A intensificação da pecuária em bases sustentáveis e a expansão de sistemas integrados de produção exigem soluções tecnológicas capazes de superar gargalos históricos do campo.
Nas regiões tropicais, mais de 90% da carne bovina é produzida a partir do pasto. No entanto, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que cerca de 70% dessas pastagens apresentam algum grau de degradação. Esse cenário é provocado por gramíneas inadequadas às condições locais, manejo incorreto e falta de fertilidade do solo. Cerca de 70% das áreas utilizam uma única variedade lançada há quatro décadas.
Para reverter esse quadro, o avanço do melhoramento genético de forrageiras surge como uma ferramenta decisiva. A seleção de novos híbridos permite aos pecuaristas maximizar a produção por hectare sem a necessidade de expandir a fronteira agrícola. Além de restaurar a produtividade, a tecnologia assegura a rentabilidade e a preservação ambiental.
A Papalotla atua no desenvolvimento de híbridos gerados por ferramentas avançadas de melhoramento genético em parceria com a Aliança Bioversity-CIAT (Centro Internacional de Agricultura Tropical), localizado na Colômbia, possui o mais avançado programa de melhoramento de pastagens tropicais do mundo. A empresa produz sementes no México, na Tailândia e no Brasil para atender produtores de mais de 60 países. “Toda a nossa energia está em entregar ao pecuarista tropical uma forrageira que produza mais e melhor, enquanto ajuda na preservação do meio ambiente”, destaca o diretor global de pesquisa e desenvolvimento da Papalotla, Adriano Alves da Silva.
A variabilidade genética gerada no cruzamento de espécies distintas do gênero Brachiaria possibilita reunir em uma só planta características antes separadas. Essa tecnologia permite selecionar materiais específicos para diferentes ambientes do campo. “Nossos híbridos permitem endereçar dores dos pecuaristas de forma mais assertiva, aumentando a produtividade e rentabilidade da fazenda de forma sustentável”, pontua Silva.
Antes de chegarem ao mercado, os materiais passam por rigorosa validação no centro de pesquisa da Papalotla Sementes, o Centro de Investigação de Pastagens Tropicais – CIPAT, que mantém mais de 300 híbridos sob avaliação constante. Além disso, a empresa acompanha o desempenho técnico em condições reais em mais de 100 propriedades rurais brasileiras. “Este resultado ajuda o pecuarista a enxergar e perceber os benefícios de uma pastagem melhorada, o retorno sobre o investimento. Por isso hoje, 3 em cada 4 pecuaristas que experimentam nossos híbridos, voltam para comprar mais”, reforça o diretor.
O desenvolvimento de materiais voltados para ambientes sombreados viabiliza a manutenção do rendimento de forragem mesmo em áreas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e silvipastoris. O híbrido OKAPI® alcança até 17% de proteína bruta e 68% de digestibilidade, combinando elevado valor nutricional com resiliência de produção. Nos ensaios comparativos com o Marandu, o OKAPI® produziu cerca de 20 toneladas de matéria seca por hectare/ano sob 25% de sombra contra 15 toneladas, e atingiu 13 toneladas sob 50% de sombreamento ante 9 toneladas da variedade tradicional.
A arquitetura do pasto é marcada pelo hábito de crescimento decumbente e estolonífero, favorecendo o fechamento rápido e uniforme do solo. Essa estrutura reduz o solo descoberto, combate a emergência de plantas invasoras e auxilia na estruturação do solo, protegendo a área contra processos erosivos e auxiliando na ciclagem de nutrientes.
De acordo com a especialista em desenvolvimento de produto da empresa, Úrsula Bianchi Valença, a condução da pastagem exige planejamento do nível de luminosidade desde o plantio. “Para uma boa formação, o OKAPI® deve ser implantado a pleno sol ou em áreas com, no máximo, 25% de sombreamento. Essa condição favorece o estabelecimento rápido antes do fechamento do dossel”, explica Úrsula.
A especialista ressalta a capacidade de adaptação do material após o período inicial de estabelecimento da planta na área. “Depois de bem estabelecido, o híbrido tolera até 50% de sombra, mantendo boa produção de forragem, além da qualidade nutricional”, complementa a especialista em desenvolvimento de produto.
Para o manejo de pastejo rotacionado, a orientação técnica estabelece a entrada dos animais quando o pasto atinge entre 50 cm e 55 cm, com saída entre 20 cm e 25 cm. No manejo contínuo, a orientação é manter a altura média em cerca de 40 cm, utilizando a taxa de semeadura de 8 kg por hectare. O OKAPI® demonstra resiliência em solos bem drenados com pH entre 5 e 8 e fertilidade média a alta, mantendo o rendimento durante a seca e respondendo com vigor ao retorno das chuvas.
O desempenho em ganho de peso e capacidade de suporte reflete a eficiência na conversão da massa de forragem em produto final. Em acompanhamentos técnicos conduzidos em condições reais de produção, foram registrados ganhos médios diários de 650 g a 778 g por animal. As taxas de lotação mantidas nas áreas avaliadas variaram entre 2,2 UA/ha e 3,7 UA/ha sob diferentes níveis de sombreamento.
A oferta de forragem com alto teor de proteína e digestibilidade fornece nitrogênio aos microrganismos do rúmen e melhora o aproveitamento energético. Essa combinação favorece maior ganho diário individual, encurta o tempo necessário para o término do lote e eleva o total de arrobas produzidas por hectare.
Os dados obtidos nas avaliações de campo são traduzidos em fichas técnicas objetivas sobre adubação, palatabilidade, capacidade de suporte e velocidade de rebrota. Esse trabalho orienta a escolha correta do híbrido para cada tipo de solo e sistema de produção.
O diretor ressalta a importância de auxiliar o produtor a mensurar o retorno sobre o investimento realizado no pasto. “Esta informação é muito importante porque nós vendemos pasto e o pecuarista vende carne, leite, não é a mesma ‘moeda’. Precisamos ajudá-los nesta conversão”, argumenta Adriano Alves da Silva.
A ampliação do rendimento por hectare estimula a continuidade dos investimentos no manejo e na reforma das áreas rurais. “Quando o pecuarista investe corretamente, a rentabilidade aumenta e, com ela, vem o reinvestimento, criando um ciclo virtuoso”, conclui Silva.
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