Sustentabilidade
Etanol de milho de segunda safra tem uma das menores emissões de gases de efeito estufa comparado a outros biocombustíveis – MAIS SOJA

(*) Autoras: Luciane B. Chiodi e Sofia M. Arantes
Dentro do contexto das mudanças climáticas e redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE), os biocombustíveis desempenham um papel central na transição energética. Apesar dos diversos caminhos para alcançar a neutralidade climática é extremamente importante adequar as estratégias à especificidade e potencial local. Nesse cenário, as emissões de GEE e a pegada de carbono são métricas essenciais para avaliar o impacto ambiental da produção de biocombustíveis.
No caso do etanol de milho produzido no Brasil, os principais fatores que contribuem para suas baixas emissões de GEE e pegada de carbono incluem o uso de milho de segunda safra e de biomassa. O milho utilizado como insumo para a produção de etanol é cultivado como segunda safra, em terras que anteriormente cultivavam uma única safra de soja ou que plantavam uma segunda safra com a finalidade de cobertura do solo. Com isso, não gera emissões diretas de GEE associadas à mudança de uso da terra (MUT), otimizando o ciclo produtivo e os recursos no processo de produção agrícola com a diminuição do uso de fertilizantes a partir da técnica de plantio direto.
Vale mencionar que a cultura do milho de segunda safra no Brasil ganhou representatividade no passado, principalmente em função dos benefícios agronômicos decorrentes da proteção física que a palhada pós-colheita tanto da soja como do milho confere ao solo, permitindo a proteção e manutenção dos nutrientes no solo no período pós-colheita, proporcionando uma melhor produtividade da safra principal, no caso a soja. O plantio direto diminui significativamente a exposição do solo agrícola ao risco de erosão e contribui para a fixação de nutrientes no solo (MAGALHÃES et al., 2020; DA SILVA et al., 2020).
O etanol de milho de segunda safra utiliza como fonte de energia em seu processo a biomassa, principalmente cavaco de eucalipto, bambu, resíduos agroindustriais e agrícolas para a cogeração de energia. O sistema energético é otimizado de maneira que a eletricidade gerada pela termoelétrica é superior que a demanda dos processos de produção, exportando a eletricidade excedente para o grid (MOREIRA et al., 2020; ARANTES, 2023).
Estas características apresentadas acima impactam a pegada de carbono do etanol de milho de segunda safra brasileiro, que está entre as mais baixas do setor, entre 18,3 e 25,9 gCO2e/MJ (Moreira et al., 2020), comparável ao etanol de cana-de-açúcar e inferior à do etanol de milho produzido em sistemas tradicionais, como o norte-americano.
Outro fator que contribui consideravelmente para a pegada de carbono dos biocombustíveis é o impacto direto e indireto[1] que a expansão do uso dos biocombustíveis causa sobre a MUT. Estudo publicado na Nature Sustainability mostra que ao adicionar tais efeitos, a pegada de carbono do etanol de milho de segunda safra poderia ser reduzida para 9,8 gCO2e/MJ ou até mesmo 0,8 gCO2e/MJ, dependendo da taxa de substituição considerada para a composição soja e milho, destinados para nutrição animal, devido à utilização de Dried Distillers Grains (DDG), coproduto gerado no processo produtivo do etanol de milho, utilizado como ração animal (Moreira et al., 2020). Com a adição de tecnologias como Bioenergy with carbon capture and storage (BECCS) e a contabilização de MUT, a pegada de carbono do etanol de milho pode reduzir ainda mais, com potencial para alcançar cerca de -19,8 gCO₂e/MJ.
No contexto da neutralidade climática é extremamente importante conciliar estratégias com potencial local, além da maior diversificação e complementariedade entre as diferentes fontes para a produção de biocombustíveis, que serão fundamentais para a transição energética, principalmente no longo prazo.
Referências
ARANTES, S. M. (2023). Análise socioeconômica e de uso da terra da produção de etanol de milho segunda safra, no Centro-Oeste Brasileiro. Tese de doutorado. Faculdade de Engenharia Mecânica – UNICAMP. Campinas- SP. Disponível em: <Link>.
