Alunas da Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, localizada na zona rural de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, estão desenvolvendo pomadas naturais a partir de plantas medicinais como parte de um projeto de pesquisa sobre os saberes tradicionais do Cerrado mato-grossense. A iniciativa reúne três estudantes e investiga o uso de espécies vegetais na produção de seis tipos de pomadas.
A iniciativa começou há cerca de quatro meses. O diretor da escola, Eugênio Marcos de Sousa, informou que a equipe já tinha uma horta com plantas medicinais e decidiu pesquisar formas de utilizá-las na produção das preparações.
“Esse projeto começou com uma ideia que tivemos assim que a Fapemat divulgou o edital. Nós já havíamos pensado nessa questão das plantas medicinais na escola, tanto que temos uma horta”, contou.
O projeto é desenvolvido por Eugênio e pela professora de matemática e bióloga Fabiane Borges de Souza, com a participação de três estudantes: Marcela Matos Luz Vieira, do 8º ano das salas anexas; Yasmin Lorraine Queiroz Nero, do 8º ano; e Gabrielle Mutzenberg Morais, do 2º ano do ensino médio, ambas da sede da escola.
As estudantes fazem parte do grêmio estudantil. De acordo com o diretor, a professora Fabiane teve a ideia inicial e mobilizou as alunas para participar da pesquisa.
Os produtos são feitos de forma caseira, em um espaço adaptado na escola, e não possuem regulamentação sanitária para comercialização. As pomadas fazem parte do projeto de pesquisa e, até o momento, não são produtos regularizados para venda.
Projeto produz seis tipos de pomadas naturais, incluindo versões para dores musculares, queda capilar e ação repelente. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As estudantes produzem seis preparações: pomada para dores musculares, antiqueda capilar, anti-idade, repelente, cicatrizante e uma versão chamada de “Vick natural”, inspirada em produtos tradicionais usados para aliviar desconfortos respiratórios.
Os ingredientes variam conforme a finalidade de cada preparo. A pomada para queda capilar, por exemplo, leva folhas de goiaba e amora, além de canela e cravo. Já a versão repelente utiliza citronela e eucalipto.
A pomada cicatrizante contém açafrão e barbatimão. Para a preparação chamada de “Vick natural”, são utilizadas folhas de hortelã, eucalipto e poejo.
O diretor explicou que a escolha dos ingredientes e a consistência das preparações foram definidas a partir das pesquisas realizadas pela equipe.
“Para dar consistência à pomada, tivemos a ideia de usar a cera de abelha. Dependendo da preparação, também mudamos os óleos utilizados, conforme as pesquisas feitas pelas meninas”, relatou.
Além das pomadas, as estudantes também começaram a pesquisar a extração dos óleos vegetais para disponibilizá-los separadamente.
Pomadas são produzidas de forma caseira em espaço adaptado na escola estadual, em Barra do Garças. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As pomadas são produzidas em um espaço improvisado na biblioteca da escola, adaptado para funcionar como laboratório. Inicialmente, a equipe utilizava um fogão elétrico de duas bocas, mas, com os recursos do projeto, comprou um equipamento de quatro bocas.
Segundo o diretor, as primeiras preparações foram apresentadas a familiares, professores e integrantes da Diretoria Regional de Educação (DRE). A equipe recebeu avaliações positivas e pedidos de novas unidades.
“Por exemplo, a nossa pomada mágica, que é para dor muscular, já disseram que é muito boa, excelente. Inclusive, já nos solicitaram mais”, destacou.
Entre os produtos que receberam comentários favoráveis também estão as versões para queda capilar e cicatrização, conforme o diretor.
Atualmente, parte das plantas utilizadas no projeto é cultivada na própria escola, como hortelã, goiaba, poejo, guaco, eucalipto, capim-limão e babosa. A equipe pretende ampliar o cultivo com novas espécies para dar continuidade às pesquisas.
O objetivo inicial é divulgar o projeto e compartilhar o conhecimento produzido pelas estudantes. No futuro, a equipe pretende buscar um espaço próprio para a fabricação das pomadas e avaliar a possibilidade de comercializá-las para a comunidade.
“Quem sabe, lá na frente, a gente consiga fazer na escola um local próprio para isso e comercializar essas pomadas para a comunidade, com um preço acessível a todas as pessoas”, afirmou Eugênio.
A horta inclui plantas como hortelã, babosa, guaco, poejo e eucalipto. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
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