Sustentabilidade
O que esperar da temporada de resultados do 3T25 para ações de Alimentos & Bebidas e Commodities? – MAIS SOJA

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2025 (3T25) deve mostrar resiliência no agro e pressão moderada em commodities, na avaliação de Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio. “A valorização do dólar e a queda de custos logísticos ajudam exportadoras do setor agrícola, mas margens podem seguir apertadas em empresas com forte dependência de insumos importados. Em commodities metálicas e energéticas, a desaceleração global tende a reduzir volumes, mas os preços internacionais ainda garantem rentabilidade razoável. O mercado deve premiar companhias com gestão eficiente, controle de custos e foco em produtividade, fatores que se tornam decisivos num cenário de câmbio volátil e demanda global mais seletiva.”
Para Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, a temporada de balanços do terceiro trimestre deve confirmar a força do agro e das commodities, mas também acende um sinal de atenção. “Os resultados devem vir positivos, porém já revelam um cenário menos confortável. O câmbio ajudou no curto prazo, mas a combinação de custos mais altos, pressão sobre margens e volatilidade internacional começa a testar a eficiência das companhias. O principal ponto de alerta é a sensibilidade do setor a fatores externos. As tensões entre Estados Unidos e China, as oscilações no preço do petróleo e as mudanças climáticas estão criando um ambiente de maior imprevisibilidade. Empresas com alta dependência de exportações ou baixa diversificação de receita tendem a sentir mais. Outro aspecto é o custo do dinheiro. A taxa de juros elevada ainda restringe o crédito e afeta a capacidade de financiamento de médio prazo, o que exige disciplina financeira e gestão técnica. Essa é uma temporada que deve separar as companhias com estrutura sólida das que ainda dependem do vento favorável do mercado. Apesar disso, o agro e as commodities continuam sendo setores estratégicos, com capacidade de adaptação e geração de caixa. O foco agora deve ser eficiência, liquidez e governança, porque os próximos trimestres vão exigir mais gestão do que sorte”, comenta.
Petrobras será o destaque entre petrolíferas, diz Itaú BBA
O Itaú BBA avalia que a Petrobras será o destaque desta temporada de resultados, após a divulgação do relatório operacional na sexta (24/10). Na avaliação do banco, a Petrobras reportou um desempenho operacional excepcional, o que, combinado com preços do petróleo ligeiramente mais altos no trimestre (2% acima do 2T25), sustenta sua estimativa de ebitda de US$ 11,6 bilhões, 13% acima do 2T25, e um dividend yield de 3,1%.
Operacionalmente, a Brava destacou-se novamente entre as produtoras independentes de petróleo, enquanto a Prio e a PetroReconcavo enfrentaram restrições operacionais, tanto programadas quanto não programadas, segundo a análise do Itaú BBA.
No segmento de distribuição de combustíveis, o Itaú BBA espera uma melhora gradual nos resultados do 3T25, após um segundo trimestre impactado por perdas significativas de estoque. No geral, o Itaú BBA acredita que o sentimento dos investidores nesta temporada de resultados para as distribuidoras de combustíveis dependerá das expectativas para os volumes e margens do 4T25, particularmente em relação a como a fiscalização mais rigorosa contra práticas informais poderá permitir que as três maiores distribuidoras de combustíveis capturem participação de mercado e expandam suas margens. O Itaú BBA estima margens ebitda de R$ 150 por m3 para a Ipiranga e R$ 160 por m3 para a Vibra no 3T25, mantendo o spread típico historicamente observado entre as duas.
O que esperar na semana de 27 de outubro?
O Itaú BBA também apresentou suas projeções para os balanços da Ambev (30 de outubro, antes da abertura), Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3) – as duas últimas divulgam seus números do terceiro trimestre na próxima quinta-feira (30), após pregão.
