A recomposição de R$ 2,9 bilhões em perdas acumuladas da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos estaduais pode produzir reflexos que vão além da folha de pagamento. A recuperação do poder de compra do funcionalismo representa mais recursos em circulação, com impacto principalmente sobre comércio e serviços.
Na prática, a RGA não fica apenas no bolso do servidor. A renda das famílias é distribuída principalmente entre habitação, que representa cerca de 35% dos gastos, transporte, com 20%, alimentação, com 17%, saúde, com 8%, além de educação e lazer, com 4% cada.
São recursos que chegam ao supermercado, farmácia, lojas, restaurantes, postos de combustíveis, prestadores de serviços e diferentes cadeias produtivas. Por isso, a recomposição também interessa ao comércio, à indústria e ao agronegócio, especialmente na Baixada Cuiabana, onde há maior concentração de servidores públicos.
A dimensão econômica fica ainda mais evidente quando considerada a estimativa de que as perdas da RGA retiram cerca de R$ 200 milhões por mês da capacidade de consumo dos servidores. Somados a aproximadamente R$ 100 milhões mensais relacionados ao problema dos consignados, seriam cerca de R$ 300 milhões por mês que deixam de movimentar a economia. A redução dessa renda disponível significa menos consumo, menor faturamento das empresas e reflexos sobre emprego e arrecadação.
Essa relação é acompanhada pelas entidades do setor. A Fecomércio-MT já apontou que a perda do poder de compra dos servidores afeta diretamente o comércio, enquanto a CDL Cuiabá destaca que o fortalecimento da capacidade de consumo das famílias contribui para ampliar vendas, emprego, renda e arrecadação. Segundo dados divulgados pela Fecomércio-MT, comércio e serviços estão ligados a cerca de 62% dos empregos de Mato Grosso e responderam por 49% da previsão de arrecadação de ICMS do estado em 2025.
A recomposição das perdas da RGA entrou no debate eleitoral com a defesa do pagamento do passivo pelo candidato ao governo Wellington Fagundes. A proposta é estabelecer uma forma de recuperar gradualmente as perdas acumuladas, com planejamento e dentro da capacidade financeira do Estado.
“Estamos falando de R$ 2,9 bilhões que podem voltar para a renda das famílias e movimentar a economia. É preciso olhar os dois lados dessa conta: existe o impacto para o Estado, mas também existe o efeito de milhares de famílias consumindo menos. Queremos construir uma solução responsável, recuperar o poder de compra dos servidores e acelerar a economia”, afirma Wellington.
A discussão sobre a RGA ganha, assim, uma dimensão econômica que ultrapassa o funcionalismo público. A recomposição significa recuperar renda que pode voltar ao mercado, movimentar empresas, sustentar empregos e gerar arrecadação. É dinheiro que sai da folha do servidor, mas circula pelo comércio, pelos serviços, pela indústria e pelas demais cadeias produtivas de Mato Grosso.
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