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Pesquisas “erram” repetidamente a favor do PT e voltam a levantar dúvidas na eleição presidencial


Em 2014, 2018 e 2022, levantamentos superestimaram a vantagem petista ou subestimaram adversários; no primeiro turno de 2026, 12 dos 13 institutos analisados calcularam abaixo a votação de Flávio Bolsonaro

As pesquisas eleitorais brasileiras enfrentam uma questão que já não pode ser descartada como uma sucessão de erros pontuais: a repetição de discrepâncias que, em diferentes eleições presidenciais, favoreceram numericamente os candidatos do PT ou subestimaram o desempenho de seus adversários.

Os resultados das urnas em 2014, 2018, 2022 e 2026 oferecem elementos concretos para examinar esse padrão. Em diferentes ocasiões, levantamentos divulgados na reta final das campanhas indicaram uma vantagem petista superior àquela efetivamente registrada na votação ou deixaram de captar a força eleitoral dos candidatos adversários.

No primeiro turno de 2026, o fenômeno voltou a chamar atenção. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença foi de 1,87 ponto percentual em favor do candidato do PL.

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Boa parte das pesquisas divulgadas antes da votação, porém, colocava Lula numericamente à frente. A discrepância não ficou restrita à identificação de quem terminaria em primeiro lugar: diversos institutos também subestimaram a votação de Flávio.

2026: 12 dos 13 institutos subestimaram Flávio

Uma compilação do portal E26, que comparou a média ponderada das pesquisas finais com os resultados oficiais, encontrou um dado particularmente relevante: 12 dos 13 institutos analisados estimaram uma votação inferior à que Flávio Bolsonaro efetivamente recebeu.

Na média dos levantamentos, Lula aparecia 1,3 ponto percentual à frente. Nas urnas, a situação se inverteu: Flávio terminou 1,87 ponto à frente do petista.

O percentual de Lula ficou praticamente igual ao estimado pela média das pesquisas. Já Flávio recebeu 3,3 pontos percentuais a mais do que a média projetava.

A compilação do Placar das Pesquisas, por sua vez, mostra diferenças expressivas entre a vantagem estimada pelos institutos e aquela registrada nas urnas. O desvio chegou a 7,8 pontos percentuais no Data Index, 7,6 pontos na CNT/MDA e 7,1 pontos na Nexus/BTG.

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Os números não significam que todos os institutos tenham cometido o mesmo erro, nem que todos os percentuais individuais tenham ficado fora da margem de erro. O dado relevante é a direção predominante das discrepâncias: a votação de Flávio foi subestimada pela ampla maioria dos levantamentos considerados.

2014: Dilma apareceu com vantagem muito superior à real

Na eleição presidencial de 2014, Dilma Rousseff (PT) terminou o primeiro turno com 41,6% dos votos válidos, enquanto Aécio Neves (PSDB) obteve 33,6%. Marina Silva (PSB) recebeu 21,3%.

As pesquisas finais do Datafolha e do Ibope apontavam Dilma com 44% e 46%, respectivamente. Aécio aparecia com 26% no Datafolha e 27% no Ibope.

A diferença entre Dilma e Aécio era, portanto, estimada em 18 pontos percentuais pelo Datafolha e 19 pontos pelo Ibope. Nas urnas, a distância foi de aproximadamente 8,1 pontos.

Em ambos os casos, a vantagem da candidata petista foi superestimada em cerca de dez pontos percentuais na comparação com o resultado oficial.

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A discrepância foi significativa porque Aécio terminou a votação muito mais próximo de Dilma do que os levantamentos finais sugeriam. O episódio tornou-se um dos exemplos mais conhecidos das divergências entre pesquisas presidenciais e resultados eleitorais no país.

2018: pesquisas também subestimaram Bolsonaro

Na eleição seguinte, Jair Bolsonaro (PSL) terminou o primeiro turno com aproximadamente 46% dos votos válidos, contra 29% de Fernando Haddad (PT).

A última pesquisa Datafolha antes da votação indicava Bolsonaro com 40% das intenções de voto e Haddad com 25%. O resultado oficial foi superior para ambos, mas a diferença foi especialmente relevante no caso de Bolsonaro, cuja votação ficou cerca de seis pontos acima do percentual divulgado pelo instituto.

A distância entre os dois candidatos nas urnas também foi maior do que aquela apontada pelo levantamento.

2022: vantagem de Lula voltou a ser superestimada

Na eleição presidencial de 2022, Lula recebeu 48,43% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Bolsonaro obteve 43,20%. A diferença efetiva foi de 5,23 pontos percentuais.

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As pesquisas finais de institutos importantes apresentavam uma distância maior entre os candidatos. O Datafolha indicava 50% para Lula e 36% para Bolsonaro; o Ipec apontava 51% para o petista e 37% para o então presidente.

Em ambos os levantamentos, a diferença estimada entre os dois candidatos era de 14 pontos percentuais, consideravelmente superior à registrada nas urnas.

A votação de Bolsonaro ficou muito acima do que os principais levantamentos sugeriam, enquanto Lula terminou o primeiro turno com uma vantagem bem menor do que a indicada por essas pesquisas.

A repetição dos “erros”

Os episódios de 2014, 2018, 2022 e 2026 revelam discrepâncias recorrentes em levantamentos presidenciais. Em diferentes eleições, pesquisas importantes superestimaram a vantagem de candidatos do PT ou subestimaram o desempenho de seus adversários.

Quando erros se repetem na mesma direção, a questão deixa de ser apenas quanto cada instituto se afastou do resultado e passa a incluir por que isso aconteceu. Trata-se de investigar a existência de um viés sistemático, examinando a direção dos desvios, sua frequência e sua magnitude ao longo do tempo.

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Há possíveis explicações metodológicas, como dificuldades de ponderação da amostra, diferenças na disposição dos eleitores para responder às entrevistas e limitações para captar determinados segmentos do eleitorado. Essas hipóteses, porém, precisam ser demonstradas pelos dados, e não simplesmente invocadas para encerrar o debate.

Se pesquisas são utilizadas para orientar o debate público, influenciar a percepção sobre a disputa e alimentar decisões políticas, sua credibilidade depende de transparência metodológica e capacidade de explicar os próprios erros.

Segundo turno: o teste decisivo está nas urnas

Na reta final do segundo turno de 2026, os levantamentos voltaram a mostrar uma disputa apertada entre Flávio Bolsonaro e Lula. Pesquisas divulgadas entre 19 e 21 de outubro apontam diferenças pequenas, frequentemente dentro das respectivas margens de erro.

Depois de quatro eleições presidenciais com discrepâncias relevantes, a pergunta é inevitável: estamos diante de erros aleatórios ou de um viés sistemático que ainda não foi adequadamente explicado?

Os números justificam a investigação.

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agro.mt

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