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4 de maio de 2026

Agro Mato Grosso

Pesquisa brasileira identifica molécula inédita em fungo nativo

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Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Embrapa Meio Ambiente e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) identificaram uma substância inédita na literatura científica com forte potencial herbicida e antifúngico. O composto foi extraído de um fungo endofítico isolado de uma planta medicinal tropical do gênero Piper e apresentou desempenho comparável — e em alguns casos superior — ao de pesticidas sintéticos já consolidados no mercado.

A descoberta amplia o repertório de moléculas naturais que podem servir de base para o desenvolvimento de bioinsumos, segmento estratégico diante da crescente busca por alternativas sustentáveis ao uso de agroquímicos convencionais.

Descoberta de molécula ainda não descrita pela ciência

O fungo estudado, identificado como Fusarium sp. UFMGCB 15449, produziu três metabólitos bioativos: anidrofusarubina, javanicina e um terceiro composto até então desconhecido, apelidado pelos cientistas como “composto 2” (5,10-di-hidroxi-1,7-dimetoxi-3-metil-1H-benzo[g]isocromeno-6,9-diona). Foi este último que se destacou por sua forte ação fitotóxica e antifúngica.

Segundo Luiz Henrique Rosa, professor da UFMG, o resultado reforça o potencial de fungos endofíticos como fonte de novas moléculas bioativas. “Esses microrganismos são reservatórios ainda pouco explorados. Cada nova espécie estudada pode revelar compostos promissores para aplicações agrícolas”, afirma.

Bioensaios mostram efeito comparável a herbicidas sintéticos

Nos testes conduzidos em sementes de alface (Lactuca sativa) e grama-de-bent (Agrostis stolonifera), modelos amplamente usados na triagem de herbicidas, todos os compostos isolados inibiram totalmente a germinação das plantas na concentração de 1 mg/mL. O desempenho foi semelhante ao do acifluorfeno, herbicida sintético utilizado como referência.

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Ensaios com lentilha-d’água (Lemna), espécie usada para avaliar toxicidade ambiental, reforçaram os resultados: os metabólitos apresentaram valores de IC50 inferiores aos de glifosato e clomazona, dois dos herbicidas mais utilizados no mundo.

Fungos endofíticos saindo de dentro do tecido foliar
Fungos endofíticos saindo de dentro do tecido foliar

Na frente antifúngica, o composto 2 também se destacou contra Colletotrichum fragariae, patógeno de importância agrícola, exibindo zonas de inibição maiores que as geradas por carvacrol e timol, amplamente utilizados como fungicidas naturais.

Para Sonia Queiroz, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, os resultados são animadores. “Existe um espaço crescente para soluções biológicas capazes de reduzir impactos ambientais sem comprometer a eficiência no controle de pragas e doenças”, afirma.

Fungo coletado em área de Mata Atlântica

Frações do extrato bruto do fungo Fusarium
Frações do extrato bruto do fungo Fusarium

Fusarium sp. UFMGCB 15449 foi coletado no Parque Estadual da Floresta do Rio Doce (MG) e preservado na coleção de micro-organismos da UFMG. A identificação envolveu análises de DNA e comparação com sequências do GenBank. A confirmação do gênero foi possível, mas a determinação da espécie esbarrou na complexidade taxonômica do grupo — algo comum em Fusarium, que concentra dezenas de espécies muito próximas entre si.

Biodiversidade brasileira como fonte de inovação

Os pesquisadores destacam que o estudo reforça a importância da conservação dos biomas brasileiros, que abrigam um patrimônio genético ainda pouco explorado. “Florestas e matas nativas podem guardar organismos com potencial para revolucionar áreas como agricultura e saúde”, afirma Rosa.

O trabalho também avança na direção de novas estratégias para enfrentar um dos maiores desafios da agricultura global: o aumento da resistência de pragas e patógenos aos defensivos químicos tradicionais.

Fungos endofíticos
Fungos endofíticos

Próximos passos

A equipe agora planeja investigar os mecanismos de ação dos compostos, avaliar sua segurança ambiental e explorar possíveis modificações estruturais para aprimorar eficácia e estabilidade. Ensaios em condições de campo e o estudo do efeito hormético — observado quando baixas doses estimularam o crescimento vegetal — também estão no horizonte.

