Sustentabilidade
O que esperar da temporada de resultados do 3T25 para ações de Alimentos & Bebidas e Commodities? – MAIS SOJA

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2025 (3T25) deve mostrar resiliência no agro e pressão moderada em commodities, na avaliação de Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio. “A valorização do dólar e a queda de custos logísticos ajudam exportadoras do setor agrícola, mas margens podem seguir apertadas em empresas com forte dependência de insumos importados. Em commodities metálicas e energéticas, a desaceleração global tende a reduzir volumes, mas os preços internacionais ainda garantem rentabilidade razoável. O mercado deve premiar companhias com gestão eficiente, controle de custos e foco em produtividade, fatores que se tornam decisivos num cenário de câmbio volátil e demanda global mais seletiva.”
Para Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, a temporada de balanços do terceiro trimestre deve confirmar a força do agro e das commodities, mas também acende um sinal de atenção. “Os resultados devem vir positivos, porém já revelam um cenário menos confortável. O câmbio ajudou no curto prazo, mas a combinação de custos mais altos, pressão sobre margens e volatilidade internacional começa a testar a eficiência das companhias. O principal ponto de alerta é a sensibilidade do setor a fatores externos. As tensões entre Estados Unidos e China, as oscilações no preço do petróleo e as mudanças climáticas estão criando um ambiente de maior imprevisibilidade. Empresas com alta dependência de exportações ou baixa diversificação de receita tendem a sentir mais. Outro aspecto é o custo do dinheiro. A taxa de juros elevada ainda restringe o crédito e afeta a capacidade de financiamento de médio prazo, o que exige disciplina financeira e gestão técnica. Essa é uma temporada que deve separar as companhias com estrutura sólida das que ainda dependem do vento favorável do mercado. Apesar disso, o agro e as commodities continuam sendo setores estratégicos, com capacidade de adaptação e geração de caixa. O foco agora deve ser eficiência, liquidez e governança, porque os próximos trimestres vão exigir mais gestão do que sorte”, comenta.
Petrobras será o destaque entre petrolíferas, diz Itaú BBA
O Itaú BBA avalia que a Petrobras será o destaque desta temporada de resultados, após a divulgação do relatório operacional na sexta (24/10). Na avaliação do banco, a Petrobras reportou um desempenho operacional excepcional, o que, combinado com preços do petróleo ligeiramente mais altos no trimestre (2% acima do 2T25), sustenta sua estimativa de ebitda de US$ 11,6 bilhões, 13% acima do 2T25, e um dividend yield de 3,1%.
Operacionalmente, a Brava destacou-se novamente entre as produtoras independentes de petróleo, enquanto a Prio e a PetroReconcavo enfrentaram restrições operacionais, tanto programadas quanto não programadas, segundo a análise do Itaú BBA.
No segmento de distribuição de combustíveis, o Itaú BBA espera uma melhora gradual nos resultados do 3T25, após um segundo trimestre impactado por perdas significativas de estoque. No geral, o Itaú BBA acredita que o sentimento dos investidores nesta temporada de resultados para as distribuidoras de combustíveis dependerá das expectativas para os volumes e margens do 4T25, particularmente em relação a como a fiscalização mais rigorosa contra práticas informais poderá permitir que as três maiores distribuidoras de combustíveis capturem participação de mercado e expandam suas margens. O Itaú BBA estima margens ebitda de R$ 150 por m3 para a Ipiranga e R$ 160 por m3 para a Vibra no 3T25, mantendo o spread típico historicamente observado entre as duas.
O que esperar na semana de 27 de outubro?
O Itaú BBA também apresentou suas projeções para os balanços da Ambev (30 de outubro, antes da abertura), Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3) – as duas últimas divulgam seus números do terceiro trimestre na próxima quinta-feira (30), após pregão.
Para Ambev (ABEV3), a corretora tem expectativa negativa para os resultados do 3T25 da fabricante de bebidas, com estimativas de receita líquida de R$ 21,49 bilhões, ebitda ajustado de R$ 6,617 bilhões e R$ lucro líquido ajustado de R$ 3,117 bilhões. A prévia do Itaú BBA para Ambev traz estimativas pressionadas, com redução esperada de 6% para o Ebitda consolidado e perda de 1,2 pp na margem ajustada, ficando em 30,8%. O volume de vendas no Brasil deve recuar 7%, impactado por ambiente macroeconômico desfavorável, clima adverso e competição, refletindo sensível elasticidade-preço. No internacional, a volatilidade cambial e consumo fraco devem limitar os ganhos, enquanto a ação negocia com múltiplo preço em relação ao lucro (P/L) de aproximadamente 14 vezes, patamar que pode limitar o ímpeto para novos compradores. O Itaú BBA tem recomendação neutra para ABEV3, com preço-alvo de R$ 14,00.
