Categories: Featured

“Boa parte da nossa riqueza vai embora com a pluma”, diz Eraí ao apoiar polo de fábricas em MT


Setor produtivo e gigantes do agro endossam programa de repasse de ICMS do Governo; plano promete frear exportação crua e explodir vagas de emprego

“Programa cria ambiente mais competitivo para transformar essa pluma aqui dentro”. A declaração do produtor de algodão e presidente da Agrofios Campo Verde, Milton Garbugio, resume a avaliação do setor produtivo sobre o Programa de Verticalização da Indústria Têxtil lançado pelo Governo de Mato Grosso nesta quarta-feira (27.5).

A iniciativa tem o objetivo de ampliar o processamento do algodão dentro do Estado e incentivar novos investimentos na indústria têxtil mato-grossense, com foco na agregação de valor à produção local, geração de empregos e fortalecimento da economia regional.

“Mato Grosso já produz algodão em escala mundial. Quando você industrializa, o dinheiro circula mais tempo no Estado, gera emprego urbano e fortalece toda a economia regional”, afirmou Garbugio.

Advertisement

O programa consiste em transformar, dentro do próprio estado, o algodão em pluma produzido no campo em produtos industrializados, como fios, tecidos, malhas e confecções, agregando valor à economia local. Na prática, os produtores poderão transferir para as indústrias créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) acumulados ao longo da cadeia produtiva. Já as indústrias poderão utilizar esses valores para reduzir parte do imposto devido nas operações, diminuindo custos de produção e aumentando a competitividade do setor.

Maior produtor individual de algodão do mundo, Eraí Maggi afirmou que a verticalização pode ampliar a permanência do valor agregado da cadeia produtiva dentro do Estado.

“Hoje nós produzimos algodão em grande escala, mas boa parte dessa riqueza vai embora junto com a pluma. Quando você industrializa aqui dentro, você distribui renda de forma muito maior. A indústria gera emprego contínuo, movimenta as cidades, cria oportunidade para milhares de famílias e faz o desenvolvimento chegar muito mais forte para a população”, declarou.

O diretor-presidente do Grupo Rovitex, Vitor Luiz Rambo Junior, afirmou que o setor já avalia projetos de expansão em Mato Grosso, principalmente em áreas de maior valor agregado, como fios penteados e malharia.

“A cadeia têxtil brasileira movimenta mais de R$ 200 bilhões por ano e emprega milhões de pessoas. Mato Grosso produz a matéria-prima, tem logística em expansão e escala agrícola. O incentivo ajuda justamente a tornar o Estado competitivo para capturar uma parte maior desse mercado industrial”, afirmou.

Advertisement

 

Além da indústria, representantes do comércio também avaliam que os reflexos da verticalização podem alcançar outros segmentos da economia, principalmente serviços e varejo.

“O setor têxtil tem uma capacidade enorme de distribuir renda. Quando uma indústria chega, ela movimenta serviços, transporte, comércio, qualificação profissional e cria empregos em larga escala, principalmente para mulheres e jovens”, afirmou o presidente da CDL Cuiabá, Junior Macagnan.

Em Campo Verde, município que concentra parte das fiações instaladas em Mato Grosso, a expectativa da prefeitura é de fortalecimento da atividade econômica local e aumento da demanda por mão de obra técnica.

“A indústria muda completamente o perfil econômico do município. Ela gera emprego contínuo, movimenta comércio, cria demanda por qualificação e ajuda a estabilizar a economia além do ciclo agrícola”, afirmou o prefeito Alexandre Lopes.

Advertisement

O programa de verticalização se soma a outros incentivos e políticas já implementados pelo Governo de Mato Grosso voltados à competitividade da indústria. Entre eles estão a isenção do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) sobre o algodão destinado à indústria de fiação mato-grossense e os incentivos concedidos pelo Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).

Atualmente, não há incidência do Fethab sobre a saída da pluma destinada exclusivamente à indústria de fiação instalada no estado. A medida reduz o custo de aquisição da matéria-prima e fortalece a competitividade da produção local.

Em relação ao Prodeic, o Governo do Estado aplica redução do ICMS para a indústria têxtil, permitindo que a carga tributária efetiva seja reduzida para 1,2% nas operações interestaduais e de 2,55% a 3,4% nas operações internas.

Com Assessoria 

Advertisement
agro.mt

Recent Posts

Vírus circulando: VG corre contra o tempo para vacinar idosos e crianças antes do dia 30

Com foco total em blindar os mais vulneráveis contra complicações respiratórias, município aguarda aval do…

13 minutos ago

Programa têxtil cria ambiente para industrialização do algodão em Mato Grosso

"Programa cria ambiente mais competitivo para transformar essa pluma aqui dentro”. A declaração do produtor…

17 minutos ago

Safra de erva-mate no Rio Grande do Sul deve chegar a 310 mil toneladas em 2026

A safra 2026 de erva-mate no Rio Grande do Sul deve alcançar cerca de 310…

44 minutos ago

De enchentes a desastres aéreos: VG entra em alerta contra El Niño e cria plano de contingência inédito

Prefeitura reúne Defesa Civil e Ministério Público para antecipar cenários de risco; promotora elogia fim…

49 minutos ago

MPT alega risco à saúde de trabalhadores e pede fim do uso do glifosato em lavouras do país

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou, no último dia 22 de maio, uma Ação…

59 minutos ago

Paraná deve colher 21,78 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, projeta Deral

O estado do Paraná deve produzir 21,78 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26,…

2 horas ago