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Incêndio atinge silo de soja em Minas Gerais; entenda por que esses ambientes são vulneráveis


Divulgação Corpo de Bombeiros

Acidentes em estruturas de armazenagem de grãos são considerados de alto risco e exigem protocolos rigorosos de segurança. Um incêndio registrado na última terça-feira (10) em um silo de soja no município de Arcos, em Minas Gerais, voltou a chamar atenção para os perigos presentes nesse tipo de instalação.

O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para atender a ocorrência em uma estrutura industrial destinada à armazenagem de grãos. Ao chegar ao local, as equipes constataram que o foco do incêndio atingia o chamado silo “pulmão” e o conjunto do secador de grãos interligado à estrutura.

De acordo com informações repassadas pelo gerente da empresa, antes da chegada dos bombeiros, o material que estava no interior da secadora já havia sido retirado pela própria equipe da unidade. Mesmo assim, ainda havia resíduos fumegantes e incandescentes, que geravam calor intenso e apresentavam risco de reignição.

Durante a avaliação da estrutura, os militares observaram que as chapas metálicas do secador estavam sob temperaturas elevadas e apresentavam sinais de empenamento devido à ação do calor.

As equipes realizaram o reconhecimento da área, a avaliação dos riscos e o isolamento do perímetro para garantir a segurança da operação. Na sequência, iniciaram o combate às chamas e o resfriamento da estrutura, utilizando linhas de combate abastecidas pelo sistema de hidrantes da própria instalação e pela viatura de incêndio.

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A operação contou ainda com o apoio de oito brigadistas da empresa. Ao todo, foram utilizados cerca de 30 mil litros de água do reservatório do sistema de hidrantes da unidade e aproximadamente 4.500 litros da viatura do Corpo de Bombeiros. Após intenso trabalho de combate e rescaldo para eliminar focos residuais, o incêndio foi totalmente controlado e não houve registro de vítimas.

Ambientes vulneráveis

Mas, afinal, o que torna ambientes como silos e unidades de secagem tão vulneráveis a incêndios e explosões? Segundo Leandro Ducioni, especialista em Áreas Classificadas da Schmersal, episódios como esse seguem um padrão técnico conhecido.

“Muitas vezes existe a combinação de três fatores: poeira orgânica fina, ar e uma fonte de ignição. A poeira gerada na manipulação de grãos como soja, trigo ou arroz funciona como combustível. Quando ela fica suspensa no ar, formando uma nuvem dentro de um ambiente confinado, basta uma superfície quente, faísca ou choque elétrico para provocar uma explosão”, explica.

Em sistemas de transporte de grãos, como correias transportadoras, o risco pode ser ainda maior. O atrito lateral, motores operando além do limite e mancais superaquecidos por falta de manutenção podem gerar calor suficiente para iniciar a combustão. “O calor emanado desses equipamentos pode funcionar como ignitor”, afirma.

Prevenção

A prevenção passa por tecnologia e monitoramento constante. Sensores capazes de medir a temperatura de mancais, detectar desalinhamento de correias e sistemas de visão térmica ajudam a identificar problemas antes que se tornem críticos.

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Outro ponto essencial é o controle da poeira. Camadas de resíduos acumuladas em equipamentos ou estruturas podem ser facilmente dispersas e formar nuvens explosivas.

Durante o período de safra, o risco tende a aumentar. Jornadas prolongadas de operação, máquinas trabalhando no limite, superaquecimento de motores e maior volume de grãos elevam significativamente a geração de poeira e o desgaste dos equipamentos.

No Brasil, ambientes com risco de explosão devem seguir normas específicas para atmosferas explosivas, como a série ABNT NBR IEC 60079, incluindo a norma 60079-10-2, que trata da classificação de áreas. Equipamentos elétricos, eletrônicos e eletromecânicos instalados nesses locais precisam possuir certificação conforme exigências do Inmetro.

Além das soluções de engenharia, a segurança também depende da capacitação dos trabalhadores.

Segundo Alex Sandro da Silva, supervisor de Segurança do Trabalho do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o uso correto de equipamentos de proteção individual é indispensável.

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“Para atividades em silos são recomendados capacete com jugular, óculos de proteção, protetores auriculares, luvas, botas antiderrapantes e respiradores PFF2 ou PFF3. Já em espaços confinados, é obrigatório o uso de cinto tipo paraquedista com talabarte, dispositivos de ancoragem, detectores de gases e até respiradores autônomos”, explica.

Entre os principais riscos nesses ambientes estão o engolfamento — quando o trabalhador é soterrado por grãos , atmosferas tóxicas ou com baixo nível de oxigênio, explosões de poeira e quedas de altura.

Por isso, protocolos como sistema de permissão de trabalho, plano de resgate, uso de tripés com guincho, iluminação anti-explosão e linhas de vida são considerados essenciais.

Mesmo com equipamentos disponíveis, especialistas apontam que o maior desafio ainda é cultural. Muitos trabalhadores resistem ao uso de EPIs por desconforto ou por subestimarem os riscos.

Para mudar essa realidade, entidades como o Senar têm investido em treinamentos práticos, simulações e apresentação de casos reais para fortalecer a cultura de prevenção no campo e nas unidades de armazenagem.

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agro.mt

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