Para Ambev (ABEV3), a corretora tem expectativa negativa para os resultados do 3T25 da fabricante de bebidas, com estimativas de receita líquida de R$ 21,49 bilhões, ebitda ajustado de R$ 6,617 bilhões e R$ lucro líquido ajustado de R$ 3,117 bilhões. A prévia do Itaú BBA para Ambev traz estimativas pressionadas, com redução esperada de 6% para o Ebitda consolidado e perda de 1,2 pp na margem ajustada, ficando em 30,8%. O volume de vendas no Brasil deve recuar 7%, impactado por ambiente macroeconômico desfavorável, clima adverso e competição, refletindo sensível elasticidade-preço. No internacional, a volatilidade cambial e consumo fraco devem limitar os ganhos, enquanto a ação negocia com múltiplo preço em relação ao lucro (P/L) de aproximadamente 14 vezes, patamar que pode limitar o ímpeto para novos compradores. O Itaú BBA tem recomendação neutra para ABEV3, com preço-alvo de R$ 14,00.
Para Gerdau (GGBR4), a expectativa do Itaú BBA é neutra, com projeções de receita líquida de R$ 17,967 bilhões, ebitda ajustado de R$ 2,7 bilhões e R$ lucro líquido de R$ 999 milhões. “A nossa expectativa é que Gerdau divulgue resultados equilibrados entre regiões, com melhora nos EUA compensando a operação mais fraca no Brasil. O Ebitda ajustado deverá crescer 5,4% no trimestre, com margem nos EUA subindo para 19,5%, ganho de 1,6 p.p, enquanto no Brasil reduz 2 p.p. Projetamos avanço de 2,5% na receita líquida, com os volumes de venda de aço crescendo 7,4%. A estratégia internacional e o controle de custos devem sustentar a performance, mesmo diante de desafios locais”, comentam os analistas.
Já a expectativa para a Vale (VALE3) é positiva. O Itaú BBA estima receita líquida de US$ 10,270 bilhões, ebitda ajustado de US$ 4,25 bilhões e R$ lucro líquido de US$ 1,991 bilhão. Os analistas esperam que a mineradora entregue resultados robustos no terceiro trimestre, com projeção de alta de 24% no Ebitda e margem ajustada em 41,4%, avanço de 2,5 pp. O desempenho será puxado por volumes maiores e preços realizados de minério de ferro em alta avanço de aproximadamente US$ 9 por tonelada em relação ao segundo trimestre. A receita deverá crescer 16,7% no período, enquanto os custos C1 recuarão para US$ 24,8 por tonelada, reforçando a eficiência operacional. Mesmo com leve queda no lucro líquido, a performance em ferrosos e a expectativa de volumes ainda maiores consolidam a Vale como protagonista do setor, avalia a corretora.
A XP corrobora essa visão sobre a Vale. Após desempenho operacional no 3T25, a corretora elevou em 4% a sua projeção para o ebitda ajustado da mineradora no 3T25 de US$ 4,4 bilhões ante a previsão anterior. A XP avalia que a vale apresentou resultados robustos no relatório de produção e vendas, que refletiu um desempenho decente de produção e na precificação das divisões de minério de ferro e cobre. Assim, a produção de minério de ferro 4% acima do 3T24, 1% acima da sua estimativa, com embarques de finos de minério de ferro 4% acima do 3T25 (8% acima da XP), refletindo uma maior lacuna entre produção e vendas após um acúmulo de estoque para concentração na China (que deve ser convertido em vendas nos próximos trimestres; volumes de vendas de pelotas 14% abaixo do 3T24; e maiores preços realizados do minério de ferro, aumento de 11% na comparação trimestral, refletindo maiores preços de referência do minério de ferro, alta de 4% na comparação com 2T25, e melhores prêmios após a otimização da estratégia de portfólio da Vale que levou a uma melhora nos prêmios de finos. Além disso, a produção se recuperou em operações de cobre (alta anual de 6%), impulsionado pela maior produção em Salobo (+6,4kt, na mesma base). No total, a XP reiterou a recomendação neutra na Vale após o relatório operacional.
