Com o avanço da preparação para a safra 2026/27 de soja, o manejo de plantas daninhas volta a exigir atenção dos produtores. Em muitas regiões, a cultura que antecede a soja é o milho segunda safra. Após a colheita, é preciso observar o que permanece na área e o que emerge no período entre as duas culturas.
Segundo o pesquisador da Embrapa Soja Fernando Adegas, as plantas daninhas podem ter permanecido na lavoura durante o cultivo do milho ou nascer depois da colheita. Elas surgem a partir de sementes que já estavam no solo e encontram condições para germinar, além de poderem escapar do controle realizado durante a cultura anterior.
“Quando a gente pensa numa nova safra, vamos iniciar uma nova safra sem plantas daninhas presentes na área quando nós formos semear a soja”, diz Adegas.
O período entre a colheita do milho e a semeadura da soja exige atenção porque algumas plantas podem apresentar desenvolvimento mais avançado. Segundo o pesquisador, elas podem ter sobrevivido ao manejo realizado durante o milho e ainda enfrentar condições de estresse provocadas pela própria colheita, pelo frio ou pela falta de chuva, o que pode dificultar o controle.
Por isso, Adegas aponta o monitoramento como o primeiro passo. O produtor deve identificar quais espécies estão presentes, o estádio de desenvolvimento das plantas e as condições em que elas se encontram antes de definir o manejo.
Em situações de maior dificuldade de controle, o manejo químico pode exigir aplicações sequenciais, estratégia que permite trabalhar com mais de uma aplicação em momentos diferentes. A decisão, entretanto, depende das espécies presentes e das condições encontradas na lavoura.
Outro ponto de atenção é a palhada deixada pelo milho sobre o solo. As plantas daninhas podem ficar escondidas sob essa cobertura e, dessa forma, não receber adequadamente a aplicação. Adegas recomenda esperar que a palhada se acomode e que as plantas fiquem expostas antes do manejo.
“As plantas daninhas muitas vezes estão embaixo dessa superfície, embaixo dessa palhada. Então, outra coisa, a gente tem que esperar um pouco depois da colheita do milho que já aconteceu, esperar essa palhada se assentar e essas plantas ficarem expostas para a gente poder aplicar, porque precisa atingir essas plantas”, explica.
A chamada dessecação de pré-semeadura tem justamente o objetivo de reduzir a presença dessas plantas antes da entrada da soja. O controle é importante porque as plantas daninhas competem com a cultura por água, luz e nutrientes e podem provocar perdas de produtividade. “O controle de plantas daninhas não aumenta a produção, mas pode evitar que se perca porque elas competem com as culturas”, afirma Adegas.
Para o pesquisador, a preparação da área deve considerar o histórico da lavoura, as espécies encontradas, as condições climáticas e a proximidade da semeadura. A recomendação é evitar que plantas remanescentes do milho ou novas emergências atravessem esse período e cheguem ao estabelecimento da soja.
“O importante é fazer um bom manejo, limpar a área, que a gente chama de dessecação de pré-semeadura, para plantar soja no limpo”, conclui.
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