“Estamos abrindo uma nova fronteira científica”, resume o grupo. “Microrganismos invisíveis podem se tornar aliados estratégicos na transição para uma agricultura mais sustentável”, concluem os autores.

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Mais informações podem ser obtidas em: https://doi.org/10.1590/0001-3765202520241059

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Agro Mato Grosso

Veja; os diferenciais do trator M5 lançado pela Valtra na Agrishow 2026

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Confira os diferenciais do trator M5 lançado pela Valtra na Agrishow 2026

Segundo Afonso Pavan, coordenador de marca e produto, o modelo chega com novo chassi, três opções de potência e pacote focado em conforto, hidráulica e versatilidade para cana, grãos e pecuária.

Apresentado no estande da Valtra na Agrishow 2026, o M5 é o novo passo da marca no segmento que consagrou a linha BH. Em entrevista à CanaOnline, Afonso Pavan afirmou que o lançamento preserva a robustez histórica, mas evolui em projeto, ergonomia e capacidade hidráulica para operações intensivas, com atenção especial à cana-de-açúcar.

A série chega com três motorizações: 165 cv e 185 cv (quatro cilindros) e 205 cv (seis cilindros). O trator estreia chassi remodulado e frente mais robusta, inspirada na linguagem da série T, além de adotar padrões globais de identidade visual, com a identificação concentrada na plaqueta frontal. A proposta é ser um trator para diferentes operações, do transbordo na cana ao uso com implementos em grãos e pecuária.

No conforto, a cabine ficou mais ampla e teve ergonomia aprimorada, com comandos na coluna lateral. Um diferencial é a geladeira integrada, com acionamento próprio e desligamento automático ao apagar o trator. Na transmissão, o M5 mantém a robustez da família BH, mas busca mais suavidade: o câmbio é sincronizado e a troca entre faixas também pode ocorrer sob carga. Há ainda “steps” de marcha no botão (mais/menos), com atuação automática para reduzir marchas quando o esforço aumenta e retomar quando a carga alivia.

Voltado à realidade da cana, o M5 evolui em hidráulica, com mais capacidade de levante e maior vazão que o BH: segundo Pavan, são 205 litros, destaque na categoria. Para usinas, pode sair de fábrica com preparação de frenagem e freio auxiliar, aumentando a segurança com carretas e implementos. Na cabine, há opção de piloto automático e tomadas elétricas dedicadas, com proteção por fusíveis e relés. Lançado na Agrishow 2026, o M5 já está à venda na rede Valtra, com versões definidas para o mercado brasileiro.

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C/canaonline

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Agro Mato Grosso

Desenrola 2.0: Produtor rural MT entra no programa pela primeira vez

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Programa fica aberto por 90 dias e cobre dívidas de famílias, estudantes, pequenas empresas e assentados da reforma agrária

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o Novo Desenrola Brasil, nova edição do programa federal de renegociação de dívidas. A iniciativa oferece juros de até 1,99% ao mês, descontos de até 90% sobre o valor total devido e possibilidade de usar o FGTS para quitar débitos. Uma das principais novidades é a inclusão do produtor rural e de famílias assentadas pelo programa de reforma agrária,público que não integrava o Desenrola original.

O programa funciona por 90 dias e se divide em quatro categorias:
  • Desenrola Famílias — para quem tem renda de até cinco salários mínimos
  • Desenrola Fies — para estudantes do ensino superior com financiamento estudantil
  • Desenrola Empreendedor — para micro e pequenas empresas
  • Desenrola Rural — para pequenos produtores rurais e assentados da reforma agrária

O foco recai sobre dívidas de cartão de crédito, cheque especial, Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e crédito rural.

A inclusão do setor rural representa a principal inovação do Desenrola 2.0. Pelo Desenrola Rural, pequenos agricultores e famílias assentadas podem renegociar dívidas com prazo estendido até dezembro. O governo ampliou o limite de adesão especificamente para esse público, que historicamente enfrenta dificuldades de acesso a programas de crédito urbano.