Para Gerdau (GGBR4), a expectativa do Itaú BBA é neutra, com projeções de receita líquida de R$ 17,967 bilhões, ebitda ajustado de R$ 2,7 bilhões e R$ lucro líquido de R$ 999 milhões. “A nossa expectativa é que Gerdau divulgue resultados equilibrados entre regiões, com melhora nos EUA compensando a operação mais fraca no Brasil. O Ebitda ajustado deverá crescer 5,4% no trimestre, com margem nos EUA subindo para 19,5%, ganho de 1,6 p.p, enquanto no Brasil reduz 2 p.p. Projetamos avanço de 2,5% na receita líquida, com os volumes de venda de aço crescendo 7,4%. A estratégia internacional e o controle de custos devem sustentar a performance, mesmo diante de desafios locais”, comentam os analistas.
Já a expectativa para a Vale (VALE3) é positiva. O Itaú BBA estima receita líquida de US$ 10,270 bilhões, ebitda ajustado de US$ 4,25 bilhões e R$ lucro líquido de US$ 1,991 bilhão. Os analistas esperam que a mineradora entregue resultados robustos no terceiro trimestre, com projeção de alta de 24% no Ebitda e margem ajustada em 41,4%, avanço de 2,5 pp. O desempenho será puxado por volumes maiores e preços realizados de minério de ferro em alta avanço de aproximadamente US$ 9 por tonelada em relação ao segundo trimestre. A receita deverá crescer 16,7% no período, enquanto os custos C1 recuarão para US$ 24,8 por tonelada, reforçando a eficiência operacional. Mesmo com leve queda no lucro líquido, a performance em ferrosos e a expectativa de volumes ainda maiores consolidam a Vale como protagonista do setor, avalia a corretora.
A XP corrobora essa visão sobre a Vale. Após desempenho operacional no 3T25, a corretora elevou em 4% a sua projeção para o ebitda ajustado da mineradora no 3T25 de US$ 4,4 bilhões ante a previsão anterior. A XP avalia que a vale apresentou resultados robustos no relatório de produção e vendas, que refletiu um desempenho decente de produção e na precificação das divisões de minério de ferro e cobre. Assim, a produção de minério de ferro 4% acima do 3T24, 1% acima da sua estimativa, com embarques de finos de minério de ferro 4% acima do 3T25 (8% acima da XP), refletindo uma maior lacuna entre produção e vendas após um acúmulo de estoque para concentração na China (que deve ser convertido em vendas nos próximos trimestres; volumes de vendas de pelotas 14% abaixo do 3T24; e maiores preços realizados do minério de ferro, aumento de 11% na comparação trimestral, refletindo maiores preços de referência do minério de ferro, alta de 4% na comparação com 2T25, e melhores prêmios após a otimização da estratégia de portfólio da Vale que levou a uma melhora nos prêmios de finos. Além disso, a produção se recuperou em operações de cobre (alta anual de 6%), impulsionado pela maior produção em Salobo (+6,4kt, na mesma base). No total, a XP reiterou a recomendação neutra na Vale após o relatório operacional.
Proteínas e commodities agrícolas
A Minerva abrirá a temporada do setor, com a divulgação dos seus resultados do 3T25 em 5 de novembro, após fechamento do mercado. A XP está projetando um trimestre forte para a Minerva devido a: (i) volumes robustos nos mercados interno e externo; (ii) preços de exportação mais altos, impulsionados principalmente pela China; e (iii) a finalização da aceleração dos ativos adquiridos recentemente.
A XP projeta margens estáveis na comparação trimestral devido à desvalorização do dólar e aos preços mais altos do gado, especialmente no PRY e URU. No geral, estima uma receita líquida de R$ 15,0 bilhões, alta trimestral de 8% e um ebitda ajustado de R$ 1,4 bilhão, 8% maior que no trimestre anterior.