Proteínas e commodities agrícolas
A Minerva abrirá a temporada do setor, com a divulgação dos seus resultados do 3T25 em 5 de novembro, após fechamento do mercado. A XP está projetando um trimestre forte para a Minerva devido a: (i) volumes robustos nos mercados interno e externo; (ii) preços de exportação mais altos, impulsionados principalmente pela China; e (iii) a finalização da aceleração dos ativos adquiridos recentemente.
A XP projeta margens estáveis na comparação trimestral devido à desvalorização do dólar e aos preços mais altos do gado, especialmente no PRY e URU. No geral, estima uma receita líquida de R$ 15,0 bilhões, alta trimestral de 8% e um ebitda ajustado de R$ 1,4 bilhão, 8% maior que no trimestre anterior.
Além dos resultados sólidos, projeta que a companhia iniciará seu processo de desalavancagem devido à melhora nos lucros e liberação de capital de giro, especialmente pelas vendas de 60% do estoque acumulado nos EUA. Como resultado, projeta uma geração de fluxo de caixa livre de R$ 600 milhões no 3T, sendo o principal destaque do trimestre. A melhora na conversão de caixa deve ser bem recebida pelos investidores e, assim, a XP espera uma reação positiva no preço das ações da Minerva, sua principal escolha no setor de proteínas.
Em 6 de novembro, será a vez da SLC Agrícola, também após pregão. A XP projeta que a SLC Agrícola entregue um terceiro trimestre de 2025 (3T25) forte no próximo dia 6 de novembro (após fechamento do mercado), principalmente impulsionado por comparativos fáceis na comparação anual em soja e milho, embora espere que o milho apresente resultados robustos mesmo em termos absolutos. Pelo lado negativo, projeta queda nas margens do algodão devido ao mix entre safra antiga e nova. Em resumo, a XP não espera que o terceiro trimestre seja um catalisador para a ação.
Assim, a XP estima receita líquida de R$ 1,9 bilhão, um aumento de 25% na comparação anual, enquanto projeta ebitda ajustado e lucro líquido caixa em R$ 625 milhões, alta anual de 130% e R$ 68 milhões, respectivamente. Além disso, projeta geração de fluxo de caixa livre próxima ao equilíbrio no trimestre, já que acCompanhia pagará outra parcela da aquisição de terras da Sierentz.
No dia 10 de novembro, a MBRF, companhia resultante da união entre a Marfrig e a BRF, apresentará seus resultados após pregão. No primeiro trimestre de divulgação após a conclusão da fusão, os analistas da XP esperam que a diversificação de proteínas e geográfica da companhia mostre sua força.
A XP projeta volumes mais fortes no 3T25 em relação a abril, maio e junho, para a BRF, tanto no Brasil quanto no Internacional, para compensar preços e margens mais baixos. Como resultado, projeta que a receita da BRF aumente 11% na comparação trimestral e estima um ebitda praticamente estável na mesma base comparativa em R$ 2,5 bilhões (margem de 14,7%, queda de 190 bps ante o 2T25).
Para a National Beef, projeta melhora na margem ebitda ajustada de 100 bps na comparação trimestral para 1,8%, refletindo spreads melhores, enquanto a América do Sul se beneficiará da combinação das plantas no Uruguai, com margens permanecendo na faixa de dois dígitos baixos.
No geral, projeta receita líquida de R$ 42,6 bilhões, alta anual de 13% e avanço de 12% ante o 2T25, e ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 12% em relação ao mesm trimestre de 2024 e alta de 10% na comparação com o trimestre anterior.
