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Nova publicação apresenta estratégias para enfrentamento da seca no cultivo do arroz de terras altas no cerrado – MAIS SOJA


Já está disponível para acesso e download gratuito no portal da Embrapa a publicação “Arroz de terras altas: sintomas de deficiência hídrica e estratégias de mitigação”. O documento é uma síntese atualizada sobre os sintomas da deficiência hídrica no arroz de terras altas e apresenta as principais estratégias para mitigação de seus efeitos. Ao integrar conhecimentos provenientes das áreas de fisiologia, bioquímica, genética, agronomia e manejo, oferece subsídios para pesquisadores, técnicos, estudantes e produtores. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento e a adoção de práticas produtivas mais resilientes, eficientes e sustentáveis, fortalecendo a capacidade de adaptação da agricultura às mudanças climáticas e assegurando a continuidade da produção de arroz de terras altas. A obra foi elaborada pela Embrapa Arroz e Feijão.

O arroz de terras altas no cerrado brasileiro é uma cultura bastante sensível à estiagem durante sua safra (novembro a março), o que pode reduzir drasticamente a rentabilidade da lavoura. A seca é causada por fenômenos meteorológicos com chuvas insuficientes e calor excessivo que leva à perda de água do solo acarretando deficiência hídrica nas plantas. Para diminuir esse tipo de impacto ocasionado por veranicos, a pesquisa da Embrapa defende algumas estratégias, dentre elas, práticas de manejo da lavoura, melhoramento genético da cultura e a realização da semeadura conforme o Zonea­mento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Em relação ao manejo da lavoura, a densidade de plantio de­sempenha papel relevante na quantidade e distri­buição de água disponível para as plantas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Mábio Lacerda, a quantidade de plantas semeadas em um mesmo espaço deve ser adequada e conduzida de modo a levar em conta recursos naturais, insumos e histórico da área de cultivo para equilibrar a competição por nutrien­tes, água e luz, fatores que podem limitar o processo produtivo. Em anos mais secos, o objetivo é evitar que a lavoura “gaste” água cedo demais por competição excessiva entre plantas.

“De modo geral, em ambientes favoráveis e com cultivares de arquitetura moderna, costuma-se trabalhar com espaçamento entre 17 e 25 cm, com 50 a 70 sementes por metro. Esse estabelecimento da população de plantas de modo planejado permite melhor eficiência do uso de recursos”, disse o pesquisador.

A época de plantio é também uma das práticas de manejo mais eficazes para reduzir a perda de rendimento de grãos do arroz de terras altas. Ela está relacionada à previsão das fases de desenvolvimento das plantas e permite evitar que etapas sensíveis coincidam com períodos mais comuns de restrição hídrica. Há vários estudos da Embrapa que mostram que a se­meadura tardia leva ao declínio na rentabilidade da lavoura, devido às condições ambien­tais adversas, como a baixa disponibilidade de água no solo.

Nesse sentido, existe uma ferramenta que vem ao auxílio de técnicos e agricultores chamada Zonea­mento Agrícola de Risco Climático (aplicativo Zarc – Plantio Certo). O ZARC tem como base o risco agroclimático e indica janelas de cultivo mais propícias ao desenvolvimento da cultura do arroz de terras altas, conforme o ciclo de cultivares, a época de semeadura, o tipo de solo e a localidade de plantio, diminuindo as chances de exposição da lavoura a condições desfavoráveis. O ZARC – Plantio Certo pode ser acessado de forma gratuita.

Além do controle da densidade e época de plantio, a escolha da cultivar também traz impacto para a lavoura. O programa de melhoramento do arroz de terras altas da Embrapa avalia, por exemplo, plantas para tolerância à deficiência hí­drica desde 2004. Uma das cultivares resultantes desse trabalho é a BRS Esmeralda que possui ampla adaptação de cultivo e estabilidade de produção, além de rusticidade.