Além dos resultados sólidos, projeta que a companhia iniciará seu processo de desalavancagem devido à melhora nos lucros e liberação de capital de giro, especialmente pelas vendas de 60% do estoque acumulado nos EUA. Como resultado, projeta uma geração de fluxo de caixa livre de R$ 600 milhões no 3T, sendo o principal destaque do trimestre. A melhora na conversão de caixa deve ser bem recebida pelos investidores e, assim, a XP espera uma reação positiva no preço das ações da Minerva, sua principal escolha no setor de proteínas.
Em 6 de novembro, será a vez da SLC Agrícola, também após pregão. A XP projeta que a SLC Agrícola entregue um terceiro trimestre de 2025 (3T25) forte no próximo dia 6 de novembro (após fechamento do mercado), principalmente impulsionado por comparativos fáceis na comparação anual em soja e milho, embora espere que o milho apresente resultados robustos mesmo em termos absolutos. Pelo lado negativo, projeta queda nas margens do algodão devido ao mix entre safra antiga e nova. Em resumo, a XP não espera que o terceiro trimestre seja um catalisador para a ação.
Assim, a XP estima receita líquida de R$ 1,9 bilhão, um aumento de 25% na comparação anual, enquanto projeta ebitda ajustado e lucro líquido caixa em R$ 625 milhões, alta anual de 130% e R$ 68 milhões, respectivamente. Além disso, projeta geração de fluxo de caixa livre próxima ao equilíbrio no trimestre, já que acCompanhia pagará outra parcela da aquisição de terras da Sierentz.
No dia 10 de novembro, a MBRF, companhia resultante da união entre a Marfrig e a BRF, apresentará seus resultados após pregão. No primeiro trimestre de divulgação após a conclusão da fusão, os analistas da XP esperam que a diversificação de proteínas e geográfica da companhia mostre sua força.
A XP projeta volumes mais fortes no 3T25 em relação a abril, maio e junho, para a BRF, tanto no Brasil quanto no Internacional, para compensar preços e margens mais baixos. Como resultado, projeta que a receita da BRF aumente 11% na comparação trimestral e estima um ebitda praticamente estável na mesma base comparativa em R$ 2,5 bilhões (margem de 14,7%, queda de 190 bps ante o 2T25).
Para a National Beef, projeta melhora na margem ebitda ajustada de 100 bps na comparação trimestral para 1,8%, refletindo spreads melhores, enquanto a América do Sul se beneficiará da combinação das plantas no Uruguai, com margens permanecendo na faixa de dois dígitos baixos.
No geral, projeta receita líquida de R$ 42,6 bilhões, alta anual de 13% e avanço de 12% ante o 2T25, e ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões, queda de 12% em relação ao mesm trimestre de 2024 e alta de 10% na comparação com o trimestre anterior.
Para a JBS (JBSS32), que anuncia os seus números no dia 13 de novembro, a XP projeta receita líquida de R$ 123,0 bilhões, alta de 11% na comparação anual e de 3% na trimestral, ebitda ajustado de R$ 9,9 bilhões, queda anual de 17% e estável com o 2T25, e fluxo de caixa livre de R$ 3,8 bilhões. Pelo lado negativo, a corretora projeta queda sequencial nas margens da Seara e PPC, principalmente devido a preços mais baixos no Brasil e à redução nos preços de aves grandes nos EUA. Por outro lado, espera melhores margens nas operações de carne bovina em todas as regiões, impulsionadas por spreads mais favoráveis, compensando margens menores no frango. A XP destaca a expectativa de recuperação de margem no segmento US Beef após efeitos pontuais que impactaram negativamente o 2T, e estima margem ebitda ajustada de -1,0% para US Beef. Em resumo, a XP não espera que o 3T gere revisões significativas de lucros para frente. A XP prevê lucro líquido de R$ 3,177 bilhões para a JBS no 3T25, queda de 24% em relação ao mesmo intervalo de 2024 e 6% ante o trimestre anterior.
Fonte: Cynara Escobar – Safras News
Sustentabilidade
Mercado brasileiro de soja deve manter lentidão no início da semana – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de soja deve iniciar agosto com a mesma lentidão que encerrou a última semana de julho. Isto porque a Bolsa de Mercadorias de Chicago tem perdas moderadas, pressionada pelo petróleo, que despenca mais de 6% em Nova York. Por aqui, o dólar abriu com volatilidade frente ao real, sem tendência definida. E segue abaixo de R$ 5,10, o que também desestimula a comercialização.
