O mercado brasileiro de soja registrou alguns ajustes positivos nos preços nesta terça-feira (6), acompanhando os ganhos na Bolsa de Chicago. Apesar da reação, a comercialização ficou travada, com os players afastados e a liquidez em níveis baixos.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o produtor segue concentrado nos trabalhos de campo, buscando acelerar o plantio após as chuvas recentes e benéficas. Ao mesmo tempo, os prêmios não apresentaram alterações relevantes e o dólar continuou em patamares desfavoráveis.
“Os preços tiveram alguns ajustes de alta frente aos ganhos em bolsa, mas os players continuam afastados. No geral, o mercado segue lento e sem muitas novidades”, resume Silveira.
No mercado físico, as principais praças brasileiras apresentaram movimentos distintos nesta terça-feira:
Os contratos futuros da soja fecharam em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nesta terça-feira. O mercado deu continuidade ao movimento de recuperação técnica iniciado na segunda-feira, após os preços terem atingido o menor nível em cinco semanas na semana passada.
Os participantes acompanham a decisão do governo Trump sobre o uso de diesel, o clima nos Estados Unidos e o desempenho dos mercados vizinhos, diante da intensificação do conflito no Mar Negro.
Os operadores também começam a posicionar suas carteiras antes do relatório de outubro do USDA, que será divulgado na sexta-feira. O atraso na colheita da soja aumenta as preocupações de que o Departamento possa reduzir as estimativas para a produtividade da safra norte-americana.
Segundo o USDA, até 4 de outubro, a colheita da soja nos Estados Unidos havia alcançado 25%, contra 17% na semana anterior. A média dos últimos cinco anos para o período é de 33%.
Em relação às condições das lavouras, 57% estavam classificadas entre boas e excelentes, 29% em situação regular e 14% entre ruins e muito ruins. Na semana anterior, os índices eram de 58%, 29% e 13%, respectivamente.
A ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que permite temporariamente o uso de diesel tingido de vermelho e isento de impostos por caminhoneiros que normalmente utilizariam combustível tributado, deve trazer benefícios limitados aos agricultores norte-americanos diante do aumento dos custos dos insumos.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 2,50 centavos de dólar, ou 0,19%, a US$ 12,80 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,97 1/2 por bushel, com elevação de 3,00 centavos de dólar, ou 0,23%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 0,40, ou 0,11%, a US$ 347,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 69,35 centavos de dólar, com ganho de 0,73 centavo, ou 1,06%.
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,49%, negociado a R$ 4,9771 para venda e a R$ 4,9751 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9451 e a máxima de R$ 4,9861.
A reação desta terça-feira ocorre após uma forte queda registrada no mercado brasileiro na segunda-feira (5). Na ocasião, os preços recuaram entre R$ 6 e R$ 8 por saca, dependendo da praça, chegando a R$ 10 em algumas regiões. O movimento foi influenciado principalmente pela forte queda do dólar, que encerrou o dia em R$ 5,00, com baixa de 4,11%.
Segundo Rafael Silveira, a queda foi pontual e ocorreu principalmente nas indicações dos compradores. O analista explica, porém, que é preciso diferenciar a queda nas indicações dos compradores dos negócios efetivamente realizados. De acordo com Silveira, os produtores estão segurando as ofertas e esperando preços mais altos, o que aumentou a diferença entre os valores pedidos pelos vendedores e aqueles indicados pelos compradores.
“São indicações dos compradores que recuaram, não quer dizer que a gente está tendo negócios necessariamente nesses períodos. O produtor está segurando as ofertas a preços mais altos”, afirmou.
Mesmo com a pressão sobre as cotações, a comercialização da safra nova avançou. Segundo Silveira, 33% da nova safra já foi comercializada, contra 20% a 22% no mesmo período do ano passado.
Para o analista, o impacto da queda sobre as margens dos produtores ainda é limitado. Isso porque muitos aproveitaram os preços mais elevados registrados nos últimos meses para fixar os custos de produção e negociar antecipadamente parte da nova safra.
“Por enquanto, não traz um peso relevante, porque a comercialização já andou bem. Os produtores aproveitaram para fixar custos de produção, na sua grande maioria, e já pegaram preços negociados para a safra nova a cotações antes dessa queda”, explicou.
O cenário, no entanto, pode mudar caso o movimento de baixa continue. Segundo o analista, uma manutenção da pressão sobre os preços ou novas quedas começariam a pesar mais sobre as margens dos produtores.
“Se persistir esse movimento, sim, já começa a mexer um pouco na margem. É um impacto que assusta um pouco no curto prazo. Se permanecer o movimento, pesa mais à frente”, afirmou.
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