Para a JBS (JBSS32), que anuncia os seus números no dia 13 de novembro, a XP projeta receita líquida de R$ 123,0 bilhões, alta de 11% na comparação anual e de 3% na trimestral, ebitda ajustado de R$ 9,9 bilhões, queda anual de 17% e estável com o 2T25, e fluxo de caixa livre de R$ 3,8 bilhões. Pelo lado negativo, a corretora projeta queda sequencial nas margens da Seara e PPC, principalmente devido a preços mais baixos no Brasil e à redução nos preços de aves grandes nos EUA. Por outro lado, espera melhores margens nas operações de carne bovina em todas as regiões, impulsionadas por spreads mais favoráveis, compensando margens menores no frango. A XP destaca a expectativa de recuperação de margem no segmento US Beef após efeitos pontuais que impactaram negativamente o 2T, e estima margem ebitda ajustada de -1,0% para US Beef. Em resumo, a XP não espera que o 3T gere revisões significativas de lucros para frente. A XP prevê lucro líquido de R$ 3,177 bilhões para a JBS no 3T25, queda de 24% em relação ao mesmo intervalo de 2024 e 6% ante o trimestre anterior.
Fonte: Cynara Escobar – Safras News
Sustentabilidade
Quebra de safra e maior dependência de importações desafiam planejamento da indústria do trigo para 2027 – MAIS SOJA

As perdas provocadas pelo clima na safra brasileira de trigo e a maior necessidade de importação do cereal colocam o abastecimento entre os desafios da indústria de moagem no planejamento de 2027. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), as compras externas podem se aproximar de 9 milhões de toneladas no ciclo atual, acima da projeção inicial de 7,5 milhões. A produção nacional é estimada em cerca de 5,7 milhões de toneladas, mas a disponibilidade para os moinhos também depende da qualidade dos grãos e dos volumes já comprometidos.
Para os moinhos, a necessidade de ampliar as compras no exterior exige atenção aos prazos de reposição, às condições de transporte e à variação do câmbio. A concentração da demanda em períodos mais curtos, somada às incertezas geopolíticas e aos custos de frete e seguros, torna mais complexo o planejamento da aquisição de matéria-prima.
É nesse contexto que a Abitrigo promoverá o 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, de 21 a 23 de outubro, no Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro (RJ). O encontro reunirá representantes da cadeia e especialistas para trocar informações, analisar as perspectivas do mercado e discutir estratégias que contribuam para as decisões de abastecimento e gestão no próximo ano.
“O mercado nacional de trigo enfrenta um período crítico, em que as oscilações do clima forçam uma revisão profunda no planejamento do abastecimento”, enfatiza o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa. “Essa necessidade de buscar volumes adicionais no exterior traz impactos diretos para a operação, deixando o setor exposto às flutuações cambiais, ao aumento de fretes e seguros e às incertezas do cenário global. Nenhum moinho enfrenta esse cenário isoladamente. Por isso, o Congresso será o ambiente ideal para debatermos saídas práticas, alinharmos estratégias e identificarmos oportunidades diante deste momento de transição.”
Abastecimento e gestão na programação
As projeções de safra e comercialização do trigo no Brasil e no mundo serão discutidas no dia 23 de outubro, com análises de Elcio Bento, da Safras & Mercado, Índio Brasil dos Santos, da Solo Corretora de Cereais, e Oscar Spaccasassi, diretor de Comercialização de Trigo e Cevada da Bunge, na Argentina. O painel será moderado pelo conselheiro da Abitrigo e CEO do Moinho do Nordeste, Valdomiro Bocchese. O debate abordará as perspectivas de oferta e mercado que orientam as decisões de compra da indústria.
A programação também tratará de fatores que influenciam os custos e a operação dos moinhos. No dia 22, o analista de assuntos internacionais da CNN Brasil e colunista do Estadão, Lourival Sant’Anna, e o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, discutirão o panorama político, econômico e geopolítico, com moderação do presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa. À tarde, o tema inteligência em gestão reunirá Antonio Maciel Neto, da Academia CEO, e Marcelo Treff, consultor em Gestão de Carreira e Desenvolvimento Gerencial, com mediação do superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio. No mesmo dia, o painel sobre ciência do consumo abordará saudabilidade e farinhas funcionais, com Alessandra Rascovski, Lorenzo Rancati e Priscila Ariani, sob moderação de Vanderli Marchiori.