Na sexta-feira, o mercado brasileiro de soja teve uma sessão lenta, sem muitas novidades. Conforme avalia o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os movimentos registrados na Bolsa de Chicago foram pequenos e não provocaram alterações relevantes no mercado físico. O dólar também exerceu impacto limitado sobre as cotações.
Silveira destaca que, de maneira geral, as variações de preços foram apenas nominais, entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por saca. O analista acrescenta que o produtor permaneceu bastante afastado das negociações, assim como os demais players. “As indústrias também mostraram pouco apetite por compras, e nos portos não houve registro de volumes mais expressivos”, resume.
No mercado físico, em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 140,00 para R$ 139,00, movimento semelhante ao registrado em Santa Rosa (RS), onde passou de R$ 141,00 para R$ 140,00. Em Cascavel (PR), as cotações caíram de R$ 134,00 para R$ 131,00. Em Rondonópolis (MT), os preços avançaram de R$ 127,00 para R$ 128,00, enquanto em Dourados (MS) a saca recuou de R$ 127,50 para R$ 127,00. Já em Rio Verde (GO), a cotação permaneceu em R$ 128,00.
Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca recuou de R$ 145,00 para R$ 143,00. Em Rio Grande (RS), as referências caíram de R$ 146,00 para R$ 145,00.
CHICAGO
* A Bolsa de Mercadorias de Chicago opera com perdas. A posição novembro/26 do grão recuava 0,56%, cotada a US$ 11,80 3/4 por bushel.
* O mercado mantém o recente viés negativo, pressionado pela forte queda do petróleo. O movimento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que cancelou um ataque iminente ao Irã e que representantes dos dois países iniciarão negociações nesta segunda-feira (3). A valorização do dólar também pesa sobre as cotações, ao reduzir a competitividade da oleaginosa norte-americana no cenário internacional.
* As perdas, no entanto, encontram algum suporte na demanda chinesa. Segundo a Reuters, empresas estatais da China compraram entre 14 e 16 cargas de soja dos Estados Unidos na última sexta-feira, aproveitando a recente queda dos preços e às vésperas da esperada visita do presidente Xi Jinping aos EUA no próximo mês.
CÂMBIO
* O dólar comercial registra baixa de 0,08%, a R$ 5,0641. O Dollar Index registra alta 0,13%, a 99,762 pontos.
INDICADORES FINANCEIROS
* As principais bolsas da Ásia fecharam em baixa. China, -0,59%. Japão, -0,94%.
* As bolsas na Europa operam em alta. Paris, +1,34%. Frankfurt, +1,52%. Londres, +0,25%.
* O petróleo opera em forte baixa. Setembro do WTI em NY: US$ 79,26 o barril (-6,38%).
AGENDA
—–Segunda-feira (03/08)
12:00 – Inspeções de exportação semanal dos EUA – USDA.
16:00 – Esmagamento de soja em julho nos EUA/USDA.
16:00 – Uso de milho para fabricação de etanol em julho nos EUA/USDA.
16:00 – Dados de Oferta e Demanda de soja, milho e algodão no MT/Imea.
17:00 – Relatório de condições das lavouras dos EUA – USDA.
– Resultado financeiro do BB Seguridade.
—-Terça-feira (04/08)
09:30 – EUA: Balança Comercial de Bens e Serviços (junho).
11:30 – Dados sobre as lavouras do Paraná – Deral.
– Resultado financeiro da Gerdau e da Prio.
—–Quarta-feira (05/08)
06:00 – Zona do Euro: Índice de Preços ao Produtor (PPI, junho).
11:30 – EUA: Relatório Semanal de Petróleo da EIA.
18:30 – Definição da taxa Selic pelo Copom/BC.
– Resultado financeiro da Brava Energia.
—–Quinta-feira (06/08)
09:30 – Dados de exportação semanal de grãos dos EUA/USDA.
15:00 – Relatório de condições das lavouras da Argentina – Ministério da Agricultura.
15:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras argentinas – Bolsa de Cereais de Buenos Aires.
15:00 – Balança comercial consolidada de julho/MDIC.
16:00 – Dados de desenvolvimento das lavouras no RS – Emater, na parte da tarde.
– Resultado financeiro da Petrorecôncavo e da Petrobras.
—–Sexta-feira (07/08)
09:30 – EUA: Relatório de Emprego/payroll (julho).
03:00 – Alemanha: Produção Industrial (junho).
