Mato Grosso respondeu por 60,72% da produção brasileira de etanol de milho entre julho e setembro de 2026, com 1,76 milhão de metros cúbicos. O volume coloca o estado à frente dos demais polos industriais do país, em um cenário de expansão do uso do cereal na fabricação de biocombustíveis.
Os dados foram apresentados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em seu boletim semanal da cultura do milho, com base em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
No Brasil, a produção de etanol de milho somou 2,90 milhões de metros cúbicos no terceiro trimestre de 2026, alta de 23,71% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço ocorreu em um ritmo superior ao da produção total de etanol, que chegou a 14,51 milhões de metros cúbicos, com crescimento de 0,80% na comparação anual.
O desempenho indica uma ampliação da participação do milho na indústria brasileira de biocombustíveis. Em um ano, a parcela do etanol produzido a partir do cereal passou de 16,29% para 20% do total nacional no período de julho a setembro.
A mudança também reforça a importância de Mato Grosso para o abastecimento das usinas e para a demanda industrial pelo grão, que ganha outra finalidade além da alimentação animal e de outros usos já consolidados no mercado.
Além de Mato Grosso, outros três estados se destacaram na produção de etanol de milho no período. Mato Grosso do Sul registrou 539,22 mil metros cúbicos, seguido por Goiás, com 262,02 mil metros cúbicos, e Maranhão, com 220,29 mil metros cúbicos.
Juntos, os quatro estados concentraram 95,92% da produção brasileira estimada do biocombustível à base de milho entre julho e setembro. A concentração evidencia o peso desses polos na atividade industrial e, especialmente, a posição de Mato Grosso nesse mercado.
O avanço nacional de 23,71% na produção de etanol de milho, diante do crescimento de menos de 1% no volume total de etanol, mostra que o cereal ampliou sua participação na composição da oferta brasileira.
Esse movimento aumenta a relevância do milho como matéria-prima industrial e fortalece a conexão entre a produção agrícola e o setor de energia, especialmente nos estados que concentram as usinas.
Uma das características que favorecem o uso do milho na produção de etanol é a possibilidade de armazenamento do grão. Diferentemente da cana-de-açúcar, cuja disponibilidade para processamento está mais ligada ao ciclo de colheita, o cereal pode ser estocado e utilizado ao longo do ano.
Essa condição permite que as usinas organizem o abastecimento para além dos períodos de colheita, contribuindo para a continuidade das operações industriais. A disponibilidade de matéria-prima armazenada também ajuda a reduzir a dependência da sazonalidade agrícola.
Para Mato Grosso, onde a produção de milho tem grande relevância, a transformação do grão em biocombustível representa mais um canal de demanda interna. Na safra 2025/26 o estado colheu 58 milhões de toneladas, volume superior as 51 milhões de toneladas registradas na soja. O setor industrial passa a integrar o conjunto de mercados que absorvem a produção estadual.
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