As cotações do trigo continuaram caindo, em Chicago, nesta semana. O bushel do cereal fechou a quinta-feira (22) em US$ 6,24, a mais baixa cotação desde o dia 09/07. Na semana anterior, o fechamento havia sido de US$ 6,70. Nos EUA, até o dia 18/10, o plantio do trigo de inverno atingia a 63% da área, contra 69% na média histórica. Deste trigo semeado, 39% havia germinado, contra 43% na média.
No Brasil, os preços do trigo de qualidade superior continuaram estabilizados, com leve viés de baixa diante da colheita, mesmo que comprometida em termos de qualidade. As principais praças gaúchas registraram R$ 73,00/saco, enquanto no Paraná as mesmas ficaram em R$ 79,00.
A colheita no Paraná atingia a 82% da área no dia 19/10, com perdas importantes na qualidade do produto colhido. De tal maneira que o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR) acompanha com bastante preocupação a reta final da colheita do trigo do Estado, pois o mesmo representa 30% da produção nacional de farinha de trigo, com moagem de 3,85 milhões de toneladas por safra. O fato é que tal realidade atinge igualmente o Rio Grande do Sul que, segundo a Emater, já tem 19% da área colhida, contra 22% na média histórica até o dia 22/10.
Os problemas de qualidade da safra brasileira de trigo estão provocando mudanças nas negociações entre produtores, comerciantes e moinhos. Com maior diferença entre os padrões dos lotes disponíveis, a indústria tem avaliado individualmente as características do cereal, enquanto o trigo que não atende às especificações moagem enfrenta descontos ou precisa encontrar destinos alternativos, como as rações animais.
Nesta semana, referências indicativas de mercado apontaram trigo Tipo 1 com PH 78 próximo de R$ 1.750,00/tonelada CIF Curitiba. Para lotes com PH 75 e Falling Number de 200 segundos, há indicações em torno de R$ 1.500,00/tonelada CIF, enquanto referências de trigo com PH 73 aparecem próximas de R$ 1.250,00/tonelada. Esses valores não representam uma tabela oficial de descontos nem operações necessariamente realizadas sob as mesmas condições comerciais. Por isso, as diferenças entre eles não podem ser tratadas como uma redução fixa de preço aplicada ao produtor.
Vale ainda destacar que, entre 1º de agosto e 13 de outubro, apenas 23,2% das leituras realizadas por empresa especializada atingiram o PH mínimo de 78 quilos por hectolitro (kg/hl), um dos requisitos para a classificação do cereal como Tipo 1. No mesmo período de 2025, a proporção era de 72%. O levantamento reúne mais de 112 mil leituras de medidores conectados ao sistema. Os dados mostram que o PH mediano caiu de 80,2 kg/hl, em 2025, para 74,2 kg/hl neste ano. Já a umidade mediana subiu de 14,2% para 15,9% no mesmo intervalo. O Paraná, estado que concentrou a maior parte das medições, registrou umidade mediana de 16,4% (cf. Motomco).
Enfim, em seu último boletim mensal de outubro, a Conab ainda projeta uma safra brasileira de 5,7 milhões de toneladas de trigo, com 2,16 milhões a serem colhidos no Paraná e 2,26 milhões no Rio Grande do Sul.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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