08:00 – IGP-DI e os componentes: IPA-DI, IPC-DI e INCC-DI de julho/FGV.
16:00 – Dados de evolução das lavouras do Mato Grosso – IMEA.
– China: Balança Comercial (julho).
Autor/Fonte: Rodrigo Ramos – rodrigo@safras.com.br (Agência Safras)
Sustentabilidade
Preços da soja sobem aqui e em Chicago e comercialização melhora em julho – MAIS SOJA

Julho foi positivo para o mercado brasileiro de soja. Os preços subiram nas principais praças do Brasil, acompanhando o comportamento dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, e o ritmo dos negócios melhorou, apesar do câmbio desfavorável. Os prêmios seguiram firmes e ajudaram a consolidar o bom momento para os negócios.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 129,00 para R$ 140,00 durante o mês. Em Cascavel (PR), o preço saltou de R$ 124,00 para R$ 134,00. Em Rondonópolis (MT) a cotação avançou de R$ 115,00 para R$ 127,00. No Porto de Paranaguá, a saca aumentou de R$ 135,00 para R$ 145,00.
Em Chicago, os contratos com vencimento em novembro, os mais negociados, apresentaram alta mensal de 4,26%, sendo negociados na manhã do dia 31 a US$ 11,92 por bushel. No melhor momento de julho, a cotação superou a casa de US$ 12,50, se colocando nos melhores patamares em mais de dois anos.
Três fatores contribuíram para os ganhos em Chicago. O petróleo voltou a subir com a tensão no Oriente Médio escalonando. A demanda chinesa pelo produto americano se aqueceu e, completando o cenário positivo, boletins apontando clima seco e altas temperaturas sobre o cinturão produtor americano garantiram picos característicos desse mercado de clima. Agosto promete muita volatilidade, já que é o período crítico para a formação do potencial produtivo da safra americana.
Plantio
A intenção de plantio da nova safra brasileira de soja aponta diversos desafios para 2027, mas ainda mantém uma perspectiva de aumento da produção, desde que não ocorram problemas climáticos relevantes. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira.
Por um lado, há potencial para novos avanços de área, principalmente nos estados do Centro-Oeste. “É o caso de Mato Grosso, que mantém uma expectativa de expansão de aproximadamente 1,5% na área cultivada”, pontua o consultor.
Segundo ele, mesmo com margens mais apertadas, as elevadas produtividades registradas nas últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas, permitindo que a atividade permaneça economicamente viável, ainda que com rentabilidade mais limitada. “Goiás segue uma dinâmica semelhante, embora a situação dos produtores seja mais fragilizada”, exemplifica.
Por outro lado, o clima é um dos principais fatores de preocupação para a temporada. A expectativa de um evento de El Niño mais intenso levanta riscos importantes para a safra brasileira, especialmente por sua maior influência estar prevista para meses decisivos ao desenvolvimento da cultura e à definição do potencial produtivo. “Caso esse cenário se confirme, poderá haver impacto negativo sobre os níveis de produtividade”, ressalta Silveira.
Ainda assim, Safras & Mercado não trabalha com quebras de safra antecipadamente, adotando essa premissa apenas quando há evidências concretas de perdas no campo. “No entanto, nossa expectativa é de produtividades potenciais inferiores às observadas na última temporada para a maioria das regiões”, afirma. Além do risco climático, os custos de produção seguem elevados, principalmente em função da alta dos fertilizantes ao longo do primeiro semestre. “Esse cenário pode levar parte dos produtores a reduzir o nível de investimento em tecnologia e manejo, fator que tende a limitar o potencial produtivo da safra 2026/27”, explica.
Assim Safras & Mercado projeta um avanço de aproximadamente 1,2% na área plantada, impulsionado principalmente pelos estados do Centro-Oeste, devendo chegar a 49,107 milhões de hectares. A região Sudeste também deve registrar expansão de área, contribuindo para uma expectativa de produção de 180,089 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos 178,3 milhões de toneladas estimados para a safra 2025/26.
A produtividade média projetada é de 3.686 quilos por hectare, equivalente a 61,43 sacas por hectare, praticamente estável em relação à safra anterior, que registrou 3.692 quilos por hectare, ou 61,54 sacas por hectare.
Estados Unidos
A área plantada com soja nos Estados Unidos em 2026 deverá totalizar 85,4 milhões de acres, conforme o relatório de área plantada Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Se confirmada, a área ficará 5% acima do total cultivado no ano passado, de 81,215 milhões de acres.
