Caroline Dobes afirmou aos deputados que não participava de licitações e que já foi inocentada pela Justiça. CPI agora aguarda Gilberto Figueiredo e Juliano Melo na próxima semana
Após a oitiva, acompanhada do advogado Ricardo Monteiro, a investigada concedeu entrevista à imprensa e revelou que apresentou todos os esclarecimentos necessários sobre o trabalho executado na pasta. Para o presidente da CPI, deputado estadual Wilson Santos (PSD), no entanto, a investigada não apresentou fatos ou informações novas que pudessem contribuir com as apurações.
Caroline conta que não deixou nenhuma pergunta sem resposta e que as questões relacionadas à sua atuação já haviam sido esclarecidas anteriormente perante outras autoridades. De acordo com ela, documentos e provas apresentados à justiça resultaram em decisões que a retiraram de investigações e impediram que se tornasse ré. “Das 70 perguntas, todas foram respondidas. Tudo que precisava ser respondido ou provado da minha parte foi apresentado judicialmente há muitos anos”, pontuou.
A ex-secretária disse ainda que as questões relacionadas a ela já foram analisadas pelo Ministério Público, Polícia Judiciária Civil e Poder Judiciário. Ela acrescenta que houveram decisões nas justiças das esferas estadual e federal que afastaram a sua responsabilização nos processos em que o seu nome foi relacionado. “Eu estou nesta situação desde 2023. Mesmo tendo uma decisão que já me excluiu dessa investigação, eu sequer me tornei ré. As provas foram apresentadas perante o poder judiciário e consideraram que eu não fazia parte disso. Eu nunca fui processada”, defendeu.
Caroline também contestou a forma como sua atuação na SES é retratada publicamente e disse que o seu trabalho esteve relacionado à assistência à população, especialmente durante a pandemia da Covid-19. Ela citou como exemplo, o Centro de Triagem que foi um projeto que atribuiu à sua gestão. “Eu não sou a mulher da SES de forma pejorativa. Se eu sou uma mulher da SES, sou a mulher que trabalha e que tirou grandes projetos assistenciais para salvar a população de Mato Grosso num momento crítico da pandemia”, informou.
Apesar do posicionamento feito por Wilson Santos ao conteúdo apresentado durante a oitiva, Caroline avaliou positivamente a sua participação na CPI e disse considerar importante ter tido a oportunidade de apresentar a sua versão. “Nenhum ato de autoridade em um processo tão sensível como esse pode ser considerado desnecessário. Eu agradeci na CPI, a oportunidade de ter um momento técnico, sóbrio e democrático, de poder trazer tudo o que aconteceu e que ainda não havia sido divulgado da forma como precisava ser”, explica.
Wilson Santos explica que o objetivo da CPI é reunir informações e documentos tanto de pessoas investigadas quanto de testemunhas e que, no caso de Caroline, ela participou da oitiva na condição de investigada. “Ela disse que gostaria, após a arguição dos deputados, de trazer algumas informações. E ela não trouxe essas informações. Terminada a sabatina, eu ainda indaguei se ela havia se arrependido de ter anunciado que tinha informações extras. Ela acabou não trazendo informação extra nenhuma”, relatou.
Nas respostas relacionadas a contratos sem licitação e possíveis enriquecimentos, o deputado afirmou que a ex-secretária declarou não ter participado de processos de licitação, compras ou pagamentos dentro da SES. “Ela disse que não era da área dela. Ela nunca licitou nada, nunca comprou nada, nunca pagou nada. Disse que existia na Secretaria Estadual de Saúde, uma secretaria adjunta de licitações e que nunca participou dessa parte. A parte dela era administrar, fazer a gestão dos hospitais regionais. Licitação nunca foi com ela”, explicou.
Ausência – Antes da oitiva de Caroline, a CPI aguardava o depoimento do ex-secretário de Estado de Saúde (SES), Gilberto Figueiredo, que não compareceu à comissão. Para Wilson Santos, a ausência foi considerada frustrante, principalmente porque o próprio ex-secretário teria manifestado anteriormente disposição para prestar esclarecimentos. “Mais uma vez, em abril, Gilberto deu uma entrevista dizendo que estava pronto. Se recebesse um convite, viria à CPI. No outro dia, eu fiz o convite oficial, em nome da presidência da CPI, e ele nunca respondeu. Foi convocado e continuou dizendo que tinha total tranquilidade em comparecer à CPI”, declarou.
O presidente da CPI também citou o habeas corpus apresentado pelo ex-secretário ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, cujo pedido foi indeferido. “Então, ele tem demonstrado, na prática, uma coisa: uma coisa é o que ele fala, mas, na prática, ele tem agido verdadeiramente para não comparecer à CPI”, comentou.
O deputado ressaltou, porém, que a comissão possui limitações constitucionais e precisa respeitar decisões do Supremo Tribunal Federal que restringem medidas coercitivas contra depoentes. “Nós temos limitações constitucionais, decisões do Supremo Tribunal Federal. Não há mais um encaminhamento coercitivo sobre vara. Então, a CPI vai ter que ter bastante paciência”, declarou.
Na próxima quarta-feira, 2 de setembro, às 14h, na Assembleia Legislativa, ocorrerá o depoimento de Gilberto Figueiredo que foi remarcado com aprovação da maioria do colegiado da CPI. Também, está previsto a oitiva com o secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, para prestar esclarecimentos sobre os contratos firmados pela SES, no período de 2019 a 2025.
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