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Após quatro meses de alta, preço do algodão em pluma perde força em junho – MAIS SOJA


Depois de subir por quatro meses consecutivos, a cotação do algodão em pluma no mercado interno perdeu força em junho. A pressão exercida por compradores e o enfraquecimento das cotações internacionais influenciaram esse movimento, favorecendo uma postura mais flexível por parte de alguns vendedores.

Do lado comprador, indústrias permaneceram cautelosas quanto a novas aquisições, diante das dificuldades nas vendas de manufaturados e no repasse de custos ao longo da cadeia produtiva. Além disso, parte da necessidade de matéria-prima continua sendo atendida por estoques e/ou por contratos a termo firmados anteriormente, reduzindo a urgência de novas compras, que ocorrem apenas de forma pontual.

Dados do IBGE mostraram que, em abril/26 (informações mais recentes), as vendas no varejo de tecidos, vestuário e calçados permaneceram enfraquecidas. Na comparação com março/26, houve leve recuo de 0,1%, e, em relação a abril/25, a queda foi de 2,5%. No acumulado de 2026, as vendas registram retração de 1%, e, no acumulado dos últimos 12 meses, de 0,2%.

Pelo lado da oferta, as dificuldades relacionadas à aprovação da qualidade dos lotes disponibilizados continuaram limitando o avanço das negociações. Ao mesmo tempo, parte dos vendedores passou a flexibilizar suas exigências para viabilizar novos fechamentos. Ainda assim, compradores mantiveram as ofertas em patamares inferiores aos valores solicitados, reforçando a pressão sobre as cotações.

Enquanto isso, alguns cotonicultores permaneceram atentos às condições climáticas e ao desempenho das lavouras, aguardando o avanço da colheita para retomar as negociações. Segundo a Conab, apesar das variações climáticas e do avanço irregular da colheita entre os estados, as perspectivas gerais permanecem favoráveis à produtividade e à qualidade da fibra.

Nesse cenário, entre 29 de maio e 30 de junho, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) registrou queda de 3,65%, encerrando o dia 30 a R$4,1230/lp.

Ainda assim, em junho, a cotação interna permaneceu, em média, 7,7% acima da paridade de exportação, marcando o sexto mês consecutivo de vantagem para o mercado doméstico e a maior diferença desde julho/25, quando superou a paridade em 8,4%.

A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,1511/lp em junho, retração de 1,67% frente à de maio/26. Em relação a junho do ano anterior, contudo, houve queda real de 7,32%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de maio/26. Em dólar, a média à vista do Indicador foi de US$ 0,8065/lp em junho, 9,1% acima do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), de US$ 0,7391/lp, mas ainda 6,6% abaixo da média de US$ 0,8633/lp do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente.

MERCADO INTERNACIONAL – Mesmo com o enfraquecimento observado nos últimos dias de junho, a paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea, avançou 1,5% entre 29 de maio e 30 de junho, atingiu R$ 3,8297/lp (US$ 0,7409/lp) no porto de Santos (SP) e R$ 3,8402/lp (US$ 0,7429/lp) em Paranaguá (PR) no dia 30.

Esse movimento foi sustentado pela valorização de 2,44% do dólar frente ao Real em junho. No mesmo intervalo, o Índice Cotlook A recuou 0,93%, encerrando o mês em US$ 0,8530/lp. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), entre 29 de maio e 30 de junho, o contrato Julho/26 caiu 5,16%; o Outubro/26, 4,04%; o Dezembro/26, apenas 0,34%; e o Março/27, 3,2%.

EXPORTAÇÃO – A ampla disponibilidade de algodão em pluma no Brasil e a necessidade de escoamento do excedente produtivo vêm mantendo o ritmo de exportações forte mesmo durante a entressafra. Ao longo das últimas safras, o País consolidou sua capacidade de abastecer o mercado internacional de forma contínua ao longo do ano, diferentemente do padrão observado anteriormente, quando os embarques se concentravam no segundo semestre. Como resultado, as exportações brasileiras passaram a apresentar maior regularidade, alcançando recordes mensais inclusive em meses tradicionalmente marcados pela menor disponibilidade da pluma.

De acordo com a Secex, os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 217,04 mil toneladas em junho/26, o maior volume da história para este mês. Embora essa quantidade ainda esteja 25,5% abaixo da registrada em maio/26, já supera em 63,4% o total embarcado em todo o mês de junho/25.

Na parcial da safra 2025/26 (de agosto/25 até junho/26), os embarques já ultrapassaram 3,2 milhões de toneladas, volume 14% superior ao total exportado em toda a safra passada (de agosto/24 a julho/25). Considerando-se apenas o ano civil (de janeiro até junho/26), o Brasil exportou 1,8 milhão de toneladas, também conforme a Secex. Quanto aos preços, segundo a Secex, a média das exportações em junho/26 foi de US$ 0,7328/lp, avanço de 4,6% frente à de maio/26 e apenas 0,4% superior à observada em junho/25. Em moeda nacional, a média equivale a R$ 3,7610/lp, 9,4% inferior à praticada no mercado spot doméstico, de R$ 4,1511/lp.

CAROÇO DE ALGODÃO – De modo geral, os preços do caroço de algodão seguiram sustentados pela postura firme dos vendedores em relação aos lotes remanescentes da safra 2024/25. As negociações continuaram ocorrendo de forma pontual. Para a próxima temporada, o mercado permaneceu com baixa liquidez. Parte dos compradores já garantiu antecipadamente o abastecimento de parte da matéria-prima e agora aguarda o avanço da colheita da nova safra, na expectativa de que o aumento da oferta pressione os valores.

Segundo dados divulgados pelo Imea em 8 de junho, para a temporada 2024/25, 93,55% do caroço já havia sido comercializado em Mato Grosso, maior estado produtor, abaixo dos 97,81% registrados no mesmo período do ano passado e da média dos últimos cinco anos, de 97,3%.

Para a safra 2025/26, o ritmo de comercialização é ainda mais lento. De acordo com o Imea, apenas 36,78% do caroço havia sido negociado em Mato Grosso, frente a 54,79% no mesmo período da temporada anterior e à média quinquenal de 51,34%. No mercado spot, dados do Cepea mostraram que a média do caroço em Lucas do Rio Verde (MT) foi de R$ 983,00/t em junho/26, alta de 10,8% frente a maio, mas queda de 38,6% em relação a junho/25. Em Campo Novo do Parecis (MT), a média atingiu R$ 925,79/t, avanço de 2,5% no mês, porém, retração de 42,1% na comparação anual. Em Primavera do Leste (MT), o valor médio foi de R$ 996,66/t, com alta mensal de 0,5%, mas recuo anual de 43,4%.

Em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.034,40/t, com quedas de 4,7% frente a maio e de 35,4% em relação a junho/25. Em São Paulo (SP), a média foi de R$ 1.411,02/t, com recuos de 0,9% no comparativo mensal e de 24,7% em relação a junho do ano passado.

Fonte: Cepea



 

agro.mt

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