O número ficou dentro da expectativa do mercado, que era de 85,4 milhões de acres. O número veio acima da área indicada no relatório de intenção de plantio, divulgado em março, que era de 84,7 milhões de acres. Na comparação com o ano passado, a área aumentou ou ficou inalterada em 23 dos 29 estados produtores.
Autor/Fonte: Dylan Della Pasqua e Rodrigo Ramos / Agência Safras
Sustentabilidade
Ceema: cotações da soja, em Chicago, recuaram bastante nesta última semana de julho. – MAIS SOJA

As cotações da soja, em Chicago, recuaram bastante nesta última semana de julho.
Após o primeiro mês cotado ter atingido a US$ 12,48/bushel no dia 24/07, o mercado iniciou um recuo importante, atingindo a US$ 11,77 no fechamento da quinta-feira (30), contra US$ 12,37 uma semana antes. Por sua vez, o farelo de soja despencou 5,3% nos últimos seis dias úteis, até o dia 30/07, ao fechar neste dia em US$ 314,10/tonelada curta, a mais baixa cotação em Chicago desde o dia 02/07. Já o óleo de soja perdeu 9,6% nos últimos cinco dias até o dia 30/07, fechando este dia em 68,35 centavos de dólar por libra-peso, sendo esta a mais baixa cotação desde o dia 06/07.
O motivo principal foi o retorno das chuvas nas regiões produtoras de soja dos EUA, arrefecendo a especulação iniciada em princípios de julho. Além disso, uma nova tentativa de acordo de paz entre EUA e Irã esfriou os preços do petróleo, puxando o óleo de soja e influenciando a cotação do grão. Também, neste final de mês, houve forte realização de lucros por parte dos Fundos na Bolsa, ajudando a derrubar as cotações. Assim, se o clima nos EUA continuar no caminho positivo, a pressão baixista sobre os preços da soja tende a continuar. Caso contrário, haverá novas altas. Ou seja, o mercado continua sob forte influência do clima naquele país e, portanto, muito volátil.
Por enquanto, no dia 26/07, apenas 9% das lavouras estadunidenses de soja se apresentavam entre ruins a muito ruins, outras 28% estavam regulares e 63% entre boas a muito boas.
E no Brasil, os preços recuaram um pouco diante deste movimento baixista de Chicago, porém, o câmbio, que se manteve ao redor de R$ 5,10 por dólar, segurou o recuo, assim como os prêmios ao redor de US$ 1,50/bushel nos portos brasileiros.
Desta forma, nos portos o produto se manteve ao redor de R$ 140,00 a R$ 150,00/saco, enquanto nas principais praças nacionais, no balcão, os valores oscilaram entre R$ 119,00 e R$ 127,50/saco. No Rio Grande do Sul, a média esteve em R$ 127,60.
Vale destacar que, diante das preocupações e primeiras evidências do fenômeno El Niño, aumenta a inquietude quanto ao impacto disso sobre a produção de soja global.
Com isso, parte dos compradores estão antecipando suas aquisições visando diminuir riscos, o que ajuda os preços a subirem.
Enfim, novas estimativas dão conta de que o Brasil deverá exportar 115,4 mihões de toneladas de soja em 2026, o que seria 6,7% acima do exportado no ano passado. Já o esmagamento local da oleaginosa atingiria o recorde de 63,3 milhões de toneladas, com aumento de 7,8% sobre o ano de 2025. Com isso, a estimativa de estoques finais para o atual ano comercial foi reduzida, ficando em 6,58 milhões de toneladas. Mesmo assim, o maior volume desde 2019. Já a produção de farelo de soja, pelo Brasil, chegará a 48,7 milhões de toneladas enquanto a de óleo atingirá 12,75 milhões, ambos recordes igualmente. A exportação de farelo pode chegar a 24,9 milhões de toneladas e o consumo interno do subproduto em 21,4 milhões. No óleo de soja, a exportação poderá chegar a 1,7 milhão de toneladas. A receita com a exportação do complexo soja atingiria US$ 60,6 bilhões, contra US$ 52,9 bilhões no ano anterior. A soja em grão participa com US$ 49 bilhões do total esperado, contra US$ 43,5 bilhões em 2025 (cf. Abiove)

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Prof. Dr. Argemiro Luís Brum
Site: CEEMA
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