A colheita da soja e o plantio do milho segunda safra em Mato Grosso se transformaram em uma verdadeira corrida contra o tempo. No Sul do estado, as chuvas irregulares e o prolongamento do ciclo de algumas variedades de soja estão travando o ritmo das máquinas e empurrando a semeadura do cereal para uma janela climática de alto risco. O cenário exige uma força-tarefa dentro das propriedades para evitar perdas ainda maiores na rentabilidade da temporada.
Em Jaciara, o agricultor Rogério Berwanger enfrenta dificuldades para dar ritmo aos trabalhos, com metade dos 1.720 hectares de soja ainda pendentes de retirada. A preocupação central é que a umidade excessiva concentre a maturação das áreas, fazendo com que todos os talhões precisem de colheita simultânea sob o risco das famosas chuvas de março. Berwanger explica que o clima prejudicou o início e, após uma trégua, as precipitações voltaram, alongando o ciclo das variedades.
“São áreas que vão chegar todas juntas e março é um mês ainda de muita chuva. Estamos entrando aí, quase na segunda quinzena de março, onde sempre tem a enchente de ‘São José’, que é famosa por todos os anos”, afirma o produtor ao projeto Mais Milho. Ele destaca que a apreensão com o clima é constante neste final de colheita para toda a região Sul mato-grossense.
O atraso na retirada da soja impacta diretamente o cronograma do milho, deixando parte da área de segunda safra sob o que os produtores chamam de “loteria climática“. Berwanger pontua à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que o sucesso da safra agora é incerto e depende exclusivamente de um alongamento do período chuvoso.
“Se o tempo ajudar igual ao ano passado… Mas, é uma loteria. Se a chuva se alongar, ainda consegue talvez fazer uma boa safra, mas é bem arriscado. Já se a chuva cortar em abril, há talhões que não irão pegar nenhuma água”, explica.
Nas fazendas da região, o domingo tornou-se dia de plantão, com equipes prontas para entrar em campo a qualquer sinal de sol para tentar finalizar o plantio. A situação é de alerta geral, já que o atraso não é um caso isolado e atinge grande parte dos agricultores locais que ainda lutam para vencer o calendário. A corrida contra o tempo visa diminuir os prejuízos de uma safra que já começa pressionada pela irregularidade das chuvas e pelo excesso de umidade no solo.
Além do clima, a repentina alta no preço do óleo diesel, impulsionada por conflitos internacionais, trouxe uma nova camada de incerteza financeira para o produtor. Em apenas uma semana, o combustível subiu entre R$ 1,00 e R$ 1,50, elevando drasticamente o custo operacional das máquinas em um momento de uso intenso. Berwanger classifica a situação como um “absurdo” que retira qualquer previsibilidade do setor, afetando toda a cadeia alimentar e de transporte de mercadorias.
“O oportunismo sempre aparece nessas situações, mais um sofrimento para o produtor rural que já está com a colheita atrasada, clima difícil e lavouras perdidas por excesso de chuvas. O país não tem estabilidade”, lamenta o agricultor. Para ele, o impacto é gigantesco entre colheita e plantio, deixando o campo sem segurança para investir e produzir.
Mesmo quem conseguiu avançar com o milho monitora o desenvolvimento das plantas, que já sofreram com veranicos pontuais na última semana. O produtor Jorge Schinoca relata que a falta de chuva regular fez com que as folhas do milho “enrolassem” em algumas áreas, sinalizando um estresse hídrico precoce que preocupa para o futuro da safra.
“Tivemos um veranico de uns oito, quase dez dias na semana passada. A expectativa é que essa chuva dê uma esticadinha, em abril, maio”, projeta Schinoca, que observa milharais em diferentes estágios de desenvolvimento, inclusive alguns ainda nascendo.
De acordo com o levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a semeadura do milho em Mato Grosso atingiu 93,68%, mas o ritmo geral segue 2,76 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da temporada passada.
A região Sudeste lidera o atraso, com uma diferença negativa de 7,69 pontos percentuais em comparação com a safra anterior. Esses dados reforçam a preocupação de que o ciclo do milho seja concluído em um período de escassez hídrica, afetando o peso final dos grãos.
O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Diego Bertuol, alerta que o plantio tardio em março traz o risco adicional da lixiviação, onde o excesso de água “lava” os fertilizantes aplicados.
“A janela ideal para a segunda cultura do milho aqui em Mato Grosso já se passou, mas o produtor vai ter de 10 a 15 dias plantando para conseguir”, analisa em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Bertuol complementa que toda a tecnologia e adubação aplicadas podem não trazer resultado em grandes produções se faltar chuva no enchimento pleno do milho lá na frente.
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O post Força-tarefa no campo: chuva e atraso pressionam milho no Sul de Mato Grosso apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
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