cadeia, entendendo essas necessidades e trazendo tecnologias adaptadas às condições da agricultura brasileira”, afirma Roberto Rodrigues, gerente de marketing da Ourofino Agrociência.
Proximidade com a cadeia do algodão
A estreia da Ourofino no Congresso Brasileiro do Algodão ocorre em meio ao movimento da companhia para fortalecer sua presença em uma cultura que vem ganhando representatividade econômica para o agronegócio brasileiro.
Mais do que uma ação comercial, a participação no CBA tem como objetivo ampliar o relacionamento com produtores, consultores, pesquisadores e demais profissionais ligados à cadeia, além de acompanhar as discussões técnicas que devem orientar os próximos ciclos da cultura.
O próprio conceito do projeto desenvolvido para o espaço da companhia, “Raízes no campo. Inovação no futuro”, traduz essa estratégia. Madeira, algodão e elementos verdes foram incorporados ao espaço para reforçar proximidade, conexão com o campo e inovação. O ambiente terá ainda ações de relacionamento, como pintura ao vivo de uma obra inspirada na cultura do algodão, totem interativo para fotos, serviço de engraxate e happy hours.
Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o CBA reúne a cada dois anos produtores, pesquisadores, agrônomos, lideranças, empresas e demais profissionais da cadeia. A programação de 2026 inclui plenárias técnicas, debates sobre mercado e estratégia, hubs especializados e minicursos.
Serviço:
- 15º Congresso Brasileiro do Algodão – CBA 2026
- Data: 22 a 24 de setembro de 2026
- Local: Expominas – Belo Horizonte (MG)
Sobre a Ourofino Agrociência
A Ourofino Agrociência é uma empresa de origem brasileira, fabricante de defensivos agrícolas, com 15 anos de atuação. Sua fábrica — considerada uma das mais modernas do mundo no segmento — está localizada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e possui capacidade de produção de 200 milhões de quilos/litros por ano. São mais de 50 mil m² de área construída, com equipamentos de última geração e ambiente automatizado. A empresa desenvolve produtos, serviços e tecnologias com base nas características do clima tropical, seguindo o propósito de reimaginar a agricultura brasileira.
Mais informações,clique aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Participação do farelo na ‘crush margin’ aumenta no BR e nos EUA – MAIS SOJA

A cotação do farelo de soja segue em alta no Brasil e nos Estados Unidos, diante da forte demanda global pelo derivado. Segundo o Cepea, a participação do farelo na margem de processamento das indústrias voltou a aumentar nos últimos dias, atingindo novas máximas.
O Centro de Pesquisas destaca que, entre julho e agosto, a Conab disponibilizou algumas unidades de armazenamento de farelo de soja em certos estados brasileiros, o que pode ter limitado o interesse de venda das indústrias.
Neste cenário, com base nos preços da soja, do farelo e do óleo de soja negociados na região de São Paulo, a participação do farelo de soja na “crush margin” foi o maior desde outubro de 2024, conforme apontamento do Cepea.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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