Perícia constatou, porém, que recém-nascida respirou após o parto; caso é investigado em Várzea Grande
A mulher apontada como responsável por colocar o corpo da própria filha recém-nascida em uma lixeira de um condomínio de Várzea Grande afirmou à Polícia Civil que acreditava que a bebê havia nascido morta. Em depoimento à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ela disse ter agido em um momento de “desespero e confusão emocional”.
O corpo foi encontrado na manhã de 23 de julho por um trabalhador responsável pela coleta dos contêineres de lixo do condomínio. A recém-nascida estava dentro de uma caixa de papelão. Durante as investigações, imagens do sistema de videomonitoramento ajudaram a identificar a mãe como a pessoa que havia feito o descarte.
À polícia, a mulher contou que apenas suspeitava que estivesse grávida, pois continuava apresentando sangramentos. Por isso, não teria realizado acompanhamento pré-natal nem comunicado a possível gestação ao marido ou a outros familiares. Segundo o relato, na noite de 22 de julho, enquanto o esposo dormia, ela entrou em trabalho de parto no banheiro da residência e deu à luz sozinha.
A investigada afirmou que a filha nasceu aparentemente sem sinais de vida. Depois de cortar o cordão umbilical, teria colocado o corpo em uma caixa junto com a placenta e outros resíduos do parto e levado tudo até a lixeira durante a madrugada. Ela reconheceu ser a pessoa registrada pelas câmeras e negou ter usado substâncias abortivas ou recebido ajuda de terceiros.
O marido também prestou depoimento e confirmou, em linhas gerais, a versão da companheira. Segundo ele, só ficou sabendo do que havia acontecido dias depois, quando o caso ganhou repercussão.
O laudo de necropsia da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), entretanto, trouxe um elemento diferente da versão apresentada pela mãe. O exame apontou que a criança, do sexo feminino, tinha aproximadamente 26 semanas de gestação — cerca de seis meses — e pesava 750 gramas. Não foram encontrados sinais de violência física, mas a perícia constatou que houve respiração após o nascimento, indicando que a bebê nasceu com vida e sobreviveu por um curto período.
A causa da morte ainda não foi determinada. Entre as possibilidades analisadas está a de que a prematuridade tenha contribuído para o óbito. A Polícia Civil também aguarda exames complementares para verificar se o parto ocorreu espontaneamente ou se pode ter sido provocado pelo uso de alguma substância ou outro tipo de intervenção.
Com as diligências em fase final, a expectativa é de que o inquérito seja concluído nos próximos dias. Inicialmente, a investigada poderá ser indiciada por homicídio, sob o entendimento de que, como mãe, tinha o dever jurídico de cuidado e proteção da filha, que, segundo a perícia, nasceu com vida.
O delegado Rogério Gomes, responsável pelo caso na DHPP, ponderou que o enquadramento jurídico ainda poderá ser alterado conforme os resultados dos exames pendentes. Caso surjam elementos indicando que o parto foi provocado por prática abortiva, outros crimes também poderão ser incluídos na investigação.
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