O emprego de fungicidas é uma ferramenta indispensável para o manejo fitossanitário da soja em áreas comerciais. Entretanto, a eficiência e a eficácia desses produtos no controle dos patógenos podem variar significativamente em função de uma série de fatores, com destaque para as condições climáticas e ambientais, além do momento de aplicação (timing) e a sensibilidade dos patógenos aos ingredientes ativos utilizados.
No manejo de doenças de maior complexidade e que exigem estratégias predominantemente preventivas, como a ferrugem-asiática da soja, causada por Phakopsora pachyrhizi, o momento de controle exerce papel central na proteção da cultura (FRAC, 2018). Embora o aumento do número de aplicações de fungicidas esteja associado, até determinado nível, ao incremento da produtividade da soja (Tura, 2023), a definição precisa do timing, isoladamente, não é suficiente para assegurar o máximo desempenho dos fungicidas.
Essa limitação é particularmente relevante no manejo de doenças policíclicas, como a ferrugem-asiática e a mancha-alvo, causada por Corynespora cassiicola, nas quais novos ciclos de infecção podem ocorrer sucessivamente ao longo do ciclo da cultura. Nessas situações, atrasos no controle, condições ambientais favoráveis à infecção, baixa deposição do produto no dossel inferior ou a utilização de ingredientes ativos com menor desempenho podem comprometer a proteção da lavoura, mesmo quando a aplicação é realizada dentro de uma janela de controle adequada.
Além disso, a interação entre patógeno, hospedeiro e ambiente, associada à pressão de seleção exercida pelo uso frequente de fungicidas, pode modificar a sensibilidade das populações de patógenos aos diferentes ingredientes ativos entre safras. Esse processo reforça a necessidade de um posicionamento criterioso dos fungicidas, considerando não apenas o momento de aplicação, mas também a escolha dos ingredientes ativos e seus mecanismos de ação, sendo imprescindível a rotação dos mesmos.
Dessa forma, o sucesso do controle químico das doenças da soja não depende exclusivamente de aplicar no momento correto, mas da integração entre timing, escolha do fungicida, sensibilidade do patógeno, condições ambientais e qualidade da aplicação. Mesmo uma aplicação tecnicamente realizada no momento adequado pode apresentar desempenho limitado quando outros componentes desse sistema de manejo não são corretamente considerados.
Atrelado a isso, a elevada pressão de doenças no momento da aplicação pode comprometer significativamente a eficiência dos fungicidas. Situações caracterizadas por elevada quantidade de inóculo, condições ambientais altamente favoráveis à infecção e rápida velocidade de progresso da doença podem reduzir o desempenho do controle, mesmo quando o fungicida é posicionado dentro da janela adequada. Na mancha-alvo, por exemplo, o agente causal Corynespora cassiicola apresenta elevada capacidade de sobrevivência em restos culturais e pode completar múltiplos ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da soja, favorecendo o aumento da pressão da doença e tornando mais desafiador o seu controle.
Além da pressão de doença, diversos fatores relacionados à aplicação e às características da lavoura podem interferir diretamente no desempenho dos fungicidas. A tecnologia de aplicação, a qualidade e a uniformidade da cobertura do dossel, as condições climáticas e ambientais durante e após a pulverização, especialmente a ocorrência de chuvas, a arquitetura das plantas, a dose utilizada e as características da formulação podem determinar a quantidade de ingrediente ativo efetivamente depositada e disponível para atuar sobre o patógeno. Dessa forma, mesmo uma aplicação realizada no timing adequado pode apresentar desempenho inferior quando esses fatores não são adequadamente manejados.
Nesse contexto, a escolha do fungicida deve considerar não apenas a doença predominante no momento da aplicação, mas também o complexo de doenças presente na área, o histórico fitossanitário da propriedade e a capacidade de desempenho dos produtos sob diferentes níveis de pressão. A priorização de fungicidas de maior performance, associada ao correto posicionamento dos ingredientes ativos e à adoção de boas práticas de tecnologia de aplicação, contribui para ampliar a proteção do dossel e reduzir o risco de falhas de controle. Assim, o timing é um componente essencial do manejo, mas sua efetividade depende da integração entre produto, dose, cobertura, ambiente e pressão da doença.
