Aprosoja MT leva produtores do mercado de Chicago à lavoura americana nos EUA

Agenda técnica reuniu análises sobre commodities, cenários geopolíticos, além da visita a uma propriedade familiar que soma mais de 170 anos

A Missão Estados Unidos 2026, organizada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), teve seu primeiro dia de programação técnica nesta segunda-feira (31.08), com um roteiro que uniu a leitura do mercado global de grãos à observação prática do campo norte-americano. O propósito da viagem é levar os associados a conhecer de perto as práticas de produção de soja e milho no país, comparar custos e tecnologias e trazer aprendizados aplicáveis à realidade mato-grossense.

Pela manhã, o grupo esteve em Chicago para palestras sobre o mercado global de commodities e a dinâmica da Chicago Board of Trade (CBOT), no CME Group, e para uma reunião com analistas do The Matthews Group, escritório de consultoria em comercialização de grãos. A pauta incluiu as relações entre Estados Unidos e China e seus reflexos nas exportações brasileiras, as perspectivas do esmagamento e do biodiesel, o panorama das safras norte-americanas, os impactos previstos do El Niño, os cenários de exportação e os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o preço dos fertilizantes.

Para o analista de grãos e oleaginosas da Marex Spectron, Lonn Taffel, esse tipo de aproximação sustenta a própria qualidade das análises de mercado. “É sempre importante promover essa troca de ideias, seja no Brasil, na Argentina, na China ou aqui nos Estados Unidos. Certamente, a tecnologia e essas trocas de conhecimento são muito importantes para o desenvolvimento e o avanço de todo o setor agrícola”, afirmou, em tradução livre.

Segundo ele, estimativas realistas sobre a safra brasileira, feitas a milhares de quilômetros de distância, só se tornam possíveis a partir da rede de clientes e do fluxo constante de dados vindos do Brasil.

A tarde, a comitiva seguiu para a Fazenda Crystal Creek Enterprises, em Moline, propriedade familiar com mais de 170 anos de história e referência na produção de grãos. O proprietário apresentou a área de armazenagem e o parque de máquinas, além das tecnologias usadas para conservar os grãos durante o inverno rigoroso da região e do sistema de plantio praticado pelos produtores locais.

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A forma de gestão da fazenda chamou a atenção do grupo. “É um modelo de cooperativa dentro dos Estados Unidos, onde juntam alguns produtores que fazem o plantio da área própria deles”, explicou produtor rural do Núcleo de Cláudia, Diogo Molina. Segundo ele, esses produtores também terceirizam as máquinas para colheita e produção em outras áreas, num arranjo que combina arrendamento de equipamentos e de terras.

O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, explica que nem tudo o que se vê no campo norte-americano cabe na realidade mato-grossense, e que o ganho da missão está justamente em identificar o que pode ser adaptado. “O principal intuito da missão é justamente o intercâmbio de informações. O produtor brasileiro vem aqui, aprende. Claro que nem todas as técnicas dá para replicar, mas ele pode aprimorar aquilo que faz e também ele traz informação daqui para lá, assim como nós sempre recebemos eles”, afirmou.

A reciprocidade tem histórico. O proprietário da Crystal Creek já esteve em Mato Grosso a convite da Aprosoja MT, o que transformou a recepção desta segunda-feira na contrapartida de uma relação construída nos dois sentidos. Para o presidente, o retorno mais imediato está na comparação entre os sistemas produtivos dos dois países. “Para nós é sempre importante tanto para a evolução, quanto para conhecer os custos deles e poder fazer os comparativos”, completou.

Diogo Molina, que participou da agenda da manhã em Chicago, resumiu o primeiro dia. “O conhecimento foi 10, a tecnologia maravilhosa, tem muita coisa para a gente aprender e levar para o Brasil”.

Até sexta-feira (04.09), a comitiva ainda passa por instituições de ensino, empresas de tecnologia e entidades representativas, além da Farm Progress Show, uma das maiores feiras agrícolas do mundo. A missão encerra a agenda técnica no fim da semana, com o retorno dos participantes ao Brasil.

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