Considerada uma das doenças mais agressivas da cultura da soja, a ferrugem asiática segue avançando nas lavouras brasileiras. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, já são 325 casos confirmados no país, com destaque para o Paraná, que lidera o ranking ao concentrar 156 ocorrências.
Na sequência aparecem Mato Grosso do Sul (69 casos), Rio Grande do Sul (58), São Paulo (19), Goiás (6), Minas Gerais (5) e Mato Grosso (5). Também há registros na Bahia (3), Santa Catarina (2) e em Rondônia (2).
A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, pode causar perdas de até 90% na produtividade quando não controlada adequadamente. Por isso, especialistas reforçam a importância de um manejo preventivo e integrado nas lavouras.
Entre as principais medidas recomendadas estão o cumprimento rigoroso do vazio sanitário, a semeadura dentro da janela indicada e o uso de cultivares resistentes ou tolerantes. O manejo correto de fungicidas também é considerado essencial, com a combinação de produtos sítio-específicos e multissítios para aumentar a eficiência do controle e reduzir riscos de resistência.
Outras estratégias importantes incluem a eliminação de plantas voluntárias durante a entressafra, a adoção de cultivares de ciclo precoce e a semeadura no início da janela recomendada, como forma de escapar do período de maior pressão da doença.
Diante desse cenário, especialistas destacam que planejamento, monitoramento constante das lavouras e adoção de boas práticas de manejo são fundamentais para reduzir perdas e garantir a sustentabilidade da produção de soja no Brasil.
Com o objetivo de otimizar a identificação da ferrugem asiática, uma nova plataforma desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), utiliza inteligência artificial para antecipar o risco da doença na soja. A tecnologia integra o projeto “Ferramenta Digital Avançada para o Gerenciamento de Riscos Agrícolas”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O sistema reúne diferentes tipos de informações, como dados climáticos, imagens digitais das folhas da planta e parâmetros agronômicos, incluindo cultivar, espaçamento e calendário de plantio, para avaliar a probabilidade de ocorrência do fungo nas lavouras. Hospedada em nuvem, a ferramenta gera relatórios e recomendações técnicas de manejo, permitindo acompanhar a evolução da doença e indicar o momento mais adequado para o controle.
Com isso, a tecnologia pode aumentar a precisão no diagnóstico e evitar aplicações desnecessárias de fungicidas, reduzindo custos e impactos ambientais. Além disso, ajuda o produtor a agir de forma preventiva, antes que a ferrugem atinja níveis mais severos nas lavouras.
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