A programação contará ainda com workshops técnicos e sobre “O futuro do mercado de Farelo de Trigo”, com o especialista em manejo pós-colheita e processamento de grãos do IGP Institute/Kansas State University, nos Estados Unidos, Carlos Campabadal, e coordenação do fundador e consultor sênior da IL Lima Consultoria em Nutrição Animal, Ideraldo Luiz Lima.
No dia 23, a discussão sobre o processo regulatório e seus impactos para as empresas terá a participação do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Goulart, e da CEO da NutraLíder Consultoria Regulatória, Luiza Zanatta, com moderação de Carlos Augusto Neves da Rocha, conselheiro da Abitrigo e CEO do Grande Moinho Cearense.
O Congresso começará na noite de 21 de outubro, com palestra de Alexandre Slivnik sobre liderança. Paralelamente aos debates, a feira de negócios reunirá fornecedores de máquinas, equipamentos, insumos e tecnologias para o setor.
As inscrições e a programação completa estão disponíveis clicando aqui.
SERVIÇO
33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo
- Data: 21 a 23 de outubro de 2026
- Local: Windsor Barra Hotel – Rio de Janeiro (RJ)
- Informações e inscrições, clique aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Colheita de milho e dólar sustentam Chicago, que fecha em alta – MAIS SOJA

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho fechou a sessão de hoje com alta nos preços. O mercado foi sustentado pelo ritmo da colheita nos Estados Unidos, abaixo da média dos últimos cinco anos, e pela desvalorização do dólar frente a outras moedas.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita de milho alcançou 23% da área até 4 de outubro, acima dos 18% registrados na semana anterior, mas abaixo da média dos últimos cinco anos, de 27%.
O USDA também informou que 54% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes, ante 57% na semana anterior. As áreas em situação regular correspondiam a 28%, contra 26% em 27 de setembro, enquanto 18% estavam em condições ruins ou muito ruins, ante 17% na semana anterior.
Os contratos de milho com entrega em dezembro fecharam a US$ 5,08, alta de 10,75 centavos, ou 2,16% em relação ao fechamento anterior. Os contratos de milho com entrega em março fecharam a US$ 5,22 1/4, avanço de 10,75 centavos, ou 2,10% em relação ao fechamento anterior.
Fonte: Agência Safras
Autor:Pedro Diniz Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
Sustentabilidade
Preço do fertilizante importado sobe 12,8% e pressiona custos da safra 2026/27 – MAIS SOJA

O início da safra 2026/27 encontra o produtor brasileiro diante de uma pressão que começa antes do plantio: o custo dos fertilizantes importados. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em agosto, o Brasil importou 2,97 milhões de toneladas de adubos ou fertilizantes químicos, volume 43,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. O preço médio, porém, avançou 12,8% na mesma comparação, chegando a US$ 403,20 por tonelada.
O movimento não ficou restrito a agosto. Em julho, o preço médio de importação havia aumentado 18,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior; em junho, 26,2%; e, em maio, 18,2%. Os dados colocam o custo das compras externas entre os pontos de atenção para o planejamento da produção agrícola.
A exposição brasileira às oscilações internacionais é elevada. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados. Isso faz com que câmbio, preços internacionais, disponibilidade de transporte e alterações nas principais rotas comerciais possam repercutir sobre os custos internos.
Para Eudes Silveira, gerente de desenvolvimento de negócios e produtos internacionais, a dependência externa faz com que fatores que acontecem a milhares de quilômetros das lavouras brasileiras entrem na conta do produtor.
“O fertilizante não chega ao Brasil com um preço determinado apenas pelo valor do produto na origem. Existe uma cadeia internacional por trás dessa operação. Câmbio, disponibilidade de transporte, frete marítimo, rota utilizada e prazo de entrega entram nessa conta. Quando parte desses componentes fica mais cara ou instável, isso pode aparecer no custo final do insumo”, explica.
