Categories: Business

Milho cai até 22% no mercado interno com perda de força das exportações

Os preços do milho caíram até 22% no interior do Brasil desde setembro, pressionados pela perda de competitividade das exportações e pelas dificuldades de escoamento da produção. Em Sorriso (MT), a saca recuou 22%, para R$ 41. Em Rio Verde (GO), a queda foi de 19%, para R$ 50,20. Segundo a Biond Agro, uma recuperação mais consistente depende da retomada das compras da indústria, esperada a partir de dezembro.

A programação reduzida de embarques para novembro, as restrições nas hidrovias do Norte, as filas no Porto de Paranaguá e os fretes elevados dificultam o escoamento, principalmente do milho produzido em Mato Grosso com destino aos portos do Sul. A análise é da Biond Agro.

Para atingir a estimativa de exportar 38 milhões de toneladas em 2026, o Brasil precisaria embarcar 12 milhões de toneladas em novembro e dezembro. Até o momento, porém, a programação de embarques para novembro segue reduzida.

“O produtor enfrenta um mercado com menos compradores no curto prazo. A exportação perdeu força e a indústria ainda está abastecida, o que limita a capacidade de negociar preços melhores. Por enquanto, não há sinais suficientes para apostar em uma recuperação imediata”, afirma Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.

Exportações perdem competitividade

A pressão sobre o mercado brasileiro também vem dos Estados Unidos, onde a expectativa de uma oferta maior que a prevista pesa sobre as cotações. A queda dos preços na Bolsa de Chicago, combinada com o dólar abaixo de R$ 5, reduziu a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.

Advertisement

Com menos atratividade para exportação, mais cereal fica disponível no mercado interno. A indústria, no entanto, ainda não precisa ampliar as compras. No Centro-Oeste, boa parte dos compradores tem estoques suficientes até novembro ou dezembro e deve voltar ao mercado conforme a necessidade de reposição.

Etanol de milho pode ajudar a sustentar os preços

O avanço da produção de etanol de milho pode contribuir para equilibrar a oferta e a demanda. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento de 6,6% na produção do biocombustível na safra 2026/27.

O impacto sobre as cotações, contudo, depende da retomada das compras pelas indústrias. Até lá, a oferta disponível e o ritmo limitado das exportações tendem a manter a pressão sobre os preços.

Armazenagem e caixa devem orientar a venda

Diante desse cenário, a Biond Agro recomenda que o produtor avalie a necessidade de caixa e a disponibilidade de armazenagem antes de definir o momento da venda.

Quem precisa de recursos ou de espaço nos silos para receber a soja pode negociar o milho gradualmente com a indústria, em lotes com prazos curtos de entrega.

Advertisement

Já os produtores com estrutura para armazenar o cereal e condições financeiras para esperar podem avaliar a venda futura. Na B3, o contrato de milho com vencimento em novembro fechou a R$ 65,40 por saca em 23 de outubro. O contrato para março de 2027 encerrou a R$ 75,50, uma diferença de R$ 10,10 por saca.

Esse diferencial, porém, precisa ser comparado aos custos de armazenagem e de capital para verificar se compensa adiar a comercialização.

“Quem precisa liberar espaço ou fazer caixa não deve depender de uma alta no curto prazo. Para o produtor que pode guardar o milho, os contratos futuros oferecem uma alternativa, mas é preciso colocar os custos na conta antes de decidir”, afirma Isabella.

O que pode mudar o mercado do milho

Segundo a Biond Agro, uma mudança antecipada no cenário dependeria de embarques de 6 milhões a 7 milhões de toneladas por mês em novembro e dezembro, de uma alta do dólar acima de R$ 5,22 ou da normalização das hidrovias do Norte.

Até que esses fatores se concretizem, a tendência é de pressão sobre os preços disponíveis. A demanda interna pode ajudar a sustentar as cotações a partir de dezembro, quando a indústria precisar recompor os estoques.

Advertisement
agro.mt

Recent Posts

Brasil deve importar até 14% menos fertilizantes em 2026

As importações brasileiras de fertilizantes podem recuar entre 12% e 14% em 2026, mesmo diante…

1 minuto ago

Não tenho dificuldade de reconhecer o resultado da eleição, diz governador Otaviano Pivetta

Governador afirmou que manterá uma “relação respeitosa” com presidente Lula, apesar de ver maior ganho…

17 minutos ago

Semeadura do arroz no Brasil atinge 38,2% sob impacto de chuvas irregulares – MAIS SOJA

Arroz/BR: 38,2% semeado. No RS, as precipitações oscilaram entre as regiões produtoras, registrando um clima…

26 minutos ago

Mato Grosso lidera produção de etanol de milho no Brasil e concentra 60,72% do volume

Mato Grosso respondeu por 60,72% da produção brasileira de etanol de milho entre julho e…

46 minutos ago

Campo Mourão recebe evento sobre produção orgânica nesta quinta-feira

Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, recebe nesta quinta-feira (29) a 5ª edição do Caminhos…

52 minutos ago

Ação conjunta da PM e PRF apreende 7,9 kg de skunk e prende dois homens na BR-070 em Cáceres

Entorpecente conhecido como ‘super maconha’ estava escondido em veículo abordado durante fiscalização na faixa de…

53 minutos ago