Uma vez adotadas as medidas necessárias para preservar a eficiência do fungicida, a definição de qual produto utilizar é tão importante quanto estabelecer o momento correto de aplicação, especialmente no manejo de doenças policíclicas, nas quais sucessivos ciclos de infecção podem ocorrer ao longo do desenvolvimento da cultura. Nesse contexto, fungicidas com características que favoreçam maior desempenho e consistência de controle assumem papel estratégico no manejo fitossanitário da soja.
Entre essas ferramentas, destaca-se o SEIV, da IHARA. A tecnologia da sua formulação favorece a absorção do produto pelas estruturas foliares e sua distribuição no tecido vegetal, além de proporcionar maior resistência à remoção pela chuva ou irrigação após a aplicação. Essas características contribuem para ampliar a proteção das folhas e conferir maior consistência ao desempenho do fungicida sob diferentes condições de campo.
Embora seja especialmente posicionado para o manejo da mancha-alvo, o SEIV também apresenta ação sobre a ferrugem-asiática, ampliando sua versatilidade dentro do programa de manejo fitossanitário da soja. Dessa forma, suas características de formulação e espectro de ação fazem do produto uma ferramenta de extrema relevância para estratégias que buscam maior eficiência e consistência no controle de doenças.
Além do SEIV, outra solução de alta performance desenvolvida pela IHARA para o manejo de doenças de difícil controle na cultura da soja, como a ferrugem-asiática e a mancha-alvo, é o FUSÃO FIX. O fungicida conta com uma formulação que favorece a rápida absorção e a distribuição uniforme dos ingredientes ativos na planta, sendo especialmente indicado para o fechamento do programa fitossanitário da cultura e contribuindo para a manutenção da eficiência no controle das doenças até as fases finais do ciclo.
Os resultados obtidos nos experimentos cooperativos reforçam o desempenho da tecnologia. Conforme Godoy et al. (2026), entre os fungicidas em fase de registro avaliados na safra 2025/2026 para o controle da ferrugem-asiática, o FUSÃO FIX apresentou o maior desempenho, alcançando 66% de controle da doença. Esses resultados evidenciam o potencial da ferramenta como uma importante alternativa para compor programas de manejo fitossanitário da soja, especialmente em estratégias que buscam elevada eficiência no controle das doenças e proteção da cultura durante o período final do ciclo.
Vale destacar que a busca por maior eficiência no manejo de doenças da soja não deve se concentrar exclusivamente em “quando aplicar”, mas também em “o que aplicar, como aplicar e em qual cenário epidemiológico aplicar”. Mesmo fungicidas de elevada eficácia dependem de um conjunto de condições para expressar seu potencial de controle. O melhor timing somente se converte em eficiência quando o produto atinge adequadamente o alvo, na dose necessária e sob condições que favoreçam sua ação, dentro de um programa de manejo coerente e integrado.
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FRAC. RECOMENDAÇÃO DE BOAS PRÁTICAS DE MANEJO DA FERRUGEM DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, 2018. Disponível em: < https://3f2c8573-584c-4b16-985f-14dc48f9ab81.filesusr.com/ugd/6c1e70_3d59f8587b214c9bae67d6c309adc3c5.pdf >, acesso em: 27/08/2026.
GODOY, C. V. Eficácia de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2025/2026: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Rede Fitossanidade Tropical. Séries Técnicas Fitossanidade Tropical, Comunicado Técnico, n. 7, 2026. Disponível em: < https://periodicos.ufv.br/STFT/article/view/24340/12470 >, acesso em: 01/09/2026.
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 219, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177349/1/Circ-Tec-219.pdf >, acesso em: 27/08/2026.
TURA, E. F. EXPLICANDO A CONTRIBUIÇÃO DO NÚMERO DE APLICAÇÕES DE FUNGICIDAS FOLIARES NA PRODUTIVIDADE DE LAVOURAS DE SOJA. Universidade Federal de Santa Maria, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/30300/DIS_PPGEA_2023_TURA_ENRICO.pdf?sequence=1&isAllowed=y >, acesso em: 27/08/2026.
Redação: Equipe Mais Soja.
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