DA SILVA, P., C., G., TIRITAN, C., S., ECHER, F., R., CORDEIRO, C., F., S., REBONATTI, M., D., DOS SANTOS, C., H., No-tillage and crop rotation increase crop yields and nitrogen stocks in sandy soils under agroclimatic risk, Field Crops Research, Volume 258, 2020, 107947, ISSN 0378-4290, Link.
MAGALHÃES, P. C.; BORGHI, E.; KARAM, D.; PEREIRA FILHO, I. A. V.; RIOS, S. de A.; ABREU, S. l C.; LANDAU, E. C.; GUIMARÃES, L. J. M. PASTINA, M. M; DURÃES, F. O. M. Desenvolvimento do milho segunda safra: fatores genético-fisiológicos, Plataforma de conhecimento e práticas de manejo de cultivo e uso, visando sustentabilidade de produção e produtividade no binômio soja/milho – Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2020. ISSN 1518-4277.
MOREIRA et al. (2020). Socio-environmental and land-use impacts of double-cropped maize ethanol in Brazil. Nature Sustainability, 8.
Autoras (*):
Luciane Chiodi Bachion, sócia da Agroicone
Luciane é especialista em modelagem matemática e econométrica, análise da dinâmica dos setores agrícolas e temas ambientais. Coordena pesquisas na área de sustentabilidade da produção agrícola, de comércio internacional e de inteligência de mercado para as cadeias agrícolas. Participou do desenvolvimento do Modelo de Uso da Terra para a Agropecuária Brasileira (BLUM) e do desenvolvimento do “Outlook Brasil 2022: projeções para o agronegócio”, como responsável pela modelagem e análise do setor de grãos. Possui experiência em modelagem estatística, utilizando a abordagem Bayesiana e de séries temporais em Madrid e São Paulo. Licenciada em matemática pela UNESP e mestre em Comércio Exterior pela Universidade Carlos III de Madrid e em Economia Aplicada pela ESALQ/USP.
Sofia Marques Arantes, pesquisadora da Agroicone
Sofia possui experiência no setor sucroenergético, bioenergia, agricultura e sustentabilidade. Conhecimento em modelagem, com foco em projeções e simulações socioeconômicas e de uso da terra. Bidiplomação em Relações Internacionais e Economia pela FACAMP, com mestrado em Planejamento Energético pela Faculdade de Engenharia Mecânica/UNICAMP e atualmente, estudante de doutorado no mesmo programa e instituição.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Sustentabilidade
Condições climáticas favorecem desenvolvimento da soja na maior parte do país – MAIS SOJA

O monitoramento agrícola dos cultivos de verão aponta condições favoráveis para o desenvolvimento da soja na maior parte das regiões produtoras do país. Os dados estão reunidos no último Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na sexta-feira (24). O documento avalia as condições meteorológicas e o índice de vegetação (IV) das principais lavouras brasileiras no período entre 01 e 21 de abril.
Segundo o Boletim, os maiores volumes de chuva da temporada foram registrados na região Norte e na faixa norte da região Nordeste, incluindo também o leste do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Com a elevação da umidade do solo nessas áreas, o desenvolvimento das lavouras de grãos foi favorecido.
No Norte, os maiores acumulados foram verificados no Pará, no leste do Amazonas e no Amapá. Se por um lado o regime hídrico atrasou a colheita da soja no Pará e do arroz no Tocantins, por outro, a segunda safra de milho foi beneficiada. Já no interior do Nordeste, a redução das chuvas, típica do período, interferiu no desenvolvimento de alguns cultivos na Bahia, no Piauí e no Sertão de Pernambuco. Apesar do déficit hídrico localizado, as condições gerais da região foram favoráveis.
A umidade do solo também se manteve suficiente no Centro-Oeste e no Sudeste, embora tenha sido observada redução no armazenamento hídrico no final do período analisado. Na maior região produtora de grãos no país, os índices pluviométricos mais elevados foram verificados em Mato Grosso, contribuindo para o milho segunda safra. Entretanto, o documento aponta diminuição na reserva hídrica do solo em áreas de Mato Grosso do Sul e Goiás, também constatada na região Sudeste, nos estados de Minas Gerais e de São Paulo, o que pode afetar o desenvolvimento do cereal.
