As giberelinas (ácido giberélico) são hormônios vegetais essenciais para a regulação do crescimento e do desenvolvimento das plantas, participando da indução e coordenação de diversos processos fisiológicos e bioquímicos fundamentais ao metabolismo vegetal. Em interação com outros fitormônios, especialmente as auxinas, desempenham papel relevante no alongamento e na divisão celular, no crescimento de frutos e na germinação de sementes (Paulilo et al., 2015).
Na cultura da soja, os efeitos mais evidentes das giberelinas estão associados ao crescimento vegetativo, com destaque para a elongação dos entrenós e do caule. Embora sua atuação esteja integrada a uma complexa rede de sinalização hormonal (Figura 1), as giberelinas exercem influência direta sobre a expansão celular e o crescimento dos tecidos vegetativos, podendo modificar a arquitetura das plantas, a altura das hastes e, consequentemente, alguns componentes relacionados à produtividade.
Conforme demonstrado por Leite; Rosolem; Rodrigues (2003), a aplicação foliar de giberelina na cultura da soja promove incrementos em características relacionadas ao crescimento vegetativo, como altura de plantas, altura de inserção do primeiro nó, diâmetro do caule, área foliar e acúmulo de matéria seca. Esses resultados evidenciam o potencial das giberelinas como ferramenta de manejo para estimular o desenvolvimento da cultura, desde que sua utilização seja realizada de forma estratégica e alinhada aos objetivos agronômicos da lavoura.
Reforçando a influência das giberelinas sobre o crescimento vegetativo da soja, Cruciol et al. (2014), ao avaliarem o crescimento, as alterações morfológicas e os teores de clorofila A, B e total em plantas submetidas à aplicação foliar de ácido giberélico e de paclobutrazol (regulador de crescimento que inibe a biossíntese de giberelinas), observaram que as plantas tratadas com ácido giberélico (Figura 2 – T2) apresentaram desenvolvimento superior em comparação tanto às plantas sem tratamento (Figura 2 – T4) quanto àquelas submetidas à aplicação de paclobutrazol (Figura 2 – T1 e T3).
Embora as diferenças observadas para algumas variáveis de crescimento não tenham sido estatisticamente significativas, as avaliações visuais e morfológicas realizadas pelos autores evidenciam a contribuição das giberelinas para a promoção do crescimento vegetal. Os resultados reforçam o papel desse hormônio na elongação dos entrenós e no desenvolvimento da parte aérea da soja, características diretamente relacionadas à arquitetura das plantas e ao seu potencial produtivo.
Vale destacar que a ação das giberelinas ocorre predominantemente em células jovens e em tecidos meristemáticos, onde esse hormônio promove tanto a divisão quanto o alongamento celular, processos fundamentais para o crescimento vegetal (Ribeiro & Fortes, s.d.). Em razão dessa atuação, as giberelinas exercem papel central na expansão dos entrenós, no desenvolvimento da parte aérea e na definição da arquitetura das plantas.
Além dos efeitos sobre o crescimento vegetativo, as giberelinas também estão diretamente relacionadas à germinação das sementes. Durante esse processo, estimulam a mobilização das reservas armazenadas, favorecendo a germinação e o estabelecimento inicial das plântulas. Por esse motivo, em determinadas situações, a aplicação de giberelina via tratamento de sementes pode ser utilizada como estratégia para estimular e uniformizar a germinação, especialmente quando há condições menos favoráveis ao estabelecimento da cultura.
Na soja, a aplicação de produtos comerciais à base de giberelinas durante a fase vegetativa tem como principal objetivo estimular o crescimento da parte aérea, promover a elongação dos entrenós e aumentar o índice de área foliar. Essa prática pode contribuir para a recuperação do desenvolvimento das plantas após a ocorrência de estresses abióticos, como baixas temperaturas, fitointoxicações ou outras condições que limitem temporariamente o crescimento vegetal (Tagliapietra et al., 2022). Nesses cenários, o uso criterioso de giberelinas pode favorecer a retomada do metabolismo e do crescimento da cultura, potencializando a formação de área fotossinteticamente ativa e a interceptação da radiação solar.
CRUCIOL, G. C. D. et al. APLICAÇÃO DE ÁCIDO GIBERÉLICO E PACLOBUTRAZOL NA CULTURA DA SOJA. Revista de Agricultura Neotropical, 2014. Disponível em: < https://periodicosonline.uems.br/index.php/agrineo/article/view/234?utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 25/05/2026.
LEITE, V. M.; ROSOLEM, C. A.; RODRIGUES, J. D. GIBBERELLIN AND CYTOKININ EFFECTS ON SOYBEAN GROWTH. Scientia Agricola, 2003. Disponível em: < https://revistas.usp.br/sa/es/article/view/21824/23848 >, acesso em: 25/05/2026.
PAULILO, M. T. S.; VIANA, A. M.; RANDI, Á. M. FISIOLOGIA VEGETAL. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, 2015.
RIBEIRO, J. G. G.; FORTES, L. F. C. S. GIBERELINA: FUNÇÕES NOS VEGETAIS. Informativo GEA, Esalq, s.d. Disponível em: < https://www.gea-esalq.com/informativo-gea-fun%C3%A7%C3%B5es-giberelina >, acesso em: 25/05/2026.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria – RS, ed. 2, 2022.
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