O mercado brasileiro de soja atravessa um período de retração nas negociações. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, o ambiente atual é marcado por incertezas e baixa liquidez. Muitos players estão fora dos negócios e não há indicações claras de compra, o que deixa o mercado travado.
Silveira explica que a situação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afastou diversas tradings do mercado, criando ainda mais insegurança. Apesar de alguns indicadores terem apresentado alta, a falta de volume relevante negociado mantém a liquidez baixa.
O cenário internacional também contribui para dificultar as operações, com custos logísticos elevados, tradings restritas e condições adversas, enquanto os produtores continuam avançando com a colheita em suas propriedades.
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (12) com preços mais altos. O mercado buscou suporte na disparada do petróleo, que subia cerca de 8% próxima ao fechamento, e na perspectiva de aumento de demanda de soja norte-americana por parte dos chineses.
Notícias de que a Cargill suspendeu embarques do Brasil para China devido às mudanças nas inspeções ajudou no ímpeto comprador. De qualquer forma, o grão se afastou das máximas do dia nos últimos negócios, reflexo da força do dólar frente a outras moedas.
A empresa suspendeu as operações de exportação de soja do Brasil para a China após mudanças nos procedimentos de inspeção adotadas pelo governo brasileiro, que tornam difícil para os traders cumprir as exigências, afirmou, nesta quarta-feira, o chefe da empresa para a América Latina, Paulo Sousa. Sousa disse que o Ministério da Agricultura do Brasil adotou uma avaliação sanitária mais rigorosa para a soja destinada à China, com o objetivo de verificar a presença de pragas e ervas daninhas, após um pedido do governo chinês. Segundo ele, o novo sistema é algo incomum no mercado de grãos. A Cargill também parou de comprar soja de produtores locais no Brasil, acrescentou Sousa, já que no momento não consegue exportar o produto para a China. Os contratos da soja em grão para maio de 2026 subiram 13,25 centavos de dólar por bushel, chegando a US$ 12,27 1/4 por bushel, e julho de 2026 avançou 12,75 centavos, fechando a US$ 12,40 por bushel. No farelo, a posição maio de 2026 teve ganho de US$ 4,80 ou 1,52%, a US$ 320,20 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em maio fecharam a 67,42 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,26 centavo ou 0,38%.
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,67%, cotado a R$ 5,2457 para venda e R$ 5,2437 para compra, oscilando durante o dia entre R$ 5,1572 e R$ 5,2502.
O post Inspeções do Mapa paralisam exportações de soja e mercado apresenta retração; veja cotações apareceu primeiro em Canal Rural.
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