No Sul, com a irregularidade na distribuição das chuvas, o alerta foi para o Paraná, que teve restrição hídrica especialmente na porção norte. O período curto de chuvas intensas ainda impactou a colheita da soja e do arroz no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Apesar da dinâmica, no estado gaúcho o IV da safra atual foi superior ao das anteriores.
O panorama da evolução do IV aponta, de forma geral, um bom desenvolvimento das lavouras, com valores próximos aos das safras antecedentes de soja e milho. Além desses cultivos, o Boletim também apresenta o progresso dos plantios de algodão e arroz nos principais estados produtores.
BMA – Produzido em parceria entre a Conab, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam), o Boletim tem como objetivo divulgar informações sobre as condições agrometeorológicas e sobre o monitoramento das lavouras, avaliado por meio de imagens de satélite e dados de campo. As informações são disponibilizadas periodicamente, considerando ainda a diversidade de cultivos e de manejo em diferentes regiões do território nacional.
As informações completas sobre regime de chuvas e índice de vegetação das safras de verão estão disponíveis na edição de abril do Boletim de Monitoramento Agrícola.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Preço da soja se mantém no final de abril, aponta Cepea

As últimas semanas no mercado da soja foram marcadas por preços firmes. Apesar da safra recorde, estimada em 180 milhões de toneladas, as cotações se mantiveram sustentadas pela forte demanda, tanto no mercado interno quanto externo.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os conflitos no Oriente Médio e a valorização do petróleo tem reforçado essa constância no mercado. Com os preços do diesel em alta, a procura pelo biodiesel tem aumentado e consequentemente o interesse pelo óleo de soja também.
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Em relação às lavouras, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a colheita atingiu 92,1% da área, com variações entre regiões. No Sul do país, o ritmo é mais lento: Santa Catarina registra 71% e o Rio Grande do Sul, 69%, ambos abaixo dos índices observados no ano passado.
Enquanto isso, no Matopiba o ritmo é heterogêneo e em Tocantis a colheita está próxima ao fim, com 98% da área colhida. Maranhão (65%) e Bahia (90%) apresentam atraso em relação à safra anterior. No Piauí, os trabalhos alcançam 96%, desempenho próximo ao do mesmo período de 2025.
Colheita internacional
Na Argentina, chuvas tem atrapalhado a colheita, o que forçou uma pausa por período indeterminado na região.
Enquanto nos EUA, a chuva chegou como notícia boa e trouxe alívio, apesar de limitar as atividades. Mesmo dessa forma, a semeadura chegou a 23% da área projetada para a safra 2026/27, até 26 de abril, quantidade superior ao ano passado e da média dos últimos 5 anos.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Sustentabilidade
SOJA/CEPEA: Com demanda aquecida, valor do grão segue firme

Mesmo diante da safra recorde, estimada em 180 milhões de toneladas, os preços da soja seguem firmes no Brasil. A sustentação vem das aquecidas demandas interna e externa, e também do avanço das cotações dos derivados.
Segundo o Cepea, no mercado internacional, o conflito no Oriente Médio e a consequente valorização do petróleo reforçam o movimento de alta no Brasil, à medida que esse cenário eleva a atratividade do biodiesel e, consequentemente, a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.
No campo, a colheita alcançou 92,1% da área, segundo a Conab, embora persistam diferenças regionais relevantes. No Sul, os trabalhos seguem mais lentos: Santa Catarina atingiu 71% e o Rio Grande do Sul, 65%, ambos abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. No Matopiba, o ritmo permanece heterogêneo. Tocantins praticamente concluiu a atividade, com 98% da área já colhida, enquanto Maranhão (65%) e Bahia (90%) apresentam atraso em relação à safra anterior.
No Piauí, os trabalhos alcançam 96%, desempenho próximo ao do mesmo período de 2025. Na Argentina, chuvas pontuais nas principais regiões interrompem temporariamente a colheita e mantêm o ritmo irregular. Nos Estados Unidos, a recente chuva no Meio-Oeste trouxe alívio climático, mas limitou temporariamente as atividades de campo. Ainda assim, a semeadura atingiu 23% da área projetada para a safra 2026/27 até 26 de abril, superando o ano passado e a média dos últimos cinco anos.
Fonte: Cepea
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