Famílias podem parcelar em até quatro anos

Para o público geral, o Desenrola Famílias garante descontos entre 30% e 90% do valor devido, com parcelamento em até 48 meses e prazo de 35 dias para o pagamento da primeira parcela. Famílias com renda mensal de até R$ 8.105 ainda podem liberar até 20% do saldo do FGTS para abater as dívidas.

Quem tem dívidas do Fies vencidas há mais de 90 dias pode negociar descontos entre 12% e 99% sobre juros e multas. O valor principal pode ser parcelado em até 150 vezes.

Para micro e pequenas empresas, o programa ampliou prazos e limites. A carência de pagamento sobe de 12 para 24 meses, o prazo máximo passa de 72 para 96 meses e a tolerância no atraso vai de 14 para 90 dias. O teto de crédito sobe para R$ 180 mil (ante R$ 130 mil) para empresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, e para R$ 500 mil (ante R$ 250 mil) para CNPJs com faturamento de até R$ 4,8 milhões.

Recursos vêm do FGO e de valores esquecidos nos bancos

O programa acessa o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que já conta com R$ 2 bilhões disponíveis e pode receber um aporte adicional de até R$ 5 bilhões. O governo também prevê uso de recursos do SVR (Sistema de Valores a Receber), que reúne dinheiro esquecido em instituições financeiras.

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O Novo Desenrola também altera as regras do crédito consignado do INSS e do servidor público. As duas modalidades deixam de vincular o cartão ao empréstimo. Para aposentados e pensionistas do INSS, o prazo das operações sobe de 96 para 108 meses, a carência chega a 90 dias e a margem de comprometimento de renda cai de 45% para 40%.

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Agro Mato Grosso

Pecuária de MT lucra com a venda de pênis bovino para a Ásia

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Na exportação de carne, Estado se destaca também pela comercialização de subprodutos. Como o vergalho

Enquanto os cortes nobres seguem como protagonistas nas exportações de carne bovina brasileira, outros produtos vêm ganhando relevância estratégica no comércio internacional.

Nos últimos anos, Mato Grosso tem se destacado não apenas na venda de carne bovina, mas também na comercialização de subprodutos.

Como o pênis bovino, conhecido como vergalho, destinado, principalmente, ao mercado asiático.

A ampliação desse tipo de comércio contribui para o melhor aproveitamento do animal e para o aumento da rentabilidade da cadeia produtiva da pecuária.

Além da venda no mercado interno, com preço médio de R$ 21 o quilo, o vergalho bovino tem entre os principais destinos internacionais Hong Kong, onde o valor da tonelada pode chegar a US$ 6 mil.

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O produto é exportado na forma in natura, seguindo rigorosos protocolos sanitários.

“A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, afirma o gerente de marketing da SulBeef, Alan Gutierrez, uma das indústrias mato-grossenses autorizadas a exportar esse subproduto.

Segundo ele, a regularidade das vendas demonstra a existência de um mercado consolidado para esse tipo de produto.

Na culinária asiática, especialmente em países e regiões com forte tradição no consumo integral do animal, o vergalho é utilizado em preparações cozidas, ensopadas e pratos típicos, sendo valorizado pela textura e pela capacidade de absorver temperos e caldos.

Essa característica cultural sustenta uma demanda estável por subprodutos bovinos, como miúdos e partes menos convencionais para o paladar ocidental, ampliando as oportunidades comerciais para países exportadores.

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Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, esse tipo de mercado evidencia a força e a competitividade da pecuária mato-grossense.

“Mato Grosso tem uma pecuária robusta, eficiente e cada vez mais alinhada às exigências internacionais. A capacidade de acessar diferentes mercados, inclusive para subprodutos, mostra o nível de organização da cadeia produtiva e o potencial do estado em agregar valor em todas as etapas”.

“Quando ampliamos o portfólio e atendemos mercados com diferentes perfis de consumo, fortalecemos a economia, reduzimos riscos e aumentamos a competitividade da carne produzida em Mato Grosso no cenário global”, diz o diretor de Projetos do Imac.

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Agro MT