Levantamento divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em maio já apontava pressão sobre essa cadeia. Entre janeiro e abril de 2026, as importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados e fosfatados recuaram 4% em volume na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o valor desembolsado pelo país aumentou 16%.
A origem dos produtos adiciona outra camada de exposição. Dados analisados pelo Banco Central mostram que, em 2025, a Rússia respondeu por 25,9% das importações brasileiras de fertilizantes, seguida pela China, com 18,8%, enquanto países do Oriente Médio representaram 14,5%. No caso dos nitrogenados, aproximadamente 22% das compras brasileiras tiveram origem no Oriente Médio.
Segundo Silveira, a concentração em mercados fornecedores exige que importadores e empresas acompanhem não apenas os preços internacionais, mas também possíveis gargalos logísticos.
“Em comércio exterior, não basta observar quanto custa uma tonelada na origem. Uma alteração de rota, redução da disponibilidade de transporte ou problema em uma região fornecedora pode modificar prazo e custo. Quando estamos falando de um insumo diretamente ligado ao calendário agrícola, previsibilidade logística também tem valor econômico”, afirma.
O cenário ganha importância diante do tamanho da próxima safra. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira de grãos pode chegar a 366,6 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 1,4% sobre o ciclo anterior, em uma área projetada de 85,3 milhões de hectares.
A pressão sobre os preços dos fertilizantes importados não significa necessariamente risco de desabastecimento. O ponto de atenção está na combinação entre dependência externa, preço internacional e custos envolvidos na internalização do produto em um setor no qual o planejamento das compras acompanha o calendário da produção.
Para Silveira, o cenário reforça a importância da diversificação comercial. “Quanto maior a dependência de poucos mercados, maior a exposição a acontecimentos que o importador brasileiro não controla. Trabalhar com alternativas de origem, planejamento de compra e antecedência logística não elimina a volatilidade internacional, mas reduz a exposição a decisões tomadas em cima da hora”, diz.
A dependência estrutural levou o país a buscar alternativas de longo prazo. Em setembro, foi instituído o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que tem entre seus objetivos ampliar a produção nacional, reduzir a dependência externa e diminuir custos na cadeia agropecuária.
Enquanto o aumento da produção doméstica é uma estratégia de longo prazo, câmbio, frete, fornecedores e geopolítica continuam fazendo parte da formação do custo dos fertilizantes que chegam às lavouras brasileiras.
Sobre
Eudes Silveira é gerente de Desenvolvimento de Negócios e Produtos Internacionais, com cerca de 30 anos de experiência em comércio exterior. Atua no desenvolvimento de operações de importação e exportação, logística internacional e soluções para empresas que negociam com diferentes mercados. Sua trajetória inclui estruturação de operações internacionais, negociação com fornecedores, transporte de cargas e acompanhamento de processos relacionados à entrada e saída de produtos do Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade24 horas agoSoja/BR: Semeadura alcança 9,4% impulsionada pelas chuvas em MT e no Sul – MAIS SOJA
Featured20 horas agoOAB consegue liminar no TJMT e suspende ação penal em face do Procurador do Município de Rio Branco
Featured24 horas agoIntenção de consumo das famílias tem quarta queda seguida e acende alerta em Cuiabá
Featured21 horas agoMT lidera produção de grãos no Brasil e concentra 59,7% do gergelim nacional
Sustentabilidade6 horas agoALGODÃO/CEPEA: Preços recuam em setembro – MAIS SOJA
Featured18 horas agoEleitorado deu recado sobre segurança e custo de vida nas urnas, avalia cientista político da UnB
Agro Mato Grosso20 horas agoVÍDEO: ariranhas ‘brincam na areia’ no Pantanal de MT; biólogo explica
Business19 horas agoEl Niño muito forte eleva risco para plantio no Centro-Oeste e no Matopiba

