De acordo com o coordenador do programa de melhoramento de arroz de terras altas da Embrapa Arroz e Feijão, Adriano Castro, “atualmente, além de duas popu­lações de seleção recorrente, cruzamentos especí­ficos são feitos para tolerância à deficiência hídrica, em que populações segregantes são conduzidas e avaliadas sob condições de estresse”, pontuou.

Adriano Castro explicou também que mais recentemente foram incorporadas novas linhas de pesquisa para aprimorar a oferta de cultivares no segmento. Segundo ele, o melhoramento de plantas passou a usar ferramentas biotecnológicas para seleção assistida por marcadores moleculares, seleção genômica e edição gênica direcionada, a fim de facilitar a identi­ficação de genes de tolerância à seca em diversas combinações parentais. O objetivo é tornar mais efi­ciente e rápido o desenvolvimento de cultivares.

Ainda sobre questões de manejo da lavoura, existem estratégias importantes para conservação da água e enfrentamento da seca como o Sistema Plantio Direto e a rotação de culturas. O primeiro reduz a deficiência hídrica do solo porque a palhada minimiza a perda de umidade do solo para a atmosfera em dias quentes. “O Sistema Plantio Direto também atua no controle do escorrimento superficial e nas perdas de água da chuva, propiciando maior armazenamento de água no solo e menor risco de estresse para o arroz de terras altas”, complementou Mábio Lacerda.

No que diz respeito à rotação de culturas, a pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Anna Lanna, ponderou que diferentes cultivos em sucessão propiciam me­lhoria da qualidade física, química e biológica do solo, como por exemplo, a capacidade de retenção de água, a maior concentração de matéria orgânica, e a diversidade da população microbiana benéfica às plantas. “A rotação é virtuosa tanto devido a alterações na estrutura fí­sica do solo, que afetam diretamente a dinâmica da água e as características de enraizamento das plantas, quan­to às alterações na composição biológica do solo, como a presença de microrganismos solubilizadores de nutrientes essenciais às plantas e que influenciam o nível de tolerância das plantas ao estresse hídrico”, esclareceu a pesquisadora.

Complementarmente, Anna Lanna afirmou que a manutenção de um sistema de produção economicamente viável deve preconizar a diversidade de microrganismos biologicamente integrados que ajudam na ciclagem de nu­trientes do solo, além de ação mútua com as plantas para minimizar os efeitos da deficiência hídrica. Ela citou que os três principais grupos de microrganismos benéficos para promover a saúde das plantas, especialmente sob condições de estresse, são rizobactérias promotoras de crescimento de plantas, fungos micorrízicos arbusculares e rizóbios fixadores de nitrogênio. Todos eles são nativos do solo, mas podem ser introduzidos nas lavouras, conforme a necessidade, como produtos já comercialmente disponíveis, denominados bioinsumos.

“Esses microrganismos podem melhorar a capacidade de retenção de água pelas plantas, so­lubilizar fósforo, produzir fitormônios como auxinas e citocininas, fixar nitrogênio atmosférico, facilitar a decomposição de resíduos vegetais aumentando o teor de húmus do solo para a melhoria funcional de um agroecossistema”, comentou Anna Lanna.

Segundo Adriano Castro, que também é Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Arroz e Feijão, todas essas estratégias de redução do impacto da seca integram conhecimentos das áreas de fisiologia, bioquímica, genéti­ca, agronomia e manejo, oferecendo subsídios a pesquisadores, técnicos, estudantes e produ­tores. “O objetivo final é contribuir para o desenvolvimento e a adoção de práticas produtivas mais resilientes, eficientes e sustentáveis, fortalecendo a capacidade de adaptação e a continuidade da produção de arroz de terras altas em sistemas tropicais”, concluiu.

Fonte: Embrapa



 

FONTE

Autor:Rodrigo Peixoto (MTb/GO 1.077) – Embrapa Arroz e Feijão

Site: Embrapa

agro.mt

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