Com a busca por mais eficiência e sustentabilidade no campo, uma tecnologia que utiliza luz e laser para analisar o solo em tempo real começa a ganhar espaço no agronegócio brasileiro. A chamada agrofotônica vem sendo desenvolvida pela Embrapa Instrumentação, por meio do Laboratório Nacional de Agrofotônica (Lanaf), em São Carlos, no interior de São Paulo.
O laboratório é reconhecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) como estratégico para o país e atua no desenvolvimento de tecnologias fotônicas aplicadas à agricultura e ao meio ambiente.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Instrumentação Débora Milori, a técnica utiliza diferentes radiações eletromagnéticas, como luz visível, infravermelho e radiofrequência, para caracterizar materiais de interesse do agronegócio, como solos, plantas, frutas, fertilizantes e alimentos.
“A gente utiliza todas essas tecnologias para caracterizar materiais de interesse para o agro”, destaca Débora Milori.
De acordo com a pesquisadora, embora a fotônica já exista há décadas, sua aplicação direta no agro ganhou força nos últimos dez anos no mundo e começou a se consolidar no Brasil nos últimos cinco anos.
Entre as principais aplicações da tecnologia estão o mapeamento de nutrientes no solo, a quantificação de carbono para projetos de crédito de carbono, o diagnóstico precoce de doenças em plantas, além da avaliação da qualidade de frutas e sementes.
Uma das técnicas utilizadas no laboratório é a LIBS, sigla em inglês para espectroscopia induzida por plasma a laser. O método usa feixes de laser para analisar a composição química do solo e das plantas de forma rápida e precisa.
Apesar de parecer futurista, a tecnologia começou a ser desenvolvida ainda na década de 1960, com a invenção do laser. Nas décadas seguintes, ganhou novas aplicações e chegou até às missões espaciais da Nasa em Marte, onde foi usada para estudar a composição de rochas e solos no planeta vermelho.
Inspirados por essa aplicação espacial, pesquisadores brasileiros passaram a estudar o uso da técnica em solos tropicais a partir de 2005.
O funcionamento é baseado na emissão de laser sobre uma amostra de solo. A radiação provoca a quebra das moléculas presentes na superfície e gera um plasma (um gás de alta temperatura formado por íons e elétrons). A luz emitida por esse plasma é então analisada para identificar os elementos químicos presentes na amostra.
A partir dessas informações, é possível criar mapas detalhados do solo, identificando concentrações de nutrientes como magnésio, manganês e carbono em diferentes profundidades.
Essa “digitalização do solo” permite que o produtor aplique fertilizantes e insumos de maneira mais precisa, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.
Além da economia, a tecnologia também contribui para diminuir riscos de contaminação causados pelo excesso de nutrientes no solo.
Agora, o desafio é levar a inovação para dentro das propriedades rurais em larga escala, para isso, a Embrapa firmou um contrato de licenciamento com uma empresa privada para aplicar a tecnologia LIBS na análise de solos tropicais.
A expectativa é que a agrofotônica avance ainda mais nos próximos anos, acompanhando o desenvolvimento das chamadas tecnologias quânticas de segunda geração, consideradas uma nova fronteira para o agronegócio brasileiro.
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