Com o avanço dos casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas, o manejo dessas espécies tem se tornado progressivamente mais complexo (Heap, 2026). Além da resistência a herbicidas pós-emergentes, outro desafio relevante está na heterogeneidade dos fluxos de emergência, que dificulta o estabelecimento inicial da cultura “no limpo” (livre de matocompetição), e favorece novos fluxos de infestação após a dessecação, contribuindo para a manutenção e reposição das populações no sistema.
De modo geral, esses fluxos de emergência têm origem no banco de sementes do solo, constantemente alimentado por plantas daninhas oriundas de falhas de manejo. Essas plantas produzem e dispersam sementes ao final do ciclo das culturas e também durante a entressafra, perpetuando o problema ao longo dos anos (Figura 1).
Essa dinâmica resulta não apenas na presença de plantas remanescentes após operações como dessecação ou capina, mas também na necessidade de aplicações sequenciais de herbicidas. Como consequência, há aumento nos custos de produção, maior demanda por mão de obra e maior complexidade no planejamento das operações (Figura 2).
Diante desse cenário, a escolha adequada dos herbicidas torna-se estratégica, devendo considerar critérios como espectro de controle, seletividade à cultura, período residual e espécies-alvo. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes tem papel fundamental, especialmente no manejo de fluxos escalonados de emergência.
Em muitas situações, o sucesso no controle está diretamente relacionado ao correto posicionamento dos herbicidas pré-emergentes, tanto em relação ao momento de aplicação quanto à escolha do princípio ativo. Um posicionamento inadequado pode comprometer a eficiência de controle e até resultar em efeitos indesejados, como fitotoxicidade à cultura.
Diversos estudos demonstram que, sobretudo em espécies de rápido crescimento e emergência desuniforme, como o caruru (Amaranthus spp.), o uso de herbicidas pré-emergentes contribui significativamente para o melhor estabelecimento da lavoura e aumento da produtividade, ao reduzir a matocompetição inicial.
Embora herbicidas compostos por um único princípio ativo apresentem, em geral, menor espectro de ação, seu uso pode ser altamente eficiente quando bem posicionado. Nesse sentido, moléculas mais recentes, como a piroxasulfona, têm se destacado no controle de espécies de difícil manejo, como o caruru, auxiliando na redução dos fluxos de emergência.
Devido ao seu comportamento no solo e na palhada, a piroxasulfona apresenta características interessantes para sistemas de plantio direto. Sua retenção na palha é relativamente baixa, permitindo que o produto atinja o solo após a ocorrência de chuvas, condição essencial para sua ativação (Up. Herb, s.d.). Além disso, essa molécula tem ganhado relevância também em culturas de inverno, como o trigo, sendo uma das principais opções em pré-emergência para o controle de azevém (Up. Herb, s.d.).
Resultados experimentais indicam elevada eficiência da piroxasulfona no controle de gramíneas e plantas daninhas de folhas largas, incluindo espécies de caruru (Amaranthus spp.), além de apresentar boa persistência no solo, o que torna a piroxasulfona uma ferramenta interessante, principalmente em áreas com histórico de ocorrência do caruru. Outro ponto relevante é a ausência de casos confirmados de resistência no Brasil, o que reforça sua importância em programas de manejo (Silva et al., 2025).
Por outro lado, seu uso exige atenção a alguns aspectos técnicos. A piroxasulfona é moderadamente adsorvida ao solo e, embora apresente baixo potencial de lixiviação, sua mobilidade pode variar conforme as características edafoclimáticas. Chuvas intensas após a aplicação podem favorecer o acúmulo do herbicida no sulco de semeadura, aumentando o risco de fitotoxicidade. Além disso, sua eficiência está diretamente relacionada à presença de umidade no solo, fator essencial para sua ativação e desempenho (Up. Herb, s.d.). Sobretudo, quando posicionada adequadamente a piroxasulfona pode contribuir significativamente para o manejo de plantas daninhas de difícil controle como o caruru, favorecendo o estabelecimento da lavoura no limpo.
BARROSO, A. A. M.; MURATA, A. T. MATOLOGIA: ESTUDOS SOBRE PLANTAS DANINHA. Fábrica da palavra, 2021.
HEAP. I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2026. Disponível em: < https://www.weedscience.org/Pages/ChronologicalIncrease.aspx >, acesso em: 16/04/2026.
SILVA, A. N. et al. HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA NO MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS. Enciclopédia Biosfera, 2025. Disponível em: < https://www.conhecer.org.br/enciclop/2025D/herbicidas.pdf >, acesso em: 16/04/2026.
UP. HERB. COMO CONTROLAR O AZEVÉM NO TRIGO? Up. Herb: Academia das Plantas Daninhas. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/int/como-controlar-o-azevem-no-trigo>, acesso em: 16/04/2026.
UP. HERB. MANEJO QUÍMICO: PIROXASULFONA. Up. Herb: Academia das Plantas Daninhas. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/int/piroxasulfona >, acesso em: 16/04/2026.
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) atualizou as estatísticas do complexo soja,…
Mato Grosso consolidou sua liderança nacional na produção de etanol de milho ao alcançar 5,6…
Foto Everson Bressan/AEN O estado de Santa Catarina, responsável por cerca de 97% da produção…
Cuiabá sedia debate sobre crescimento, tecnologia e mercado no Brasil e no mundoCuiabá recebeu, nesta…
Ministro das Relações Institucionais defendeu rigor da PF na Operação Compliance Zero; em café com…
Reprodução Aprosoja RS A colheita de soja no Rio Grande do Sul avançou de forma…