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‘Dia histórico’, diz presidente do Cecafé após EUA decretarem fim do tarifaço para o café

O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, classificou como “um dia histórico” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar a tarifa extra de 40% aplicada ao café verde brasileiro. O anúncio, feito nesta quinta-feira (20), representa o fim de um período considerado “extremamente preocupante” para a cafeicultura, que registrou quedas drásticas nas vendas ao principal mercado do mundo.

Segundo Ferreira, o recuo americano devolve condições de igualdade ao Brasil em relação a outros exportadores, que já haviam obtido isenção total sobre o café em grão na semana anterior. “É uma alegria para todos os brasileiros. Essa tarifa vinha nos colocando em desvantagem enorme e colocava em risco o futuro das exportações”, afirmou.

Risco de perda de até US$ 3 bilhões em um ano

Durante reunião em Brasília, realizada na quarta-feira (19) com o vice-presidente Geraldo Alckmin e membros da equipe econômica do governo, o Cecafé detalhou os impactos do tarifaço. Os números apresentavam um cenário alarmante. Nos últimos três meses, as exportações de café para os Estados Unidos caíram pela metade:

  • –46% em agosto
  • –52,8% em setembro
  • –54% em outubro

Com os estoques de café brasileiro zerados nos EUA e com concorrentes como Vietnã, Indonésia e Nicarágua passando a ter tarifa zero, o Brasil estimava perder até 80% do mercado, o equivalente a US$ 2 bilhões ao ano apenas no comércio bilateral.

Além disso, a perda de competitividade internacional ampliava os descontos sobre o café brasileiro na bolsa, o que poderia gerar um prejuízo adicional de US$ 1 bilhão em outras exportações, totalizando US$ 3 bilhões em impactos negativos em 12 meses.

“Era uma situação insustentável. A ausência do Brasil nos blends americanos poderia se tornar irreversível”, alertou Ferreira.

Mobilização em Brasília e Washington acelerou o recuo

O presidente do Cecafé destacou que a reversão das tarifas resultou de uma atuação conjunta do governo brasileiro, do setor privado e dos importadores norte-americanos. Ferreira citou diretamente o vice-presidente Geraldo Alckmin, chanceler Mauro Vieira, ministro Fernando Haddad, o ministro Carlos Fávaro e outras autoridades.

“Foi um esforço incansável. Todos entenderam que era preciso separar questões políticas e tratar exclusivamente das questões comerciais. Isso fez a diferença”, disse.

Segundo ele, a pressão da cadeia de café nos Estados Unidos também foi decisiva, já que a continuidade das tarifas elevaria preços ao consumidor e prejudicaria grandes marcas diante da escassez do café brasileiro no mercado americano.

Isonomia recuperada e retomada dos blends

Com a modificação da Ordem Executiva 14323, as tarifas extras de 40% sobre o café verde brasileiro foram eliminadas. Também permanece válida a decisão de novembro que zerou tarifas recíprocas de 10% para todos os países.

“Agora voltamos à isonomia. O Brasil recupera condições reais de competir, com sustentabilidade, transparência e produtividade que já são reconhecidas no mundo todo”, afirmou.

Ferreira disse que a prioridade agora é recuperar imediatamente espaço nos blends das empresas americanas e reconstituir estoques. Ele também ressaltou que o país seguirá trabalhando para minimizar danos potenciais que, caso não houvesse recuo, seriam “incalculáveis e irreparáveis”.

Café solúvel ainda é desafio

Apesar da vitória, Márcio Ferreira alertou que o trabalho continua. O café solúvel,que representa 10% das exportações brasileiras para os EUA, segue sujeito a tarifas.

“Assim que soubemos da decisão, já iniciamos contato com a embaixada e com os importadores americanos para avançar também na isenção do solúvel. É um produto que gera de três a quatro vezes mais empregos do que o café verde”, destacou.

Segundo ele, há consenso entre entidades e governo para intensificar a pressão por uma solução rápida.

Setor quer mais marketing e presença internacional

O presidente do Cecafé afirmou ainda que a crise reforça a necessidade de o Brasil investir mais em marketing, imagem e propaganda direta aos consumidores americanos.

“Talvez o café brasileiro não seja tão conhecido na embalagem final quanto deveria. Esse episódio mostra a importância de fortalecer nossa marca e de permanecermos unidos. A cafeicultura brasileira é sustentável, gera progresso e tem uma relevância global que não pode ser ignorada”, afirmou Ferreira.

agro.mt

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